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MS San Marino - Diário de BordoVisite o site da NOVA viagem do San Marino
A Amazônia
Belém do Pará – Navegando – Ilha de Santa Cruz - Breves – Furo do Tajupuru – Prainha – Monte Alegre – Santarém – Alter do Chão - Óbidos - Parintins – Problemas com o Motor – Amigos a Bordo - Gurupá – Novamente em Belém LOG ENTRY FOR: Saturday, August 03, 2002 13:00 Desembarcamos em Belém, no belo e moderno aeroporto. Enquanto viajávamos, vendo aquela imensidão verde pela pequena janela do avião, fiquei imaginando como seria nossa próxima aventura. Os planos, imaginados no mês anterior quando estávamos em São Paulo, são de subir o Amazonas, até Manaus. Não encontramos cartas eletrônicas para esta área, mas as cartas de papel brasileiras são magnificas e nos encorajaram a navegar sem pilotagem local, apesar de todos recomendarem um piloto à bordo. A diferença é que um piloto nos fará navegar pelos furos e próximo das margens (quando possível) e pelas cartas faremos a rota dos navios, isto é, pelas partes mais profundas. Mas é claro que um piloto à bordo significa menos privacidade, e também um risco, pois nem sempre se consegue alguém que conheça tudo, facilmente. Decidido isto, resolvemos convidar dois casais de amigos para curtirem conosco esta viagem, para dividirem conosco as alegrias e as obrigações. Telefonamos ao Edson Carneiro, nosso amigo de Belém, que logo aceitou a idéia e ficou de convencer a Nete, sua mulher, que se encontrava em Salinópolis. Ele conhece muito bem a região, os costumes locais e adora navegar. Telefonamos também para o Ludwig Düster e a Margit, em Bad Tölz, na Baviera, amigos alemães que sempre quiseram conhecer o Brasil. Aceitaram na hora. Estão sempre alegres e dispostos a tudo. O Edson nos espera no aeroporto. De lá vamos direto ao Iate Clube. Lá o Neto nos leva a bordo. Ele tomou conta do San Marino com perfeição, tudo está em ordem. O Rocha também veio nos acompanhar, ele que foi responsável por tudo. Ao ligar o gerador, verifico que a bateria pifou. Pudera, são dez anos e foi a última de todas as baterias compradas durante a construção a pifar. Ligo o gerador com cabos paralelos, dou uma geral em tudo, tudo trabalha bem. Falta descer o Flexboat, que está com estofamento novo, feito em Belém. Estamos estabelecidos, amanhã começamos a arrumar os problemas que deixei. 19:00 Chega o Rocha com um amigo, o Carlos. Trouxeram whisky, gelo e camarão frito. A noite não vai acabar em branco. LOG ENTRY FOR: Sunday, August 04, 2002 Pela manhã trato de ligar o computador, os sistemas de comunicação, carregar as baterias dos rádios portáteis e iniciar o reparo do camarote de proa, os guinchos das âncoras que vazavam (parece que parou) arrumar e lavar o porão. 13:00 Supermercado, para abastecer minimamente, aproveitamos no caminho para cumprimentar um barco sueco que está a nosso lado. 18:00 Dormir cedo, cansados depois de uma boa moqueca baiana no restaurante do iate. LOG ENTRY FOR: Monday, August 05, 2002 13:00 Afinal acabei de arrumar o camarote de proa. A Milena também está acabando de deixa-lo habitável, como já fez com todo o barco. Nossos amigos alemães chegam amanha, tudo tem que estar pronto. O Edson e a Nete vem à tarde, com as cartas locais para combinar nossa viagem. O Edson é um homem de compleição robusta, barba grisalha cerrada (apesar de ainda não ter idade para isto) e um par de olhos brilhantes e brincalhões. A Nete, uma linda mulher com sorriso franco e amplo, e uma simpatia irradiante e irreprimível. 23:00 O Edson acabou nos levando para jantar na casa do Carlos, um sócio do clube, remador como o Edson, o mesmo que esteve com o Rocha em nosso barco e nos trouxe camarões. Foi um belo jantar, camarões magníficos e outros petiscos, tudo acompanhado por vinho. Valeu. LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 06, 2002 Sai às 10 para pegar o carro alugado, procurar baterias e comprar filtros para a água do rio. Voltei às 12:30 só tendo comprado os filtros, (pois tive que trocar o carro, o que a Avis tinha me dado estava com o ar condicionado quebrado). Saímos às 13 para o aeroporto, esperar o Ludwig e a Margit que chegaram às 14:00. Fizeram boa viagem. O Ludwig, tipo típico bávaro, alto e forte, com cabelos cortados muito rente, vai logo direto ao cerne de tudo o que faz. A Margit, pequena e delicada, traz doçura à futura tripulação. Eles formam um belo casal. De lá, diretos para o barco, descanso, e saímos a noite , para a Estação das Docas, comer um pouco, tomar caipirinha e chope e apresenta-los à Nete e Edson, que lá nos encontraram. LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 07, 2002 Começamos hoje de fato a preparar o barco para a viagem. O Ludwig e a Margit ajudam bastante. O Edson comprou uma bateria nova, mais umas peças que precisávamos, de presente! 19:00 O Edson e a Nete vieram nos buscar para um jantar numa churrascaria. Nos despedimos dos amigos de Belém, aqui no clube, vamos iniciar a viagem amanhã. LOG ENTRY FOR: Thursday, August 08, 2002 06:00 Tudo pronto para partir. O Edson está ao meu lado ajudando a checar os itens necessários. O Ludwig está embaixo ajudando a Milena a fechar as escotilhas. Margit olha tudo com atenção e a Nete está arrumando o camarote. 6:15 Poita livre, largamos. O piloto automático estranha a forte correnteza, mas se adapta rapidamente. 07:45 O café já foi servido à mesa, fiquei no Pilot pois estamos num canal, de Cotejuba, e estou aprendendo a navegar os rios. O piloto automático vai seguindo automaticamente a rota traçada, e o ecobatimetro nos confirma a exatidão da posição mostrando a profundidade a cada instante. Neste momento um barco lento e escuro cruza nossa frente a baixa velocidade. 8:45 Estamos navegando no Rio Pará. Nosso próximo waypoint está a 16 milhas. A outra margem (que quase não se vê) a 11 milhas. É um grande oceano. 11:05 Estamos no limite da carta 304, ultima que temos digitalizada no computador. Daqui para frente, novamente cartas de papel, para matar a saudade. A ilha de Urubena esta em nosso través de bombordo. 13:20 Vamos até agora navegando pelo amplo rio, canoas, chatas, gaiolas, vão passando por nós. A Milena dorme, todos nos estamos no Pilot. O Edson assume o comando e começa a entrar pelo rio Bracuhuba, em direção à sua ilha, Ilha de Santa Cruz, propriedade de sua família a três gerações. 14:00 Atracados no píer da ilha, os caseiros vem nos receber e nos ajudam com os cabos. Paramos de costado, bombordo para o cais. Foram 72.5 milhas de navegação em 8 horas. São 4 casas de madeira cobertas de sapé (por aqui tem outro nome). O Edson nasceu numa delas e se mudou para Belém aos 4 anos de idade. O lugar paradisíaco nos convida a ficar para sempre.
Mas como estamos de passagem e o tempo é curto, o Edson mandou preparar camarão frito, camarão cozido em casca de assai, mussuã, sopa de Turu, (um pequeno bicho redondo como uma cobrinha de uns 3 cm de comprimento, que vive dentro da madeira) muito delicioso. Depois um doce de cupuassú, que maravilha. Em seguida o Edson pilotando nosso Flexboat nos levou por um furo a conhecer a floresta em seu interior. Demos também a volta à ilha, os alemães estão adorando, curtindo tudo e dizendo que foram as melhores ferias que já tiveram.
A grande chuva que caiu, molhou a cama onde o Edson e a Nete deveriam dormir no camarote de proa. Porque será? Dormimos às 23:00, depois de uma galinha à Cabidela de ninguém botar defeito. Obrigado Edson, sua recepção foi sublime. LOG ENTRY FOR: Friday, August 09, 2002 9:45 O bom café da manhã servido por nossas mulheres nos deixa novos para a largada. Vamos para Breves, umas 75 milhas daqui. Com tristeza vou deixar esta ilha Santa Cruz, que ficará sempre em minha memória. 10:10 Já estamos navegando, o Edson no comando. Continuamos no Rio Bracuhuba, rumo ao Rio Pará. 11:45 Aumentei para 1700 rpm, 9.6 nós porque há corrente contraria de 0.6 nós e quero chegar em Breves ainda dia claro. Nosso ETA é 18:15. 13:45 Estamos navegando rio acima pelo Rio Pará. Ha balizamento, e seguimos por ele os canais navegáveis. Tudo calmo e em paz Saiu como almoço um sanduíche de camarão regional. 16:04 Estamos entrando no famoso estreito de Breves. Daqui para frente, até Breves, será no timão, ha muito movimento. 18:00 Ancorados em frente a Breves. Na margem oposta a profundidade é 40 metros, aqui 25. A cidade mostra uma grande estatua branca na frente de uma pequena igreja branca. Muitas pontes de embarque, muitas gaiolas, muita vida. Foram 72.6 milhas em 7:30 horas Rodamos a cidade de taxi para encontrar um lugar para jantar. Acabamos ficando mesmo num bar no porto, ótimo, boa comida, boa caipirinha. Os alemães estão apaixonados por nossa comida e pela caipirinha (o que não é de se estranhar). LOG ENTRY FOR: Saturday, August 10, 2002 7:30 Todos de pé, inicio o conserto da entrada de água de chuva no camarote da frente. Logo descobri o problema, uma conexão quebrada, a água de chuva do deck entrava direto no paiol de corrente e a água do rio forçada pela velocidade também. O Edson fez o serviço pesado e depois foi à cidade com o Ludwig que estava trabalhando também.
Saímos as 12 em ponto, pelo Furo de Breves, o Ludwig como piloto, o Edson como prático e eu na folga. Que lindo, margens muito próximas com muitas palafitas e muita floresta. Cada vez que nos aproximamos de uma casa de caboclo, de lá saem canoas com crianças no remo. Vem a nosso encontro, e cumprindo a tradição secular que já estávamos informados, jogamos à água presentes de pequeno valor. O Edson nos informa que eventualmente eles laçam o barco e sobem a bordo. 13:35 Estamos agora no furo do Tajupuru. Tivemos algumas duvidas ao sair do Furo de Breves para entrar no Tajupuru, haviam vários canais, mas foi bem resolvido. De almoço uma belíssima feijoada que a Nete trouxe congelada. Navegamos a 9 nós, corrente contraria de 2.5 nós. Aqui já é mais largo, 0.25 de milha, 22 metros de profundidade. 17:15 Estamos ancorados na ponta de uma ilha, perto do rio Laguna. Foram 38 milhas em 7:30 horas. Nadamos, a corrente forte nos obriga a ficar por perto do barco. Em seguida no jardim de popa começam os aperitivos. A Nete se encarregou das caipirinhas, o Edson bebe whisky. Na alegria do fim da tarde, música, o Ludwig tocou piano, dançamos até quase a meia noite. A tripulação não deixa para depois. LOG ENTRY FOR: Sunday, August 11, 2002 8:15 Navegando, continuamos no furo do Tajapuru, em direção ao canal do Vieira. 1630 rpm, 9.4 nós, 6,8 reais.
10:10 Uma canoa com dois meninos conseguiu nos abordar. Eles vieram, bem próximos ao costado de bombordo, jogaram um laço e ficaram surfando em nossa onda. Em poucos segundos um deles já estava a bordo para vender bananas, palmitos Continuamos distribuindo pequenos presentes que jogamos dentro de sacos plásticos. A garotada vem com a canoa e os pega com alegria. 12:45 Entramos no canal do Vieira, fim do furo que vínhamos navegando. É bastante mais largo aqui, mais de uma milha, voltamos a navegar automaticamente. 15:00 Saiu um belo almoço, penne com lingüiça, à Sofia Loren. 18:00 Estamos no amazonas. Decidimos navegar a noite, aproveitar o rio largo parar ganhar tempo e tentar chegar antes a Santarém. Os turnos estão de 3 horas, o Ludwig começa, o Edson depois. Eu fico o tempo todo na cama do Pilot, acordando todas as vezes que preciso. LOG ENTRY FOR: Monday, August 12, 2002 6:00 A noite foi calma sem grandes problemas com navios (passamos por 4), colisão com troncos ou pesqueiros sem sinalização. Nos turnos, as mulheres ficaram, fora com o farol e os homens dentro, no timão, que só era usado para desviar dos troncos que elas iluminavam. Lua crescente, céu muito estrelado. O radar sempre ligado com zona de alarme tentava denunciar os troncos ou ilhas flutuantes, muitas vezes sem sucesso, pois eles ficam muito à flor d’água. A corrente aumentou muito, tivemos trechos com corrente de 5.5 nós, o menor de 3.5. Assim, nossos planos de viagem mudaram, se chegarmos a Prainha hoje a tarde estamos contentes. Ha ondas, pequenas de uns 30 cm, vento de popa 10 nós. 10:30 Só o Ludwig e eu acordados. O resto recupera a noite mal dormida. Repetimos no almoço a feijoada e o macarrão de ontem 17:00 Ancorados em Prainha. A viagem foi monótona, portanto boa. Rio, rio rio, margens distantes variando entre 3 e 6 milhas, poucos barcos, alguns botos, muitos troncos e ilhas flutuantes. Cansados ninguém quis descer para a cidade. Foram 190.2 milhas feitas em 32:40 horas Não gostei de viajar à noite no Amazonas. O risco de colisão com troncos é grande, é preciso atenção dobrada, nada a ver com a tranqüilidade da navegação noturna em alto mar. Decidi não mais navegar à noite nos rios. LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 13, 2002 9:00 Completei o óleo do gerador, verifiquei os motores, a Milena com as outras duas prepara o café da manhã, o Edson foi comprar pão. Assim começa nosso dia que deverá terminar em Monte Alegre, nossa próxima escala. 10:45 Partindo para Monte Alegre. 13:00 O Ludwig cozinhou um belíssimo steak au poivre, com batatas ao forno. 15:10 Até agora navegação pelo largo rio, 6 milhas. Neste momento, sob o comando do Edson, entramos no Paraná de Monte Alegre, estreito, lindo, com casas pequenas em palafitas, muitos lagos. Como é cheia, temos 5 metros de água quando na baixa a carta mostra 05. metros.
O Ludwig e a Margit fotografam e filmam tudo como loucos. O Edson está no timão e Milena e Nete curtem a paisagem. 17:00 Ancorados em frente à fabrica de gelo, em Monte Alegre. Foram 38.5 milhas feitas em 6:30 horas Saímos a noite para beber aperitivos no bar avenida, com bela vista sobre o rio, depois um bom jantar na peixaria do Rui, e voltamos para bordo. Atrasei os relógios em 1 hora. Estamos em outro fuso horário. LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 14, 2002 5:30 Todos de pé, vamos sair cedo para Santarém, 58 milhas daqui. Nossa previsão é navegar a 5 nós reais, corrente contraria de 4,5, portanto 12 horas de viagem.` 12:00 Sai um hamburguer, a viagem está monótona e o rio largo não nos deixa curtir as margens. Redes de pesqueiros nos obrigam a desviar. 16:00 Santarém está à vista 16:55 Depois de um giro frente à cidade para escolher local, voltamos bem à boca do rio Tocantins, de águas claras, aonde existem muitos barcos na poita. Foram 64.6 milhas feitas em 10:30 horas. Fundeamos em 8 metros, a CQR não pegou, joguei a Fortress com 50 metros de corrente, está firme, testado com motor a ré. Saímos para jantar, comemos mal no famoso Mascote, mas no Mascotinho a caipirinha era boa. LOG ENTRY FOR: Thursday, August 15, 2002 8:00 Todo mundo acordou com calma, pretendemos ir a Alter do Chão, mas não temos carta do rio Tapajós. Vamos ver como resolver. Estamos bem ancorados e botando as coisas em ordem. Até agora navegamos 476 milhas em 71 horas, uma media de 6.7 milhas, com um consumo de 4200 litros, media de 58 lph e 8.82 litros por milha. A corrente contrária média foi de 2.8 nós 13:00 Estamos abastecendo no posto barco, que veio até nós, tudo muito fácil. Pegamos 1650 litros. O Edson foi à capitania e conseguiu uma copia da carta para Alter do Chão. Foi também ao supermercado.
O almoço vai sair durante a viagem. Vai ser a famosa galinha no Tucupí, especialidade e delicatesse única do Pará 15:00- Ferro no ar, estamos navegando. Santarém passa a nosso bombordo como um desfile de casas e prédios. 17:15 Ancoramos em maravilhosa baia. Tentamos entrar no lago azul, que fica bem ao fundo, mas a profundidade caiu rapidamente para 2 metros. Então retornamos rapidamente com medo de encalhar. Foram 23.3 milhas em 2:20 Com o Flexboat fomos ate um barzinho na praia , caipirinhas e nadar. Que belo lugar este Alter do Chão! Praias branquíssimas, uma pequena vila, águas claras e calmas. LOG ENTRY FOR: Friday, August 16, 2002 8:30 Me chamam para o café da manhã! Queria dormir mais. 10:30 O Edson e a Nete, o Ludwig e a Margit saem com o inflável, vão para a praia. Fico a bordo com a Milena, tenho que verificar o log que parou de funcionar e a Milena não está bem, faço companhia. 16:00 Eles voltam entusiasmados com a maravilhosa praia, a doce água a 30 graus e o Tucunaré grelhado que comeram por lá. 20:00 Vamos dormir cedo. Fomos todos juntos para vila, a Milena melhorou e jantou um Tucunaré à baiana. Na volta ficamos um tempo no jardim de popa curtindo a noite com um pouco de violão. Amanhã acordar às 4 para dar tempo de chegar a Óbidos ainda de dia. LOG ENTRY FOR: Saturday, August 17, 2002 4:45 Já estamos navegando, escuro total. A previsão é chegar a Óbidos antes da 19:00 para entrar de dia, mas com isto tenho que contar com uma velocidade real de 6 nós, mínima. Vai depender da correnteza. 5:10 começa a amanhecer. Já se vislumbram os contornos da costa. Aumentamos nosso RPM para 1700, velocidade real 9.4 nos. o Tapajós nos ajuda, não há corrente por enquanto em sua foz, vamos pegar dureza no Amazonas. 6:55 Santarém em nossa bochecha de boreste. 7:05 A mudança brusca e nítida de água verde para barrenta nos mostra que estamos no Amazonas. Também a corrente forte, nossa velocidade real baixou para 6.6 nós. 12:00 Ate agora, viagem tranqüila, corrente contraria media de 3.5 nós, máxima de 5.5 Vai sair um Goulash que os alemães preparam. O cheiro de cebola está em todo barco e todo mundo que vai à cozinha volta chorando! 13:45 O Goulash saiu delicioso, acompanhado de vinho tinto da Franconia. A correnteza aumentou muito, estamos agora com 5.5 nós contrários, viajamos a 3.9 nós, 1700 RPM. 17:00 Dentro de uma hora estaremos ancorando na famosa Óbidos, o ponto mais estreito do Amazonas, onde os portugueses construíram um forte para controlar a navegação do alto amazonas e onde existe um posto da receita e da policia federal para controlar a saída de produtos da zona franca de Manaus. Neste trecho o rio se afunila para 0.9 milhas e para compensar atinge profundidade de 91 metros. A cidade é antiga e queremos visita-la. Certamente a correnteza vai aumentar. 18:00 Encostamos em dois paus enterrados a 6 metros e estamos fundeados. Não ha meio de jogar ancora, a profundidade logo cai para 30 metros e no cais ha muito movimento. Vamos de Flexboat para a cidade, muito perto. É limpa e arrumada, comemos mal e voltamos. LOG ENTRY FOR: Sunday, August 18, 2002 6:00 Óleo de cárter completado (5 litros em cada motor) filtro de combustível do motor de bombordo dianteiro trocado (ontem mostrou que estava sujo, andei com o reserva), basta esperar o pessoal ficar pronto. 6:40 Largamos as amarras e partimos. 8:00 Pela segunda vez batemos num toco, tronco de arvore. As duas vezes eu estava no comando, distraído. Marinheiro de mar não serve para rio, não fica suficientemente atento. 12:00 Tentamos entrar no Paraná de Santa Rita, mas as profundidades marcadas na carta eram muito diferentes das verificadas. Também ha na carta observação para não entrar sem conhecimento local. Giramos 180 graus e voltamos, estamos agora no canal principal, no Amazonas. Isto vai nos atrasar um pouco. 14:15 Mesmo no Amazonas, neste trecho tudo esta diferente da carta. Tivemos por duas vezes que parar e dar ré pois a profundidade atingiu os 3 metros. Vamos com cuidado, esta região é toda nova, mesmo tendo nossa carta nova sido atualizada em 20 de junho de 2002 pelo revendedor. Posição conferida cuidadosamente, realmente tudo mudou por aqui. 16:20 Passamos Juriti, estamos agora no estado de Amazonas. 18:00 Estamos ancorados em frente a uma pequena casa de caboclo, palafita como todas. O Edson chama a mulher que vem de canoa. Pede que ela frite um peixe para nós. Ela diz que não tem, mas vai pedir ao pescador que esta fora. Rema sua canoa ate lá, o pescador, liga o motor vai à vila que está uma meia milha daqui (4 casas) volta com uma bela dourada, entrega à mulher que nos traz frito à milanesa, uma delicia. Ao perguntarmos quanto é ela responde, -nada- ao insistirmos ela diz fica por nossa conta. O Edson então pergunta quanto ela pagou pelo peixe e ela responde -nada- o pescador disse que era tudo para mim. Ao perguntar se 20 reais estaria bem ela disse que era muito . Então demos 30, mais uns presentes. LOG ENTRY FOR: Monday, August 19, 2002 7:45 Todos de pé preparando para viagem. 8:15 Partimos, ferro no ar 8:45 Tive que parar. O selo mecânico de boreste que ajustei estava muito apertado. Saímos navegando novamente, destino Parintins. 12:45 Estamos navegando no Paraná de Parintins, novamente uma bela opção de paisagem e navegação. Parintins é famosa por sua festa do Boi Bumbá, talvez a mais importante do país. 16:30 Desde as três da tarde estamos rodando em frente a Parintins, procurando um lugar para fundear. Tentamos primeiro entrar nas Barreiras Vermelhas, ficou muito raso, voltamos, passamos pela frente da cidade olhando o ecobatimetro, acabamos chamando a Parintins Radio, que nos pôs em contato com a Capitania, que nos enviou um pratico. O Edson foi busca-lo na ponte, e ambos no Flexboat foram nos guiando para entrarmos nas Barreiras Vermelhas. A profundidade chegou a 2.9 metros, passamos bem, estamos ancorados em frente à Capitania. Jantamos razoavelmente, voltamos para bordo, hoje é a despedida do Ludwig, eles viajam amanhã cedo. LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 20, 2002 As 7 o taxi veio buscar nossos amigos alemães. Eles provaram que nossa escolha ao convida-los foi correta. Nós em seguida saímos para comprar passagem para o Edson e a Nete, que também vão embora, amanhã para Belém. Almoçamos muito bem no Dois Amigos, voltamos a bordo e ao ligar o gerador, nada de refrigeração, só fumaça. Desmontei a bomba d’água, o rotor está destruído. Abri o filtro, muita lama e sujeira. Não vou arriscar deixa-lo funcionando assim pois o trocador de calor deve estar também muito sujo. Vou desmontar amanhã depois da partida do Edson LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 21, 2002 7:30 Lá se vão o Edson e a Nete, foram ótima companhia. Estamos sós a bordo. 9:00 Já desmontei, limpei e remontei o trocador de calor, tudo está bem mas o gerador faz um pouco de fumaça. Pode ser que a alta temperatura tenha obstruído algum injetor ou válvula. Vamos deixar funcionar para ver. Agora é preparar o roteiro, pois já telefonamos para o prático vir nos buscar às 10. 10:30 Não consegui ligar o motor de boreste. Pela primeira vez em tantos anos toco a chave e o motor não gira. Desço, penso ser a bateria, faço chupeta com a outra, nada. Tento girar o virabrequim com uma alavanca, ele está travado. Penso no pior, mas não digo a ninguém. Peço ao Gracinaldo, o pratico, se ele conhece um mecânico bom. Quero uma segunda opinião. Ele diz que sim, vai buscar mas acaba informando que o Miro só virá à 1 da tarde 14:00 O Miro está a bordo, fez os mesmos testes que eu e infelizmente tem a mesma opinião. Virabrequim travado no mancal. Não dá para usar mais este motor, é preciso abrir. Decido continuar viagem com um motor só, e peço ao Gracinaldo para ver se consegue uma carreira onde eu possa retirar o hélice do boreste, assim ganho velocidade e não danifico o reversor. As 6 da tarde ele me avisa que vem amanhã às 6 com mais um caboclo, vamos trocar o hélice dentro d’água mesmo. LOG ENTRY FOR: Thursday, August 22, 2002 6:00 Fui buscar o Grasinaldo, que veio junto com dois caboclos fortes. Eles foram direto para a água, mudamos o barco para perto da margem onde dava pé, e com alicates começaram a retirar a cupilha que trava a porca do hélice. Deu um bom trabalho, tudo feito na apnéia. Enquanto um descansa o outro mergulha e assim vão se revezando. As porcas saíram fácil, mas o saca hélice não entrava como devido. Logo constatamos que o corta cabos estava deslocado e quebrado. Algum pau que batemos ao navegar. Retirado o corta cabos, com a ferramenta saca hélice, o hélice pulou fora. Levei-os de volta e combinei a saída para amanhã às 7. O gerador está ainda com refrigeração fraca. Desliguei para esfria-lo, desmontei o filtro de entrada e afinal descobri o defeito. A guarnição de cortiça estava defeituosa, fiz uma nova, tudo ficou perfeito. Chequei também a bomba d’água do motor que nos resta, o de bombordo, está perfeita. Vamos viajar com segurança. A Edna, e sua filha, Marieta, nossas amigos de tanto tempo vão nos encontrar em Santarém. Desistimos de ir a Manaus (navegar contra a corrente com um só motor exige paciência). Estamos perto, mas as 800 milhas que entramos Brasil a dentro já nos mostraram bastante. Vamos voltar. O Edson telefonou, ele falou com um técnico da Detroit que disse que o defeito deve ser óleo ou água num cilindro, que estando cheio não deixa o motor virar. Tomara que ele esteja certo. LOG ENTRY FOR: Friday, August 23, 2002 6:55 Tudo pronto, afinal vamos deixar Parintins. É uma bela cidade mas os problemas foram muitos Vou buscar o piloto, pois sair deste lugar exige conhecimento. A viagem será até Óbidos, deveremos chegar lá por volta das três da tarde. Estou prevendo uma velocidade média de 10 nós, corrente favorável de 4. O piloto chegou, saímos. Ele vai me indicando os canais, chegamos até 2.10 metros de profundidade e afinal estamos livres, no rio Amazonas. 7:30 Deixei o prático em terra manobrando com cuidado devido à corrente e a um motor só. Devagar se faz tudo com segurança. Encostei a proa num barco estacionado e ele pulou. Estou agora no rumo de volta, 065° , navegando com um só motor, o de bombordo, 1720 RPM, 12.2nós reais, que diferença! Tive também que ajustar o trim do piloto automático. Com um motor só o barco puxa para boreste o piloto precisa saber disto. Vou aprendendo comandar este barco sem um hélice, navega muito bem . 9:40 Ha já uns 20 minutos que a chata e o empurrador Bertolini XXIV estão perto de nós. Eles viajavam a mesma velocidade mas baixei um pouco para deixa-los irem à frente. Dentro de umas 2 horas deveremos chegar à ilha de Sta Rita, onde tudo está diferente da carta e tanta dificuldade nós tivemos ao subir, que pretendo segui-lo. Vamos ver se ele vai pelo Paraná ou pelo rio. Já o chamei pelo radio mais não tive resposta 10:15 Acabo de falar pelo radio com o Bertolini 24. Combinei segui-lo o caminho que ele fará em torno da ilha de Sta Rita é muito diferente. 11:00 Falamos (O Bertolini e nós) pelo radio com o navio Guaíra, da Petrobras. Combinamos cruzar bombordo por bombordo. 12:30 Estamos no Paraná de Sta Rita. O Bertolini deixou a ilha de Juriti por boreste e depois entrou para o Paraná. Sempre profundidades maiores de 20 metros. Pela carta não dá para fazer este caminho. 13:05 9 metros, a menor profundidade no Paraná, bem perto do local em que desistimos de navega-lo. 13:15 Novamente navegando no Amazonas 16:10 Um longo papo por VHF com o MS Amazonas, um grande navio de containers, capitão alemão, radio operador brasileiro e tripulação croata. 17:30 Ancorados para dormir na ilha do meio, costa do Iranduba. Vem as canoas, pedimos peixe, uma senhora promete cozinha-los. Traz 4 de bom tamanho, é o nosso jantar. Retribuímos à nossa maneira, eles ficaram contentes. Recebi a noticia da morte de um grande amigo, o Henrique, companheiro de noitadas e boemia. Pego dois copos com whisky (sua bebida preferida), um para ele outro para mim. No jardim de popa, comemos os peixes, Milena bebeu vinho (um bom Gavi que ainda restava) e a belíssima lua que entrava bem sobre nosso rosto, iluminava como vela. LOG ENTRY FOR: Saturday, August 24, 2002 7:10 Prontos para partir, mas tenho que fazer a rota. Vieram numa canoa duas senhoras trazendo presentes, peixe frito e banana frita. Retribuímos com chocolates e outras pequenas coisas. 8:30 Ha quase uma hora temos "mar" de proa, ondas de mais de um metro. Sofre o Flexboat, que bate muito. Desde Belém estamos rebocando o Flexboat, sempre em águas tranqüilas, sem problemas, mas boje, vento de 20 nós mais a velocidade da corrente contra ele e ai estão as ondas. Neste trecho o Amazonas tem 4.5 milhas de largura 11:20 Santarém bem visível à nossa proa. Mais 10 minutos e estaremos subindo o Tapajós. 11:25 Já se vê com clareza a linha abrupta que divide as águas barrentas do Amazonas e as águas azuis do Tapajós. 11:35 Estamos navegando no Tapajós, rio acima, mas não ha correnteza, estamos a 1600 rpm e fazendo 8 nós. 14:30 Estamos ancorados em Alter do Chão. 23:00 Saímos para jantar e esperar a Edna e a Marieta que voaram de S.Paulo para Santarém. Chegaram às 21:30 e de lá, de taxi, para Alter do Chão nos encontrar no restaurante. Viemos (depois de umas cervejas) para bordo, elas estão bem e felizes. LOG ENTRY FOR: Sunday, August 25, 2002 O dia de hoje foi de praia. Começou às 10 horas, a praia aqui é magnifica, águas limpas e doces, temperatura perfeita e muita areia branca. Ha muitos barzinhos, sempre um aberto, qualquer que seja o dia da semana. Eles fazem peixe grelhado ou frito, tira-gostos, cervejas e caipirinhas. É uma bela vida. A Edna (que já esteve conosco em Barbados e em Gibraltar), sempre alegre e bem disposta. A Marieta, que vem trazer beleza a bordo, fotografa tudo e aproveita cada instante como quem sabe viajar. A noite fomos à vila, curtir o movimento e olhar as pessoas, tudo muito limpo e arrumado. Voltamos à bordo , não sem antes comermos as delicias das barraquinhas locais, tacacá, queijo curado no espeto, biscoitos de polvilho, sorvetes. A bordo, com o violão ficamos até altas horas rememorando musicas antigas sob o olhar da lua, imensa e brilhante. LOG ENTRY FOR: Monday, August 26, 2002 8:20 Todo mundo de pé, a Milena prepara o café da manhã. O programa hoje, para elas, é fazer supermercado, em Santarém. Fico a bordo, vou trocar óleo do gerador e limpar o porão da casa de máquinas. Todo o serviço feito, a Milena me chama pelo radio. Vou busca-las com o Flexboat. Voltam cansadas. Amanhã vamos acordar às 4, para sair às 5. LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 27, 2002 5:05 Ainda está escuro, estou com tudo pronto para sair. 5:10 Começa a clarear, motores ligados. 5:25 Navegamos a 1600 rpm, 8.1 nós, 31 lph. 7:55 Atracados no posto para abastecer, em Santarém, mas devido à má posição da bomba, jogamos ferro e abastecemos com o barco bomba. 9:30 Abastecemos 2000 litros, subi o Flexboat (pois prevejo ondas de proa, vamos poupar este inflável valente) e voltamos a navegar no amazonas com suas barrentas águas. Foi a sorte que ajudou. O elo onde se amarra o cabo para reboque no Flexboat estava meio frouxo. E também o mar, está com ondas de 1 metro de proa, que para nós não é nada mas para as gaiolas daqui deve ser duro. 13:30 A Marieta fez o almoço, nhoque com molho de alho e tomate, muito bom. 14:30 Monte Alegre em nosso través de bombordo 14:40 O Montalban, um imenso navio da Alunorte, chega bem encima de nós e pelo VHF bate o maior papo, perguntando de nossas viagens e nos comparando (os navegadores solitários) a Pelé. É muito exagero. 18:12 Ancorados em Prainha, a fortress não pegou, a CQR demorou mas unhou firme. O fundo deve ser duro. LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 28, 2002 5:45 De pé, preparando a rota para partir. 6:00 Âncora no ar, mas não consegue subir toda pois o rolete de nylon que fica na ponta do suporte está partido ao meio. Saio assim mesmo e no caminho subo a âncora no braço, usando um cabo como auxilio. 7:40 Hoje há menos vento, não há quase ondas, só o sol que está nascendo em nossa proa nos ofusca e não nos deixa ver bem o caminho e os troncos flutuantes. Nosso destino hoje é Gurupá, deveremos chegar lá por volta das 18:00. Mas haverá talvez mudança de fuso horário, o que significará 19:00. Temos musica no CD que a Marieta colocou, Chico Buarque e Stan Getz 17:45 Estamos ancorados em frente a Gurupá. Desci o Avon, fui ate lá perguntar se tem um restaurante, resposta positiva. É uma pequena cidade, muito em ordem e muito simpática. Gostaríamos de ficar mais. Comemos muito bem, no hotel da Luisa, peixe frito, dourada. LOG ENTRY FOR: Thursday, August 29, 2002 5:30 Estamos navegando, a saída foi rápida tudo estava pronto, rumo a Breves. 7:00 Estamos navegando no canal do Vieira. O Amazonas se divide aqui para formar a ilha de Urutaí. Ao norte o canal de Gurupá, ao sul o Canal do Vieira. Dele vai sair o furo do Tajupuru. Daqui para frente, até Breves, serão uma serie de Furos e Paranás. A navegação deixa de ser automática, passa a ser no timão e a corrente deverá ajudar menos. É um imenso labirinto de pequenos furos mas nós temos o fio deixado em nosso computador, o track feito na vinda. Tudo é fácil seguindo nossa entrada. Passamos ontem o fuso horário. Adianto uma hora os relógios, horário de Belém. 10:05 Estamos já ha 10 minutos navegando no furo do Tajupuru. a Edna distribui os presentes e a Marieta fotografa. Que beleza esta Amazônia Navegamos a 9.9 nós, a corrente ajuda, se continuar assim chegaremos à breves com luz do dia. 12:30 Continua a distribuição de presentes. Mas agora, duas canoas laçaram nosso barco e a reboque conseguiram nos abordar. Uma vende bananas, outra vende palmito, compramos dos dois, mas a do palmito quase virou em nossa marola, tivemos que reduzir a marcha pois o garoto estava com água na cintura. 16:30 Furo do Vira Saia, muito estreito e belo. 16:45 Furo de breves 17:30 Ancorados em Breves, fundo a 25 metros, jogamos toda a corrente da CQR. Pegou bem Jantamos no bar bem na frente ao nosso barco, muito bem. É a despedida da Marieta, que voa amanha cedo para Belém, depois S.Paulo LOG ENTRY FOR: Friday, August 30, 2002 7:45 Bote na água para levar a Marieta ao cais, em seguida partiremos para a Ilha de Sta Cruz. Amanhã à tarde nos encontraremos com o Edson e a Nete lá. 8:30 Estamos navegando, descendo o estreito de Breves, mas contra a corrente pois a maré está subindo desde às 6 da manhã. Navegamos a 7.2 nós reais, 1650 rpm. 10:30 Deixamos o estreito de Breves, estamos no farol da Baia das Bocas. Vamos costeando a ilha de Marajó, com cuidado entre os bancos de areia, guiados pela carta 306 e pelos faróis. 13:55 Curralinho em nosso través de bombordo. Entramos por São Sebastião da Boa Vista, pelo rio Boa Vista, e seguindo o caminho feito na ida atracamos às 17:00 no trapiche da casa do Edson. Já estavam a nos esperar.
Camarão pronto, jantamos com o Maia e a Ana, os caseiros que nos serviram muito bem. Musica depois, violão sob as estrelas, para curtir a noite romântica. LOG ENTRY FOR: Saturday, August 31, 2002 Pela manhã muita preguiça. às 4 da tarde chegaram o Edson, a Nete e o Rocha, na lancha do Edson. Direto muito whisky, cerveja, comidas de todos os tipos. A noite acabou em festa com dança e alegria. LOG ENTRY FOR: Sunday, September 01, 2002 Todo mundo acordou tarde, menos o Edson e o Rocha que foram para Boa Vista comprar gelo e outras coisas. Quando chegaram , recomeçou a comilança. Ao fim da tarde veio o bacalhau e a caldeirada de camarão, com vinho branco, nova alegria, depois o violão rolou solto ate altas horas. Amanhã cedo vamos partir às 8, o Edson as 5 da manha, todos rumo a Belém. LOG ENTRY FOR: Monday, September 02, 2002 7:30 Todo mundo já está de pé, o Edson saiu às 5, ainda escuro, com o Rocha. A Nete volta conosco. Serão 74 milhas, se mantivermos 8 nós, chegaremos em Belém às 17:30 8:15 Largamos as amarras, navegando. 8:45 Entrando no Rio Pará. 8:55 Navegamos a 1660 rpm, 7.1 nós, a corrente contraria pois a maré enche, é pequena. 10:40 Foz do Tocantins em nosso través de boreste 12:45 Fomos chamados pelo navio da marinha Parati, que pediu que nos identificássemos, nosso porto de origem e destino. Estamos na ponta do Severino 16:00 Estamos no Baia de Guajará O Navio Rodrigues Alves, mais rápido que nós, nos ultrapassou num estreitíssimo canal, ficou a poucos metros de nosso bombordo. Belém em nossa proa, com sua moderna aparência, muitos edifícios altos, é um contraste com as muitas palafitas neste ultimo mês de navegação. 17:20 Amarrados em nossa poita. O Edson mandou a lancha da praticagem nos ajudar, foi moleza. A Nete foi para terra na lancha, nós vamos tomar nosso banho, descer o bote, reamarrar o San Marino de modo mais perfeito e encontra-los às 7 no Iate Clube. 22:00 Estamos de volta por um giro em Belém, boas caipirinhas e pasteis na fabulosa Estação das Docas, com a Edna, Nete e Edson LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 03, 2002 8:30 Lá está o Edson no píer me chamando pelo celular. Vou busca-lo, e aos dois mecânicos que ele trouxe. São o Artemio e o Chico, este último especialista em Motores Detroit. O Edson fica em terra, trago os dois a bordo. Depois de algumas explicações, o Chico retira a tampa de inspeção do cilindro n# 1. Há muita ferrugem dentro, sinal seguro de água. Ele tenta virar o motor com uma alavanca, nada. Retira as outras tampas, tudo parece bem. Em seguida retira a mufla, e aí vemos que ha ferrugem em todos os cilindros. Pouco a pouco as peças vão sendo retiradas, quando sai o cabeçote o dano está todo à mostra. Entrou água em todos os cilindros, está tudo enferrujado, inclusive as válvulas. 14:00 Vou buscar o Artemio e o filho que continuam com o serviço de desmontagem, O Chico tem um serviço urgente, não pode vir. Eles retiram as camisas de cilindro, soltando as bielas pelo cárter já removido. Elas saem com facilidade, o conjunto vem todo junto. Camisa, pistão, biela. A biela do numero 1 está torta, a camisa ligeiramente danificada pelo contato com a biela. O Diagnostico agora é fácil. Entrou água provavelmente pelo escapamento, inundou o cilindro onde a válvula de escape estava aberta (#1). Ao dar partida, este pistão descia livremente, os outros iniciaram as explosões e quando o pistão #1 subiu, encontrou o calço hidráulico de água e travou, entortando a biela. A água que estava na mufla entrou para os outros cilindros e como só abri o motor uma semana depois, tudo ficou enferrujado e estragado. Felizmente peças para Detroit são baratas e fáceis de encontrar. 16:00 Esperei a maré virar para acertar as amarras de nossa poita. Estava preocupado com a amarração provisória que eu tinha feito. À noite, despedida da Edna, fomos jantar no restaurante Lá em Casa, bom, com o Edson, Vanessa e Laís (filhas do casal paraense), Nete e Edna. LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 04, 2002 7:00 O Chico veio cedo, desmontou as bielas dos pistões, retirou o soprador, desmontou as válvulas do cabeçote. Já sabemos de tudo que precisamos. Ele me passou telefones, foi fácil encontrar as peças, inclusive fazendo uma concorrência pois são muitos os vendedores. O Edson, revendedor da MTU, conseguiu bons preços nos cilindros e válvulas, o resto compramos na Sopetra, que nos trouxe os melhores preços. A tarde veio só o Artemio, está limpando as peças e o bloco. LOG ENTRY FOR: Thursday, September 05, 2002 Hoje saímos para fazer compras diversas. A Milena precisava fazer supermercado e ir ao cabeleireiro. Eu tive que ir a Capitania dar entrada (deveria ter feito ha dois dias atras), procurar cola para o inflável, comprar trincos novos para a porta da geladeira. Acabamos almoçando no restaurante japonês do Yamada, muito bom. O Artemio voltou a tarde mas pode fazer muito pouco. As 18:00 o pessoal o Iate Clube nos chamou, lá fomos nós. Estavam, dois alemães, o Paul e o Uri (Ulrich) do catamaran Baiana, bandeira alemã, eles precisavam de tradutores. Eles estão indo para o Caribe, vieram da Alemanha até Salvador. Acabamos com a pinga e o limão do Machado (simpático e gentil proprietário do pequeno bar que fica na divisão náutica do clube), tantas foram as caipirinhas. O Edson e a Nete também chegaram, e também o Guilherme, que trouxe mais cachaça. LOG ENTRY FOR: Friday, September 06, 2002 O Artemio passou o dia com um ajudante acabando a limpeza das peças. Finalmente estamos prontos para iniciar a montagem assim que as peças chegarem, talvez iniciemos na terça feira. Passamos o dia no barco, fazendo pequenas coisas. A noite foi difícil. Os titãs fizeram um show no Clube, o palco fica bem à nossa frente, foram fogos, gritos e o violento trepidar do baixo, a noite toda. LOG ENTRY FOR: Saturday, September 07, 2002 10:20 Acordamos tarde, o breakfast foi longo e calmo. Curtimos o dia a bordo LOG ENTRY FOR: Sunday, September 08, 2002 Almoçamos no Iate Clube, com o pessoal. A noite show do Belo, mais barulho ainda, não deu para dormir. LOG ENTRY FOR: Monday, September 09, 2002 Saímos durante todo o dia. O Edson chegou à tarde com as peças, que foram enviadas para o endereço dele. Jantamos, Nete Edson e nós, num excelente restaurante italiano, o Don Giovanni. LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 10, 2002 Mais peças chegaram, novo jantar com a Nete e o Edson LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 11, 2002 O Chico chegou bem cedo, junto com o Artemio. Ele foi pouco a pouco juntando as peças, a começar pelas bielas e pistões. Desconfiado eu ia conferindo pelo completo manual da Detroit cada movimento que ele fazia. A ordem de montagem, o torque aplicado a cada parafuso, o produto químico usado em cada etapa. Meu respeito pelo Chico foi gradualmente aumentando, ao ver que, sem consultar qualquer manual, ele sabia tudo de cabeça. Ao fim da tarde todo o bloco estava montado, inclusive cabeçote. LOG ENTRY FOR: Thursday, September 12, 2002 Novamente o Chico e o Artemio a bordo. Um por um os componentes foram sendo montados. 16:00 Ligamos o motor recém montado. Pegou de primeira e funcionou com perfeição. Agora é fazer um teste navegando, e tudo estará em ordem outra vez. Trocamos óleo e filtro, filtro secundário de diesel, filtro de ar, termostato mais as camisas, pistões, anéis, bronzinas das bielas e uma biela. Depois do conserto afinal acabado, um bom banho, fomos para o Iate Clube, comemorar. Depois , sempre com o Edson e a Nete, um bom jantar no restaurante D.Giovanni, sempre bom. Voltamos alegres e felizes. LOG ENTRY FOR: Saturday, September 14, 2002 Trabalhos pequenos pela manhã a bordo, as 2 da tarde o Edson nos pegou e fomos almoçar no Orlando, um restaurante simples e de qualidade, enfiado na mata, num pequeno furo. Muita alegria, estavam também o Leonel Pinho, a irmã da Nete e outro casal. Voltamos fim da tarde e a festa continuou no San Marino. LOG ENTRY FOR: Sunday, September 15, 2002 Dia a bordo, descansando. A tarde um pouco antes da chuva fomos para o Iate Clube, depois para a Estação das Docas. Decidimos continuar a viagem até Salvador. A Milena prefere se poupar do pesado mar de proa que quase certamente vamos encontrar. Telefonei para o Marcello Quintella, que atravessou o Atlântico comigo, grande navegante e boa praça. Ele em pouco tempo confirmou que aceita. LOG ENTRY FOR: Monday, September 16, 2002 7:00 Para poder testar o motor consertado, tenho que montar o hélice de boreste, que retirei em Parintins, para melhor navegar com um só motor. Estamos prontos para atracar de costado no Iate Clube e esperar a maré vazar. O processo é simples: Como a Maré por aqui está na faxia de 2 metros e o San Marino cala 1.80, encontaremos o San Marino de costado à parede do Iate Clube, bem amarrado, na maré alta. Vazando a maré, ficamos no seco, apoiados sobre nossa quilha, e recolocamos o hélice. 7:15 Atracados, o ecobatimetro marca 1.80 m 9:10 1.70 m começamos a tocar o fundo. 10:00 O Edson telefonou, quer saber como tudo vai indo. Falei também com o Flavio (meu filho) e o Marcelo combinando os detalhes da viagem. O San Marino está inclinado 1 grau para bombordo, contra o paredão, o que é bom. Mesmo assim temos 6 cabos esticados contra as arvores e os cunhos do cais. 12:45 Desde as 11:00 horas que a inclinação mudou para 1 grau boreste, muito perigoso. Desci e baixei a perna de boreste, que não atingiu os furos de suporte. A Alguma coisa embaixo dela. Fiz um novo furo no tubo de inox e deixei travado com a broca. O Neto veio em seguida e foi dentro d’água ver o que se passa. É que o pé se apoiou num pneu enterrado. Bom e mau, o pneu é um bom suporte, mas é flexível. Estamos agora com 3 graus para boreste, parece que estabilizados. A Milena chegou do supermercado com muitas compras e os mecânicos do Edson que vem trocar o hélice também. Os cabos estão retesados mas não demais, acho que não vai haver problema. A marola dos barcos que passam nos fazem mexer, é a quilha enterrada na lama. 15:00 Os mecânicos da A Pontual colocaram o hélice. Vão agora retirar o mancal do eixo de bombordo que quebrou em Cayenne. O Edson chegou às 3:30 e os levou com o mancal quebrado. Vão voltar amanhã cedo. 17:30 A maré sobe, já atingiu a borda do casco, parece que o risco está terminando. Continuamos 3 graus de inclinação para boreste. 20:00 Maré alta novamente, estamos boiando, mas contrariando a tábua das marés, não chega a atingir os 1.80 metros da manhã. Dura decisão: Ou ficamos neste local por mais 12 horas, ou tentamos sair mesmo com o ecobatimetro marcando 1.70 metros. Decido sair. Solto todos os cabos menos o de proa e dou ré para afastar a popa do cais. Ela se movimenta 1 metro, e encalhamos. Solto o cabo de proa e tento girar o San Marino com o motor de bombordo à frente e o de boreste à ré. A proa se afasta uns 2 metros do cais. Quando engato "para frente" no motor de boreste, o San Marino fica imóvel. Estamos mesmo encalhados. Pior, senti o hélice de bombordo tocar em alguma coisa, no fundo. Nossa quilha vai bem mais fundo que os hélices, protegendo-as, deve ser algum toco ou pneu. O Edson, com o Flexboat, tenta nos rebocar: nada. Os 50 Hp do inflável nem nos faz mexer. A maré deve começar a baixar daqui a pouco, temos que ser rápidos. O Neto sugere utilizarmos umas estacas que estão enterrados a uns 50 metros de nós, para dentro do rio. Aceito de imediato a boa idéia. O Edson, leva um longo cabo de 20 mm e o amarra numa das estacas. A outra ponta, passamos no cabrestante da âncora e começamos a puxar. A proa se mexe, o San Marino começa lentamente a girar e se safa do encalhe. Puxa, que sufoco. Voltamos à poita.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 17, 2002 Os mecânicos vieram, o novo mancal foi colocado. Um deles mergulhou e constatou que o hélice de bombordo está com a ponta dobrada. Foi a batida de ontem. LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 18, 2002 7:00 O Rocha me chama da ponte. Vou busca-lo com o Flexboat. Tínhamos combinado ontem de sairmos hoje, juntos, para testar o motor e também sentir como estaria se portando o hélice batido. Será que entortou o eixo? 7:30 Largamos nossa poita para um teste. Logo a principio giro o motor de bombordo a 1700 rpm, nenhuma vibração, bom sinal. Em seguida deixo os dois a 800 rpm e mantenho por 20 minutos. Mais 20 minutos A 1000 rpm, mais 20 minutos a 1400 rpm. Falei com o Edson, avisando que não ha vibração, não precisamos subir o San Marino para reparar o hélice. 9:30 Estamos de volta, fomos até o farol em Val de Cães e tudo correu bem, navegamos a 1600 rpm. 15:30 Vieram retirar os extintores para recarregar. LOG ENTRY FOR: Thursday, September 19, 2002 Pela manhã, cidade e compras. A noite festa na casa do Lionel Pinho, muita diversão. Ele nos convidou para comer um bacalhau, feito por sua mãe. Na verdade, o simples convite se transformou numa pequena festa, com três tipos diferentes de bacalhau, sushi de entrada, queijos de diversos tipos inclusive o famoso Serra da Estrela. Foi uma festa portuguesa completa, regada com um bom Esporão, vinho alentejano que tanto aprecio. Confesso que bebi mais do que deveria, não que tenha perdido o equilíbrio ou a reta no andar, mas para curtir melhor a bela recepção e nossa despedida de Belém. LOG ENTRY FOR: Friday, September 20, 2002 Dia inteiro no barco. Trouxeram os extintores, bom serviço. LOG ENTRY FOR: Saturday, September 21, 2002 O Marcelo chega hoje à meia noite. A Milena foi ao supermercado preparar a provisões para a nossa viagem a Salvador. Ficamos o dia a bordo, acabando diversos pequenos serviços LOG ENTRY FOR: Sunday, September 22, 2002 01:30 O Marcelo chegou. Ficamos matando a saudade e bebendo cerveja ate as 4 da manhã. 10:10 Temos novamente mesa posta para o breakfast, visita nova a bordo traz estas mordomias. Mas é só por hoje. 12:30 A Milena e o Marcelo voltaram das compras, eu fiquei por aqui cuidando de detalhes para a viagem. Chegaram com fome, fomos direto para a Estação das Docas almoçar. Comemos muito bem, pescada à paraense. 23:00 Vamos dormir, o Edson e a Nete acabam de sair, o Rocha e a Regina que vieram se despedir foram embora mais cedo. LOG ENTRY FOR: Monday, September 23, 2002 A Milena parte para S.Paulo hoje à 1 da tarde. Vamos abastecer depois que ela sair, a Nete vai leva-la ao aeroporto. Pretendemos partir para Fortaleza amanhã cedo. 14:00 A Milena já se foi, despedidas. Vamos agora abastecer. 20:00 Só agora voltamos do abastecimento. A bomba era lenta (3000 lph) e quebrava o tempo todo. Foi terrível. Fomos ate o Iate Clube, despedir do Rocha, o Edson já tinha nos visitado no Barco. Próximo destino: Salvador, via Fortaleza. Serão uns 15 dias de viagem.
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