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Pedro da Silva Prado - O projeto - Molde fêmea - Laminação - Autocad - Classificação ABS - Perto do mar

Em contato com o Pedro da Silva Prado, da Bravo, caprichoso construtor de lanchas de fibra de vidro, decidi com ele iniciar a construção.

Galpao.JPG (80307 bytes)No mesmo dia aluguei um galpão nas imediações de seu estaleiro, em Osasco, não podia mais voltar atras.

Foi o Pedro quem me apresentou, anos atras ao David, o qual confiava muito na qualidade de seu trabalho.

Em Março de 1991, já iniciávamos a construção do San Marino.

Recebi o projeto do David em forma de um disquete, com todas as linhas do casco, que tinham sido projetadas em computador, sobre um projeto baseado nos cascos dos pesqueiros no Pacifico Norte, costa oeste dos Estados Unidos.

lofting.JPG (35552 bytes)  Recebi também o "lofting" isto é, os cortes transversais metro a metro de todo o casco, (como as cavernas dos barcos de madeira) impressos em grandes folhas de plástico transparente, por computador.

Vieram também todos os cálculos hidrostáticos, o San Marino teria a capacidade de sempre voltar à posição de navegação, mesmo se virasse de quilha para cima.

cavernas.JPG (48753 bytes)  Para isto o David introduziu uma quilha com lastro de 6 toneladas.

Já era o suficiente para começar.

Foi com grande emoção que vi chegar o primeiro caminhão carregado com folhas de compensado e ripas de pinho.

O Orlando, marceneiro que trabalhava comigo já há muitos anos (construímos duas casas juntos) era o chefe da equipe, e o molde fêmea, modelo negativo do futuro casco, cresceu com perfeição.

O Pedro, experiente construtor de moldes, tudo verificava e nos instruía de como trabalhar.

O Gilberto chefiava o pessoal,

Molde.JPG (47512 bytes)  O João Batista era o encarregado da laminação e moldes.

Nenhum deles, salvo o Pedro, tinha qualquer experiência de construção naval.

Muitos livros sobre construção naval, comprados ao longo dos anos em minhas viagens, me instruíram e trouxeram duvidas que eram sempre discutidas por todos.

Mantínhamos tudo organizado e limpo, senão a Milena nos matava.

Graças à ela, a construção seguia sem erros.

laminando.JPG (50586 bytes)  A laminação do casco iniciou-se em agosto.

9 toneladas de resina, mantas e tecidos de fibra de vidro foram carinhosamente depositadas, umas sobre as outras, laminadas, seguindo as instruções do David, sob a supervisão cuidadosa do Pedro.

A Milena exigiu: quero o Gel Coat em Vermelho, é minha cor preferida, e assim o casco se iniciou sob a nervosa bandeira encarnada.

O David veio nos visitar nesta época, acompanhar um pouco a laminação e trazer o projeto do casario.

A idéia dele era faze-lo em compensado, pela facilidade de construção, mas o Pedro e eu insistimos: tudo em fibra de vidro, dará menos manutenção.

Com o disquete do casco, mais os planos do casario, iniciei o detalhamento do projeto usando um computador com software AutoCad.

Tudo foi calculado, medido, pesado.

casco1.jpg (64036 bytes)  Todas as manhãs eu ia à Osasco acompanhar a construção.

Todas as tardes, ficava grudado no computador, projetando o interior, a mecânica, a hidráulica, a elétrica, a eletrônica.

casario.JPG (40204 bytes)  Meu bom amigo Makoto Harada, arquiteto, me ajudou muito na distribuição de espaço interno, com sua experiência na profissão e sua sabedoria de japonês, especialistas em espaços exíguos.

 Simultaneamente o projeto era checado e recalculado pela ABS, (American Bureu of Shipping), empresa classificadora, sob as ordens do Arthur Russi, engenheiro naval de grande tarimba, que também nos visitava periodicamente verificando a qualidade e os métodos de construção, que deveriam seguir as rígidas normas desta entidade tão respeitada. 

Sao_Paulo_Santos.JPG (49085 bytes)  Em Março de 1992, descíamos a serra de Santos com duas carretas, uma levando o casco, outra o casario que seriam acoplados no Guarujá, à beira mar.

No porto Marina Asturias, juntamos os dois corpos, e iniciamos a instalação hidráulica, elétrica e mecânica.

Todos os dias, às 5 da manhã, me dirigia ao Guarujá com uma pick-up carregando o material necessário

A serra de Santos tornou-se uma grande conhecida, com seus dias de neblina ou exuberante beleza.

Era já parte da viagem que começava.

Sergio Castello Branco, Janeiro de 1996