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Detroits? - Ruído - Go Home - Motorização dupla - Rabeta em pane - Velocidade de casco

 

 

Outra dúvida é quanto a motorização. O projeto prevê 210 hps. ou 120hps em motorização dupla, se ( conforme projetista ) eu for navegar muito na costa, facilitando a manobrabilidade, sem necessidade de prever um bowtruster. conseguir peças de reposição. O San Marino usa Detroits? O que você acha que Mercedes, Caterpillar, Volvo, etc???

 

Os Detroit são motores que as pessoas ou endeusam ou odeiam.

Ai no Brasil não tem boa fama no meio náutico, não sei porque. Mas são muito usados pela Marinha Brasileira, quase todas as balsas e ferryes, quase todas as dragas e barcos de serviço.

Fora do meio náutico praticamente todas as locomotivas no Brasil usam Detroit, assim como a maioria dos veículos de construção não Caterpillar.

Como você vê, tudo coisa industrial ou de trabalho.

Em geral os Detroit duram mais que os outros motores, dai a preferencia.

Eles não tem bomba injetora, cada injetor é sua própria bomba, por isto se diz que os Detroit não param nunca. Se um cilindro explodir, basta desligar a biela do girabrequim (ha uma janela para isto) e o motor trabalha suavemente com um cilindro a menos.

São motores que a principio foram usados na segunda guerra pelo exercito americano e foram difundidos por todo mundo naquela época por isto.

Eram buldozers, lanchas PT, geradores, tudo. E ficaram largados por todo o mundo, por isto em todo mundo ha assistência técnica.

Na Rússia, devido à grande quantidade de material americano deixado, eles foram fabricados sem licença mas em cópia idêntica, as peças de um servem no outro.

Como curiosidade você pode encomenda-los com rotação à direita ou esquerda, com fabricação especular, isto é o motor de bombordo é exatamente o oposto do motor de boreste, para que todas as peças sujeitas à manutenção fiquem na parte central.

No San Marino os motores são opostos mas giram no mesmo sentido, para usar as mesma peças de reposição, por exemplo o motor de arranque.

A inversão (cada hélice gira em sentido oposto) é feita pelo reversor, que quando construí o San Marino, reinava soberano e unanime o Twin Disk, o qual é absolutamente perfeito.

Deixo em manobras os motores girando à 800 rpm ou mais e engato ré o frente direto, não se sente um só tranco.

Creio que a Detroit só monta Twin Disks e faz muito bem.

Para você seria o 4 71 N, 4 cilindros em linha que é suave como um 8 cilindros pois é 2 tempos. Deve ter uns 120 cv na versão mais robusta, 1800 rpm. Ha modelos de ate 2300 rpm.

Não pense que por ser 2 tempos o Detroit tem funcionamento irregular. Ao contrario, ele mantêm a rotação ajustada como um relógio e tem uma marcha lenta perfeita.

Só é grande, desajeitado, e faz um barulho diferente, aquele que fazem todos os ônibus e caminhões americanos, que usam Detroit.

Creio também que custa muito menos que os outros motores e as peças de reposição são fabricadas por dezenas de industrias diferentes, portanto custam muito pouco.

Mas não despreze os Cummins e os Perkins, são também excelentes motores.

Se você não usar Twin Disk, use transmissão tipo Hurth, (ZF) mecânica, não hidráulica.

As transmissões hidráulicas não podem girar livres com os motores parados, portanto você tem que travar o eixo do motor que não gira se não danifica a transmissão.

 

 Ruído

Gostaria que o Sergio nos contasse um pouco da experiência de navegar com o ruído dos motores zunindo, por longo período, em grandes navegadas. Muito intenso?, dá para suportar bem quando se trata de longo período? e a noite também? Como você resolveu esta situação, se o fez, no San Marino?

 Nós navegamos em cruzeiro com um ruído de 65 db na ponte de comando, o que permite conversar em voz baixa. 65 db é talvez menos que o zumbido constante do centro de S. Paulo.

Mas o barulho existe, seria melhor o ruído do vento açoitando o velame.

Mas não é nada demais, e com um só motor seria menor.

Uma curiosidade, que você que é medico poderá explicar melhor.

Depois de dois dias navegando, ao cruzar o atlântico, eu estava dormindo no camarote e acordei assustado.

No fronteira entre dormindo e desperto, fiquei seguro que os motores tinham parado. Não ouvia mais o ruído.

Levantei e percebi que era só uma impressão estranha, mas a partir deste momento o ruído dos motores deixaram de existir até cabo verde, 8 dias depois.

Isto também aconteceu com os outros três passageiros.

A noite, você dorme como um anjo, não se dá conta de nada.

Durante o dia, se o barulho incomoda, um bom disco no CD ou sair para a proa ou flybridge (onde não há ruído nenhum) é um bom remédio.

Não, este não é um problema.

Go Home

Por que não utilizar um só motor e montar um auxiliar só para voltar para casa?

Este é um assunto delicado e difícil.

Não há muita experiência de ninguém e a solução 2 motores é universalmente aceita como a melhor.

Eu não penso que seja. A grande vantagem de se ter 2 motores como segurança é poder canibalizar um para consertar o outro, e também verificar como funciona um para ajustar o outro.

Por que os navios possuem um só motor de 2 tempos?

Por que os barcos de pesca possuem um só motor?

É claro que é mais eficiente com já vimos antes, mas os navios e os barcos de pesca levam sempre um mecânico competente que faz o mecanismo funcionar sempre.

Um motor diesel não para nunca, basta alimenta-lo com ar e combustível limpo.

As partes internas, pistões, bielas, são componentes mecânicos que nunca dão problemas se trabalharem em regime normal.

Os problemas aparecem na linha de alimentação de combustível, bomba injetora, injetores, e motor de arranque, que o mecânico sempre resolve com peças de reposição.

Mas como nós não vamos ter um engenheiro a bordo e queremos os benefícios de um só motor, a solução é a motorização auxiliar.

O grande problema de um motor auxiliar é o arrasto. Um eixo a mais, pés de galinha a mais, um hélice parado a mais. Tudo é resistência a aumentar o consumo e diminuir a autonomia.

Instala-se um motor de uns 40 HP com o hélice e eixo fora de centro e ligeiramente inclinado, é o suficiente para atravessar um oceano.

Se se usar um hélice dobravel, como nos veleiros, diminui-se o arrasto mas perde-se a eficiência do hélice.

Outra solução é usar um motor de veleiro com rabeta através do casco, posicionado a meia nau.

Para evitar o arrasto, alguns usam um sistema de correias dentadas e acoplam o motor auxiliar ao próprio eixo do motor principal. É uma bela solução mas em caso de avaria do hélice e do eixo, não funciona.

Pode-se também usar uma propulsão "jet", tipo utilizado em balsas para carros, mas não sei se o trabalho das cracas em um mecanismo pouco utilizado pode criar problemas.

No presente estado de coisas, eu, Sergio, penso que a melhor solução que já encontrei é montar uma rabeta normal tipo volvo ou mercruiser no espelho de popa e aciona-la com um motor hidráulico de uns 30 ou 40 HP.

Não gosto de inventar, prefiro as soluções provadas mas neste caso não há muita escolha.

O motor hidráulico será acionado por bomba hidráulica montada na tomada de força do gerador.

Assim usa-se o gerador como motor auxiliar, levanta-se a rabeta quando não em uso, não há arraste nem as cracas se depositam, tem-se um sistema extra de direção, isto é leme de reserva.

O sistema hidráulico é bastante insensível aos maus tratos do mar e tudo pode ser escondido de algum modo.

Neste caso pode-se usar a mesma bomba para acionar o bow thruster, com a inconveniência que ele só vai funcionar com o gerador ligado, talvez seja melhor o elétrico.

Pode-se também usar o gerador do mesmo fabricante do motor e assim poder novamente canibalizar o conjunto

 

Motorização dupla

Aproveito a oportunidade para perguntar como se comportaria um embarcação com motorização única em passos onde a correnteza pode chegar entre 7 e 10 nós, como no caso de algumas ilhas e atóis do pacífico? O procedimento seria o compasso de espera, como nos veleiros, até o momento oportuno? E num trawler com motorização única? Não me recordo quem falou de que o veleiro quando perde o mastro perde o seu único motor. Quero lembra-los que em veleiro com mastreação de fortuna voce pode cruzar o Horn, como o fizeram já vários navegadores. Será que no caso de um trawler com uma única motorização também resolvemos o mesmo ( ainda que contássemos com uma rabeta auxiliar?) Que velocidade este auxiliar nos permitiria desenvolver, numa emergência? E finalmente, se um dia quiséssemos vender nosso trawler como procederia o mercado com um barco de 50 pés com um ou dois motores?

 

Tantos são os navegantes, tantas serão as opiniões sobre este assunto. É o mesmo com as âncoras, nunca se chega a um acordo.

Eu mesmo sempre quis o San Marino com um só motor, e construí com dois. Razões: manobras e valor de revenda.

O primeiro não existe mais, com o bow thruster. O segundo continua firme.

E usando o San Marino apareceram mais razões para ter dois motores.

Uma é que ao perder um dos motores você continua navegando normalmente, nem os passageiros percebem que um motor parou.

Perdi um dos motores em duas ocasiões.

Uma na Grécia, entre uma ilha e outra, estourou uma braçadeira de uma mangueira de refrigeração e o motor sobre aqueceu. Continuei a viagem com um só sem nenhum problema.

No meio do atlântico tive que desligar um dos motores para reparar um vazamento de óleo no reversor.

Foram umas 2 horas.

Com o tipo da motorização que temos, não reduzimos a velocidade, a viagem continuou normalmente.

Assim, tendo dois motores, o segundo também é potente e mantém o barco em velocidade de cruzeiro.

Para manter a velocidade de cruzeiro no San Marino, preciso de uns 160 HP.

Para viajar a 6 nós, uns 60 HP.

Num trawler de 50 pés, sem fazer contas, e a grosso modo, pode-se viajar a 7 nós (cruzeiro longo) com uns 80 HP e a 5 nós com uns 30 HP, por isto sugeri um auxiliar com esta potência.

As correntes que se encontram, são sempre menores que aquilo que aparece nos pilot books, salvo nos rios.

Tive corrente contraria forte no Bósforo ( 5 a 6 nós) mas só em alguns pequenos trechos. Se se mantiver na parte externa das curvas, a corrente baixa muito.

Em Gibraltar, basta escolher a hora de entrar.

Em Messina, encontrei 4 nós em poucos pontos.

Acho que o pessoal aumenta muito o problema.

Não conheço Torres, o mais famoso estreito do fim do pacifico, mas acho que é igual. Afinal, muitos navios navegam nesta velocidade.

Creio assim que o motor auxiliar agüenta bem o tranco.

Mas no fim das contas, continuo achando que um só motor, TECNICAMENTE é melhor.

 

Rabeta em pane

Caros Amigos No carnaval que passei em Ubatuba, sai com a NEKINHA, e tive a mangueira de alta pressão da direção hidráulica rompida, quando cruzava perto de Parati-Mirim. Retirei a correia que acionava a bomba hidráulica, e continuei só com os cabos de comando, com a direção mais dura, como se estivesse abandonando um carro com direção hidráulica e pegando uma rural velha. Percebi logo a seguir que meu motor de bombordo, estava com o"Power trim", em pane elétrica, e indicava 1 (positivo), e o de estibordo -2 (negativo), logicamente o motor de bombordo não subia a rotação e o de estibordo, tinha toda força. Logo cortei o motor de bombordo, e segui sem maiores problemas, até com a direção mais suave. SERGIO, porque o motor com angulo positivo não abria rotação, seria devido a marola formada pelo outro motor, mais profundo na água? Em todo caso, se tivesse um só motor teria ficado a deriva, ou navegando a uns 2 a 3 nos

  

A maior possibilidade é: Seu barco para planar precisa primeiro levantar a proa e em seguida baixa-la para começar a deslizar, quando adquire velocidade. Pode ser que o angulo da rabeta estivesse forçando a proa para cima, impedindo o casco de deslizar.

Velocidade de casco

Ola Sergio e Milena.
Eu e minha esposa somos mergulhadores e decidimos construir um barco na Bahia para trabalhar com mergulho em Paraty. Como somos marinheiros de primeira viagem acessamos o site de vocês na tentativa de esclarecer algumas duvidas que temos a aspectos técnicos da embarcação. Por exemplo, nosso barco e de madeira e mede 15,5 mts por 5,0 mts de boca, com peso estimado em 18 toneladas, o formato do casco e igual ao de uma escuna; conseguimos um motor MWM de 170 HP e gostaríamos de saber se com isso teremos uma velocidade em torno de 10 nos.

Que saudades de Parati.

Você está construindo um bom casco (em Camamú?) cuja velocidade de casco é 8 nós.

A velocidade de casco é a mesma da onda formada pelo barco quando navega.

A formula é: raiz quadrada do comprimento na linha d'água em pés multiplicado por 1,2.

Supondo que sua linha d’água tenha 45 pés, chegamos a 8 nós.

Alem disto é só gastar combustível para aumentar pouquíssimo a velocidade, pois o barco começa a alçar a proa e subir em sua própria onda.

Sua velocidade econômica de cruzeiro será por volta de 6 nós.

O motor é mais que suficiente, calcule cuidadosamente o hélice para que o motor atinja QUASE sua máxima rotação.

Acho que você poderá atingir sim os 10 nós, mas aconselho a viajar a 8.

Você vai curtir muito mais a viagem, com menos ruído, menos vibração e gastando a metade (no mínimo) de combustível.

Estou longe do San Marino, não tenho aqui comigo as formulas necessárias para calcular, estou chutando.

 

A informação que você nos deu acerca do casco foi crucial, pois já chegaram até a tentar nos vender um motor de 350 HP -- só não compramos porque era muito caro, mas, se tivéssemos dinheiro, já teríamos feito a bobagem.

 

Voltando aos motores, é obvio que sePara chegar a 8 nós, talvez uns 80 HP
Para chegar a 10, uns 150.
Se puser 350, talvez chegue a 12.
Tudo isto depende da forma de seu casco, mas como você vê depois dos 6 nós a progressão é geométrica.
O consumo anda junto: 30 HP 8 litros por hora; 80HP 21 litros por hora, 150 HP 40 lph, 350 100 lph!
Com 500 litros de combustível você vai andar 375 milhas a 6 nós(30 HP) ou 60 milhas a 12 nós (350 HP).
É só escolher, você não vai sair destes números.
Giramos meio mundo a 7-8 nós. Não é preciso mais. É belo, tranqüilo e seguro.
Há também um outro fator importantíssimo.
Um motor diesel não pode funcionar muito tempo fora de seu regime normal.
Os motores de barcos modernos giram de 2000 a 3500 RPM( como máximo), e se você utiliza-los por muito tempo a baixa rotação, (digamos até uns 1300 RPM) vai queimar os injetores, carbonizar os pistões e cristalizar as paredes dos cilindros. Em resumo mais manutenção (quem sabe trocar injetores a cada 800 horas ou menos) em motores que durariam ao menos 10000 horas. você colocar um motor de 350 HP no final você vai ter um pouco mais de velocidade.
Mas, ainda sem fazer grandes cálculos, a coisa funciona assim:
Para atingir 6 nós em seu casco, você vai precisar de uns 30 HP.