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LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 06, 2001

 

O pessoal fez hoje uma limpeza geral em todo barco, começando pelo fly bridge, dei uma ordem nas coisas que ficaram bagunçadas durante a viagem, e a Milena iniciou uma limpeza interna.

Em seguida saímos para almoçar.

Saímos tarde, os restaurantes já estavam fechados. Acabamos conseguindo comer num barzinho de praia chamado Bomba, comida típica local muito boa.

Foi a despedida do Russi, que vai embora amanhã cedo.

Do restaurante fomos até ao aeroporto confirmar a passagem do Russi e marcar a viagem de volta do Marius e do Maurício, para o dia 9.

O Russi, Milena e eu ficamos a bordo à noite, mas o Marius e o Maurício saíram para a badalação e voltaram altas horas de cara muito cheia. Eles encontraram um clube muito bom, onde se paga 25 dólares locais e a bebida é completamente livre, como rodízio de churrascaria.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, June 07, 2001

9:30 Já deixei o Russi no aeroporto, o vôo saiu às 5 da manha.

Foi com tristeza que nos despedimos, ele foi ótima companhia e peça vital na tripulação, com seu equilíbrio, simpatia e conhecimentos navais.

Na volta iniciei a procura de uma bateria para substituir a que está pifada.

Encontrei uma ótima loja de autopeças, Napa, onde encomendei a bateria que precisava. Eles ficaram de entregar até o meio dia de hoje.

12:00 chegou a bateria, mas ao abrir a embalagem verifiquei que se tratava de bateria normal, não selada, que era o que eu queria.

Tive que devolver, pois as baterias normais produzem mais gases que as seladas e estes vapores corroem tudo em volta, alem de precisar de manutenção periódica.

Vou tentar encontrar baterias seladas por aqui, acho difícil.

19:00 Durante o dia foram pequenos trabalhos de manutenção, O Maurício e o Marius sempre na limpeza externa e a Milena na interna.

A Milena acabou se cansando demais, e ela, a Edna (que está agora a bordo) e eu, fomos dormir cedo. O Maurício e o Marius saíram de novo! Juventude é juventude!

 

LOG ENTRY FOR: Friday, June 08, 2001

10:00 já estou de volta do giro para procurar as baterias. Não há mesmo baterias seladas deste porte aqui em Barbados, vou ter que encontrar outra solução.

O Marius e o Maurício estão hoje limpando o casco, a Milena e a Edna o resto do barco.

18:30 O casco está limpo, eles fizeram uma belo trabalho, obrigado.

Acabei comprando e instalando uma bateria normal, não ha outra escolha, fica provisória.

Desde alguns dias estou com fortíssimas dores no braço direito, dei um "mal jeito" quando dormia numa noite em que o San Marino rolava muito, e agora piorou.

Ainda bem que aqui se guia do lado direito e o cambio do carro opero com a mão esquerda.

O Rum Mont Gay fez tanto sucesso que o Maurício e o Marius vão levar uma caixa cada um para o Brasil. Será meu presente de agradecimento por tudo que fizeram.

Fui à destilaria comprar as duas caixas. Primeiro ao escritório. Nota fiscal emitida e paga, me dirigi ao depósito.

Nisto soa o alarme de fogo, todo mundo sai correndo e eu fico no meio do pátio com a nota na mão. Saí também e perguntei a uma funcionária o que sucedia e o que fazer.

A destilaria já estava fechada, só abriria amanha se fosse alarme falso, o que acabou se confirmando. Meu problema era ter as duas caixas a bordo antes das 5 da amanhã de amanhã, horário do embarque dos  dois.

A Funcionaria me disse: deixa que resolvo.

Pegou a fatura e ficou de me entregar pessoalmente as caixas no barco ainda hoje, pois ela mora perto da Marina.

18:00 O Rum já chegou, vamos sair para nosso jantar de despedida, eles embarcam amanhã.

Jantamos no Baku,  comida local nenhuma maravilha, mas estava muito agradável e animado.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, June 09, 2001

7:30 Já estou de volta do aeroporto, lá se foi o resto de uma tripulação tão boa. Nem esperei que eles embarcassem. Meu braço dói muito, preciso de repouso..

Estou gravando o diário num pequeno gravador cassete, pois não posso digitar nada.

14:00 Iniciei o check list de retorno, que  deveria ter feito logo ao chegar, mas com todo este movimento deixei para hoje.

Nos gastamos 7965 litros de combustível pelo marcador floscan e na realidade, pelo nível dos tanques 7435, só os motores.

O gerador consumiu 350 litros, 3.68 litros por hora, pois ele trabalhou 95 horas durante a viagem.

Chuva intermitente durante todo o dia, a temperatura continua sempre alta.

Imprimi a rota que seguimos, enfim reorganizei tudo que tinha deixado para depois.

Fomos jantar em Saint Lawrence, onde ha uma pequena baia com vários restaurantes, muito animado.

Para se encontrar o local, basta procurar o restaurante italiano Bellini, que fica bem na entrada da baia.

Nós jantamos no Jambalaia e comemos magnificamente bem, Jambalaia (arroz misturado com frutos do mar e temperos) que foi o prato que a Milena escolheu e a Edna e eu, camarões grelhados com pimenta, que estavam deliciosos.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, June 10, 2001

8:00 Meu braço continua doendo. A dor vai desde as costas até quase o punho, localizando-se ora num ponto, ora no outro. Não sei se é reumático ou muscular, talvez uma tendinite ou artrite.

Pode ter sido a posição incomoda na cama com o rolar do barco, ou o uso constante do "mouse" do computador, também em posição incomoda.

Vou iniciar um tratamento por conta própria, se não der certo vou procurar um médico por aqui. Vou usar anti-inflamatórios e aspirina.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, June 11, 2001

9:30 Combinei um abastecimento de 4000 litros para hoje às 10 da manhã. Vai ser o suficiente para chegar até Trinidad onde vamos passar a estação dos furacões.

Como todos os dias puxo a previsão do tempo pelo Inmarsat, e hoje, pela primeira vez há um aviso de tempestade no Golfo do México, nada muito forte, 35 nós de vento e muito longe daqui.

Em Houston está rolando um furacão tropical, o primeiro do ano.

O tempo por aqui é bom, 1020 mb de pressão como sempre, 55% de umidade e um belo céu azul.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 12, 2001

7:30 As previsões de tempo como sempre continuam boas, o tempo sempre igual, muito estável.

Ontem não saímos à noite, ficamos no barco olhando as estrelas.

Estamos prontos para deixar Barbados à hora que quisermos, mas a Milena quer fazer compras no supermercado, e eu gostaria também que meu braço melhorasse ainda mais, um pouco já melhorou.

8:30 Vamos sair para dar uma volta pela ilha, afinal a Milena acabou a arrumação interna.

16:00 Estamos de volta. Atravessamos a ilha de oeste a leste até Batsheba. Inicialmente subimos ate o centro com uma paisagem árida. Depois numa descida suave rumo à Ragged Point,  fomos até a costa leste, onde tudo é verde e belo.

A costa muito bonita, cheia de penhascos que despencam sobre o mar violento, bonitas praias que nos trouxeram saudades do Brasil.

Paramos numa casa chamada "Round House " onde ha um restaurante, do Robert e da Gail, que nos informaram que amanhã vai haver uma noite de jazz.

A Edna se animou e nós também. Vamos  ver se retornamos amanhã à noite.

Este é um dos pontos mais bonitos de toda a ilha.

Em seguida costeando rumo sul até o final da costa e em seguida, rumo oeste nos dirigimos a Bridgetown e fomos comer carne num restaurante típico americano onde se come "Ribs "e "New York Steaks", razoável.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 13, 2001

8:15 Meu braço está quase bom. Aproveitei para dar uma esguichada  de água no casario e notei uma grande diferença entre aqui e a Europa. Não há sujeira, não há aquele pó preto típico dos lugares poluídos ou o vermelho, típico das areias do Saara.

Dizem que às vezes ela chega aqui, atravessando todo o oceano atlântico, mas certamente chega mais fraca que na Europa ou Cabo Verde.

Dia de supermercado. O supermercado que fomos é magnifico, um dos melhores de toda a viagem

Grande sortimento, muito limpo e muito arrumado, mas bastante caro também.

Frutas, verduras, carnes, laticínios, tudo americano.

A seção de temperos é incrível, por aqui se come muito temperado, herança da África, que tanto enriqueceu também a nossa cozinha.

Jantamos no Round House. O Jazz estava ótimo, o restaurante tem uma bela vista para o mar.

Bateria, baixo, teclado e um maravilhoso Saxofone.

Tocaram algumas musicas brasileiras, e no intervalo a Edna foi agradecer. Não deu outra, o resto da noite foi só bossa nova, muito bem executada. O Band Leader é de Trinidad e  por isto (disse ele) gosta tanto de música latina.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, June 14, 2001

18:00 Estamos voltando de Bridgetown. Fomos procurar uma clinica para dar uma olhado em meu braço. Estou melhor, mas nós pretendemos navegar sábado ou domingo para Béquia e lá não há quase nada. A Milena está preocupada em navegar com um capitão de um braço só.

A clinica estava fechada, estão comemorando o aniversario de alguém que trabalha lá. Boa a vida por aqui!

Nós vamos jantar novamente no Fisch Pot, o mesmo que fomos no dia que chegamos e que é excelente.

A Edna está começando a se despedir de nós e de Barbados, já estamos ficando com saudades mesmo antes dela ir embora.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, June 15, 2001

Saí cedo, para levar a Edna ao cabeleireiro e usar o computador da Marina para abrir os mails do internet. O computador está com defeito, nada de mails.

De lá fui à Bridgetown e aproveitei para ir ao médico.

5 radiografias e um diagnostico rápido. Artrite, disparada pelos movimentos bruscos feitos durante a viagem. Não há remédio. Se o seu tratamento  está funcionando, (disse o médico) siga em frente, vai depender mais de sua cabeça.

A clinica é bem arrumada.

Estamos nos despedindo da Edna novamente, ela embarca amanhã cedo.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, June 16, 2001

7:00 Deixei a Edna no Aeroporto às 5 da manhã. Ela embarcou tranqüila e feliz, rumo à S.Paulo. É um vôo complicado, via Miami.

Voltei ao barco e voltei a dormir. Estamos novamente sós a bordo, Milena e eu, depois de tanto movimento e tantas viagens. Parece que neste momento a travessia foi completada.

13:00 O pessoal da alfândega veio nos visitar, o soldado que fiscaliza o porto e a chefe que nos recebeu. Eles nos contaram detalhes engraçados do porto e da vida de Barbados. Ficamos o resto do dia a bordo, lendo, curtindo o relax.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, June 17, 2001

Decidimos partir amanhã às 5 da manhã. Serão 12 horas de viagem até Béquia, a primeira ilha dos Windwards (barlavento).

Desde de manhã estou trabalhando normalmente para preparar a travessia apesar da dor no braço. Encher os dinghies, colocar de volta o suporte das defensas que retiramos na travessia para não ser danificado pelo mar, deixar o flybridge em ordem, verificar água e óleo dos motores e gerador. Iniciei também  o procedimento de viagem anotando nível dos tanques, marcação de horas dos motores, logs, enfim todos os detalhes de sempre com mais dificuldade devido ao braço.

22:00 Marina paga, procedimentos de saída na alfândega e policia completos, o despertador vai tocar amanhã à 4 da manhã.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, June 18, 2001

4:30 Estamos de pé, preparando o barco para sair. Ainda está escuro.

5:00 Saímos na hora exata. Está começando a clarear mas as luzes do porto nos guiam com segurança. A manobra foi fácil, ajudado pelo vento de proa. Bastou soltar o cabo de proa e  o barco afastou-se docemente do píer.

O canal de saída é estreito, há uma bóia de luz a bombordo, a marcação por aqui é ao contrario da nossa e da européia, vermelho a bombordo ao sair do porto.

5:30 No rumo, mar calmo, mas ainda estamos na sombra da ilha.

Viajamos a 8.6 nós, 1550 rpm.

Nossa hora estimada de chegada à Béquia é 19:00, mas vamos chegar antes pois estamos viajando mais rápido que o calculado, 8.6  nós e há meio nó de corrente a favor.

6:50 Dois navios cruzam a nossa proa, agora não há mais nada no radar.

Os contornos de Barbados ainda estão há vista, bem tênues.

Mais alguns minutos e estaremos vendo apenas horizonte.

O mar está bom, vagas de 2 metros vindas pela aleta de popa de boreste como esperado.

9:00 Estão faltando 58 milhas, até a ponta norte de Béquia. e já estamos vendo  a montanha de Saint Vincent, 3500 pés de altura, na tela do radar. O mar está um pouco pior, ondas de 3 metros vindo pela popa, rolamos pouco, o dia está bonito.

Estamos a 25 milhas de Béquia, o contornos de St Vincent estão já visíveis.

St Vincent é uma ilha muito próxima de Béquia, ao Norte. É a capital deste pais aquático.

212:45 Agora já podemos ver Béquia e Mustique, todas ilhas das Grenadinas, conjunto de pequenas ilhas que sequem de St Vincent até Grenada.

13:30 Aqui onde estamos, a profundidade é 1500 metros. Dentro de 5 milhas ela vai baixar repentinamente para 40 metros. Esta subida rapidíssima provavelmente vai aumentar muito o mar que já não está tão calmo assim.

16:30 Estamos ancorados na Admiralty Bay, em frente a Port Elizabeth. O local é muito bonito, há pelo menos uns 50 veleiros ( e 2 trawlers) ancorados neste local.

20:30 Vamos dormir cedo, cansados, mas vou ficar no Pilot House para controlar se o ferro unhou bem.

Vento força 4, com rajadas 5.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 19, 2001

9:30 A noite foi calma, mas com bastante vento.

Estamos nos preparando para descer à terra. Coloco o dinghy grande, o Flexiboat na água, pois há muita marola e a Milena não gosta de se molhar com roupa de passeio.

Vamos à capitania fazer a entrada no país.

O tempo está fechado, chove.

O procedimento de entrada é simples e vale para varias ilhas. A próxima entrada será em Grenada.

Em seguida fomos procurar um bar para fazer contato com a região. Tomei dois cuba libres que aqui é o melhor refresco pois o rum local é sempre ótimo e a Milena uma Piña Colada, que também é feita com rum.

Deve-se beber e comer conforme os locais, portanto haja fígado para o rum!

Andando pela praia achamos um local onde pudemos comer uns camarões de água doce muito bem preparados, com tempero local muito picante e por sorte o dono do local, italiano, nos serviu um excelente café como há muito não tomávamos.

De volta a bordo, já com tempo bom, aproveitamos para curtir a água e a bela baía.

Béquia é uma ilha pequena, umas 200 casas, 3 automóveis e muitos, muitos iates.

Béquia era anteriormente um porto de pescadores de baleias.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, June 21, 2001

6:46 Preparando para levantar ancora, de Béquia para Tobago Cays.

7:30 Ferro no ar, saímos lentamente da baía.

1550 rpm, 8.5 milhas.

Estamos nos dirigindo para a ponta sudeste. 

9:55 As ilhas foram se sucedendo: Baliceaux, Mustique, Petit Mustique. Canouan a nosso bombordo, vamos passar bem perto.

Decidimos saltar Tobago Cays, vamos visita-la na volta, quando estivermos subindo depois da estação dos furacões. Vamos direto para Union Island, com tristeza, pois dizem que Tobago Cays é um dos lugares mais bonitos do Caribe.

Como a entrada é difícil e o tempo curto, vamos deixar para quando pudermos passar ao menos uma noite lá.

10:30 Tivemos que parar para ajustar o selo mecânico do motor de boreste, o mesmo que vazou no meio da travessia. O selo está correndo pouco a pouco no eixo, preciso com calma fazer um novo suporte.

Temos agora ondas de 3 metros vindo totalmente de  través, o que nos faz rolar um pouco.

Entramos pela parte leste de Mayreau, proa para Palm Island e por um canal sinuoso Clifton Bay

11:40 Fundeados em Clifton Bay, a entrada é difícil, com muitos recifes de coral, a baia é muito pequena e muito linda, com corais por toda a parte, dificultando muito a ancoragem.

Achamos um buraco de onde provavelmente tinha saído ha pouco um barco de nosso porte e jogamos ancora ajudados por um local em um bote de compensado com um grande motor de popa. Ele nos garantiu que o fundo é de boa pega. Estamos bem fundeados.

Ha muitos barcos ao redor, um canadense a nosso boreste, um inglês a nosso bombordo,  diversos catamarans, tudo numa baia muito pequena.

A entrada da baia também é fechada por um banco de coral, é muito lindo, maravilhoso.

O único defeito é que bate um pouco na maré cheia, o mar passa por cima do banco de coral.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, June 22, 2001

7:30 Tudo pronto para a partida, daqui vamos direto para Grenada.

Antes temos que descer à cidade para fazer a documentação de saída do pais. Vamos a pé até o aeroporto, que fica logo ali. Lá está a Policia e a Alfândega.

9:35 Tudo pronto vamos subir a ancora

11:55 A bombordo a ilha de Rondes, uma bela rocha em forma de ponta.

A água está muito azul, a paisagem muito bela e as rochas que afloram pontiagudas em alguns lugares recordam o perigo da navegação noturna por aqui. Platôs verdes e Grenada em nossa bochecha de bombordo, que dia magnifico!

Apesar de usar a mesma moeda  de St Vincent, o Dólar Caribenho,  Grenada é outro pais, vamos ter que fazer nova entrada, alfândega, etc.

13:20 Costa norte de Grenada, um grande cardume de golfinhos veio nos receber com as brincadeiras costumeiras.

Chama no VHF o Vida Viva, procurando pelo Aphrodita. Pelo sotaque pareciam brasileiros.

Entrei no canal, me identifiquei. Eles estão neste momento entrando no porto de Saint Georges. Vários outros barcos brasileiros entraram também no canal 16. Depois de 8 anos sozinhos, começamos afinal a encontrar brasileiros.

14:30 Virando a ponta sul da ilha, rumo à  Prickly Bay, mas o mar está um pouco batido com vento S.W. Decidimos então entrar na Hartman Bay, mais protegida, mas de entrada mais difícil devido aos bancos de corais, mas parece que é bem sinalizada.

16:00 Ancorados em Hartman Bay, muito calma, protegida. A entrada foi fácil, bem sinalizada e nunca com menos de 8 metros de profundidade.

O Vida Viva nos  chamou pelo rádio. Eles vem nos visitar amanhã e querem saber onde estamos ancorados.

Bote na água, a alfândega já está fechada. Mas nos informaram que sexta feira é dia de churrasco, vamos para lá conhecer os pessoal.

22:00 De volta. O churrasco foi razoável, e nós fizemos amizade com um casal jovem, o Nicolas e a Audrey, ele francês, ela das ilhas Seichelles.

Eles vivem de charter, tomam conta de um belo catamaran e nos ensinaram muito sobre como alugar um barco no Caribe.

Nosso barco poderia ser alugado por uns 12 mil dólares por semana, dando alimentação completa e diesel.

Ficamos escutando musica, e os levamos de volta, pois seu barco está atracado com o dinghy já limpo e arrumado. Eles vão sair amanha cedo com novos clientes, rumo à Martinica.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, June 23, 2001

9:30 Desci à terra junto com a Milena para fazer a entrada no país. Sei que somente o capitão pode descer antes da documentação em ordem, mas aqui tudo é muito à vontade, mesmo porque ontem fomos ao bar da Marina comer um bom churrasco!

O "clearence" foi muito fácil e simples, um só funcionário cuidou de toda a documentação, (policia, saúde, alfândega), 20 dólares de taxas e estamos oficialmente em Grenada.

Ao voltarmos o Vida Viva nos chamava pelo VHF. Eles estão navegando para cá, estão agora bem em frente a Prickly Bay e vão entrar daqui a pouco.

12:00 Chegou o Vida Viva, jogou ferro ao nosso lado.

Eles vieram no inflável,  O Francisco e a Suzana, mais suas duas lindas pequenas filhas.

Ficamos sentados em nosso jardim de popa, trocando conversa agradável, principalmente sobre o Brasil.

O Francisco tem sangue austríaco e o mostra em seu físico desenvolvido. Ele é desinibido e simples e sua mulher, a Suzana, uma bela morena de olhos puxados.

As meninas fazem um par temível, soltas e alegres, uma bela família.

Elas giraram por todo o barco, curiosas e inquietas.

A Suzana nos convidou para um jantar a bordo do Vida Viva, lá vamos nós hoje a noite.

24:00 Estamos de volta de um magnifico  jantar. Depois de uma saborosa entrada, lagosta (caçada pelo Francisco) à termidor feita com sabedoria pela Suzana, e até pudim de leite, ao modo brasileiro, como sobremesa.

Fiz um grande esforço para voltar cedo, pois a conversa estava ótima. Sempre o mesmo problema de conhecer pessoas com as quais nos ligamos, mas temos que deixa-las, quem sabe para sempre. Eles partem amanhã bem cedo, tem uma travessia às vezes difícil pela frente, vamos deixa-los dormir.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, June 24, 2001

8:45 Amanhece como sempre, dia belo, brilhante, vento constante de NW.

O Vida Viva já saiu e nós voltamos à nossa rotina diária.

O Vida Viva é um belo sloop de 80 pés, fabricado na França, muito bem dividido internamente e muito bem mantido pelo casal. Ele foi até a Turquia, como nós, voltou via Gibraltar, mas de Cabo Verde velejou para Fortaleza, depois subiu a costa  do Brasil numa navegada sempre fácil e boa, como é subir do Brasil para cá.

Uma vez aqui, os veleiro ficam presos. Ou saem para o Pacifico, e voltam para o Brasil completando a volta ao mundo, ou quase forçosamente tem que ir para a Europa, via Bermudas / Açores, pois é mais fácil do que navegar contra o vento e contra a corrente, descendo a costa da Venezuela rumo ao sul do Brasil.

E o caso do Vida Viva. Eles vão pelo canal do Panamá, Marquesas, etc.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, June 25, 2001

Passamos o dia inteiro no San Marino. A Milena não está muito bem, aproveitamos para descansar, nadar, mergulhar, enfim, fazendo esta doce vida  na água salgada.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 26, 2001

9:00 Chegou o carro que alugamos. Vamos dar uma volta pela ilha, saber onde estamos.

Saímos costeando a costa sul, rumo oeste, fomos até o ponto extremo. Lá ha uma Marina onde talvez possamos deixar o San Marino na estação dos furacões.

O problema é que o sul de Grenada está exatamente na latitude 12°S, e como esta Marina (bem como as outras)  está no fundo de uma baía, portanto latitude 12° 001 S. Nossa apólice de seguro só nos garante abaixo de 12 graus, vamos falar com nossos corretores, ver se podemos mudar.

Estamos gostando de Grenada, em vez deixar o barco em Trinidad, quem sabe aqui?

Nesta Marina os barcos ficam todos no seco, o que nem sempre é muito seguro em furacão forte, pois se um cai, cai em cima dos outros. E também, na entrada de um furacão violento a maré pode subir até 3 metros, o que me parece, avança dentro deste pátio.

Tentamos subir a costa rumo norte, mas nos enganamos de caminho, e quando vimos estávamos numa estrada subindo uma grande montanha, para o centro da ilha. Não adianta corrigir, deixa a sorte nos levar.

De cima desta montanha, uns 1000 metros, uma vista soberba, toda a costa leste, por onde navegamos, e a cidade de Saint Georges.

Descemos sinuosamente e fomos almoçar no restaurante Tout Bagay, típico e sem turistas, só locais.

Fica bem no porto, com vista para toda a Carenage, uma baís segura bem na cidade.  Experimentamos o Roti, comida popular e barata, como uma panqueca dobrada, recheada com camarão, carne, vegetais, o que se quiser. É ótimo.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 27, 2001

10:00 Acordamos cedo hoje, às 8 horas da manhã já tínhamos subido a ancora e nos dirigimos para a Secret Marina, onde decidimos atracar.

O Lloyd’s nos autorizou a passar a estação por aqui, estendeu nossa faixa de liberdade até 13 graus sul.

Resolvemos deixar o San Marino aqui, na Secret Marina, mas antes vamos ficar uma semana observando o local para depois fazer o contrato. A Marina pertence ao Moorings, a mais famosa companhia de charter do mundo, e sua flotilha das ilhas do Caribe de Barlavento, passa a estação  aqui.

Ferro levantado, nos dirigimos para a vaga indicada. No trajeto, uma forte chuva acompanhada de rajadas violentas nos impediu de entrar, por conselho da própria Marina.

Joguei o ferro bem na frente da vaga e fiquei esperando a chuva passar. Mas não passou. Aumentou.

Então decidi voltar e fundear novamente onde estávamos.

Já fundeados, no meio desta tempestade, um raio acompanhado de um trovão violentíssimo quase nos jogou ao chão.

O veleiro a nosso lado, a uns trinta metros, o Suzana,  um cutter de uns 40 pés,  foi atingido violentamente em seu mastro.

Pelo rádio, começamos a chamar pelo veleiro, nós e outros barcos, sem resposta.

Chovia muito, mas mesmo assim pensei em botar o inflável na água e ver o que tinha acontecido com as pessoas que até a pouco tempo eu tinha visto a bordo.

Mas logo em seguida chegou um bote da Marina e avisou a todos que eles estão bem, mas o rádio estava torrado pelo violento raio que os atingiu em cheio.

13:00 A Marina me chama, estão prontos para nos receber novamente, mas como o vento continua, nos arrumaram um lugar para atracar de costado, muito mais fácil.

A chuva parou neste momento. Vento de 25 nós, NE. Entrei de ré, lentamente, a uns 2 metros de distancia do cais, pois o vento nos joga sobre ele, facilitando a manobra.

Bem neste momento, quando estávamos já paralelo ao cais, o vento muda repentinamente para SE nos jogando para fora, ao contrario do previsto.

Saio, entro novamente agora já contando com estas bruscas variações, a Milena joga o cabo de popa e amarra firme. Joga também um outro cabo e amarra a proa.

Ré com o motor de boreste e leme todo à boreste, o San Marino retesa os cabos com muita força, e mudando lentamente a forma deste paralelogramo alinha a proa e entra suavemente na vaga, onde a tripulação do barco ao lado (Ragazza, um imenso iate de 130 pés,  bandeira Porto Rico) nos ajuda a encurtar as amarras.

Ligo eletricidade, aqui é como na Europa, 220 volts, 50 ciclos, estamos atracados.

Saímos para jantar, comemorar mais um trecho longo viajado (Gibraltar Grenada).

O restaurante é excelente, The Red Crab. O premiadíssimo cozinheiro alemão, nos preparou um Steak au Poivre, como há muito não comíamos. O "crab" ficou na entrada, casquinhas de siri à moda local, deliciosas. Tudo acompanhado de um bom bordeaux, que ninguém é de ferro.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, June 28, 2001

8:00 Amanhecemos com o pobre San Marino preso ao pier, como um cavalo amarrado.

Os barcos gostam de estar navegando, um pouco menos quando estão ancorados, com o nariz amarrado a uma longa corrente, mas ainda assim livres, girando ao vento e rolando ao sabor das pequenas ondas.

Mas num cais, roçando duramente contra as paredes de concreto, estirando os cabos curtos e elásticos, o barco se sente domado e preso.

Mas para nós e o contrario, ficamos mais livres para passear, conhecer a ilha, sair à noite.

Ele que nos serviu tão bem nestes 3 meses de navegação está agora sendo punido, amarrado, triste. Será justo?

Nosso castigo veio rápido.

O computador principal de bordo, um PC que comprei na Grécia parou de funcionar e a coisa parece séria. O Hard Disk está completamente fora do ar.

Deve ser o ar marinho acompanhado de um balanço contínuo, para o qual ele não foi projetado.

Pelo menos veio até aqui, funcionou bem enquanto navegávamos apesar de ser já um pouco ultrapassado e lento para os padrões atuais. Vamos ver o que poderei fazer.

A Milena comanda uma grande operação de ordem e limpeza e eu acabo a operação de ligar-nos à terra. Água, passarelas, cabos definitivos e uma boa lavada externa.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, June 29, 2001

Meu braço está quase bom. Há 5 dias atrás parei de tomar o  anti-inflamatório e entrei firme na aspirina, 12 por dia. Hoje parei com a aspirina, vamos ver no que vai dar, mas acho que estou curado.

16:00 Estamos de volta da cidade, fizemos muito.

Fomos em duas lojas de computadores e já encontrei o que queria. Podemos comprar aqui por preços USA e pagar 2.5% de imposto.

Encontramos uma maravilhosa loja de ferramentas, com muito material, há também uma loja de produtos náuticos, a Island Water, muito bem sortida e livre de impostos também. Comprei material para limpeza, pois pretendo iniciar uma boa limpeza externa no San Marino já que meu braço ficou bom.

Visitamos duas marinas,   o iate clube de Grenada, que é bem localizado mas um pouco bagunça, e a Little Bay Marina, muito bonita e agradável mas não muito protegida. Creio  que escolhemos bem onde estamos.

Fizemos supermercado, fomos a uma boa loja de vinhos,  enfim o barco está novamente abastecido.

Chegamos bem na hora de tomar um banho e ir para a happy hour da Marina, que é na sexta, às 5 da tarde.

Chegamos tarde, quase às 6. Todo mundo animado, calibrado.

Fizemos amizade com um casal de canadenses em lua de mel, no hotel, e com um casal de alemães, que moram num catamaran e estão aqui com um amigo, o Peter.

Eles são o Rolf e a Ulrich, e depois do churrasco fomos todos para o San Marino continuar a festa.

Ficamos até altas horas e na despedida os alemães se ofereceram para me ajudar a mudar o San Marino de vaga, coisa que tenho que fazer amanhã. Não gosto do San Marino de costado como está e uma boa vaga perto está livre, vamos pega-la logo.

É um trabalho pesado pois pretendo lançar as duas ancoras bem longe, e sozinho é difícil.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, June 30, 2001

9:45 Já estou com tudo pronto para fazer a mudança de lugar.

Já conversei com a Marina, estou apenas esperando os alemães chegarem.

Ferros, cabos, tudo pronto.

O vento está fraco, o momento é bom.

11:30 Tudo feito, barco mudado de posição

Tudo correu muito bem.

Jogar a ancora com o dinghy no nosso caso é difícil, pois o ferro é pesado (50 quilos) e a corrente muito mais (600 quilos).

O processo é parar o dingy embaixo da proa, deixar a ancora cair sobre ele arrumando-a em tal posição que ao sair não fure a borracha do inflável.

A corrente vai sendo baixada então e fica solta no fundo do dingy.

Uma vez toda solta, de ré (e por isto precisei de ajuda, o Rolf ficou na direção) vai-se com o dinghy até a posição desejada, soltando-se pouco a pouco a corrente, guiando-a com a mão (trabalho que eu fui fazendo). 

Se se descuida, devido ao grande peso, a corrente desce de uma vez em um só lugar e o trabalho precisa ser reiniciado.

Fiz isto duas vezes, lancei as duas ancoras em angulo, para deixar o San Marino bem preso para enfrentar um furacão, se preciso.

Como o vento estava favorável, pela proa, nem precisei ligar os motores. Bastou soltar lentamente as amarras e o San Marino dirigiu-se suavemente para a nova vaga, 50 metros adiante.

Agradecei muito aos dois, e à tarde, me ofereci levar o Peter ao aeroporto, pois ele se despede daqui, deixando a Ulrich e o Rolf sós

20:00 Levamos o Peter, voltamos e fomos tomar uma cerveja no bar da Marina.

O Rolf e a Ulrich nos convidaram para amanhã ir ao barco deles, comer uma torta de maças.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 01, 2001

Mais um mês se passa. Entramos hoje em julho, o segundo mês onde existe possibilidade de se formarem furacões nesta zona, mas ainda não estamos nos meses fortes, agosto e setembro.

14:00 Aproveitei a manhã para limpar o barco por fora, encontrei um produto muito bom para retirar a ferrugem que escorre das peças de inox (antes eu usava ácido fosfórico puro, que é liquido, escorre e tem que ser monitorado com cuidado senão ataca o gel). Este produto, da Davis é em forma de gel, não escorre, fica no local.

20:00 Estamos de volta do Marivent, o catamaran do Rolf e da Ulrich.

O barco foi feito por ele mesmo, em casa. É muito bem pensado, forte e leve, o que é importante num catamaran.

Eles estão ha muitos anos no Caribe.

O tempo é bom, voltamos no dinghy numa noite escura e bela.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 02, 2001

Fui à cidade fechar o negocio do novo computador. Aceitei a sugestão de meu filho e comprei o melhor que encontrei.

Dizem que vai chegar na sexta feira.

Em seguida, Milena e eu saímos para dar uma volta pela ilha.

De Saint Georges subimos a costa oeste, atravessando diversas pequenas vilas.

A Ilha é pobre,  e lembra muito o Brasil em sua vegetação, e na mistura sem choques entre as casas e a natureza.

Na Europa, nos acostumamos a ver a mão do homem destruir a natureza, deixa-la a zero, e construir horrendas edificações sem qualquer cuidado. Aqui, como no Brasil em geral, a natureza é forte e o homem apenas consegue arranhar a sua superfície, construindo suas casinhas no meio da selva.

Me dá alegria ver novamente este modo de conviver com a natureza, que espero continue assim, para que tudo não seja destruído.

O mar é bonito, a cor é bonita, dá para sentir que a ilha está em dificuldades financeiras.

Bem no norte há uma antiga "plantation house" (casa de fazenda), num ponto onde talvez esteja a mais bela vista que se vê em Grenada.

Olha-se para o norte, pode-se ver Carriacou, e outras ilhas vizinha.

A comida típica, ótimo pão, fritos de entrada  que são muito bons por aqui, peixe no coco e banana frita como sobremesa, tudo muito bom exceto o péssimo vinho.

Aqui não é mesmo para se beber vinho, temos que mudar nosso costume.

Voltamos descendo pela costa leste, até Greenville, a segunda cidade da ilha e de Greenville direto ao S. Marino

Saímos à noite, para comemorar o aniversário da Milena, no hotel da Marina, onde se dizia iria haver um conjunto de blues, mas nada houve, voltamos cedo.

Um casal norueguês que está hospedado no hotel, em lua de mel, nos fez companhia nesta noite.

23:30 Começa um vento bem forte, agora está 25 nós. Bom para testar nossas ancoras.

A de bombordo está cruzando com uma poita da Marina, preciso muda-la. A de boreste está bem unhada.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 03, 2001

23:00 Voltamos do jantar, no Beach House restaurant, um dos melhores da ilha.

Vale a pena pedir os "Ribs", costela de vaca feita à moda do Texas, deliciosas.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 04, 2001

11:00 Acabei agora, junto com o Adrian, o dockmaster da Marina, de arrumar a ancora de bombordo.

Deu bastante trabalho. Ele com o dingy, eu no convés cuidando do cabrestante.

Mas agora a corrente não se enrosca mais com a poita, tudo está em ordem.

Foi necessário soltar a corrente de seu suporte no San Marino, deixa-la cair toda dentro do dingy, dar a vota na poita e voltar.

O Adrian é um rapaz de uns 25 anos, muito competente. Ele segue a seita dos Rastafari, e dizem por aqui, que são em geral pessoas muito corretas e sérias.

É uma seita que aceita como seu rei o Selassié, imperador da Etiópia, alguns anos faz.

Eles são caracterizados por não cortarem os cabelos, que quando muito longos são cuidadosamente escondidos dentro de toucas com cores determinadas.

Troquei também os cabos que estavam amarrados às poitas da Marina, coloquei cabos mais grossos, os mesmos que fiz na Córsega.

Falta agora só mergulhar e ver como as ancoras estão unhando, e ainda ver se as manilhas estão em ordem e amarradas.

12:00 Como todos os dias, saí de inflável para nadar em algum lugar. No caminho passei pelo barco do Rolf, pois eles iam jantar hoje no San Marino e a Milena resolveu mudar para amanhã.

Convidei-o para ir nadar em uma praia numa baia ao lado. Ele aceitou, e de um salto veio para bordo. Na trajetória bateu com a boca num estai pesado e quebrou um dente. Lá foi ele para o dentista.

18:00 O Rolf e a Ulrich passam pelo nosso barco. Ele está bem, o dente foi refeito com muita perfeição, a dentista parece mesmo boa como dizem por aqui.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, July 05, 2001

Saímos cedo para procurar manjericão, pois a Milena quer fazer um macarrão de boa qualidade para nossos amigos alemães que vem jantar aqui hoje.

Rodamos diversos supermercados e feiras, mas nada, não há.

A Ulrich é vegetariana, a Milena não pode fazer qualquer tipo de pasta.

A Milena acabou decidindo por um espaguete à puttanesca, onde quase tudo é vegetal, menos as anchovas, mas como elas vão em pequenos pedaços, basta não dizer nada.

23:00 O Jantar foi um sucesso, a vegetariana adorou o macarrão apesar de dizer que odiava anchovas. Como o vinho é coisa vegetal, foi consumido em doses generosas.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 06, 2001

17:00 Apareceram no barco um casal de brasileiros, a Isabel e o Jorge Hillmann, que estão fazendo um charter com barco da Moorings. Viram a bandeira, e fizeram uma visita.

Estão morando em Costa Rica e antes moravam em Toronto.

19:00 O Rolf acabou de sair de nosso barco,  combinamos para ver uma steel band na Marina em Prickly Bay.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 07, 2001

Ontem à noite a festa foi grande.

Na Marina de Prickly Bay há um pequeno restaurante onde comemos razoavelmente bem, havia uma fantástica steel band, de figuras femininas de todas as idades, comandadas por um senhor que foi um dos precursores destas bandas em Trinidad.

As Steel Band,  tambores de óleo, cortados em diversas alturas e cuidadosamente sintonizados.

A percussão é feita com madeira ou metal, e o som que salta fora destes rudes tambores de aço é delicado e agradável.

Deste o baixo de um tambor ao som de uma flauta, tudo sai destes tubos de aço que sobram em Trinidad devido à exploração de petróleo.

Em nossa mesa o Rolf e a Ulrich, o David, americano que está só (sua mulher está nestes dias em casa), e um casal de alemães que tem uma escola de mergulho por aqui.

A festa pegou fogo com Calipso e ritmos locais. Todo mundo dançando até altas horas, foi muito agradável.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 08, 2001

Café pela manhã no hotel, com bacalhau desfiado à maneira local.

Rodamos toda a ilha, fomos até Saint Georges, fomos a um bar onde conhecemos um casal inglês que viaja num velho Land Rover, e ficamos conversando sobre viagens de carro.

Voltamos pelo meio da ilha. Voltei a fazer meu trabalho de verniz e óleo, nas madeiras externas que felizmente são poucas.

Enquanto isto a Milena dá uma geral na casa de máquinas.

22:00 De volta do bar da Marina onde estavam o Rolf e a Ulrich, e onde conhecemos o JP, apelido do Jean Pierre, um canadense folclórico que vive aqui na ilha. Barbudo, falante, facilita a vida de todos, pois só ele fala.

LOG ENTRY FOR: Monday, July 09, 2001

Continuo com o verniz e óleo, é apenas nas bases dos botes infláveis, nos croques e nos remos. É tão pouco, mesmo assim dá trabalho. Todas as outras poucas madeiras externas são ipê, sem tratamento.

Consegui esta noite tocar piano, sinal que o braço está bom.

Vamos ver se quando chegar o novo computador o teclado vai voltar a danificar meu braço.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 10, 2001

Um dos cunhos onde o San Marino estava amarrado pela popa começou a se soltar do píer. Temos 65 toneladas.

Mudei a amarração para um outro um pouco mais distante e resolvi amarrar nossa popa também aos pilares de concreto do píer , "just in case".

O Rolf vai para o Brasil dentro de alguns dias, e veio me visitar, pedindo que eu traduzisse os termos de um balanço. Ele é contador, está aprendendo a falar português, e por sorte sou economista, empresário retirado, portanto pude ajudar.

O David passou também por aqui e nos convidou para um "happy hour" em seu barco, hoje, às 16:30! Tão cedo!!!

Ele vive num veleiro de 28 pés, com uma vela carangueja muito interessante e muito bem cuidado.

Fomos jantar na cidade, no Rudolf, bem ruim, não vale a pena voltar lá.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 11, 2001

Usamos a manhã para ir à cidade fazer compras. Comprei o material para instalar mais um  silenciador no gerador, para deixa-lo ainda mais silencioso.

Milena comprou algumas roupas.

Acabei meu serviço de verniz.

Tem os jantar hoje às 18:00 no Marivent, o catamaran do Rolf, com o David e o JP.

Como o JP já chegou de cara cheia, demos muitas risadas, foi divertidissimo.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, July 12, 2001

Com meu laptop de reserva, e como faço todos os dias, abro a previsão do tempo que nos chega via Inmarsat C.

Pela primeira vez há um "aviso de furacão". Uma depressão na longitude de 40 W, que está se movimentando a 17 nós na direção W, a qual vai se combinar com uma onda tropical que está um pouco à frente e está previsto que  já amanhã estará formado um sistema ciclônico que vai se dirigir nesta velocidade na direção aqui das Antilhas.

A tendência,  se o rumo continuar, é que ela chegue domingo na altura de St Martin, com ventos de 55 nós e rajadas de 65 nós.

Vamos acompanha-lo, ele não vem para cima de nós, mas é bom apreender como se portam estes fenômenos violentos por aqui.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 13, 2001

Saímos para comprar uma corrente pesada para amarrar o San Marino nos pilares do píer e evitar assim que o cabo de nylon se desgaste. Encontramos o David que nos ajudou a encontrar as lojas, ele conhece muito bem a ilha, está morando ha vários anos aqui.

18:00 Não encontrei a  corrente mas achei a peça que faltava para colocar o silenciador no gerador, que ficou bastante silencioso.

Fui também buscar o computador novo, mas ainda não foi liberado da alfândega.

Passamos a noite novamente em Prickly Bay, com steel band e muita dança.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 14, 2001

Deixei o Rolf no aeroporto, ele vai ficar 15 dias no Brasil, trabalhando. A Ulrich fica sozinha no Marivent.

Na volta peguei o novo computador e levei tudo para instalar no San Marino.

Gosto de instalar eu mesmo, para saber como conserta-lo em caso de futuros problemas.

O Hard disk que foi colocado como extra, não está de acordo com o que eu queria.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 15, 2001

18:00 Perdi o dia no computador. Ele está com dois HD, um de 20 Giga, normal, e um de 30 Giga que foi colocado como extra. Queria deixar todas as minhas cartas náuticas no HD, mas a adaptação feita na loja não ficou bem. Vou levar de volta na segunda feira o computador para que eles mesmos retirem o HD extra. Me viro com os 20 giga, que já é muito.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 16, 2001

Deixei cedo o computador na loja.

Contratei um local, o Dominique para me ajudar a fazer uma limpeza profunda nos inox externos, que ha muito precisam deste trabalho.

Ácido fosfórico, polidor, escova de dentes e muita paciência. Depois de oito anos é a primeira vez,

Jantamos no Pirate,s Cove, ruim.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 17, 2001

Ontem consegui instalar o computador, tudo está funcionando.

Incrível como é rápido e como o programa de navegação roda facilmente

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 18, 2001

A coisa ontem pegou fogo!

Fomos jantar num pequeno restaurante, pequeno mesmo, de duas mesas, que fica encravado num penhasco, entre a floresta e o mar.

Cham-se Palm Tree, o nome da ponta, na Woburn Bay.

É a casa de um casal local, que serve jantares eventualmente.

Estavam a Ulrich e a Lilo, uma amiga suíça que mora num barco em Grenada ha mais de 8 anos, e não navega porque não sabe.

Ela tinha um namorado brasileiro que a trouxe até aqui, mas eles brigaram, ele se foi, e ela ficou sozinha no barco.

Depois do jantar fomos para o San Marino tomar caipirinha e ouvir música brasileira, entre outras coisas. A festa acabou às 3 da manhã.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, July 19, 2001

Temos agora que decidir definitivamente se vamos deixar o S. Marino aqui ou se vamos para Trinidad. O risco de furacão aqui existe, mas é pequeno, e em Trinidad é ainda menor.

Estamos fazendo a cotação de preços e negociando um contrato definitivo aqui.

Nossa idéia é ir para o Brasil de avião no fim de agosto, de lá ir para os Alpes passar o tempo até poder novamente navegar por aqui, em novembro.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 20, 2001

Hoje apareceram mais tartarugas.

Há muitas tartarugas nadando nesta baía, a gente ve uma mancha escura, meia marrom na água. Basta ficar observando, e logo uma cabeça tipo cobra emerge por algum tempo.

Elas são muito pacíficas e estão sempre sós, nunca as ví em grupos.

Há grandes e médias, creio que as pequenas não são facilmente visíveis.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 21, 2001

Aqui próximo há um hotel muito exclusivo, Calabash. Fomos jantar lá para conhecer.

A comida foi boa, os vinhos são ótimos, mas tudo muito caro.

Na mesa vizinha um casal. O rapaz tinha as mesmas feições do Neto, o filho de uma amiga da Milena, a Loli.

Como eles são árabes, não agüentamos e puxamos conversa para ver se aquele rapaz era também da mesma região.

Ao perguntarmos sua nacionalidade ele respondeu: Sou inglês, mas sou descendente de outra raça: “Seu amigo de que nacionalidade é?”

Da Síria, a Milena respondeu. Ele falou: sou judeu (nada contente por ter sido confundido com um árabe), mas logo entrou no espirito da coisa comentando: somos todos primos, e iniciamos um bom papo, que alegrou a noite.

Voltando para a Marina, encontramos um barco com a bandeira branca e azul com pequenos triângulos, Baviera.

Usando nosso alemão, iniciamos uma conversa que acabou no San Marino às 4 da manhã.

Eles estão vindo da Martinica,  nos convidaram para tomar um drinque a bordo. Como a filha adolescente deles está com dor de dentes, e o tipo é dentista, oferecemos os apetrechos de nossa caixa de primeiros socorros, e lá foram eles para o S. Marino ver o que poderiam fazer.

Ele não achou nada que pudesse servir para mexer na cavidade, mas usou o Anestesiol, que nada mais é que clorofôrmio que se pinga no ouvido, anestesiando o nervo troncular e acabando de imediato com a dor.

Vinho branco ou tinto? foi a pergunta da Milena

Branco, veio a resposta rápida!

Abri uma garrafa, outra, o papo animou, música.

Não sei o nome deles, mas a mulher, uma bela polonesa, virtualmente me agarrou à força para dançar. Eles formam um casal bonito, na faixa dos 40 anos.

Dançamos a noite inteira, rimos e nos divertimos muito. A menina dormiu, no barco deles, anestesiada.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 22, 2001

Estou fazendo um  serviço sujo.

Depois de 8 anos de bons trabalhos, a bacia do toalete de nosso banheiro parou de funcionar.

Tive que que desmonta-la, e descobri que uma das peças necessárias para o conserto, eu não tinha a bordo.

20:00 Voltamos da happy hour  do barco da Ulrich.

Lá estava o Bill (que eu chamo de David), a Ulrich  (que eu às vezes chamo de Gisela), e o Lothar. Todos de barcos vizinhos.

Estava meio sem graça, voltamos cedo.

Na volta, já escuro, encontramos um suíço que tinha prendido seu dinghy com uma corrente e um cadeado com segredo de números.

Como estava escuro, e ele não tinha lanterna, não conseguia ler os números e soltar seu barco. Muito engraçado!

Pegamos uma lanterna no S. Marino e resolvemos o problema.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 23, 2001

9:00 Logo cedo troquei os reparos da bacia  do toalete quebrada. E que quero encomendar as peça necessárias e antes disto quero ver se o reparo está de acordo.

Tudo certo.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 24, 2001

12:00 Acertei definitivamente com a Marina, vamos ficar aqui durante a estação dos furacões, paguei adiantado três meses (um já gastamos) para usufruir do desconto de 15%.

Tenho agora que montar uma tática para caso furacões vierem, pois decididos ir para o Brasil no começo de agosto e depois para a Europa, só voltando a bordo em novembro.

Um risco, mas a historia mostra que por aqui só houve dois verdadeiros furacões, um em 1904 e outro em 1954. Se é de 50 em 50 anos, está chegando a hora.

A maior incidência é setembro, agosto também é  forte.

O San Marino está bem atracado, cabos grossos e novos, (comprei na Córsega) a única dúvida são os cunhos do cais, mas pedi para passarem uma corrente num pilar aonde vou amarrar um cabo de segurança.

As duas ancoras estão bem unhadas, com 35 metros de corrente em 5 metros de profundidade, poderia dar um pouco mais de corrente mas o que está bem não se mexe.

Alem disto tenho a proa amarrada em duas poitas da Marina, que eles dizem, é forte.

Somos o primeiro barco na Marina, assim o mar que se formar com vento sul vem direto em cima de nós, o que não é bom.

Mas o San Marino é muito estável, vai rolar muito mas agüenta.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 25, 2001

03:00 Acordei às 3 da manhã com ruído de motores, barco manobrando.

Subi para ver. Um catamaran da Moorings, o Amarone, estava sobre o barco do canadense a nosso lado, o Solara e também sobre o do vizinho.

No píer um monte de gente olhando, o canadense desesperado na proa de seu veleiro, e uma pessoa só no catamaran, tentando tira-lo de lá, mas o hélice estava enroscado nos cabos do canadense.

Subi no nosso dingy e fui lá ver o que poderia fazer. Chovia um pouco, mas faz calor.

Fiquei surpreso ao ver que era o administrador da Marina que estava no timão do catamaran.

Sugeri, e ele logo aceitou, que me passasse um cabo para amarra-lo numa poita ao lado e em seguida lançar sua ancora para fora, mantendo assim o barco um pouco afastado dos que estavam ancorados.

Fizemos a operação, e ele satisfeito, foi dormir, deixando o Amarone nesta situação provisória.

Mas tarde vim saber que o catamaran estava ancorado sem ninguém a bordo, e garrou com o vento, batendo fortemente no barco do canadense, que me aclamou e agradeceu.

11:00 Estou de volta da cidade, Saint Georges. Fui buscar o novo software de navegação que mandei vir dos USA, o velho não funcionava no computador novo, Windows 2000.

Passei na loja do computador para ver se minha encomendas chegaram, mas ainda nada.

22:00 Fomos jantar no hotel aqui em frente, o secret Harbour, que prometia uma steel band.

Muito desanimado e comida de buffet. Não valeu a pena

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, July 26, 2001

18:00 Estamos esperando o Canadense do barco ao lado e a Ulrich para jantar.

A Milena convidou de improviso, hoje passei o dia na casa de maquinas preparando os dessalinizadores para longa permanência parados.

O de baixo, esta perfeito, o superior, que já funcionou 1300 horas precisa trocar uma membrana e um solenóide.

A bomba primaria, que funciona direto com água salgada também precisa ser trocada.

Fica para nossa volta

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 27, 2001

8:30 O Jantar ontem foi muito alegre, a comida estava muito boa e o vinho também.

O Al (Alan) do Solara, um veleiro Cabo Rico de uns 45 pés, é canadense e veio da Florida onde comprou seu barco, que é novinho.

No fim deste mes ele parte para o Taiti via Trinidad, Galápagos, etc.

Ele é um tipo interessante, muito metódico, que está trocando o alpinismo, no qual parece é um as, pela vela.

18:00 Temos convite para sair à noite, ir a um night club, mas estamos cansados da noite anterior, fica para uma outra vez

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 28, 2001

12:00 Pela manhã, supermercado, algumas coisas para comprar.

18:00 A tarde foi consumida com a troca de óleo dos dois motores e do gerador e em seguida uma limpeza completa da casa de máquinas. Muito trabalho, estou derrubado, ficamos no jardim de popa escutando o jazz que vem de longe, do hotel.

Gosto de escutar musica à distancia, quando estou em alguma baia, como nesta.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 29, 2001

8:30 Hoje é passar óleo fino nos motores, geradores, bombas, tudo na casa de maquinas, dar uma ordem geral e deixa-la pronta para enfrentar os meses de nossa ausência sem perigo de oxidacões.

12:00 Vieram o Al e a Ulrich, o Rolf chega hoje do Brasil e eles vem jantar aqui.

17:00 Casa de maquinas em ordem, tapete branco colocado no lugar, vamos ver amanhã que trabalho faço.

Mas a tarde, na verdade, usei para ler os jornais e revistas do Brasil que o Rolf trouxe para nós.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 30, 2001

9:30 O jantar de ontem, com o Rolf e a Ulrich foi até bem tarde. A Milena conseguiu fazer um linguado com molho de camarão, exatamente como se faz no Brasil. Estava uma delicia e foi um sucesso. A Ulrich está deixando de ser vegetariana!

14:00 Estamos de volta de Saint Georges, fui comprar alguns produtos de limpeza, a Milena comprou presentes para levar para o Brasil e acabamos voltando a almoçar no Tout Bagay, um restaurante bem na cidade, na Carenage, que é a baia bem onde está o porto.

É um restaurante razoável, onde vão os locais, de preço bom e vista magnifica, toda a entrada da baia fica à nossa disposição.

18:00 Passei a tarde preparando uma lista de compras, materiais necessários para a manutenção do barco, que costumo importar dos EUA uma vez cada ano.

Aqui se paga 2.5% de direitos se se prova que o barco está em transito, vale a pena.

19:00 Entrou de novo o Gazele, que estava ontem a nosso lado para passar toda a estação mas inesperadamente saiu pela manhã. É que o avião que eles iam voltar para Porto Rico teve seu vôo cancelado devido a explosão de um vulcão perto de St Martin.

Eles saíram para passear durante o dia, e a volta foi difícil, não conseguiam entrar de popa na vaga, depois de 4 tentativas.

Lá fui eu no dinghy, ajudar a empurrar a proa. Acabaram entrando sem seqüelas.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 31, 2001

12:00 Já passei por fax os pedidos da West Marine e deixei pronto as especificações das baterias e dos colchões. A Milena reclama que nosso colchão, depois de 8 anos, já não é a mesma coisa. Não percebo a diferença mas vamos encomendar um novo. Também a cama do camarote de proa merece um novo,. este atual foi inundado ha uns 5 anos e mostra sinais de ferrugem nas molas.

16:00 Com certa dificuldade, entrou ao nosso lado o "Coco de Mer", de Seichelles. Eles estão sem gerador e sem "bow thruster". Acostumado com moleza, é duro manobrar só com um hélice e vento variável.

É um belo sloop de 6o pés.

Estou agora trabalhando no inflável Avon, colando as borrachas que se soltaram ao longo de 8 anos de uso intenso.

Não vamos sair hoje, amanhã é aniversario do Rolf e ele nos convidou para jantar no restaurante "Aquarius", dizem o melhor da ilha.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 01, 2001

12:00 Estou voltando de St Georges, fui comprar os zincos para trocar no eixo do hélice. Os atuais já se foram e não posso deixar nosso hélice ser comido pela eletrolise.

Vou ter que mergulhar para fazer este serviço, aproveito para ver como as ancoras pegaram e como o contador de cabo está. O Russi me disse que é preciso trocar a conexão de terra, vamos ver.

18:00 Acabei de colar o Avon, toda a faixa de borracha que fica por fora, um verdugo, tinha se soltado. Deu trabalho mas ficou muito bom

22:00 Estamos no jardim de popa, com o Rolf e a Ulrich, depois de termos sido convidados para jantar no Aquarius, que realmente estava muito bom. Viemos para cá tomar um cafezinho brasileiro.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, August 02, 2001

9:30 Tive que sucumbir às ordens da Milena, dia de limpeza na casa de maquinas que está cheirando mal devido às trocas de óleo sucessivas na travessia e eventuais derramamentos de óleo sujo no porão.

Acabei levando os tapetes brancos para a proa e os lavei com a máquina de jato. Tudo limpo e seco, a casa de máquinas volta a brilhar, mas o cheiro continua. São os restos de óleo que ficavam lá no fundo do porão. Quando secarem o cheiro deve parar.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, August 03, 2001

16:30 Estamos de volta de um longo passeio até Greenville. Almoçamos num belo restaurante, na La Sagesse, a última baia à este de onde estamos.

É uma praia idílica, de areias claras, redonda e com muitos coqueiros.

O restaurante fica ao norte, é muito belo mas a comida não está à altura. Mas valeu.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, August 04, 2001

19:00 Manhã em St Georges, à tarde afinal mergulhei para substituir os zincos do eixos que estavam já totalmente destruídos.

Aproveitei para retirar os parafusos que seguram o fio terra do cortador de cabos.

Amanhã vou fazer um novo e instalar.

A Água é suja, a visibilidade muito pequena, mas deu para trabalhar.

A boa noticia é que o fundo está perfeito, a tinta venenosa está cobrindo cada centímetro e não há nenhuma craca à vista.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, August 05, 2001

12:30 Mergulhei a manhã toda, recolocando o fio terra no corta cabos, limpando os zincos do casco e checando as ancoras, as quais estão muito firmes bem enterradas na lama.

As manilhas que unem a corrente à ancora, como sempre faço, possuem fio de monel amarrando o pino, para evitar que ele gire e se solte.

Mas ao lançar as ancoras para esta estação de furacões, me esqueci de checar a qualidade desta amarração, que muitas vezes se desgasta.

Assim, pretendia ao mergulhar fazer esta verificação, mas as ancoras estão muito fundo, na lama, não tive coragem de mexer.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, August 06, 2001

17:00 Estamos de volta depois de um longa passeio pela ilha junto com o Rolf e a Ulrich.

Tentamos almoçar na Plantation House que fica ao norte, uma das mais belas vistas de Grenada, onde se vê Carriacou mas o restaurante estava fechado.

Voltamos, costeando pelo Oeste e acabamos almoçando no True Blue Bay, estava bom.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 07, 2001

Passei o dia aplicando graxa de silicone nas borrachas das portasr e vigias.

Com o calor daqui as borrachas derretem e colam no batente e ao abrir, depois de algum tempo, a gente acaba arrancando a borracha.

19:00 Estou voltando do barco ao lado, um belo veleiro, sloop de 60 pés, o Coco Du Mer.

O Barry me pediu para dar uma olhada no seu Inmarsat C que não está transmitindo.

Achei o problema, vou consertar amanhã para ele.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 08, 2001

No próximo dia 12 vamos voar para o Brasil. O S. Marino está bem atracado, vou tranqüilo e pretendo acompanhar diariamente, via internet o tempo por aqui.

O Adrian vai tomar conta dele enquanto isto.

É difícil deixar este amigo assim só e distante, mas de outro lado vamos encontrar amigos no Brasil e também nossos filhos e parentes.

 

  

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