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Finalmente Rumo Sul

 

Antigua - Guadeloupe - DeshaiesIles des SaintsAnse MitanHorn 2000Sta Lucia-Soufriere - Highlander - Grenada

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 17, 2002

 

English Harbor.jpg (15333 bytes)Estamos de volta a Antigua, depois de um período dominado por amigos médicos no Brasil.

Tudo está em ordem, vamos voltar a curtir esta bela ilha.

O Flavio e o Marius estão também chegando hoje, vão descer as Antilhas conosco, quem sabe até o Brasil.

O Flavio é meu filho, bom atleta do wakeboard e muito dono de seu nariz. o Marius, (que conheci através do Flavio) também é da turma do Wake e atravessou o oceano comigo e com o Flavio ano, passado.

Antigua continua a me fascinar. É das antilhas a ilha com mais história viva, tão bem reconstruída. Foi  base naval inglesa, que abrigou por muitos anos o famoso Almirante Nelson e a esquadra inglesa. Ha museus, velarias, estaleiros, casernas, tudo bem conservado e com charme.

Estamos bem no inicio da “Sailing Week”, que na verdade são 15 dias de eventos e regatas, talvez o mais famoso conjunto de eventos náuticos do Caribe.

De 18 a 23 deste mês, será vivida a regata dos iates clássicos, onde maravilhosos e muitas vezes históricos veleiros, bem reconstruídos ou mantidos, participam de um concurso de beleza e em seguida de uma regata.

Em seguida, de 28/4 a 3/5 transcorre a regata, dividida em 2 blocos, os para barcos rápidos (com spinnaker) e dos barcos de cruzeiro (sem spinnaker). São 4 pernas em torno de boias, bem ao sul da ilha com uma das largadas na boca da English Harbor, onde estamos.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 18, 2002

 classicos.jpg (16104 bytes)Flavio e Marius saíram para comer um roti (tipo de pastel, recheado com galinha, carne ou peixe) e nós ficamos a bordo.

Depois fomos visitar os barcos de época que estão na no Antigua Yacht Club, magníficos, maravilhosos. O concurso é hoje, a regata deles começa amanhã.

A tarde giro pela ilha até Jolly Harbor, onde tomamos uns drinques.

A estrada muito sinuosa, esburacada, de terra e mal conservada serviu para divertir-nos um pouco, derrapando, e levantando poeira.

Jantamos no HQ, bem atrás de nosso barco na Marina  de English Harbor. É um ótimo restaurante.  

LOG ENTRY FOR: Friday, April 19, 2002

 Classicos em Regata.jpg (5440 bytes)Pela manhã,  trabalhos de preparação do San Marino para a viagem, à tarde, passeio pela ilha. Fomos até Shirley House, belíssima vista, para ver a regata dos clássicos, lá de cima. fomos também à casa de Lord Nelson.

Ele saiu daqui doente, levado para a Inglaterra num navio onde mandou deixar um barril cheio de rum, para colocar seu corpo caso morresse durante a viagem, o que não sucedeu.

A noite a famosa pizza do “Famous Mauro”, boa mesmo. (ele é sardo)

 LOG ENTRY FOR: Saturday, April 20, 2002

 Saímos da Baia, no Avon, para ver a largada da regata de perto. Os 3 malucos, Flavio, Marius e eu, num bote mínimo, em meio a ondas de 3 metros, misturado ao trafego de lanchas, veleiros e outros barcos grandes que também lá estavam. Mas valeu, e voltamos com “segurança”.

Giramos de novo a ilha ate o Harmony House, bom almoço, voltamos para jantar com o Kevin Charles e mulher.

 LOG ENTRY FOR: Sunday, April 21, 2002

9:30 Vamos deixar English  Harbor e assistir a mais uma largada da regata dos Clássicos..

Subimos os dois ferros lentamente, eles vem cheios de craca, nem passam pelo "gipsy" do cabrestante da ancora.

O Marius, com a máquina de pressão de água vai removendo e limpando, o Flavio, na popa, vai controlando o cabo preso à terra para o vento não nos jogar sobre os barcos ao lado.

Ha uma grande quantidade de "oysters" atracados, é uma espécie de convenção de proprietários, coisa muito em voga hoje em dia. 

A operação demorou 40 minutos, tanta era a craca acumulada.

Saímos lentamente pela baia, lotada de barcos, e quando nossa popa deixou a Hartman Point, o mar engrossou de uma só vez.

Ficamos por ali, rolando e apreciando a regata, lindos velames, cascos esguios como só os clássicos sabem ser.

12:45  Deixamos a boreste a bóia mais a leste da regata, e começamos a navegar para Guadeloupe.

12:59  Rumo 181, 6.5 nós, proa para Guadeloupe.

Continua batendo, o Flavio e o Marius não pararam de fotografar.

13:05 Mudamos nosso rumo para 240 graus. Mantemos 9 nós de velocidade, mas com o mar que vinha, batia muito. Vamos pega-lo pela bochecha de bombordo por um tempo, depois, se melhorar voltamos ao curso normal.

14:15 O curso agora é 207, velocidade 9 nós. O mar  melhorou um pouco mas ainda é forte. Ondas de 3 metros, curtas e vagas longas conjugadas.

16:00 Montserrat em nosso través de boreste. O mar continua o mesmo,

16:45 Nova mudança de rumo, agora 163 graus, nosso zig-zag termina, proa para Guadeloupe,  Deshaies, onde há uma boa baia, aberta para ventos de oeste, que não é o caso.

18:30 O ecobatimetro marca 50 metros, estamos com Deshaies claramente em nosso visual.

19:00 Ancoramos em Anse Deshaies, uma bela pequena vila. Foram 48 milhas de viagem, dura mas sem incidentes.

 LOG ENTRY FOR: Monday, April 22, 2002

 Dormimos cedo ontem, eu e Milena. O Flavio e o Marius foram para a vila de Deshaies jantar. O vento soprou forte, continuamente, 25 nós com rajadas de 35.

Eles voltaram cedo com boa impressão inicial de Guadeloupe.

10:00 fui a cidade para fazer o clearence. A alfândega está fechada, abre as 13 horas.

Mergulhei para ver o estado do casco e do hélice. Tudo muito sujo, será preciso mergulhar para limpar.

Decidimos pernoitar outra vez aqui, a vila é simpática e a baia segura com ventos de leste.

A Milena e o Flavio foram à cidade. Decidiram alugar um carro e nos chamaram para almoçar. Passei antes na Douane e regularizei nossa entrada. Não pediram vistos para brasileiros. Cada lugar uma regra pois na Martinica foi um custo para conseguir o visto e Guadeloupe é a capital.

Depois do almoço fomos ate Point-a-Pitre, a capital, muito moderna e bem arrumada.

Voltamos já tarde para um merecido descanso

 LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 23, 2002

Fiquei a manha toda no San Marino, arrumando alguns problemas e coordenando a compra de alguns itens para embarcar em Grenada. Temos poucos dias, vamos largar de Grenada para o Brasil e é a ultima oportunidade de comprar itens nos EUA para chegarem a tempo em Grenada.

O Flavio e o Marius saíram de carro para conhecer o vulcão e outros pontos da ilha.

16:00 O Marius mergulhou para acabar de limpar um hélice que estava bem sujo, todos nadamos, e programamos jantar em terra. Amanhã bem cedo sairemos para Iles des Saints.

 LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 24, 2002  

10:00 Nosso bem cedo deu lugar a um bom café da manha, nadar e mergulhar.

Mas o ferro está subindo agora, valeu Deshaies, bela vila de águas transparentes.

10:47 Rumo 210, 9 nós.

11:00 O Piton Baile-Argent está em nosso través de boreste. É uma bela montanha em forma de cone, com 700 metros de altura.

13:30 Estamos bem no final da ilha, o ponto mais ao sul, aonde estão Viex Fort e um belo farol. O mar costuma ficar difícil aqui com fortes ventos de leste que se afunilam no canal entre Guadeloupe e Iles des Saints, mas hoje está calmo.

13:40 Em nossa proa, um veleiro grande, uns 80 pés, navegando em nosso mesmo curso.

13:45 Uma chuva com nevoeiro entra inesperadamente. Continuamos navegando pelo radar, 9 nós. Pelo radar  vemos que o veleiro sai do rumo, quase para.

14:10 Passamos pelo veleiro que agora nos segue. Baixamos um pouco a velocidade para ele não nos perder de vista. Ele parou devido ao nevoeiro, talvez não tenha radar, talvez não tenha cartas boas.

14:22  Estamos afinal vendo terra, Terre Haute, e também a bóia de sinalização. Entramos finalmente no canal, o veleiro logo atras.

Bem ancorados, água limpa e transparente.

A noite fomos para os bares simpáticos e animados.  

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 25, 2002

 ile des saints.jpg (46433 bytes)Pela manha uma boa limpeza no San Marino, depois alugamos três motos para conhecer a ilha.

Por aqui automóveis são proibidos, só motos podem girar.

A ilha é bela, vale a pena passar uns dias por aqui.

 LOG ENTRY FOR: Friday, April 26, 2002

 5:30 O Marius já preparou o convés e está fechando a casa de maquinas.

Já revi óleo dos motores, água, prendi tudo e vou dar uma checada na rota.

Já está amanhecendo, dá para sair. Nossa previsão é levantar ferro as 6.

Vamos até Martinica, Anse Mitan, serão 11 horas de viagem portanto chegaremos às 5 da tarde se tudo correr bem.

06:10 Levantamos ferro às 6 em ponto, estamos atravessando neste momento o passo do sul, velocidade 8 nós, 1630 rpm, o casco sujo de cracas nos segura.

A saída, rumo sul, é muito linda. Deixamos a ilha Terre Haute  pela popa e costeamos a ilha Terre D'en Bas, pelo nosso bombordo. A saída, próxima a rochedos perigosos, fica entre a ilha Terre D'en Bas e a Grand Ilet (a menor de todas)

7:30 Rumo 173, 8 nós, vamos deixando  pela popa este lindíssimo pequeno arquipélago.

O mar começa a bater, ondas de 2 a 3 metros,  mas nos pega pela aleta de popa, é tranqüilo, não rolamos nem caturramos.

9:10 Rumo 170, agora costeando, costa oeste de Dominica

9:43 Atingimos a Point Ronde, na Dominica. O mar ficou liso como espelho, a sombra da ilha nos protege.

A paisagem é bela mas monótona. Mar  muito azul por boreste, montanhas escarpadas e virgens por bombordo.

A Milena serve um belo café da manha, na mesa, com direito a tudo. O mar liso é uma festa.

12:10 Deixamos a pouco a ponta sul de Dominica. O mar volta a bater e a antena de televisão que marca este extremo está bem em nossa popa.

15:21 A pequena travessia foi fácil e tranqüila. Novamente o mar de quase popa traz comodidade.

Em nossa proa está a Ponta du Prescheur, onde há um farol que confirma nossa navegação.

Na época da navegação eletronica, as marcas, faróis, e sinais geográficos são usados para confirmar a precisão de nossa rota, não mais como guias e pontos de marcação absolutamente necessários na navegação costeira tradicional.

16:00 Novamente St Pierre, a antiga capital destruída por um violento terremoto no inicio do século. Desta vez não vamos parar aqui, apesar da vontade. Vamos navegar direto para Anse Mitan.

18:00 Estamos ancorados em Anse Mitan. É preciso cuidado na entrada, principalmente porque as cartas são muito incorretas e o local muito raso e cheio de bancos de areia.

De dinguie fomos para terra. Uma volta a pé, jantamos mal e voltamos para dormir a bordo.

LOG ENTRY FOR: Saturday, April 27, 2002

 Alugamos um carro para mostrar a ilha, que tão bem conhecemos para o Marius e o Flavio.

Eles ficaram surpresos com a modernidade e riqueza da Martinica, parte que é da comunidade européia.

Fomos até Robert, depois ao centro, tentamos fazer a entrada na Douane de Fort France, mas hoje é sábado, tudo fechado, fica para segunda.

Muito perto de Anse Mitan fica Trois Ilets. Para chegar lá vamos com o dinguie até o Bakoura Hotel, o mais luxuoso da ilha, e a pé descemos a rampa de entrada do hotel. Já estamos numa pequena e movimentada vila, cheia de turistas, bares e restaurantes.

Nos acomodamos naquele que nos parecia melhor, e começamos a comemorar o dia agradável que se finda.

De repente a Milena diz: "Olha lá o Roman" - era mesmo o Roman, nosso amigo esloveno que está dando a volta ao mundo, que conhecemos na Córsega, atracados muito perto, que reencontramos em Salvador Bahia, quando ele completou a travessia do atlântico, e que passou o 31/12/1999 no Rio.

Quando ele nos viu, foi grande festa. Ele já estava nos procurando, pois jogou ferro ao lado do San Marino quando  o viu em Anse Mitan.

Está acompanhado de amigos eslovenos.

Abraços, beijos muita festa, acabamos a noite no San Marino.

Do ultimo contato que tivemos, Rio, ele foi para o Cabo Horn (seu barco chama-se Horn 2000), subiu a costa do Chile, depois Peru, Galápagos, Ilhas do Pacifico, Malásia, África do Sul, novamente Salvador, Fortaleza, Noronha e Caribe.

Conta que quando costeava o Peru, sem intenção de se aproximar, foi abordado por uma corveta da marinha peruana que pediu seus papéis. Como ele não tinha visto para o Peru, foi preso e seu barco, comandado agora por um oficial peruano foi aprendido e rebocado para terra.

Ele conseguiu usando o Inmarsat se comunicar com o Cônsul dos Estados Unidos no Peru, que por sua vez se comunicou com o embaixador da Eslovénia.

Quando chegaram à terra, ao invés de um camburão de presos, como haviam prometido os militares, ele encontrou um destacamento da marinha em traje de gala, junto com o cônsul da Eslovénia e dos EUA que os esperavam.

Fora os mil pedidos de desculpas pela guarnição que o hostilizou, fizeram grande festa pela sua chegada e pelo fato de ter sido o primeiro barco esloveno a cruzar o cabo Horn. Vale dizer que ele viaja com passaporte diplomático.

 LOG ENTRY FOR: Sunday, April 28, 2002

11:00 Nos despedimos do Roman, que parte para Antigua e fomos levar o Flavio para o aeroporto. Ele precisa trabalhar, cuidar de sua família e de suas empresas. É com tristeza que nos despedimos dele.

Na volta, passamos pela Marina Du Marin, para matar saudades e se informar na Douane sobre os procedimentos de saída, pois pretendemos partir amanhã.

Nenhum problema, basta vir às 9 com os documentos e a entrada em Deshaies.

 LOG ENTRY FOR: Monday, April 29, 2002  

8:00 Saí para devolver o carro e fazer a saída da Martinica. O oficial que estava de plantão, não era o mesmo de ontem.

Disse que estava tudo errado, que Deshaies não poderia ter feito nossa entrada sem visto, que brasileiros precisam de visto, etc etc etc.

Mas como nós estávamos saindo ele não teve outra escolha senão carimbar os papéis. Vale notar que ele era o mesmo oficial que complicou nossas vidas quando chegamos da outra vez. Cada cabeça uma sentença.

10:10 Barco pronto para sairmos para Sta Lucia

11:40 Estamos em águas desprotegidas, o mar está bom, vamos ver ate quando.

15:00 Acabamos de atingir a costa de Sta Lucia, numa travessia pequena e tranqüila. Novamente o mar de popa nos favorece.

Estamos bem em frente a Rodney Bay, pelo lado oeste da ilha.

Aqui o fundo é baixo, 20 metros, ótimo fundeadouro para navios, que são muitos.

S.ta Lucia é um entreposto petroleiro importante, daqui são distribuídos milhões de barris de petróleo para muitas regiões.

17:30 Castries em nosso traves de bombordo. É a capital da ilha, proibido fundear barcos de recreio.

16:12 Agora é Marigot Bay em nosso través, onde ficamos meses atrás quando íamos rumo norte. Deu vontade de entrar, mas decidimos conhecer Soufriere, mais ao sul, descrita como muito bela pelo Pilot.

17:30 Estamos nos ligando a uma poita, em Soufriére, com o auxilio de um local num bote a motor.

Tentamos antes ancorar na praia mas ela está lotada de barcos.

A poita  -ele nos garante- é forte, mas testamos com motor. Um bom tranco e ela agüentou.

Em seguida veio um outro barco, o dos "rangers" que cuidam da área e nos autorizaram a pegar mais uma poita para amarrar a popa e não rodar. Também nos cobraram pela atracação, 20 dólares, razoável.

O local é lindíssimo, tétrico segundo a Milena, pois estamos numa quase cratera de vulcão e ela se lembrou de Santorini, único lugar que o ferro do San Marino correu quando não estávamos e  bateu no cais.

Piton.jpg (4670 bytes)Estamos ao pé do Petit Piton, de 800 metros de Altura, e o Gros Piton, de 900 metros está a 3 milhas para o sul. São dois gêmeos, gemeos também de nosso famoso Pão de Açúcar.

Estamos a 40 metros do penhasco e a profundidade é 40 metros. O fundo desce a 45 graus até 400 metros no meio da baia.

E um vulcão, impossível usar o ferro.

É uma reserva marinha, e ha uma pequena vila

Assim ficamos a bordo na hora dos aperitivos, mas estava rolando muito e a Milena reclamou.

Fui para a água, com um cabo enrolado à cintura e o amarrei numa pedra na margem.

O Marius a bordo cuidou de traciona-lo e mudar a posição do San Marino, com a proa para o sul, de onde vem as pequenas vagas,

Parou de rolar, mas ficamos com a popa muito perto das pedras e como não conhecemos a poita decidi dormir no Pilot para controlar, e o Marius na rede , na popa.

A noite caiu escura, muito escura, e os vaga-lumes, fizeram toda a montanha atrás de nós brilhar.

Na água, uns seres que não conheço (não eram planctons) também brilhavam, e ao colocar a lanterna sobre eles para ver do que se tratava, eles adquiriam uma luminescência incrível e com a lanterna apagada brilhavam igual aos vaga-lumes por algum tempo.

Rolou bastante a noite, mas o lugar é magnifico    

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 30, 2002

 6:30 A noite foi desconfortável, rolou muito, bateu muito e dorme-se mal no Pilot House.

Acordei as 6 com a luz do dia. O San Marino continua amarrado pela popa às pedras da costa e pela proa na poita

O dia é claro e brilhante. As gaivotas fazem um grande estardalhaço e a água claríssima mostra os peixes multicolores em grande cardume.

08:00 A previsão do tempo para amanha é ruim, vamos ver se conseguimos viajar ainda hoje

O Marius acaba de acordar, a Milena ainda dorme. Vamos deixa-la descansar.

9:00 Acordou a Milena que reclama que não dormiu bem devido ao movimento do barco a noite toda.

Aproveitei o tempo que ela dormia para completar o óleo dos motores, dar uma geral na casa de máquinas.

Soltamos também o cabo de popa, agora foi o Marius que foi para a água. Estamos de proa para o vento, mas estamos rolando mais pois as vagas pequenas vem pelo costado.

Vamos subir o ferro, agora rumo à Bequia.  A Milena acordou, quer navegar.

9:15 Estamos navegando, rumo a Canouan, chegada prevista às 6 da tarde. Saint Vincent está agora em nossa proa e um grande cardume de golfinhos nos acompanha.

Vento 7 nos, mar calmo, protegido pela ilha.

10:37 Gros Piton bem em cima de nossa cabeça. O lugar é fantástico.

12:30 Saint Vincent já está no visual na bochecha de bombordo, a visibilidade é péssima, três milhas.

A travessia do canal de Saint Vincent foi boa. O mar estava razoável apesar de vir de través.

16:50 Afinal  em Bequia. A entrada é fácil agradável, também já conhecíamos o local.

Bequia é uma grande baia, mas ha que tomar cuidado pois ha bancos de areia no meio dela.

Tudo está muito cheio, não ha lugar próximo à vila e a Milena não quer dormir rolando esta noite também.

Acabamos nos amarrando a uma imensa poita que um local nos alugou por 20 dólares, mas ficamos muito próximo de um barco em nossa popa. Decidimos mudar, jogamos ferro, acabamos por nos atar a uma outra poita, do mesmo proprietário.

Um belo Trawler de nosso tamanho com uma grande bandeira brasileira à popa, nos chama atenção.

Chamei pelo VHF o Highlander, o qual nos convidou para um drink às 6:30.

6:30 Lá fomos nós de inflável, e o William Mac Laren nos recebeu com sua mulher.

O William, logo foi dizendo:

Em Fortaleza encontrei uma pessoa que só falava em você, fiquei assim curioso para te conhecer. Era o Roman, nosso amigo Esloveno que está dando a volta ao mundo e reencontramos na Martinica!

Depois de uma conversa agradável, (eles são muito simpáticos) de inflável fomos jantar em terra  no L'Auberge des Grenadines, magnifica lagosta.

Voltamos alegres para dormir uma noite calma.

LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 01, 2002

 Acordei às 5:30 com a luz. Hoje vamos fazer a ultima perna desta descida do Caribe.

Chamei a Milena, chamei o Marius, barco pronto saímos rumo à Grenada.

7:30 Já estamos navegando. Serão 80 milhas náuticas. Nosso ETA é 16:00. O mar está todo desencontrado com vagas de 3 metros vindas de leste.

8:30 O mar ficou  bastante calmo, vamos fazer nosso café da manha, puxar os mails, etc. É porque estamos na sombra de diversas ilhas.

Passamos primeiro pela ilha Quatre, com Mustique ao fundo.

9:30 Passamos por Petit Canouan, e agora mudamos rumo com a proa para Canouan

10:35 Deixamos Mayreau e Union Islands a bombordo, não sem saudades de Tobago Cays, talvez o ponto mais belo deste Caribe que conhecemos.

12:05 Ilha de Rons a bombordo, acabamos de passar por uma chuva forte que entrou com vento de 30 nós deixando o mar com uma cor bonita e cheio de carneirinhos.

Grenada será nossa ultima ilha do Caribe nesta viagem desde Antigua. Ela já está em nosso visual, na bochecha de bombordo.

13:27 Estamos passando por cima de um vulcão submerso, detectado em 1996, numa profundidade de 900 metros.

O mar tem sido calmo, ondas de 1 metro, viagem muito confortável.

Depois de hambúrguers no almoço estamos agora costeando Grenada, mar muito liso, dentro de hora e meia estaremos na parte sul da ilha.

15:30 Novamente ancoramos em nossa conhecida Mount Hartman Bay. O ferro demorou um pouco para pegar mas pegou firme, dia bonito, sol.

A Marina está fechada, hoje é primeiro de maio.

 LOG ENTRY FOR: Thursday, May 02, 2002

 7:00 Já acordados, a Milena reclama que balançou muito à noite e pede que nos mudemos para mais para dentro da baia.

Ferro levantado, lá vamos nós. Agora sim mais calmo e mais tranqüilo.

O Marius prepara-se para mergulhar e limpar o casco, nós pretendemos passar o dia inteiro ancorados aqui, para fazer uma boa limpeza embaixo d’água.

Com o Flexboat na água, fui até a Marina, encontrei velhos amigos, pessoas que nos ajudaram da outra vez que aqui estivemos. Grande festa, reservei uma vaga para amanhã, fui à imigração, alfândega, toda documentação em ordem.

Telefonei para o Marcus Gabriel que nos trouxe um carro para  alugarmos.

Na volta ao barco, de snorkel ajudei o Marius a limpar o casco.

13:00 Todos muito cansados, um bom banho e fomos almoçar na cidade, no Nutmeg, onde se come  muito bem.

15:00 Com os dois cilindros novamente carregados, lá fomos, Marius e eu, para a água acabar de limpar o casco, ele pela proa, eu pela popa.

Temos que deixar tudo muito limpo para viajarmos para o Brasil com tranqüilidade.

Ficou ainda faltando um pequeno pedaço na proa de bombordo, que vamos fazer amanhã, três mergulhos um só dia é muito.  

LOG ENTRY FOR: Friday, May 03, 2002  

10:30 Estamos atracados na Marina. Ficamos esperando a ordem para entrar que veio as 9:30. Queríamos entrar antes, pois não tinha vento, mas só agora fomos autorizados. O vento está 15 nós.

Mas deu para entrar sem problemas, estamos bem amarrados, ancora Fortress pela proa, pegou bem.

Agora é trabalho, preparar o barco para longa viagem.

O casco já fizemos ontem exceto um pequeno pedaço que faremos aqui mesmo na Marina, antes de partir, assim damos uma revisão geral embaixo d’água.

O Marius está colando as borrachas das vigias, nada pior num mar bravo que vazamento nas vigias, água entrando assusta sempre.

Estou dando uma revisão geral em tudo que pode estar solto, coisas pequenas são guardadas em lugar conhecido ou anotado no computador de bordo para serem fáceis de localizar.

Coisas que estão para quebrar tem que ser consertadas agora, no mar em condições difíceis é perigoso.

Felizmente o San Marino está perfeito nas partes vitais, instrumentos, leme, motores, tudo esta funcionando à perfeição se nenhum detalhe faltando.

Paramos às 16:00. Um bom banho, roupas limpas, lá fomos nós para a Happy Hour no bar da Marina.

Em seguida Prickly Bay, dançamos muito, bebemos muito, a noite estava ótima.

 LOG ENTRY FOR: Saturday, May 04, 2002

 8:00 Como sempre pela manhã, apesar da leve ressaca, a gente trabalha à  bordo.

O  Marius continua colando as borrachas, agora das janelas, e eu fui à cidade, à Island  Water encomendar algumas peças.

Fui também tentar liberar peças que chegaram pela Fedex, e também visitar a Outfitters, que está trazendo um inversor de 220 volts novo, mas estava  fechada.

Quando voltei ainda deu tempo para trabalhar no computador. Estou tentando receber simultaneamente as previsões do tempo da marinha brasileira e da guarda costeira americana, pois cada uma é transmitida por um satélite diferente, da Inmarsat.

12:30 Um bom banho, a Milena preparou hambúrguers e saímos para o aeroporto buscar o novo tripulante amigo, o Betânia, que chega às duas.

Ele chegou às 3 da tarde, sem as malas o que é comum neste trajeto.

Ele chegou bem, alegre, e logo fomos para bordo, tomar uma cerveja.

O Betânia (Carlos Alberto de Oliveira) já viajou comigo no passado, é pau para toda a obra.

Ele é alto, forte, de pele negra e cabeça raspada. Parecia mais escuro e maior no Brasil, pois aqui toda a população é negra e muito desenvolvida.

Simpático, muito versátil e ainda por cima ótimo cozinheiro.

22:00 Estamos de volta, fomos comer uma lagosta (para dar as boas vindas ao Betânia) no restaurante que mais gostamos na praia, o French Creole.

 LOG ENTRY FOR: Sunday, May 05, 2002

Voltando do Supermercado.jpg (12857 bytes)9:00 Todos de pé, o Betânia refeito do cansaço da viagem mas reclamando que dormiu mal, acordou às 3 da manhã.

O Marius continua com o trabalho das vigias e o Betânia foi fazer o trabalho sujo de desentupir a descarga de uma das caixas de águas negra, dos banheiros de bombordo, que ele mesmo vai usar.

A Milena prepara uma lista de mantimentos para irmos ao supermercado.

15:00 Enchemos 4 carrinhos no supermercado. Tudo já está a bordo, agora é arrumar guardar com sabedoria, com a eficiência da Milena.

Tudo em ordem, lá foi o Betânia para a cozinha preparar a primeira refeição.

Saiu um belo strogonoff, batatas fritas e um guisado de vegetais.

21:00 O Betânia e o Marius que tinham saído para dar uma volta e procurar as malas do Betânia no aeroporto voltaram de mãos vazias. Fomos todos dormir cedo, muito cansados.

 LOG ENTRY FOR: Monday, May 06, 2002  

9:00 As baterias Gel de serviço que compramos na Alemanha ha seis meses e importamos com a ajuda da Outfitters, devem chegar às 9 da manhã.

14:10 Acabamos de comer um bom Fetuccini Alfredo feito pela Milena, como sempre perfeito.

As baterias chegaram no horário e foram colocadas no cais da Marina.

Temos que transporta-las para bordo, usando o dinguie e o guindaste. Felizmente o Betânia e o Marius são muito fortes, elas pesam 80 kg cada.

O inversor que eu tinha encomendado, chegou mas com voltagem errada.

Não ha como resolver, tem que ser devolvido. Vamos ver que solução o pessoal da Outfitters vai encontrar.

Viajar sem inversor de 220 não é bom, teremos que usar muito o gerador, portanto muito combustível.

16:00 O serviço mais pesado está feito.

Baterias novas à bordo, baterias velhas no cais. Já combinei também com o Georges, motorista de taxi, para ele encontrar um lugar seguro para descartar as baterias velhas, que aqui valem algum dinheiro devido ao chumbo.

Bom banho, iniciamos nossa happy hour aqui mesmo no barco e em seguida fomos jantar em Prickly Bay, deliciosos Ribs e Asas de Frango.

Milena e eu voltamos para bordo, eles continuaram em outro bar até altas horas.

 LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 07, 2002  

8:30 Dia belo como sempre. Lá vou eu  para a casa de máquinas, substituir as baterias.

Os três juntos, colocamos as baterias no lugar e em seguida o Marius foi mergulhar para acabar o trabalho no fundo do casco, enquanto eu fui religar todos os cabos e fixar as novas baterias.

O Betânia foi preparar o almoço que saiu bom (frango com pure de batatas).

17:00 Acabei de religar as baterias, tudo perfeito.

Tentei ver qual o problema dos velhos inversores 220 que tenho a bordo, mas não consegui resolver. Precisamos mesmo do novo.

Amanha cedo vou sair para ver o que acho no mercado.

Fomos cedo para cama, muito cansados, o dia foi pesado.

 LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 08, 2002

 7:00  Como todos os dias estou no Pilot House puxando e enviando e-mail.

O Marius voltou a mergulhar e o Betânia lavou bem o deck e deu uma ordem em todos os cabos para que fiquem à mão para qualquer emergência na viagem.

Fui à cidade e acabei encomendando na Outfitters um inversor que ele me promete entregar na sexta feira. Não acredito pois o mesmo está ainda em Los Angeles, mas pode ser que com a diferença de horário seja possível. Vamos ver.

Assim nossa partida está marcada para domingo.

Recebi um mail do Manoel Valença, meu sobrinho, que sabendo que estamos indo para o Brasil para Fortaleza,  quer embarcar em lá, o mesmo que o Theodoro Duvivier, que também pretende fazer igual.

Respondi a ambos informando a data provável de nossa chegada (22 de maio) se tudo correr bem.

O trecho é longo, muita corrente contraria, vamos ver o que vai acontecer.

Entrar em Caiena é uma opção não agradável, pois a entrada e estada lá não e das melhores.

Para estragar o dia, ou pelo menos a seriedade do dia, o Betânia apareceu com um prato de camarões fritos à paulista e caipirinha à vontade.

Depois uma bela fritada, ovos, batatas, bacon, temperos, tudo acompanhado de rum e cerveja.

No meio tempo nos chamam pelo VHF, com pronuncia alemã.

É o Rolf, do Marivent, que acaba de chegar a Prickly Bay onde está ancorado.

Fomos para lá encontra-lo, mas eu estava muito cansado, quis voltar para dormir.

O Marius e o Betânia viraram novamente a note, juventude é juventude.

Todos caímos na cama, desmaiados.

 LOG ENTRY FOR: Thursday, May 09, 2002

 Acordei cedo e bem disposto (pudera, ontem fui dormir às 8!).

Estou estudando as cartas de Caiena. A entrada é um pouco assustadora, pois ha profundidades de 0.2 metros, assim só se pode entrar com maré cheia.

Mas o Denio Abade, do Tango, que já esteve lá, entrou à noite e diz que foi fácil pois é bem balizado. Pode ser que ele tenha entrado em Dégrad des Cannes, porto para navios.

Em seguida fui trabalhar na sala de máquinas, nos dessalinisadores, (tive que limpar as válvulas da bomba principal que estavam funcionando de maneira ríspida) enquanto o Marius troca algumas luzes de cortesia que estão queimadas. Elas são muito úteis pois pode-se caminhar por todo o barco à noite, sem se acender nenhuma luz interna, portanto mantendo os olhos acostumados ao escuro.

Estou trabalhando na rota para o Brasil, destino Fortaleza.

Tenho muitas duvidas sobre a rota a fazer, pois pela carta de pilotos brasileiras a rota dos navios que vão para o sul, é bem longe da costa, e o "Ocean Passages of the World" do almirantado inglês, mostra também a mesma rota.

Isto porque a corrente prevista neste trecho, longe da costa se reduz para 0.9 nós, enquanto ao longo da costa é corrente contraria de 2 a 3 nós, em alguns trechos até 5.  Assim, é navegar rumo leste até 300 milhas da costa e depois rumo 130 até ter a ilha de Marajó no través de boreste. Neste momento vamos estar a 380 milhas da costa, livre dos troncos e ilhas que vem boiando  do Amazonas. Daí, proa para Fortaleza.

Serão 1750 milhas de navegação. Assim, navegando com um só motor, a 6.5 nós, poderemos nos atrever a fazer esta rota e ainda ter combustível de sobra para a correntada forte. O único problema é que estaremos na rota dos navios, que estarão sempre nos alcançando e muitas vezes não nos vendo. Teremos que monitorar nossa popa via radar.

O Marius telefonou para seu pai, que foi por toda uma vida comandante do Loyd Brasileiro fazendo esta rota, e ele confirmou, - é a melhor-.

 LOG ENTRY FOR: Friday, May 10, 2002

 12:20 O Marius e o Betânia acabaram de colar as letras com o nome do San Marino na proa, para estarmos de acordo com as normas da marinha Brasileira.

Pela Europa e EUA, somente o nome na popa é necessário.

14:40 O Marius e o Betânia saíram de bote para dar uma volta e conhecer a baia.

Continuo trabalhando nas rotas da viagem.

18:00 Lá vamos nós para o Happy Hour e depois para Prickly Bay encontrar o Rolf.

Desta vez eu não estava cansado, a comemoração foi forte e mais ainda o rum branco, de 75 graus, que nos adormecia a língua e despertava o espirito.

A cerveja veio em uma grande jarra com um inserto cheio de gelo dentro, o que encantou o Betânia que queria a toda força levar a tal jarra para copiar e usar em seu bar em Santos. A influencia do Rolf no lugar nos fez sair com a jarra embaixo do braço.

Voltamos a pé, eles de carro, e a noite ainda continuou no barco, nadamos, ouvimos musica, tudo com muita alegria.

LOG ENTRY FOR: Saturday, May 11, 2002

 6:00 Acordei cedo, ainda há muito o que fazer e enquanto isto a Milena arruma suas malas. Ela vai de avião para S. Paulo, nos encontrará dentro de 12 dias em Fortaleza, pois já decidi que este será  nosso destino e nossa rota será aquela dos navios, bem distante da costa.

O inversor chegou às 9, o Alston da Outfitters cumpriu a promessa.

O Marius  me ajudou a instala-lo, e também arrumou alguns porões que estavam bagunçados. Tudo tem que estar muito firme para a viagem.

O Betânia não apareceu. O famoso rum branco pegou direto na cabeça dele, vamos deixa-lo descansar.

 LOG ENTRY FOR: Sunday, May 12, 2002

 Saí cedo para levar a Milena ao aeroporto, o vôo dela sai às 8. O Betânia já refeito nos acompanha.

Despedidas, sempre tristes, lá vai ela rumo a Porto Rico, depois Miami, depois S. Paulo. Faça uma boa viagem. Nos reencontraremos em Fortaleza!

Na volta compramos gasolina para os botes estarem com tanque cheio para emergências no mar, óleo lubrificante como reserva, e voltamos ao barco.

Ao chegar desatracamos e atracamos junto à bomba de diesel e começamos a abastecer às 10 da manhã. O abastecimento terminou à 1 da tarde, pegamos 1850 galões imperiais, de 4.8 litros dada.

Fui à Marina pagar, mas houve problemas pois o procedimento para obter o duty free não tinha sido feito corretamente por eles.

Algumas visitas à alfândega e  imigração, tudo foi resolvido temos que sair do país..

15:00 Saímos do píer e jogamos âncora na baia. Mas o Betânia e o Marius ainda voltam à terra (ilegais) para completar nosso abastecimento com uma visita ao supermercado.

A idéia era sairmos às 17:00 mas todos estamos muito cansados, em nome da segurança, adiamos a partida para amanhã às 9.