Traineira - Isolamento da casa de máquinas
- Água potável - Vidros - Holding Tanks - Água dos chuveiros - Isolamento Acústico - Divinicel- Pisos - Pisos (2) - Projeto
de um Trawler - Planejamento de Viagem - Isolamento
térmico - Vida Marinha Dificuldades
- As muitas tarefas de uma mulher - Custo
de Vida - Vela ou Motor - Navegação
sob tempestade
Traineira
... minha idéia é
construir também uma Traineira de no máximo onze metros e meio, que possui a desvantagem
de ser de madeira e não poder viajar o mundo...
Barcos de madeira são
muito marinheiros, muito fortes e seguros, e trazem consigo ainda toda uma poesia que só
a madeira permite.
As boas tintas que hoje se
fabricam permitem uma manutenção mais fácil e uma conservação melhor.
Só não concordo que com um
barco destas dimensões você não pode viajar o mundo.
Pode, e de diversas maneiras.
11.5 metros é uma ótima dimensão para o mediterrâneo, onde as marinas geralmente são
feitas para 12 metros.
É também uma medida ideal para cruzar a Europa pelos rios e canais, fazer toda a
França, Suíça, Alemanha, Holanda, Bélgica, ir à Baviera e depois pelo Danúbio até o
Mar Negro.
Diversos amigos nossos fizeram este roteiro.
Para atravessar o atlântico, ou muita coragem e planejamento, ou basta embarcar seu
precioso barco num navio de carga.
Custa muito pouco e você pode viajar junto.
Um amigo nosso alemão, o Lothar, possui um 12 metros construído por ele mesmo.
A cabine de popa é de bom tamanho e possui um bom banheiro.
No centro, a casa de máquinas e sobre ela a sala que também é sala de comando.
Na proa, descendo uma pequena escada, a cozinha e um camarote para duas pessoas com outro
banheiro.
Não há flybridge.
Na popa, sobre o camarote há um segundo posto de comando, com visão por sobre o teto da
cabine, muito conveniente para pilotar em canais e atracar sozinho de popa.
A motorização é por dois Iveco de 270 hp cada. Ele instalou reversores mecânicos tipo
Hurt, assim pode navegar com um só motor quanto tempo quiser.
Ele de fato sempre navega com um só motor, a 7 nós.
Quando deseja, liga os dois e pode atingir 20 nós e fugir do mau tempo.
Ele veio com sua mulher do Báltico, subiu toda a costa da Noruega, desceu até a Holanda,
entrou pelo Reno, atravessou a Suíça até o Mediterrâneo.
De lá navegou até a Croácia, onde nos encontramos.
Isolamento da Casa de
Máquinas
Mas não entendi, qual foi o
material que voce usou como base do piso: 1. convés e 2. do salão e dependencias
internas. Entendi que voce cobriu com o piso da Vetus, mas sobre o que? E na parte interna
do barco?
Nossa principal preocupação foi ter um piso
realmente aderente, pois quebrar uma perna num barco quando se está só pode ser um
perigo.
Os pisos em fibra podem ser muito bons, há
antiderrapantes com grandes prismas, é o que temos no fly brigde, saiu assim já do
molde, funciona bem.
Mas nosso deck foi laminado por cima, e a
superfície teria que ser tratada de algum modo.
Optamos pelo piso da vetus, que é colado com
cola de contato, e acabou soltando aos poucos. O sol muito forte da Baia descorou e
desbotou tudo. As manchas de óleo ou outros materiais se prendiam indelevelmente nele.
Em Pescara, troquei todo o piso pelo Treadmaster
americano, caro mas incrível.
Colei tudo com poliuretano, nunca mais soltou. A
cola original deles é epoxi, deve ser boa também, mas é muito cara.
O treadmaster não retém manchas, ate agora
não desbotou, é confortável, acho que é o que ha de melhor.
comprei na Europa, www.tiflex.co.uk, nos EUA
deve ser mais barato.
Internamente todo mundo é unanime de que nada
é melhor que o carpete.
É confortável, você pode andar descalço ou
de meias, não escorrega.
Tudo que cai no chão fica imóvel, é fácil de
achar. Sujeira fica no carpete (cabelos, etc) não vai para o porão.
Basta aspirar uma vez ou outra, tudo fica limpo
outra vez.
Na cozinha colocamos formica, mas hoje acho que
um bom piso de borracha anti derrapante seria melhor.
Nosso carpete tem 8 anos, está impecável,
graças à Milena e a boa qualidade.
No meu caso, o convés será de fibra,
com aquele corrugado antiderrapante na própria fibra, do tipo dos que saem já do molde (
acho que deve ser igual ao do teu fly ). Não sei se além disso precisa mais o piso
aderente tipo vetus, que voce acha?
No fly, será igual ao
sistema que voce mencionou.Virá direto da forma.
Havia pensado em carpete para
a parte interna. A pergunta que te faço é: embaixo dos carpetes, voce laminou fibra ou
é madeiramento? Se madeira, qual? Se fibra, voce fez uso de divinicell?
Nos banheiros, o piso é de
fibra?
Outra questão: as
anteparas, voce fez com que tipo de material?
O antiderrapante que sai do molde em geral
é perfeito.
No piso superior, (sala e pilot house) tenho
embaixo do carpete uma espuma de uns 8 mm para ficar mais macio, e ainda por baixo um
sanduíche de balsa e fibra, que é a própria estrutura do piso.
No casco, são painéis de compensado (cedro)
móveis para dar acesso aos porões. O Carpete vai solto sobre o piso, fácil de remover.
Os banheiros também tem piso de fórmica, mais
precisamente formipiso.
As anteparas são em compensado de cedro. As
três principais, que formam quatro compartimentos estanques, são de duas folhas de
compensado de cedro de 25mm separadas por uma distância de 10 cm, que foi posteriormente
preenchida com poliuretano expandido.
É muito
sólida e ótimo isolante acústico
O isolamento térmico do
Sanmarino voce escreveu que fez com poliuretano revestido com camada de fibra não
combustível, no casarío, decks e convés, certo?
A pergunta é: no convés de proa, pilot( piso ) e teto, teto do salão tenho divinicell
de 25 mm, que me disse o construtor ser um excelente isolante termoacústico. Qual sua
experiência?
Nas paredes do casario, pilot e casco, voce também tem poliuretano, certo? Que voce acha
de usarmos lá de vidro ou de rocha? É facil de aplicar, não precisaria o revestimento
da fibra a mais e sairia mais barato. Que voce acha? Será que nesses casos o barato sai
caro?
Acho que o Divinicel vai cumprir bem o papel. A lã
de vidro ou de rocha também, e é incombustível.
Coloquei muito poliuretano para tornar o San Marino insubmersível, i. é. com flutuação
positiva.
Com o tanque auxiliar vazio, mesmo totalmente cheio de água o San Marino não afunda.
O
isolamento acústico dos motores voce me falou da espuma com uma camada de chumbo. Seria
aquela tipo casca de ovo que o pessoal costuma utilizar também nos estudios de
gravação? Se for, uma camada destas seria suficiente para diminui o ruido no piso do
salão e na antepara em direção a proa ( que no meu caso é separação dos quartos
)?.Haveria necessidade de mais algum material, tipo isopor, duplo fundo com poliuretano,
etc?
Não, não é. Aquele tipo de caixa de
ovo é para câmaras anechoicas, para matar toda e qualquer reverberação. Claro que
ajudaria muito numa casa de máquinas, mas só para os sons agudos.
O sanduíche de espuma e chumbo, com a placa de chumbo flutuando entre duas camadas de
espuma, retém também os sons graves, que são os mais fortes numa casa de máquinas e os
mais difíceis de amortecer.
É também importante sobre tudo isto ter uma camada de proteção (no nosso caso é
mylar) para dar boa aparência e impedir que óleo ou água entre na espuma.
Acho que o Mylar está hoje em dia proibido, mas deve haver um substituto.
Nos
banheiros, a agua dos chuveiros, pias e cozinha, no teu caso, descem para o porão ou voce
fez um coletor de agua para jogar a agua externamente.?
Não, não deixe a água das pias, chuveiros e
mesmo do piso do banheiro correr para o porão.
Elas vão pouco a pouco causar mau cheiro.
Faça uma pequena caixa onde esta água se junta e coloque uma bomba automática para
esvazia-la.
Nós temos duas, uma na proa e outra na popa, com duas bombas automáticas tipo PAR de
diafragma que são difíceis de entupir.
A tomada de uma fica acima da outra, e a segunda só entra em funcionamento caso a
primeira não dê conta.
Entre a caixa e a bomba temos filtros de grande tamanho que retêm cabelos etc e são
limpos uma vez por ano.
Como
você fez com o esgoto? Holding tank ou misto deste com triturador com descarga para a
água? Como você fez o holding? que tamanho, e qual é a autonomia média dele para quem
mora no barco? Este tanque processa só as matérias sólidas e o que acontece com os
líquidos?
Os toaletes funcionam com água doce (Microphor)
e ar comprimido. A cada descarga dois litros de água doce vão para o tanque.
Temos três tanques de 250 litros cada. Um na popa para nosso banheiro e dois na proa para
os quatro banheiros de hospedes.
O sistema agüenta uma semana sem problemas. Aí tem que descarregar.
Nós misturamos enzimas que destroem bacterialmente os sólidos inclusive o papel
higiênico.
Uma bomba maceradora Jabsco para cada caixa efetua a descarga no mar ao apertarmos uma
tecla com mola para não esquecermos ligado.
No San Marino não há possibilidade de se efetuar a descarga diretamente no mar. Tudo vai
para os holding tanks.
Nossos tanques são de alumínio naval, pois usamos água doce. Se for usar água do mar,
acho mais conveniente usar também o poliuretano, mas cuide de ter paredes grossas para
não ser permeável ao cheiro.
Também os tubos de conexão devem ser de vinil com paredes grossas, por causa do mau
cheiro.
Estive pensando em fazer as janelas do
salão ( laterais ) fixas e em cor rayban que você acha? Será que é necessário
faze-las de correr ou de abrir de qualquer outro esquema, do aspecto ventilação? Obs no
pilot, terei as portas laterais, a gaiuta superior e um dos vidros basculantes ( de
frente). O fundo do salão seriam portas totais, como nas lanchas. Que você opina disto
tudo?
Os vidros do salão, devem ser
temperados, laminados ou policarbonato? Que espessuras? E os vidros do pilot, como devem
ser?
O vidro ray ban ou escuro, aí no Brasil é uma
boa pois diminui o calor.
Por aqui é o contrário, principalmente no inverno. Os dias são escuros e curtos, o
vidro escuro tira toda a alegria do ambiente.
Uma solução mista , que nós escolhemos, foi de colocar vidros transparentes e caso um
dia for necessário, basta colar um filme escuro sobre ele. É uma boa solução.
Ventilação, quanto mais melhor. Mas vidros de correr são muito sujeitos a vazamentos e
não há nada que incomode mais em um barco que goteiras.
Nós acabamos comprando as janelas da Freeman por causa disto. Nunca tivemos nenhum
vazamento.
Quanto aos vidros basculantes na proa, também temos dois e nunca usamos pois só as
portas laterais já são suficientes e pelos vidros entra água quando se está navegando.
Estes tem que ser transparentes senão você perde totalmente a visão noturna.
Quando à resistência, creio ser mais ou menos
a mesma. Nós escolhemos temperados, com medo da lamina interna do vidro laminado ficar
manchada com o tempo. O policarbonato ou mesmo o lexan pode vir a ter o mesmo problema e
é ainda sujeito à ser riscado por abrasivos. Basta ter cuidado.
A espessura deve ser calculada e há uma formula para isto nas normas da ABS. O livro
está no barco, estamos passado o inverno no seco, quando voltarmos em abril posso te
passar. Dá tempo? Se não der me avise, peço para algum amigo na ABS.
Como é
feita a ligação do dessalinizador com os tanques de água principal? Você usa esta
água do dessalinizador para beber? Quando você está nos porto ou marinas, também
utiliza o dessalinizador?
O dessalinizador está ligado aos tanques com um
tubo de vinil reforçado de 6 mm.
Não usamos a água para beber, mas só por frescura, pois a água é boa, muito limpa e
pura.
Em portos e marinas usamos a água local, que se mistura à água produzida pelo
dessalinizador, e por isto não bebemos a água dos tanques.
Você
comentou no ultimo email sobre o isolamento térmico do San Marino. Alguma sugestão?
Aproveito para saber também do isolamento acústico da sala de maquinas
O isolamento térmico é uma das coisas mais
importantes pois te permite viver sempre comodamente.
Nós temos 10 cm de poliuretano expandido, em volta
de todo o casco, casario e decks. Como o poliuretano é perigoso em caso de fogo pois gera
gases venenosos, laminamos sobre ele uma fina camada de fibra de vidro incombustível.
Abaixo da linha dágua não precisa
isolamento, a água faz o mesmo papel.
O isolamento acústico é muito fácil. O nosso é
da empresa Soundow (USA), depois te passo os dados.
Dentro da sala de maquinas, nos tetos e nas
anteparas de divisão, há uma camada de espuma de plástico, fire retardant, coberta de
milar prateado. No meio desta espuma há uma lamina de chumbo fina. O chumbo segura os
sons graves, a espuma os agudos e elimina a reverberação.
Nas paredes do casco, só a espuma e o milar, não
precisa do chumbo pois o barulho vai para fora.
É muito fácil de aplicar, colado, e as vezes peso
com uns suportes especiais, e a aparência final é magnifica.
O isolamento térmico é uma das coisas mais
importantes pois te permite viver sempre comodamente.
Nós temos 10 cm de poliuretano expandido, em volta
de todo o casco, casario e decks. Como o poliuretano é perigoso em caso de fogo pois gera
gases venenosos, laminamos sobre ele uma fina camada de fibra de vidro incombustível.
Abaixo da linha dágua não precisa
isolamento, a água faz o mesmo papel.
O isolamento acústico é muito fácil. O nosso é
da empresa Soundow (USA), depois te passo os dados.
Dentro da sala de maquinas, nos tetos e nas
anteparas de divisão, há uma camada de espuma de plástico, fire retardant, coberta de
milar prateado. No meio desta espuma há uma lamina de chumbo fina. O chumbo segura os
sons graves, a espuma os agudos e elimina a reverberação.
Nas paredes do casco, só a espuma e o milar, não
precisa do chumbo pois o barulho vai para fora.
É muito fácil de aplicar, colado, e as vezes peso
com uns suportes especiais, e a aparência final é magnifica.
Estive
vendo mais no discovery navios em mar bravo, acredito que você faz sérias avaliações
do tempo antes de navegar em uma rota, onde você avalia o tempo, quando planeja uma
viajem como levanta informações
Vamos pela previsão do tempo. Nos longos, nas
travessias, escolhemos época própria. Vamos pela previsão do tempo. Nos longos, nas
travessias, escolhemos época própria.
Para isto usamos as "Pilot Charts", em
geral as da DMA Americana. A Marinha Brasileira tem uma ótima para o Atlântico sul.
São cartas dos oceanos, uma para cada mês, aonde
se encontram as prováveis correntes, ventos, ondas etc., tudo baseado em registros de
navegantes nos últimos 500 anos.
Há também livros com tudo mastigado, rotas já
estudadas, épocas certas.
Vá ao site da Bluewater,
http://www.bluewaterweb.net/store4/shophome.htm
tem tudo lá
Você tem
algum esboço da disposição interna do San Marino? Quem você recomenda para nos dar uma
base ou orientação de custos na construção de um trawler semelhante ao de vocês?
Vocês realmente acreditam
que com um 50 pés poderíamos ter autonomia suficiente para uma travessia ou de
atlântico ou de pacífico?
Vocês tiveram oportunidade
de navegar em mar grosso?
Como se comporta este tipo de
embarcação nestes casos?
Nosso trawler foi realmente uma ótima solução,
não nos arrependemos de te-lo construído como fizemos.
É muito importante ter conforto a bordo, navega-se pouco, a maior parte do tempo se está
ancorado ou atracado.
O projeto de nosso barco foi feito pelo arquiteto David Napier,
3336 SW 44th street - Fort Lauderdale - Florida 33312
Tel Fax 954 966 7811
Ele não tem E-Mail
Um trawler menor, na faixa de uns 50 pés, também é viável, mas não dá possibilidade
de fazer charter, se necessário.
O custo do barco, você sabe. Para viver, com todas as despesas (seguro 10.000 US$ e
marinas 10.000 US$ por ano incluídos) pode botar uns 50 mil anuais, vivendo muito bem
como você pode ver em nosso diário.
Agora que temos bastante experiencia, posso assegurar que um trawler bem construido é
muito mais seguro que qualquer veleiro em mar pesado.
Veja que navios são sempre a motor, e assim são também as lanchas salvavidas, os barcos
de socorro e da guarda costeira, os pesqueiros.
Basta ter uma boa longa quilha com lastro, um casco bem projetado e uma manutenção
decente.(não confunda barcos leves que se intitulam trawlers (por ex Grand Banks) com
verdaeiros trawlers.
Um veleiro é sempre sujeito à perda do mastro, basta quebrar um stay e tudo vem abaixo,
geralmente com mau tempo.
Ao capotar, um trawler que tenha capacidade de voltar à posição normal, o faz muito
mais rápidamente que um veleiro, pois não há todo o mastreamento a dificultar o giro de
360 graus.
Além disto, podendo prever data de partida e chegada, evita-se o mau tempo.
Mais que isto, procura-se sempre navegar em épocas que não haja vento, paraiso para os
trawlers, e isto é segurança.
Em mar grosso, podemos escolher o modo de enfrenta-lo, pois temos motor forte para adotar
a atitude necessária.
o San Marino navega muito bem com mar de popa, e bate pouco com mar pesadode proa.
O Mar de travez 'é ruim, (rolamos uns 30 graus no máximo) e pelas bochechas é o melhor.
Vida
Marinha
Gostaria de poder conversar
com vocês. Me interesso muito por barcos, viagens, culturas e povos diferentes. Tenho
viajado bastante por terra. Agora é hora de fazê-lo por mar. Passei dois anos em Angra,
pescando robalo, garoupa e badejo, vivos para aquários marinhos. Passei também três
anos viajando pela América
do Sul, a passeio e negócios.
É bom, é muito bom viajar.
Abre-se a mente, aprende-se a aceitar todo o tipo
de costumes, compreende-se que somos todos iguais.
Angra porém continua sendo o top, um local onde o
verão é perene, a água limpa, a vida marinha boa e em quantidade.
Por aqui o verão é curto e cada vez que se
mergulha não se vê nada, apesar da água muito clara.
Tudo foi destruindo na segunda guerra com bombas e
ao longo de 2000 anos com a população se alimentando.
É pena
Dificuldades?
Desejo muitas felicidades
para o casal e gostaria de saber quais foram as grandes dificuldades em cruzeiro.
Não temos tido dificuldades grandes nesta viagem.
O San Marino é um ótimo barco, muito sólido e
seguro, viajamos sempre seguindo as previsões meteorológicas, temos tempo para isso.
Cuido pessoalmente da manutenção mecânica e
eletrônica, no mar os problemas resolvem-se antes, em terra.
Mas antes de tudo temos tido muita sorte.
As
muitas tarefas de uma mulher
Ajude-me a convencer a
Lidia......
A Lidia pode ficar despreocupada.
Temos telefone, fax, Internet a bordo, tudo
funciona à perfeição.
A Milena fala com os filhos e as amigas quando
quer, mas convive muito mais com eles pois volta e meia estão nos visitando (temos três
camarotes na proa para os amigos e filhos) e juntos, em uma só semana, temos mais contato
que em anos de S. Paulo.
Ela também faz a parte de pre-navegação (escolhe
o destino, as rotas, cuida dos pilot-books, dos guias de viagem, das cartas náuticas)
Além das comunicações acima, a Milena cuida do
VHF, mantendo contato com portos e outros barcos.
Cuida também da meteorologia, virou uma ótima
"mulher do tempo" (acredito devido ao medo de navegar em mar bravo)
Ao atracarmos, acerta as defensas, joga os cabos,
é duro com vento forte.
Isto sem falar da manutenção interna, cozinha e
dos contatos com os amigos que vamos fazendo pelo caminho.
É trabalho à beça, a Xuxu que se prepare!
Vale dizer que a Milena sempre teve medo de mar,
combinamos a principio que eu iria só e ela me encontraria nos portos.
Mudou logo de idéia ao sentir a segurança com que
se navega em um Trawler pesado.
Está adorando esta vida movimentada e rica.
Custo de Vida
Custo de Vida
Gostaria se possível de
algumas informações adicionais: Como se faz para manter esse projeto?
ou seja combustível, alimentação e demais gastos?
Pois sou apaixonado pelo mar e sonho um dia também morar num barco.
Por gentileza essas respostas serão de grande valia para mim e ficaria muito agradecido
se vocês responderem.
A vida a bordo é simples e barata.
O combustível, em geral abastecemos uma vez por
ano com uns 8000 litros de diesel.
Como compramos sempre "tax free", isto
nos custa cerca de 2000 dólares.
É o suficiente para girar bastante, tocar nosso
gerador, aquecer o interior no inverno, fazer nossa água doce.
Custa menos que as contas de luz, água, impostos,
que vocês tem por aí.
Se ficarmos sempre em ancora, nada custa, mas se
atracarmos em uma marina como a que agora estamos, vai custar de 300 a 1000 dólares por
mês.
Esta daqui custa 300, com eletricidade e água doce
incluídos.
Cada três anos tiramos o barco da água para
pintar o fundo com tinta venenosa, pode botar uns 2000 dólares.
Temos despesas grandes (uns 400 dólares por mês)
com telefone celular, para manter o site atualizado.
Alimentação, os supermercados por aqui custam o
dobro dos daí. Da para fazer a conta.
O item mais caro é o seguro, que custa 1% do valor
segurado, ao ano.
Vela ou
Motor
Sergio - Não entendi
bem qual a razão da opção por um barco a motor.... Em vez da vela....
Sergio - Não entendi
bem qual a razão da opção por um barco a motor.... Em vez da vela....
A opção normal é vela. Se eu viajasse sozinho, teria um veleiro, com quilha longa e
montado em cutter.
Mas minha mulher (como quase todas) quer conforto.
Conforto viaja junto com espaço.
O San Marino com 65 pés, é ainda double deck,
isto é, tem dois andares.
Assim temos lavanderia completa, cozinha como de
uma casa, muita água, bons banheiros, etc. etc.
Mas dá bastante trabalho em manter.
Sempre quis ter a bordo um laser ou veleirinho
semelhante para matar a saudade da vela, quem sabe compro um neste verão?
Navegação
sob tempestade
Espero que continuem
felizes, nos alegrando com os relatos.
Sempre fui veleiro. Gostaria de saber sobre as táticas e manobras de navegação sob
tempestades, em um barco com as características do San Marino. Capa é proa ao vento? Mar
de popa rasa?
Procurei no índice mas não encontrei.
É tudo muito diferente. Tive que aprender pouco a
pouco, pois não há literatura sobre isto.
Popa rasa para nós é como navegar no paraíso,
mesmo com mar pesado.
O San Marino tem uma quilha muito longa, lemes
grandes muito perto do hélice e um piloto automático bem regulado.
A popa quadrada ajuda a economizar combustível,
somos gentilmente empurrados pelo mar.
Mar de Proa (que um veleiro não pode se dar ao
luxo de pegar) é o segundo mais confortável e sem duvida o mais seguro.
Nossa proa não é muito alta e o casco muito
robusto.
Ondas de mais de 4 metros nos faz submergir como um
submarino, e o casco sofre pouco (também os passageiros)
Mar pelas aletas ou pelas bochechas, vai sempre
muito bem, rolamos uns 10 graus, o que não acontece nas situações acima.
Mar de través, tão querido pelos velejadores
(quando as velas bem cheias impedem o barco de rolar e o vento bate fresco no rosto), é
péssimo para nós, rolamos muito, até uns 30 graus em mar de 5 metros.
A solução é viajar em zig-zag, dando bordos como
um veleiro com vento de proa.
Capa não é uma solução para o San Marino, e
creio que para muito poucos veleiros.
O San Marino gira e mostra sua bochecha para o
vento (o que não é tão ruim, geralmente os barcos a motor ficam de través).
Levamos a bordo uma grande ancora de mar
(pára-quedas) para jogar pela proa caso fiquemos sem motor em tempo ruim.
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