COMO É BELA A CROÁCIA!
O Adriatico Norte - Umag - Um longo Cruzeiro - Porec - Roviny - Veruda - Cres - Losinj - Ilovik - Rab - Dugi - Murter - Navegando com dois outros barcos - Trogir - Solta - Brac - Loviste - Korkula - Mljet - Lastovo - Hvar - Saudades do BrasilLOG ENTRY FOR: Tuesday, June 03, 1997
6:00 O dia amanhece claro e o céu sem nuvens. O vento continua de SE, fraco. Vamos partir, deixar a Itália onde estivemos por um ano. É a velha península, onde vivi um dos melhores anos de minha vida, trocando de portos e cidades, amigos e sabores. Vamos embora com tristeza, nos espera uma Croácia desconhecida, recém saída de uma guerra cruel, mas cheia de encantos, nossa porta para o Oriente.
Vou agora soltar as amarras que estão cheias de alga, lava-las, guarda-las, desligar a eletricidade, arrumar a casa de máquinas, enfim iniciar os preparativos de saída
9;00 soltamos as amarras com o auxilio do Flávio, o marinheiro chefe. Antes fomos ao bar nos despedir do Bocato, da Elvira, da Laura e de todos que tão gentilmente aqui nos receberam.
O canal de Chioggia estava lotado com o navio Veneza, o Clodia, duas dragas e a lancha da guarda costeira.
Saímos com tranqüilidade a 6 nos.
À 1 milha da costa, pegamos nosso rumo (074) para Umag. Fiquei quase uma hora na proa, lavando os cabos que estavam imundos, com nossa mangueira de água salgada.
11:00 Veio de longe em direção a nós a Guarda de Finança Italiana, com sua potente lancha rápida.
Aproximaram-se, deram uma volta para nos observar e se foram rumo sul.
12:00 por nossa alheta de boreste aproxima-se um imenso cargueiro, Paris II, que segue nosso mesmo rumo, certamente vai a Umag.
O mar está calmo, com ondas longas de este, de 1 metro. Vento força 1, SW
Navegamos a 8 nós, o cargueiro deve ir a uns 12 nós.
A uns 50 metros de nós, a boreste, um pesqueiro com sua rede de arrasto. Estamos com 25 metros de profundidade. Mais 50 metros a boreste, está o navio Paris. Todos juntos vamos na mesma direção, o pesqueiro um pouco mais lento.
É incrível a quantidade de pesqueiros no Adriático, alimentando toda a população costeira da Itália.
12:30 um pouco de Fog, visibilidade 2 milhas.
13:15 Estamos bem no meio do golfo de Veneza. A Milena dorme, o mar esta ainda mais calmo.
14:00 Hora de almoço. Lá vem a velha lasanha em lata esquentada no microondas. Ainda pior depois de tanto tempo na Itália. Mas matou a fome.
15:10 Já se vê a costa da Croácia, estamos chegando na península de Istria.
A visibilidade melhorou, estamos a 6 milhas da costa.
Coloquei uma camiseta nova, para chegar ao novo pais. Foi o Flávio que me deu, preta com bandeiras código de sinais.
16:00 Estamos entrando na barra. É uma linda baia.
Bandeira de cortesia da Croácia em um pau e bandeira "Q" Amarela no outro, paramos de costado no píer da policia, para desembaraçar.
Como sempre problemas pois sou brasileiro. Preciso de visto. Eles o farão aqui mesmo, mas me darão só três meses, com direito a uma única entrada.
Cada vez que sair da Croácia preciso fazer um novo. Para piorar o visto é um adesivo do tamanho da página do passaporte, portanto inutiliza totalmente uma página. Meu passaporte já está quase cheio, mais vistos e tenho que solicitar um outro. A Milena nada. É de S. Marino, todo mundo aceita, também pudera, são só 20.000 habitantes!
Depois fomos à capitania, regularizar a embarcação. Checaram todos os documentos, pediram minha licença de capitão (pela primeira vez no exterior), e emitiram um documento com validade de um ano, para podermos navegar as águas croatas.
Em seguida soltamos amarras e fomos a Marina, onde também de costado, atracamos em um lindo lugar.
Regularizada a documentação, descemos as bicicletas e fomos a Umag. São uns 4 quilômetros, a viagem é linda.
Jantamos bem, fizemos amizade com um casal jovem, ele de Bari, Itália, ela da Eslovénia, estão a fim de ir sem dinheiro tentar a vida no Brasil. Vamos ajudar pedindo a algum amigo, talvez o Marcelo em Angra, que o coloque no "meio'.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 04, 1997
Como sempre, ligar eletricidade, água, acertar bem as amarras, mas o dia está lindo, muito sol, dá prazer.
As 17 horas vieram nossos amigos de ontem (que não sei o nome) nos visitar. Convidaram para um churrasco na praia, antes nadar um pouco (a água esta a 16 graus, são loucos) mas deixamos para a próxima semana, talvez ganhemos um grau na temperatura.
Eles falaram muito em drogas, maconha, cocaína, heroina. Fiquei um pouco desconfiado da desenvoltura que eles tocaram no assunto com um casal desconhecido muito mais velho que eles. Resolvi usar prudência, pois chegamos ontem no pais (é um país policial) e nós navegamos com a bandeira brasileira, muito suspeita.
Cheguei a desconfiar que eles poderiam ser informantes da policia. É uma hipótese muito remota, mas se deve pensar em tudo.
LOG ENTRY FOR: Thursday, June 05, 1997
Dia de lavar o barco, e escrever nos infláveis "Tender To San Marino".
Isto para evitar uma apreensão, pois sem esta expressão, a policia marítima exige documentação e imposto pago (tivemos que pagar 300 dólares para ficar por um ano em águas Croatas) inclusive para os pequenos.
São letras de borracha a colar sobre os tubos infláveis, dá um trabalho danado fazer bem feito.
Quando estava terminando um dos botes, lá vem a Milena (que tinha saído em bicicleta) junto com o Gigi e a Miranda, nossos amigos, do veleiro Crisandra, que eram nossos vizinhos em San Benedito.
Grande festa, ficarão um dia conosco.
LOG ENTRY FOR: Friday, June 06, 1997
9:00 Saímos pela manhã com o Gigi e a Miranda. Fizemos um longo passeio a pé para conhecer as redondezas de Umag, que lugar lindo e tranqüilo.
LOG ENTRY FOR: Saturday, June 07, 1997
9:30 Estou só a bordo, Milena foi com o Gigi e a Miranda para a Itália, buscar o Defender. É mais fácil que eu não vá, pois meu visto é só para uma entrada, terei que tirar outro ao retornar, e na fronteira só me concederão um mês, no porto, concedem três.
Estávamos felizes também porque íamos rever o Milton e a Jeane, pois soubemos que estão para vir à Itália. Como é difícil chegar aqui na Croácia, queríamos encontra-los em Veneza.
Pelo telefone, conversamos sobre o problema dos vistos.
O meu é que está atrapalhando.
É pena, mas acho que não vamos encontra-los.
De todo o modo, pretendemos ir ao Brasil para o casamento de seu filho, meu xará, em setembro próximo.
Bons amigos assim deve-se cultivar.
LOG ENTRY FOR: Sunday, June 08, 1997
Passei o dia desmontando todos os guarda mancebos do Fly Bridge, pois estava formando ferrugem na base, onde são aparafusados ao fiberglass. O serviço de Inox foi feito pelo Paraná, (são já 4 anos) no Guarujá com muita perfeição, mas na fixação ele se esqueceu de colocar silicone ou outro vedante entre o inox e a fibra. A água entra entre os dois e lá fica parada. Água parada enferruja o inox, por melhor que seja. Qualquer pequeno corrimento mancha para sempre o gel do casco. Uso também acido fosfórico para remover as manchas mas quando são profundas não saem mais.
Esta dando trabalho mas vale a pena.
LOG ENTRY FOR: Monday, June 09, 1997
Que alegria estar na Croácia. Me lembra Angra, tudo é calmo, a água límpida e tranqüila, um vento constante e suave a amainar o calor que seria pelo sol constante.
Tive que mudar o San Marino de lugar, pedem espaço para dois iates de 20 metros que estão para chegar. Melhor fazer a mudança eu que os marinheiros do local, assim deixo na posição que gosto.
Estamos de costado de boreste, com a proa para o sul, de onde vem o vendo mais forte na época, o siroco.
É para nós a posição ideal, pois nossos descargas de água e gerador estão a bombordo, e nossa escada principal, tomadas de água e eletricidade a boreste.
18:00 apareceram dois vizinhos, de um trawler ao lado do nosso, querem conhecer o San Marino.
Entraram e ficaram. São gente simpática, de Salzburg, terra que a Milena tanto ama.
Saíram as 4 da manhã. Milena à meia noite fez um pelo espaguete, conversamos sobre tudo e rimos muito. Ele se chama Albert Schmidhuber e ela Hanna, sufixo de Johanna seu primeiro nome.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 10, 1997
O calor está forte, 32 graus. O sol entretanto não pega forte como o nosso do Brasil, passei o dia acabando trabalho no Fly Bridge, sem camisa ou proteção nenhuma, e nada, nem chegou a arder. É verdade que venho tomando sol naturalmente, aos poucos, desde o fim do inverno e minha pele deve estar protegida como nunca esteve.
O Albert e a Hanna vieram agradecer a noite que passaram conosco e trouxeram um lindo vaso de flores.
Nos convidaram também para um drinque de despedida em seu belo iate, e saíram rumo às ilhas.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 11, 1997
O dia amanhece nublado, mas a pressão subiu, 1018 Mb, deve continuar bom tempo. Não há ventos.
18:00 Milena foi tomar lições de Croata e fiquei no barco. De repente chegaram o Nico e a Tillie, do My Lady, um Hatteras 54 que estava ao nosso lado em Barcelona
Grande comemoração pelo reencontro, eles navegaram da Espanha (Maiorca) para cá via Messina e chegaram a 3 semanas.
Jantamos juntos no restaurante San Marco, e depois ficamos num longo papo em nosso barco.
O Nico é um grande (como todo holandês) bebedor de cerveja.
Quando saímos de viagem de Barcelona para Rimini, ha um ano atras, de carro, ele veio perguntar se eu tinha cerveja suficiente para o trajeto. Me disse que eu deveria levar 40 latas para a viagem, pois a média (segundo ele) é de uma lata a cada 50 quilômetros. Claro que eu não levo lata nenhuma. Chegaríamos todos bêbados (se é que chegaríamos) seguindo o conselho do Nico.
Bem, desta vez foi diferente.
Ao sentarmos no bar, o Nico me perguntou "o que vamos beber"?
Respondi "ha muito tempo que não tomo uma cerveja, que tal pedirmos uma?"
Na verdade, bebo pouca cerveja, sou mais chegado ao vinho e às bebidas destiladas, e realmente há uns 15 dias que não bebia cerveja.
Resposta do Nico: "Eu também faz tempo que não bebo cerveja. Mais de uma hora. Boa idéia. Vamos pedir umas com urgência."
LOG ENTRY FOR: Thursday, June 12, 1997
O calor continua. As informações que temos da possibilidade de guerra são tranqüilizantes mas estamos pensando em deixar no inverno o barco aqui pelo norte que é mais seguro.
A guerra está na fronteira entre a Bósnia e a Croácia, uns 400 quilômetros ao sul.
LOG ENTRY FOR: Friday, June 13, 1997
Ontem quando estava acabando o trabalho de polir, limpar, trocar os cabos de aço do guindaste, escrever os nomes no tender, descobri que a coluna de sustentação do guindaste de bombordo estava ligeiramente torta. Desmontei tudo e verifiquei que realmente ha um problema. Hoje, com a coluna no carro, vamos sair atrás de uma oficina mecânica que tenha aparelhagem para coloca-la no lugar e reforçar o tubo de alumínio. Ameaça chover.
LOG ENTRY FOR: Monday, June 16, 1997
Saímos cedo para ver se encontramos alguém para fazer um novo toldo do pára-brisas. O nosso está velho e manchado. Acabamos fazendo um longo giro, fomos a Pazin, Motorvun e Bile. Belas cidades do interior.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 17, 1997
A Milena saiu, foi à Eslovénia ver se encontra em Portoroz um fabricante para o toldo do pára-brisas. Eu não posso ir por causa do visto. Está muito quente, 30 graus.
A tarde, apareceu um rapaz, Andrea, que precisava de uma chave allen 16 mm. Só tinha de 17. Levou e devolveu dizendo que não servia, mas nos convidou para tomar um copo de vinho em seu banco, o Perseu.
La estavam mais dois rapazes e no final estavámos às 4 da manha no San Marino bebendo caipirinha. Eles tinham batido em um rochedo com seu barco e deformado o eixo e os hélices.
Quando ainda estávamos no barco deles, apareceu um guarda acompanhado por uma pessoa, e depois de muito alarido, levaram a bicicleta que o Andrea estava usando. Ele explicou que quando chega em uma Marina, costuma pegar emprestado uma bicicleta qualquer que esteja livre (quase todo mundo que viaja em barco leva uma bicicleta) e a utiliza até que reclamem!
Não é roubo diz ele, só empréstimo.
LOG ENTRY FOR: Monday, June 23, 1997
Esta noite entrou um forte temporal acompanhando a frente fria. Levantei para ver as amarras, tudo bem.
Amanheceu um lindo dia, com borina (vento leve NE) e céu muito azul
LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 24, 1997
A Grazia, amiga de infância da Milena, com a qual nós nos encontramos em Rimini, virá com o marido na sexta feira. Pretendemos então iniciar a viagem para o sul, um cruzeiro pelas ilhas da Croácia.
Estou preparando o barco, provisões, etc. Eles deverão ficar uns 4 dias conosco, depois virão o Baffi Scoppa, o Orlando Rossi, a família Grassi, o Milton Rosenthal, enfim, julho será movimentado.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 25, 1997
Finalmente acabei de lavar o barco. Foram 2 semanas de trabalho espaçado, 2 horas num dia, nada no outro, mas lavei o casco (ficou um ano sem sentir o sabor de água doce) e também o casario.
As baterias que estavam esquentando, me deram uns 4 dias de trabalho de observação. Baterias não podem trabalhar quentes, sua vida diminui consideravelmente, e as nossas que já tem 5 anos de serviço perfeito e contínuo tem que ser tratadas com cuidado. Reajustei os carregadores que estavam fornecendo muita corrente quando a carga das baterias era já completa.
Fomos jantar em Umag e na volta começamos a conversar com o marinheiro do barco a nossa proa, o Mau Yee, de Munchen. Tem uma historia interessante. É um junco chinês de 45 pés, que veio navegando de Hong Kong para cá no final da segunda guerra. Ajudou a transportar refugiados. Também na guerra da Croácia, transportou para lugar seguro crianças que estavam em perigo. Agora esta fazendo charter por aqui.
O Marinheiro, (Dominique, 23 anos), é natural de Quebec, Canadá. Como seu pai é agricultor, ele trabalha 6 meses lavrando a terra e depois viaja os outros 6. Conhece quase o mundo todo, e aqui está pois conheceu sua atual namorada na Isla Mujeres, no México, e ela (alemã) sendo crew do Mau Yee, o convidou para trabalhar um pouco como marinheiro.
Ficamos bebendo rum até altas horas, contando casos de viagens.
LOG ENTRY FOR: Friday, June 27, 1997
18:00 Chegaram a Grazia e o Marino, amiga de infância da Milena. Depois de um champanhe local a bordo (bem ruinzinho) saímos para jantar no restaurante San Marco. Voltamos com chuva, pois estava entrando a frente fria.
A Grazia é professora, o Marino é arquiteto, bom desenhista e pintor, além de político socialista
LOG ENTRY FOR: Saturday, June 28, 1997
10:30 Vamos iniciar nosso procedimento de viagem. O tempo não está destas coisas, vento ESE, força 4 , o mar deverá estar razoável perto da costa, mais forte ao distanciarmo-nos.
11:30 Tudo pronto, partimos, Grazia, Marino, Milena e Sérgio a bordo.
Serão 13 milhas de navegação, um trecho pequeno, mas talvez tenhamos que fazer um zig-zag devido ao mar.
12:30 Novigrad a bombordo.
O mar vem forte, mas os tripulantes não enjoam, bom sinal. O Marino está com um adesivo Scopolamina atrás da orelha, que forneci. Funciona bem.
O dia está cada vez mais bonito Grazie e Marino no Flybridge, o San Marino rola bastante, uns 20 graus.
14:30 Atracamos com segurança em Porec.
Estamos no porto, no centro da cidade, frente ao hotel principal.
Tomei uma medida de profundidade, com a linha e deu 2 metros. Como a maré esta cheia, se vazar, tocamos o fundo.
É preciso mudar de local. Vamos um pouco mais ao norte, no mesmo cais, e agora tranqüilos, fazemos nosso banho para sair a conhecer a cidade.
É uma pequena península, com uma cidade muito atrativa construída numa elevação. Vale uma visita, é uma das mais belas da região. Era um acampamento romano chamado Colônia Julia Parentium que foi depois tomada pelos ostrogodos. Bizantinos, Francos, Venezianos Austríacos e Italianos também dominaram esta cidade. Vale a pena visitar a basílica do século 6, com maravilhosos mosaicos de ouro.
Jantamos a convite do Marino, num velho castelo que virou restaurante. Comemos muito bem e tomamos vinho branco (Malvasia), vinho tinto local, Slivovitch, Maraschino, que "sbornia". Eles são bons de copo.
LOG ENTRY FOR: Sunday, June 29, 1997
10:45 estamos soltando amarras de Porec.
Navegamos rumo sul, Grazia, Marino, Milena e Sergio a bordo.
O dia está lindo, mar calmo.
Não sabemos bem onde iremos, se Rovinj ou Vrsar, decidiremos no trajeto.
11:25 Funtana a bombordo
12:30 Jogamos ferro na baia de Kriz, na boca do canal de Limsky, um longo fiorde que parece a Noruega.
Todo mundo nu por aqui, estamos perto de um campo naturista, que são muitos na Croácia. Aqui até tem uma Marina, assim as tripulações dos barcos que passam estão também nus. Até de Jet esqui!
Almoçamos ancorados e no fim do dia atracamos no cais de Vrsar, uma lindíssima cidade veneziana, poucas milhas ao norte.
LOG ENTRY FOR: Monday, June 30, 1997
3:00 Levantei para ver o que sucedia fora. Uma grande pauleira, vento força 6 (que não é muito) mas de SW, bem aquele que mexe a baia de Vsar onde estamos atracados de costado, junto a um pesqueiro. A 30 metros de nós está o Mau Yee, com nosso amigo Dominique.
Ficamos de popa para a entrada, o mar batendo na popa quase plana fazia um grande ruído. A ressaca (do mar) é muito forte.
4:00 os barcos pequenos que estão de popa para o mar começam a ter grandes problemas, batendo no cais, fazendo água, um está para afundar.
Corremos todos para ajudar um cabinado com motor de popa de uns 25 pés, bandeira alemã.
O marido estava fora, no cais, e a mulher trabalhava sozinha como louca, para acertar e girar o barco de proa para o mar.
Foi uma boa meia hora, e o marido só se mexeu depois de tudo em ordem, embarcou para dormir.
Boas mulheres, as alemãs que fazem bem trabalho pesado!
9:00 Acalmou o tempo, abriu-se um belo dia, mas lá fora ainda há mar.
11:10 Motores ligados, rumo Roviny.
O mar esta pesado, depois deste vento todo de sul, justo o que mais mexe o Adriático, mas a Grazia e o Marino só tem três dias, vamos conhecer Rovinj.
A Grazia agüenta bem o tranco, até agora ela estava sentada na proa, onde o mar as vezes lançava um forte spray. Acabou indo para o Fly Bridge, mais seco.
O Marino também não dá nem importância ao mar que estamos enfrentando.
12:30 atracados em Rovini, depois de uma viagem em mar bastante forte.
Rovinj é uma cidade pitoresca, também construída numa península, popular entre turistas e artistas. Era antes uma ilha, mas foi feito aterramento do canal.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 01, 1997
02:00 Acordei com o balanço do San Marino. O repetidor autohelm à minha cabeceira mostra vento força 6. Subo rapidamente para avaliar a situação.
O siroco está pesado, toda a Marina dança como louca, nós ainda mais, pois estamos na parte de fora, desprotegida.
O cais é baixo, uma ponte flutuante que mal segura nosso casco e dança também.
Todas as nossas defensas (total de 12), todas de grande tamanho, estão colocadas, mas o píer joga muito, ficando muitas vezes submergido. As defensas bóiam e sobem, uma das vezes as duas grandes da proa subiram e o costado tocou o cais, riscando levemente a pintura. São marcas de uma longa viagem, já temos algumas, sempre quando atracados.
A Grazia e o Marino acordaram e subiram. Vieram ver o que acontece.
Estou atarefado mudando defensas de lugar.
Na nossa popa, um veleiro alemão de uns 50 pés, também atracado ao mesmo píer, bate violentamente contra a estrutura de madeira.
O proprietário está desesperado. Muda amarras mas nada adianta.
O pessoal da marina vem ajudar, mas não adianta muito.
Há muita ressaca e este píer, desprotegido, é mesmo ruim.
A noite foi difícil, passei no pilot house para controlar a tempestade.
13:00 Nos despedimos da Grazia e do Marino, que voltam de automóvel para a Itália . Eram 8 da manhã e voltamos a dormir ate agora
Largamos amarras rumo a Pula, (a ponta sul da península de Istria) baia de Veruda, Milena e Sérgio a bordo.
São só 20 milhas de distancia, rumo 135.
O mar não está mau, é aquela marina que recebe todo o vento e ressaca ao mesmo tempo.
16:10 Entramos por engano pela parte sul da ilha. O ecobatimetro começou a baixar, 3, 2.5, 2 metros. O alarme programado para 3 metros berra. Reverti os motores para parar rapidamente, mas o San Marino é pesado, demora para obedecer. Do Flybridge vejo a areia do fundo se aproximando, melhor areia que rocha.
Lentamente o casco parou, estamos agora andando para traz. Não foi desta vez que tocamos o fundo. Felizmente até agora desde o seu lançamento, nosso casco sempre boiou.
Entramos agora pelo canal correto. Parece uma represa em tempo de verão. Centenas de barcos pequenos, windsurf, jet sky, uma grande bagunça.
Jogamos ferro na baia de Veruda, com 5 metros de profundidade, fundo de areia.
Que linda baia, me lembra Angra dos Reis, o Saco do Céu, só que é maior.
Como sempre todo mundo nu nos barcos ao lado.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 02, 1997
Aniversario da Milena. Passamos na bela baia de Veruda.
Aproveitei para mergulhar e verificar o estado do casco. Tudo em ordem, dei uma boa escovada nos ânodos de zinco que estão bem (isto é razoavelmente gastos) mas ainda com bastante material.
Calculei nossos ânodos para substitui-los a cada dois anos e estes já estão com quase isto.
Muitos telefonemas dos amigos e parentes, a Milena está emocionada.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 03, 1997
05:00 Preparando para sair para a ilha de Cres, a 30 milhas daqui.
A bordo Milena e Sergio
7:00 motores ligados, levantando ancora
7:30 Rumo a Cres, chove, mar de carneirinhos, porem, leve
8:00 Farol de Porer a bombordo.
É uma linda construção que marca o sul da península de Istria, onde estivemos ate agora. Muito visível por seu tamanho e cor clara (é construído obviamente com a famosa pedra de Istria, tão utilizada em Veneza e que fica sempre muito branca), deve ter sido um grande auxilio para os navegantes do passado. Mesmo com os instrumentos modernos que temos, ver um farol é sempre um momento de alivio e relaxamento, pois confirma nossos cálculos e certifica nossa posição. O grande problema no mar é sempre saber onde se está, e por isto as referencias terrestres são tão importantes.
Deste ponto, pegamos rumo NE, para a ilha de Cres. O mar acalma, vento força 2, Sul.
9:30 Estamos no meio do Golfo de Kvarner, mar leve de popa.
Acabamos de enviar um Telex para o Lothar que com seu barco LoGi, deve estar por aqui. Vamos ver se nos encontramos.
Telefonamos também para o Domenico e a Pepina, do Pippa, que disseram que vem para esta região em julho. Mas eles não estavam em casa.
10:19 Farol de Zaglav a boreste, também como o de Porer, grande e muito branco.
11:03 Mudamos de rota, agora direto para o porto de Cres, cidade do mesmo nome.
11:30 Atracados em Cres. Largamos o ferro pela proa, a uns 40 metros do cais, e entramos de popa. No cais um barco americano de Boston, o proprietário nos ajudou com os cabos e nos informou que o Siroco entra forte e o fundo não é de boa pega, assim deveríamos estar atentos.
Coloquei o Avon na água e a Milena desceu a segunda ancora sobre ele e toda a corrente que temos. Em seguida fui o mais longe possivel e joguei a segunda ancora que só pegou bem na segunda tentativa.
Assim numa profundidade de 5 metros, estamos com 20 metros de corrente na ancora de boreste e 35 na de bombordo. Estamos seguros.
O cais está localizado bem no centro da cidade, é a praça principal. Creio ser este o mais bonito porto que já atracamos, cidade pequena circular com o porto no centro, muito romântica. Deixa Portofino longe para traz.
Cres é uma cidade de origem pré-histórica, com um lindo campanário com relógio do século 16 e igreja do século 15.
LOG ENTRY FOR: Friday, July 04, 1997
Otok Cres (Otok significa ilha em croata) é a terceira maior ilha do mediterrâneo, logo após Kirk (ilha vizinha) e Sardenha. É uma longa língua de terra que se estende do norte ao sul. Um grande lago de água doce se encontra no meio da ilha. Não há rios. Como o fundo do lago está abaixo do nível do mar, água se infiltra do lago para o mar, proporcionando locais (no mar) onde a água está mais fria.
A parte norte da ilha é de florestas, a sul agrícola, principalmente oliva, uvas e verduras. Também ha criação de ovelhas e em Cres, onde estamos, um estaleiro dos tempos antigos (fazia barcos a vela, depois a vapor) nos ofereceu serviços.
Cres é habitada desde o neolítico. Ruínas Romanas são encontradas por toda a parte. Depois da queda do império romano, Cres passou por diversos dominadores, até o ano 1000, quando chegaram os venezianos. A dominação durou até 1797, com um período de liberdade entre 1358 e 1409. A arquitetura mostra sinais evidentes da influencia veneziana, e o leão de Veneza se encontra em vários portais.
O porto oferece boa proteção para todos os ventos (O siroco pode incomodar mas não causa perigo)
9:00 saímos cedo, de bicicleta, fomos até a ponta do farol, dei uma boa nadada e voltamos. Almoçamos uma Pizza excelente, melhor que as que comíamos na Itália.
Ficamos a tarde em nosso jardim de popa, como se estivéssemos sentados em um banco de jardim, no meio da praça principal!
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 05, 1997
8:00 Hoje ligamos o gerador, para fazer água e carregar baterias. Agüentamos 2 dias com baterias. Como sempre ofereço ao barco ao lado que é o mais incomodado com o barulho, se quer eletricidade ou água. É um pequeno veleiro de 25 pés, de Veneza, que não precisa de nada. Esta a vantagem dos pequenos barcos. o consumo é mínimo.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 06, 1997
9:00 Decidimos com tristeza sair de Cres, vamos para Mali Losinj, outra pequena cidade na ilha de Losinj.
11:00 Levantamos ancora, ou melhor ancoras, pois estávamos com duas ancoras na proa, com medo de um siroco forte. A operação foi mais fácil que eu esperava pois não veio lama com a corrente, não foi preciso usar a água sob pressão.
11:30 Estamos já na boca da baia de Cres, dia bonito, sopra N força 4, é o Bora que já esperávamos.
Estamos agora rumo sul, serão 35 milhas de viagem.
Os golfinhos nos acompanham novamente. São 4 ou 5 que brincam com nossa esteira prateada.
Cres é uma ilha verde, com praias de pedras pequenas em toda a volta.
O mar está muito azul, ondas de 1 metro, de popa, viagem confortável.
12:45 A Milena aparece com um prato de melão com presunto, presunto cru de Parma, ainda da Itália, delicioso. O melão, pequenino mas saboroso é da ilha de Cres.
Muitas velas no mar, alguns barcos a motor, é o verão que chegou, e também hoje é domingo.
13:30 Agora chega um espaguete com óleo e presemolo, muito bom também. Mas bem na hora que a Milena foi para a cozinha, saímos da sombra da ilha Zeca e entrou um mar de través de 1.5 metros. Começamos a rolar bastante, mas esta confortável.
16:00 Atracados numa marina rudimentar porem no centro da cidade.
LOG ENTRY FOR: Monday, July 07, 1997
Utilizamos o dia para conhecer Mali Losinj e Veli Losinj, cidades interessantes mas não muito belas. A primeira é cheia de turistas e a segunda, muito pequena e mal cuidada. Fomos até lá no Flexboat, 15 minutos de viagem.
A mesma cena de ontem se repetiu, muitos barcos chegando juntos à Marina cada um fazendo mais acrobacias erradas que outros, um desastre em seguida a outro. Ficamos espertos sempre prontos para colocar uma defensa entre nosso casco e o de algum maluco que se aproxima ao atracar.
Fomos jantar no restaurante Palace, muito bom e econômico, acabamos conhecendo o Kurt e a Cristina, que estão viajando de carro e vieram, depois de vários slivovics (na croácia sempre oferecem de graça após o jantar) fomos para nosso barco.
Eles são alemães e parecem estão fazendo a primeira viagem juntos.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 08, 1997
10:45 Acordamos as 9, preparamos o barco e saímos de Mali Losinj às 10.
O dia esta um pouco nublado, mas não ha vento e o mar é um espelho.
Estamos nos dirigindo a ilha de Ilovic, talvez fiquemos por lá, talvez continuemos a viagem ate Rab, uma cidade na ilha de mesmo nome.
Jogamos ferro as 12:00 no canal da ilha de Ilovik. Seguimos com o dinguie para a pequena vila onde comemos uma excelente lagosta com espaguete.
No fim da tarde, eu estava tocando violão no jardim de popa, anoitecia, o sol estava se pondo. Quando percebi, dois dinguies com umas 10 pessoas estavam escutando minhas musicas. Aplaudiram e se foram. São Austríacos, se apresentaram e disseram que gostam muito de musica brasileira, mas certamente não as minhas que são antigas e melancólicas.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 09, 1997
11:15 Estamos navegando ha 2 horas. Saímos de Ilovik, onde dormimos ancorados no canal, noite muito calma.
Deveremos chegar dentro de uma hora à Ilha de Rab, cidade do mesmo nome.
A entrada da barra é muito linda, Um castelo e um campanário despencam sobre o mar de cima de uma rocha.
12:00 Atracamos de costado, onde os outros barcos ficam de popa, pois os corpos mortos são pequenos para nós.
Como o tempo esta bom, não haverá grandes ventos, podemos ficar assim.
Saímos logo de bicicleta para conhecer Rab. Incrível como esta cidade ficou intocada, nada foi mudado, parece que estamos ha dois séculos atras. Não há turistas na parte superior da cidade, tudo é construído em pedra. A cidade é de época pré-histórica, os Romanos tinham aqui uma base naval militar, e depois, como em toda a região, Veneza foi a proprietária.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 10, 1997
A Milena acordou assustada com manchas na pele. Fomos ao hospital local, uma médica muito moça a examinou e pediu exame de sangue. Vamos fazer amanhã.
Passamos o dia lavando o barco, aproveitando a água doce que a marina nos oferece e que talvez não tenhamos mais tão cedo.
Encontrei o diretor da Marina, o Branko Pahljina, que queria conversar pois esteve no Brasil como capitão de navio, muitas vezes.
Ele fala muito, um pouco em inglês, um pouco em italiano, mas é muito simpático e conta muitas historias.
LOG ENTRY FOR: Friday, July 11, 1997
Pela manhã fomos ao hospital fazer o exame de sangue da Milena. Tudo muito em ordem, nos cobraram 30 dólares. Ao voltar, encontramos o Branko que nos convidou para um café que acabou se alongando para um cognac no San Marino, que ele quis conhecer. Contou todas suas aventuras no mar e em terra (ele é capitão de longo curso da marinha mercante croata) e trabalhou em navios de diversas nacionalidades.
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 12, 1997
10:34 Estamos novamente navegando, agora rumo a Dugi Otok, uma ilha bem a oeste, com o Adriático aberto a oeste. Nosso tempo previsto de viagem é de 5 horas, são 40 milhas e vamos navegando a 8 nós.
O dia esta magnifico, mal calmo, muito sol e calor.
Saímos de Rab as 9:30, como sempre o porto estava cheio e congestionado.
Nossos amigos se despediram, tocamos uma vez nossa buzina e lá vamos rumo sul.
3:25 Ferro lançado, em Molat.
Colocamos o dinguie na água e vamos em busca de um restaurante. O primeiro estava estranho mas disse que serviria um almoço em 1 hora. Enquanto a Milena bebia uma cerveja, fui procurar outro, que encontrei.
Nos mudamos. Tocava musica brasileira, a dona era muito simpática e Milena começou a tentar falar em croata, com as lições que recebeu.
Comemos muito bem, o filho mais velho veio conversar, ele estudou em Londres onde estava sempre no meio de brasileiros, inclusive sua namorada era de nosso pais.
Disse que gostava muito de nossa musica. Colocou Caetano Veloso.
Depois do almoço voltamos ao barco onde fiz uma copia de um belo disco do Caetano e levei de presente para eles. Como sempre mais bebida como agradecimento!
Ao voltar, estava um local em um pequeno barco cobrando nossa taxa de ancoragem. Pagamos e ficamos sabendo que ancorar é proibido, para não destruir uma alga rara que vive neste fundo. Como as poitas são fortes e novas, mudamos para uma.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 13, 1997
6:30 Ilha Molat, motores ligados soltamos a poita e saímos. É a primeira vez que pegamos poita na Europa. Tenho sempre medo, pois não sei o que ha embaixo. Prefiro a segurança de meu ferro que sempre pega bem. Mas desta vez é diferente. As poitas são todas novas, a pessoa encarregada (cobra 20 dólares por noite) me informa que ha um bloco de 700 quilos embaixo e cabo de 20 mm. Não é o máximo mas sendo novo esta bem.
Também me dá um catalogo bem impresso com estas informações, que vejo depois, estão também coladas na bóia da poita em um adesivo muito bem feito
Vamos para o sul da ilha Dugi, uma longa faixa de terra de 24 milhas de comprimento e 2.5 milhas de largura em seu ponto mais largo. Nosso rumo nos leva por um labirinto de ilhas e canais tudo muito bonito, calmo e deserto.
8:00 A nosso boreste a ilha de Rava, muito verde, com pequenos canais e uma vila bem no centro. Poderíamos entrar pelos canais, mas vamos pelo centro do canal principal, o Iski Kanal, sempre com o piloto automático. As navegações por aqui as faço sempre com o piloto automático e GPS salvo quando entro por pequenos canais, Aqui onde estamos o canal tem 1.5 milhas de largura.
No inicio, tinha dificuldades de navegar com o GPS por aqui, pois minhas cartas eram antigas e não mostravam a correção necessária. Compramos ante ontem uma carta nova que diz que as coordenadas de latitude estão corretas mas as de longitude devem mover-se 0.26 minuto para este. Feita esta correção, agora tudo vai com absoluta perfeição.
9:30 Entramos pelo canal norte, muito estreito, quase dá para pegar as frutas
das arvores de ambos os lados. Fica entre a ilha Dugi e a ilha Kornat.
Ambas são ilhas muito afastadas do continente, vivem de agricultura e pesca.
Os livros de piloto diziam para não entrar jamais por este canal, usar o sul onde porem a profundidade é de 2.5 metros. Como nosso calado é 1.80, tínhamos decidido ir por lá. Ao nos aproximarmos um veleiro esperava também com duvida por onde entrar. Logo em seguida vieram duas imensas escunas de turistas, e passaram pelo canal sul, o perigoso. O veleiro decidiu-se por ele, e fomos atras, pois é um veleiro de uns 50 pés, deve calar uns 2.5m no mínimo e as escunas ainda mais que isto.
Entramos com o coração na mão, de olho no ecobatimetro e de óculos polaroide (que ajuda a ver através da transparência das águas).
Entretanto a profundidade nunca foi menor que 5 metros e passamos muito bem apesar do canal ser estreitíssimo.
Creio que foi recentemente dragado, talvez devido à guerra.
10:00 Estamos no fundo da baia de Kruevica, num lugar muito protegido. (atras do cabo Ratnic) Vamos pegar uma poita, já que ontem começamos a ter confiança nelas.
Depois de algum trabalho pois o cabo da poita é muito curto, estamos firmes. Desliguei os motores e com o dinguie fui ver o estado da poita. Não era nova como aquela, o cabo era de 3/4 (20 mm) e estava em bom estado.
Fiquei entretanto com duvida com respeito ao bloco de concreto e religuei os motores, dando ré para ver se o bloco corria. Correu!.
Teremos que ficar na ancora. Neste momento chegou o alemão do barco ao lado, (como sempre, nu) um 45 pés que disse que os blocos são de 300 quilos. Por isto correu.
Mudamos de local; estamos agora no meio da pequena baia com 11 metros de fundo e 45 de corrente.
LOG ENTRY FOR: Monday, July 14, 1997
Dia lindo e claro, vamos continuar nesta baia e conhecer a região de dinguie.
Giramos toda a região, tudo muito limpo, primitivo e belo.
Decidimos almoçar num restaurante que estava no lado norte, na baia de Telascica mas estava fechado quando lá chegamos.
Voltamos assim, sempre no Avon, para o restaurante da parte sul, na baia de Tripuljak, grande e sem graça.
Atracamos no píer, e lá veio o alemão (Bodo) que ontem nos ajudou com informações sobre a poita nos ajudar a aterrar.
Imediatamente nos convidou para sentar-se à mesa deles quando viu que falávamos alemão. Nos apresentou o Kurt, seu amigo e companheiro de viagem, e também as respectivas mulheres,
O Kurt viaja em um Grand Banks 45 pés que também está ancorado próximo a nós, e o Bodo com uma lancha rápida.
Vários chopes depois, com grande amizade formada, pedimos o almoço, que entretanto não havia mais.
No meio tempo apareceu um veleiro alemão com uma banda de 5 elementos, com Pistão, Tuba, Caixa, Flauta e Trombone, tocando músicas típicas de cervejaria.
Todo mundo no restaurante dançava e o veleiro ao largo nos saudou e continuou seu passeio musical.
Nos explicaram que é um grupo musical alemão que estava fazendo um "charter" e trouxeram seus instrumentos!
Com tanta alegria junta, decidimos assim fazer um almoço em sociedade, cada um traria um pouco e nos encontraríamos dentro de uma hora no San Marino,
Ao embarcarmos no nosso dinguie constatamos que o Bodo (que tinha acabado de entrar no seu) estava nu.
Perguntei à Milena "você viu ele tirar o calção?". "Não diz a Milena, ele estava apenas enrolado em uma pequena toalha!"
Do San Marino vimos os 2 casais (sempre nus) se prepararem para almoçar conosco.
Mas na hora de embarcar, vestiram-se e o almoço transcorreu com roupas porém sem nenhuma formalidade.
Eles são todos muito simpáticos e brincalhões.
O Bodo é muito brincalhão e engraçado, o Horst sério e circunspecto.
Ele faz os roteiros e viaja na frente, o Bodo segue tranqüilo o Grand Banks do Horst.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 15, 1997
Nossos amigos partiram cedo. Eles estão aqui já a 3 dias, e como é um parque reserva natural, todos tem permissão de ficar no máximo este tempo.
Estávamos dormindo e nem nos despedimos.
10:00 Também decidimos partir. Vamos para Murter,
Serão umas 35 milhas, o mar está calmo e azul, será um passeio magnifico.
11:10 Rumo 104, 7.8 nós, estamos atravessando uma constelação de pequenas ilhas, que se sucedem a nosso bombordo e boreste.
A entrada para Murter ( que é uma ilha muito próxima à costa, é difícil e complicada.
É preciso muita atenção com os faróis e bóias que nos indicam os canais.
Estamos entrando pelo norte, e a grande quantidade de ilhas aumenta a confusão.
Mas vamos bem. Estou no Flybridge e toca o telefone celular. É meu amigo Henrique Véspoli, que me propõe um tipo de negócio, importação de máquinas de Israel.
Bom amigo o Henrique, mas eu aqui, neste mar, com este sol e esta liberdade, não, não posso e não devo pensar nestas coisas do diabo.
Obrigado Henrique pela lembrança, mas prefiro continuar pobre.
Atracamos de costado num píer flutuante.
Falando em amigos, realmente o Milton não vem. É mesmo para ele difícil, e para mim também. O Sérgio, filho dele, me telefonou do Brasil dizendo que ele tentou falar comigo e não conseguiu. Fica para outra.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 16, 1997
Murter é uma ilha pequena, ligada ao continente por uma ponte levadiça que há muito não se abre.
A parte N.W. da ilha é muito fértil, com plantação de oliveiras, frutas e verduras.
A parte SE é nua e rochosa.
A ilha é habitada desde a época romana, e era chamada Colentum.
A cidade é pequena mas romântica. Ruas estreitas e sinuosas trazem surpresas a cada esquina e nos convidam a caminhar.
Estou no passadiço quando chega um inglês com aspecto de lorde e se apresenta:
Chamo-me Richard, sou do barco à sua popa, o Silver Lass. O Sr. fala inglês?
Sim respondi, e disse a ele que tinha já visto seu belo barco na baia de Telascica, onde estávamos ontem.
Muito bom o seu inglês, disse-me ele. "Aprendeu na América?"
É o humor inglês de sempre. Modo gentil de dizer que minha pronuncia é péssima.
Aprendi viajando, respondi. O pior da América, e o pior da Inglaterra. Foi a resposta que me ocorreu no momento.
Ele gostou e riu. Começamos a conversar sobre barcos, viagens.
O Silver Lass é um belo barco a motor de 20 metros, construído em madeira na Inglaterra ha 30 anos atras. Tem 2 belos motores Gardner e muito verniz.
Saímos em seguida, de bicicleta para procurar uma loja de náutica, onde disseram poderíamos comprar cartas croatas, pois para o próximo trecho só tínhamos as pequenas, que não gosto.
Foi difícil encontrar a loja, e na procura demos de cara com o Richard, que também de bicicleta, procurava a mesma loja.
Acabamos juntos encontrando e comprando as cartas que precisávamos.
O Richard comprou umas ferragens dizendo. Vou compra-las mas realmente não sei onde posso usa-las. Guardo-as bem pois um dia posso precisar.
Voltamos ao San Marino, logo depois chega o Richard e larga a bicicleta ao lado de seu barco. Em seguia chegam uma senhora e uma criança, pegam a bicicleta e levam embora.
Quando o Richard sai de novo, procura a bicicleta, não acha, sai a pé, pega uma outra que estava no fim do píer, e sai com ela.
Mais um ladrão de bicicletas, este agora um lorde inglês de 65 anos de idade!
Parece que é um esporte nas marinas. Vou passar a deixar a minha bem chaveada.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 17, 1997
O Richard nos convidou para um drink às 18:30 a bordo do MS Silver Lass.
Ele ostenta a bandeira inglesa azul, que é utilizada por antigos oficiais da marinha inglesa, deve ser o caso do Richard.
Conhecemos o Roger e a Angela. Ambos tem 75 anos e muita alegria. Ele foi piloto da RAF na segunda guerra e comentou sobre a bandeira azul do Richard. Diz ele que também poderia usa-la mas é muito trabalhosa pois tem que ser hasteada nas horas certas e recolhida ao cair do sol.
Realmente o Richard foi oficial da Marinha Inglesa.
Eles moram num veleiro de madeira, aqui na marina em Murter, que eles construíram em Singapura de lá vieram navegando.
Um dos livros que mais consultamos, o Adriatic Pilot, teve sua última atualização feita por eles.
Estavam também o Nino e a Lucilla, do Scilla, um Grand Banks 45 com bandeira de Luxemburgo.
Eles são italianos mas moram em Luxemburgo, pois ele era o presidente do banco de Roma naquele pais.
Muitos Gin Tonics, todo mundo alto, fomos para o Restaurante Bison comemos magnificamente e descobrimos grande afinidades entre nós.
Na ocasião a Penny (mulher do Richard) preencheu um cartão postal para eles mesmos e pediu que eu botasse no correio no dia seguinte. Olha só o estado que todos estávamos!
LOG ENTRY FOR: Friday, July 18, 1997
O rádio VHF do Richard está quebrado. Fui dar uma olhada, mas o Sergei (marinheiro do Richard) tinha ligado o rádio em 24 volts, e a voltagem certa é 12. Realmente o rádio será difícil de ser posto em funcionamento novamente.
Não disse ao Richard o porque da queima do rádio para não deixar o marinheiro, rapaz de muito boa vontade, em má situação.
Sugeri que ele comprasse um rádio novo, por correio, na West Marine, USA.
Ele saiu com o Silver Lass mudando para um local muito estranho, ancorando no meio da baia, local proibido.
Voltou de dinguie às 16:30 e de nosso barco telefonou para a West Marine, para encomendar o rádio.
Junto estava o Roger. O telefonema foi engraçadissimo, pois ele, com seu modo peculiar de Inglês, sugeriu delicadamente à moça americana do outro lado da linha primeiro que não confiava muito numa promessa americana de entrega em 3 dias e depois comentou como sempre da dificuldade de entender maneira tão primitiva de falar sua língua.
Ele possui dois dinguies, ambos furados, que estão sempre esvaziando.
Um deles, diz, levará de volta para reclamar da garantia, por isto não pode consertar.
O outro, foi recebido na Grécia.
Quando eles lá passaram, tiveram seu dinguie roubado.
Um mês depois, viram seu próprio dinguie ancorado e foram à policia informar que tinham encontrado o seu inflável.
Era um tipo único de bote, com suportes especiais em inox, iguais à fotografia que mostraram na policia.
A policia, ao invés de ajudar, sugeriu que eles estavam mentindo pois o verdadeiro dono é um grego conhecido, de boa reputação.
Eles nada puderam fazer, e compraram este dinguie velho para substituir, que também está vazando.
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 19, 1997
Toca o telefone, é o Lothar, do LoGi que nos procura. "Onde vocês estão?"
"Em Murter" , respondemos.
"Nós também, que coincidência".
Eles estão do outro lado da ilha, perto da ponte levadiça.
13:00 O Lothar e a Gisela acabam de chegar. Eles vieram de bicicleta, uma longa viagem atravessando a ilha, com suas pequenas bicicletas dobráveis.
Batemos um longo papo e depois embarquei-os junto suas bicicletas no Flexboat e fui leva-los até o LoGis.
18:30 Hoje o drink é no San Marino. Lá vem o Richard e o Roger.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 20, 1997
Começa o dia chovendo. Deveremos ir visitar o Lothar as 12, com o Flexboat que esta com problemas no motor. Vou dar uma olhada pois a viagem até o barco do Lothar que esta do outro lado da ilha é de uns 20 minutos.
17:00 Estamos de volta. A viagem até o barco do Lothar foi difícil pois o motor de popa do Flexboat apresenta um defeito intermitente.
Voltamos com cuidado, paramos umas duas vezes no caminho.
É um trecho longo e o defeito parece ser na parte eletrónica. Não tenho instrumentos para testar nem componentes para substituir.
LOG ENTRY FOR: Monday, July 21, 1997
8:45 Estamos saindo de Murter. Foram 6 dias aqui, que nos pensávamos iríamos descansar, mas a vida social foi intensa, estamos cansadíssimos.
Vamos para Trogir.
Amanheceu com um pouco de chuva, mas já abriu um belo tempo.
A saída do porto, depois os canais entre ilhas até o inicio da rota, é bastante complicada, com muitos trechos em que se deve tomar a máxima precaução para não encalhar. Vamos a 4 nós, com cautela, no Fly Bridge, de onde se pode ver melhor usando a transparência do mar e os óculos polaroide. Mas tudo é bem sinalizado e as profundidades lidas em nosso ecobatimetro coincidem sempre com a carta, mostrando a exatidão da rota.
9:38 estamos já no rumo 138, Murter a nosso bombordo, mar calmo.
Sergio e Milena a bordo, vou tomar meu café da manha.
11:01 Acabamos de passar pelo canal entre as ilhas Kaprie e Kakan. É um belo local, com bom ancoradouro e boa pega. Nosso amigo Lothar dormiu lá ha duas noites e quase foi em cima do Grand Banks Scilla, de nossos amigos italianos, pois o vento chegou a força 8 e sua ancora correu.
O Silver Lass dormiu lá a noite passada, talvez esteja agora em Trogir, para onde estamos indo.
12:12 Farol de Mulo em minha bochecha de bombordo, estamos novamente próximos do continente.
12:25 Um cardume de delfins dança a nossa volta. Como são alegres e nos dão tranqüilidade.
14:10 Trogir à nossa proa, a 1 milha. Se vê as igrejas, os guindastes do porto, uma grande construção que parece um hotel em nossa bochecha de bombordo.
14:30 Atracados no píer da cidade. A marina é pequena para nós, grande vantagem, ficamos muito melhor na cidade. Não ha eletricidade ou água, mas somos auto suficientes.
Estamos bem na rua principal, no centro do movimento.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 22, 1997
Estivemos pela manhã na Marina que fica do outro lado do canal. Eles são todos muito gentis e querem que nós passemos o inverno por aqui. A Capitania que cuida do porto publico onde estamos, insiste para ficarmos aqui e a marina também.
18:00 Veio a bordo o diretor geral da Marina para conhecer nosso barco. Vão fazer instalação especial para que possamos invernar por aqui. Acabamos decidindo pela marina, pois é mais seguro quando deixarmos o San Marino sozinho para irmos ao Brasil.
Trogir é uma cidade pequena e antiga, muito especial.
Ela é uma pequena ilha localizada entre o continente e a ilha de Ciovo onde com criatividade e alma o ser humano construiu com serena beleza palácios, igrejas, muralhas, fortalezas e casas que continuam extraordinariamente preservados, desde a idade média.
Suas ruas estreitas e tortuosas, como labirintos, são calçadas com pedras antigas, arredondadas pelo caminhar através dos séculos.
A história de Trogir não se perde entre lendas e contos. É conhecida e registrada, graças a um famoso historiador Croata, Ivan Lucic (1604-1679), que nasceu aqui.
Trogir foi fundada por gregos de Siracusa no terceiro século antes de Cristo, sob o nome de Tragurion (o lugar onde as cabras vivem), provavelmente sobre um acampamento Ilirico.
Em Ptolomeu e Strabo, encontram-se referencias a Trogir.
Depois de sua vitória sobre Pompeu, César de apossou de Trogir.
Trogir tornou-se importante porto e silo romano.
A cidade medieval, forçada a crescer em limitado espaço deixou poucos traços arquitetónicos dos Gregos e dos Romanos.
Na queda do império, tornou-se Bizantina.
Sob Carlos Magno, foi dominada até 814.
No ano 1000, o filho de Svetoslav, rei Croata de Trogir, casou-se com a filha do Doge de Veneza, com quem Trogir tinha firmado um tratado.
Em 1107 de modo pacifico submeteu-se aos reis Hungaro-Croatas.
Em 1123 foi saqueada pelos Sarracenos, tendo seus habitantes se refugiado em Split.
Por isto, no século 12, foram construídos muralhas e fortificações.
A conquista por Veneza não foi fácil. Trogir se aliou com o general genoves Doria em 1405, e lutou bravamente sendo subjugada em 1420 depois de sangrenta batalha onde até as mulheres locais lutaram.
O domínio Veneziano, despótico e brutal, durou até 1797, mas deixou como compensação belas obras arquitetónicas, onde se vê sempre o "leão de Veneza".
Napoleão anexou Trogir ao reino napoleônico da Itália em 1806.
Este domínio marcou-se pela abertura de escolas, que foram proibidas durante todo o domínio veneziano.
1814 marca o inicio do domínio austríaco, que durou até o fim da primeira guerra mundial.
Entre as duas grandes guerras, foi formada a Iugoslávia, que tornou-se comunista após a segunda guerra mundial, sob o comando firme do General Tito.
Já estávamos apaixonados por Trogir, desde a primeira vez que estivemos aqui, ha uns 10 anos atrás.
Desta vez estamos definitivamente subjugados. Creio que invernaremos aqui.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 23, 1997
17:00 Chegaram o Silver Lass e Scilla, nossos amigos de Murter. Vieram a bordo para um coquetel, rimos muito.
Hoje estão jogando futebol a seleção da Croácia e da Servia, em Belgrado. É uma partida histórica, todos estão muito tensos, depois da guerra é a primeira vez que se defrontam..
Infelizmente a croácia perdeu por 1 a zero, gol feito nos últimos minutos, uma pena pois a cidade sempre tão alegre a noite, emudeceu. Mudamos nossos planos de sair a noite para ir a um bar, junto com nossos amigos pois o astral é baixo.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 24, 1997
O Richard saiu cedo com o Silver Lass, foi para Split buscar o radio que chegou da West Marine. Deixou recado que volta a noite.
Aproveitamos a manhã para limpar o San Marino, eu a parte externa, Milena a interna, como sempre.
Saímos depois para almoçar comemos mal, uma pena, pois era uma bela lagosta, mas foi mal feita.
Na volta fomos ao Veleiro GKM1-N de Sidney. Eles estão em viagem a 4 anos, vieram do oceano indico pelo mar vermelho. Ao chegarem no Cairo, a mulher estava gravida e tiveram que voltar para a Austrália. Com 6 meses o bebê já estava a bordo e eles continuaram a viagem.
21:30 Fomos convidados para um drink no Scilla. De repente aparece de dinguie com Richard e a Penny, pois deixaram o Silver Lass do outro lado da ponte.
Parece que o Richard gosta de ancorar em locais diferentes!
Já instalou o radio, que chegou na marina de Split.
Contou a Penny que ele, ao ir à Split para pegar o rádio, ancorou no meio da baía (porto) que é proibido. Veio a lancha da capitania e mandou que ele saísse.
Ele obedeceu e atracou no porto, no píer para navios, que também é proibido.
A capitania retornou e ele disse que de lá não saía. E ficou, até ter seu novo rádio convenientemente instalado. Parece que a bandeira azul funciona!
Ficamos até altas horas ouvindo a Lucilla descrever as maravilhas dos moluscos locais, como prepara-los etc. Descobrimos depois que o Richard não tinha jantado, estava morrendo de fome, e por educação ficou quieto escutando as maravilhosas preparações culinárias.
Como prêmio pela fleuma ganhou uns pedaços de parmesão e continuou com fome!
LOG ENTRY FOR: Friday, July 25, 1997
9:30 O Angiolo (Nino) e a Lucilla, do Scilla, partem agora. Ajudei com os cabos e nos despedimos.
Acabamos de chegar do mercado, onde Milena foi comprar carne e frutas, tudo de boa qualidade e bom preço. Vou como empurrador de carrinho porque sou um fracasso em compras
Estamos aguardando o Baffi Scoppa e as crianças (filhas do advogado Aldo Grassi), que devem estar a caminho. Vão pegar nosso Defender em Umag e traze-los para nós. É um bom quebra galho, são 400 km de lá ate aqui.
O Bruno é um croata de uns 30 anos de idade, técnico da Jonhson em Trogir, e está como um louco tentando descobrir o defeito do motor do Flexboat.
Como não conseguiu, levou todo o conjunto para sua oficina. Vamos continuar nossa viagem e quando estiver consertado, voltamos a Trogir.
É a primeira vez que peço socorro a um técnico, mas o defeito é difícil mesmo.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 27, 1997
9:30 Estamos preparando nossa partida. O belo Swan de 80 pés que estava atracado em nosso costado de bombordo (Garuda, bandeira monegasca) acaba de sair, assim estamos livres para fazer o mesmo.
O café está na mesa, estão a bordo o Baffi Scoppa, a Anna (sua mulher), a Valentina (7 anos) e a Francisca (9 anos) alem de nós.
11:00 Demorou o café da manha. Também comemos como loucos.
Vigias fechadas, tudo pronto para partir.
11:30 Estamos na rota, rumo a Solta, uma bela ilha onde pretendemos pernoitar em alguma baia.
A viagem para Maslinica, ilha de Solta foi tranqüila e agradável. Entramos na baia da cidade que julguei pequena para nós, e em seguida fomos para a próxima, onde estavam o Scilla e o Silver Lass. Já sabíamos que estariam lá. Tínhamos combinado nos encontrar. Jogamos ferro do outro lado da baia, pois é estreita e de ré avançamos ate o outro lado, onde nos esperavam o Richard e o Nino, para ajudar com os cabos que prendemos nas pedras. Assim ficamos ancorados de popa para a costa, muito próximo. Na primeira tentativa o ferro correu, não pegou bem, tive que refazer tudo.
Não estamos muito bem pois nosso barco é muito grande para o local. Se o tempo continuar bom, tudo bem, se não vamos para um local com mais espaço.
O anoitecer frio tranqüilo, as crianças ficaram na água o tempo todo e nós também.
LOG ENTRY FOR: Monday, July 28, 1997
Acordamos as 9, com o rádio chamando por nos , era o Scilla, que nos convidava para um passeio por terra ate o vilarejo. O Richard e a Penny também foram, assim um grande grupo de formou. É uma pequeno vilarejo, intocado, belo e inocente.
Tomamos um café no bar local, passeamos pela redondezas, e as 12 estávamos já no barco do Richard tomando Gin tonic e cerveja, o que resultou em dança grega, depois que a Penny colocou um belo disco que ela comprou em Corfú.
A Milena e as crianças voltaram a nado, e fui junto por segurança.
A tarde, vieram todos a nosso barco para as despedidas.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 29, 1997
Saímos cedo de volta a Trogir, para pegar o Flexboat que esta na oficina. O defeito é difícil mas parece que encontraram , é a caixa eletrónica.
Já no caminho telefonamos, o Bruno disse que o motor estaria pronto às 14:00.
Ancoramos em Marina, a umas 5 milhas de Trogir, e com o outro dinguie, o Avon com motor Honda, fui buscar nosso inflável grande.
Foi uma linda pequena viagem, apesar do mar estar batendo um pouco e o vento ser contra, o que me propiciou vários banhos.
Encontrei o Bruno, testei o Flexboat que estava O.K., e saí de volta para o San Marino, rebocando o Avon.
Tinha que voltar devagar, pois com reboque não se pode ir depressa.
A noite começou a descer e pronto, quebrou-se o motor outra vez, o mesmo defeito.
Comuniquei por VHF à Milena que chegaria um pouco tarde, e voltei rebocando o Flexboat com o Avon.
Quando cheguei ao San Marino, tentei dar partida no motor quebrado, que funcionou perfeitamente.
Que defeito cabeludo!
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 30, 1997
O dia como sempre amanhece implacavelmente belo e o sol forte.
O local onde estamos é lindo, Marina, uma pequena cidade ao norte de Trogir.
Passamos a manhã na água, e depois do almoço rumo a Trogir, onde atracamos no cais da cidade com forte vento de proa, mas sem problemas.
O Capitão do porto lá estava para nos esperar e nos ajudou com os cabos.
Logo em seguida chegou o Lady May, um lindo iate de aço de uns 30 metros, bandeira inglesa e donos italianos. Tivemos que mudar de local, para dar espaço também a eles, mas o fizemos só com cabos, sem ligar os motores.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 31, 1997
Acordamos em Trogir e o Silver Lass telefonou, pois não conseguimos contato por radio. Eles estão em Hvar e combinamos nos encontrar em Korcula.
Saímos em seguida para passear. Deveremos iniciar um curto cruzeiro com eles amanhã.
Foi-se o mês de Julho, alto verão que felizmente não lotou de turistas esta bela Croácia.
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 02, 1997
Estamos em Milna, onde chegamos ontem a tarde. Está situada na ilha de Brac, ao fundo de uma baia, num saco totalmente escondido. Foi refugio de piratas e ladrões.
É uma cidade velha e pitoresca, intacta, onde a frota russa, durante a guerra napoleônica, tinha a sua base.
Não se vê por aqui a influencia de Veneza na arquitetura, que é mais sóbria e de linhas retas, tudo construído em pedra.
Estamos atracados de costado, atras do MS Lastavica, de donos croatas com quem fizemos amizade.
O Dusko é inteligente, rápido e simpático e seu pai, que está viajando junto, era piloto comercial na Croácia e conhece boa parte do mundo.
LOG ENTRY FOR: Sunday, August 03, 1997
Passamos o dia no barco, eu arrumando problemas hidráulicos (vazamento de torneira) e a Milena que não esta muito bem, descansa. O Carlo a Anna, que partem amanhã decidiram tomar sol e não querem passear. Ontem fizemos um bom giro por Milna, que é encantadora. Seus becos e ruas sinuosas e estreitas sobem e descem pelas encostas, num sucessivo desenrolar de românticas imagens.
Tudo é rosa, pois é a cor da pedra local. As casas mais conservadas ainda tem o telhado em pedra outras já o substituíram -infelizmente- por telhas vermelhas.
O Carlo nos convidou para um belo almoço, no Ânfora, que todos dizem é o melhor da ilha, mas parece a nós que o Palma, onde comemos ontem era melhor.
LOG ENTRY FOR: Monday, August 04, 1997
9:00 estamos soltando as amarras para deixar Milna. Lá ficaram o Carlo e a Anna Nossos amigos croatas do Lastavica levaram o Carlo ate Supetar. De lá ele foi de traguetto para Split e depois em outro para Ancona.
10:00 Estamos navegando entre Brac e Hvar, uma ilha um pouco ao sul, a 8 milhas de distancia. O Telefone celular voltou a pegar, e já temos um recado do Crisandra, de nosso amigos Gigi e Miranda. Eles estão na Marina de Hvar. Vamos passar por lá em nosso caminho para Korcula, talvez os encontremos.
O dia está magnifico, mar calmo, vento forca 3 de S.W.
Acabamos de passar pela cidade de Hvar, Diz-se ser a cidade com mais dias de sol do Adriático pois goza de um microclima especial.
Infelizmente a marina fica do outro lado da ilha, é muito longe, pois Hvar é grande. Tentamos chamar o Crisandra pelo VHF, mas não há resposta. Poderíamos tentar ir até lá, mas o recado de antigo, certamente o Gigi não está mais lá.
13:30 estamos em frente a ilha de Scedro, vem um Hatteras de uns 60 pés em nossa direção. Mudo ligeiramente de rumo para evitar a colisão. Estão ao nosso lado e acenam vigorosamente. É o My Lady, do Nico e da Tillie, que nós encontramos em Barcelona e depois em Umag.
Falamos por radio, combinamos nos encontrar em uma semana, pois agora não podemos, temos que estar hoje em Korcula para encontrar o Aldo , o Silver Lass e o Scilla.
A Valentina e a Francesca viajam conosco, são ótima companhia.
São 45 milhas de Milna a Korcula, deveremos chegar às 3 da tarde.
Se houver espaço ficaremos na ancora, numa baia logo depois da cidade.
14:00 O Silver Lass chamou por radio. Eles estão em Lovite, em Peljeac, uma península à frente de Korcula. Dizem para irmos para lá, ha um ótimo restaurante, faremos um belo jantar.
Mudamos a rota, decidimos ancorar lá. Vou depois de Flexboat buscar o Aldo em Korcula, serão numas 10 milhas.
Lovite é uma pequena vila de pescadores no fundo de uma grande baia.
14:30 Ferro no fundo, boa pega, coloco o Flexboat na água e vou para Korcula. Passo pelo Silver Lass e o Scilla, que oferecem ajuda, dizendo que o mar está feio, não devo ir tão longe com o dinguie, mas vamos lá.
O primeiro trecho, até o cabo Osicac está muito batido, mas o Flexboat vai bem, saltando como uma gazela.
No canal, melhora o mar e chego em Korcula às 16:00. Na entrada da marina o motor para novamente, mesmo defeito de antes.
Um pequeno barco me reboca ate a oficina local onde deixo o barco e vou procurar o Aldo. Lá está ele na marina, junto com sua mulher, a Rosalba.
Volto ao Flexboat com a esperança de que o motor frio funcionará.
Nada. Decidimos deixa-lo na oficina do Ângelo e voltar a Lovite. Não foi fácil. Depois de muitas informações pegamos um barco taxi que nos levou ate Gospa, um pequeno vilarejo. De lá pegamos um ônibus, que numa viagem incrivelmente bela, a principio pela costa depois subindo as montanhas da ilha, fez valer o sacrifício .
Chegamos a Lovite, lá estava o Silver Lass abastecendo de água. Pegamos o seu dinguie e com ele fomos ate o San Marino, onde com grande festa as crianças receberam os pais.
As 20:32 0 grande jantar, o melhor que já fizemos na Croácia, com risoto de frutos do mar, mariscos, sopa de cabeça de peixe, um belo robalo frito em postas e as palacsintas. Tudo isto regado a forte vinho branco cujo efeito foi logo notado.
O Aldo como sempre, falando inglês sem saber nenhuma palavra, e o Richard que se diz Ricardo e fala italiano sem saber nenhuma palavra, entenderam-se maravilhosamente e desenvolveram profunda amizade.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 05, 1997
11:30 Acordamos tarde, todos cansados , também da bebedeira de ontem.
Passamos o dia a nadar, passear de dinguie, Almoçamos em outro restaurante, ainda melhor.
O segredo aqui parece ser que do outro lado da península ha criação de moluscos e crustáceos. Mas as ostras que comemos ontem estavam dentro da água do mar, em sacos de rede.
Quando se pede alguma comida por aqui, digamos um peixe, o garçom vai até a beira dágua e puxa uma rede em forma de saco. Dentro estão alguns peixes nadando. Ele escolhe um, nos mostra, e leva para a cozinha. Mais fresco impossível!
LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 06, 1997
9:00 Todos acordados, gerador funcionando para carregar baterias e cozinhar, vamos fazer o café da manha e sair de ônibus para conhecer o local.
O ônibus só sai às 2. Fazemos um grande passeio a pé e voltamos para o local às 2hs. No caminho encontramos o Richard e a Penny, no bar, tomamos uma cerveja e mudamos nossos planos. Decidimos ir de barco a uma outra baia ao sul, comer ostras.
Voltamos ao barco, e lá chegamos a conclusão que a tal baia era muito longe, 35 milhas. Decidimos sair direto para Korcula, saímos às 15, chegamos às 17.
A noite fomos jantar nesta cidade jóia, em incrível estado de conservação.
Saímos de dinguie, numa noite magnifica, cheia de estrelas.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 07, 1997
10:00 O café esta pronto, todos à mesa. O Scilla e o Silver Lass já chegaram, ancoraram perto de nós, o Silver Lass com um cabo à terra, pela popa.
Acaba de passar uma bela regata em frente, no canal, com veto de popa, spinnakers abertos, que bela imagem.
A noite a Milena foi com o Aldo e as crianças para uma dança típica local, a "Moreska". Eu fiquei com o Richard tomando whisky pois estou cansado destes espetáculos montados para turistas.
Melhor disse o Richard, que falou "não obrigado, não vou, porque já vi esta dança no México".
Ele tem toda razão estes espetáculos são iguais em qualquer parte do mundo.
Aproveito para me deter um pouco em Korcula, trocar idéias com o Richard.
Korcula vale uma viagem.
Quem vier a Croácia e só puder visitar uma ilha, vá a Korcula.
Pode-se chegar de ferry, levando o carro, pois é muito próxima à costa.
Foi aqui que dizem, nasceu Marco Polo, o célebre viajante, que todos pensam veneziano. Na verdade o era, pois Korcula estava sob o domínio de Veneza em seu nascimento, e ele pertencia a uma família da Sereníssima.
Mas foi aqui que ele nasceu.
A cidade é Fenícia, depois Grega, depois Romana.
Aqui eles construíam navios e plantavam uvas e olivas, para fazer vinho e azeite.
Daqui controlavam a entrada da costa este do Adriático central,
Korcula está localizada entre o céu azul, o mar verde, e suas florestas. Suas cidades são brancas, devido à pedra local, e a fértil terra vermelha aumenta todo este colorido.
O local está carregado de lendas, cantos, contos e historia.
Estamos separados do continente, da península de Peljeac por um canal de uma milha de largura, o mesmo que atravessei anteontem com o Grassi.
A ilha tem 47 quilômetros de comprimento, 276 quilômetros quadrados.
Mais de 200 praias (de pequenas pedras) se encontram em suas costas. Em volta, 48 ilhas pequenas.
Parece que São Paulo esteve por aqui em sua viagem a Roma, no inicio da era cristã.
São mais de 200 igrejas da idade média até o século 19, com muitas obras de arte (Tintoretto, Ticiano, Bassano).
A lenda diz que foi fundada por refugiados fugidos de Tróia.
A cidade é construída em pedra, numa península redonda, toda fortificada.
Será difícil esquecer o seu charme.
LOG ENTRY FOR: Friday, August 08, 1997
Levei o Aldo ao traguetto e estou preparando para sair para Mljet.
12:45 Motores ligados, prontos para partir
Ao sairmos da barra lá estava o Dubrovnik, ferry croata que leva o Aldo e as criança para Rieka.
13:38 Rumo 129º para Mljet, mar calmo vento força 2 de N.W., previsto chegada às 15:00
15:30 Estamos ancorados em Luka Polace, uma baia protegidissima onde existe um castelo construído no século 4 por Agesilaus, que foi aqui exilado por ordem do imperador Caracalla.
Ha uma pequena vila, um restaurante, e muitos barcos se abrigando da frente fria que entra com fortes ventos a precedendo. Agora temos força 6, N.W.
O Scilla está ao nosso lado, o Silver Lass chamou por radio para avisar que está em uma baia perto (sempre a mania do Richard de ficar em lugar diferente) e vai ficar por lá. Nos convida entretanto para um almoço amanhã.
20:00 O Scilla, que nos convidou para um drink às 21:00, chama pelo rádio para dizer que o Sergei (Marinheiro do Silver Lass) estava lá e não conseguia voltar ao seu barco.
Havia sucedido o seguinte:
No Silver Lass tinham, após ancorar, feito um belo almoço, com direito a drinques e vinho (como sempre).
A alegria se transformou em ligeiro desentendimento e o Sergei resolveu "dar uma volta".
O Sergei tinha vindo primeiro de dinguie, do Silver Lass até a costa, depois a pé, pelas montanhas até a nossa baia, depois a nado até o Scila. (Sempre de sapatos). Ao tentar voltar, perdeu-se na floresta, não conseguindo achar o caminho. Retornou ao Scilla e pediu ajuda.
O Nino chamou por rádio o Richard que decidiu vir busca-lo de dinguie. É uma viagem relativamente longa, em um trecho de mar aberto, e já está escurecendo.
Para complicar as coisas, o Nino decidiu levar o Sergei até a metade do caminho, e passa-lo ao Richard. Decidi ir junto, com nosso dinguie, como uma reserva, caso suceda algum problema. Levei comigo uma carta do local, duas lanternas, dois rádios portáteis e o binóculo de visão noturna. Tudo em dois, pois conhecendo os outros sei que não levariam nada.
Eles parecem não ter idéia como pode-se fácilmente ficar perdido no mar, em uma noite sem lua.
Saímos já noite. No meio do caminho, vimos uma pequena luz passar, muito próxima à terra, onde existe um longo rochedo que entra uns 100 metros pelo mar, quase ao nível dágua, muito perigoso. O Nino, que ia à frente concluiu que não poderia ser o Richard, num rumo tão perigoso. Fizemos alguns sinais de lanterna e resolvemos continuar.
Em mar aberto, paramos pois a Milena chamava por radio (ela estava no Scilla) para dizer que o Richard estava lá. Era mesmo o Richard que passava.
Ficamos esperando a volta do Richard no meio do mar, à deriva.
Como nós também já tínhamos bebido alguma coisa, aproveitamos para, no céu escuríssimo, ver um disco voador.
O Richard retornou, e ficamos esperando. Nos encontramos através de sinais de lanterna e passei ao Richard o segundo rádio e a segunda lanterna, pois a sua já estava sem pilhas.
A noite tinha descido muito escura e sem lua.
Retornamos ao Scilla e no retorno o Nino, não me vendo, voltou para me procurar, eu que já estava quase chegando. Como ele não chegava, voltei novamente ate encontra-lo. Chegando ao Scilla, tomamos um bom whisky, e seguimos escutando o drama do Richard, que com o radio que emprestei chamava o Silver Lass, pois não sabia localiza-lo. A Penny estava a bordo, mas não sabia ligar as luzes de mastro e o Richard não a enxergava. Ela porem os via (tinham a lanterna) e pelo radio foi dando instruções ate sua chegada.
Rimos muito quando tudo estava resolvido, pois o Richard com sua mania de ser diferente, apronta sempre!
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 09, 1997
Passamos o dia arrumando o San Marino. Depois de 15 dias com visitas ha muito o que fazer. A Milena limpa e arruma os quartos e banheiros, dá uma ordem geral. Eu troquei os bicos injetores do gerador e ajustei a folga das válvulas. Há um ano não o fazia, e estava começando a fazer fumaça e trabalhar sem a suavidade de sempre.
LOG ENTRY FOR: Sunday, August 10, 1997
9:00 Amanhece soprando um forte Bora. Como sempre sucede quando este vento sopra, o dia está lindo e a visibilidade ótima.
Fomos convidados para almoçar no Silver Lass,
13:00 Saímos para o almoço.
Foi uma grande festa, que acabou no San Marino com carnaval brasileiro. O Richard é mesmo engraçadissimo, cantou, dançou e nos fez rir muito.
LOG ENTRY FOR: Monday, August 11, 1997
9:00 O Scilla e o Silver Lass já saíram. Tentam falar um com o outro pelo radio mas não conseguem. Entramos como ponte pois nossa antena é grande e permite conversar com os dois.
Pensamos em continuar um pouco por aqui
LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 13, 1997
Fizemos hoje um longo passeio a pé. Saímos daqui, de Polace e fomos até Pristanice, são uns 4 quilômetros. Lá pegamos um barco da reserva florestal e no lago natural que ali existe fizemos uma bela navegada ate um outro lago menor, vizinho a aquele. De lá fomos a pé até Pomena, onde ficamos esperando um ônibus que "talvez" viesse às 12:30. Não veio. Voltamos ao lago menor, depois de barco fomos até uma ilha onde existe um antigo mosteiro transformado em hotel e restaurante (S.v. Maria) Outro barco e voltamos a Pristanice. Pela carta verificamos que de Pristanice a Polace existe uma estrada menor, quase reta. Decidimos caminhar por ela. Começou bem, até com um pouco de asfalto. Pouco a pouco foi se tornando mais primitiva e quando percebemos, estávamos caminhando sobre uma verdadeira estrada (abandonada) romana, em pedra, construída com muito esmero. Longas guias de pedra nas bordas e o calçamento em pequenas pedras bem assentadas. Tudo logicamente muito alterado pelo tempo e atacado pela natureza, porem foi a primeira vez que caminhei por uma estrada tão antiga e autentica. Foi provavelmente construída junto com o castelo, século 4.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 14, 1997
8:30 Estamos preparando para sair. Voltaremos aos poucos para Trogir, onde vamos invernar, fazendo a rota inversa.
Deixamos a barra, rumo a Korcula. Deixei o rádio no canal 74 e no 16. Logo apareceu o Silver Lass no 74. Iniciamos uma conversa e eles nos convenceram a mudar de rumo e ir para Lastovo, onde eles ainda estão. Recalculei a rota e lá fomos nós.
Sei que o canal 74 é proibido para iatistas, destina-se a operações portuárias.
Fico sempre no 16, por onde se faz as chamadas costumeiras.
Mas o Richard, sempre diferente, insiste em usar o 74, por que, diz ele, "está sempre livre".
Ele tem uma certa razão, às vezes não faz mal desrespeitar alguma regra, mesmo porque estamos longe de qualquer porto, ninguém vai mesmo usar o 74.
16:00 Chegamos a Lástovo, lá estão o Scilla e o Silver Lass, amarrados cada um a uma arvore pela popa, e ferro pela proa.
Para nós é difícil atracar assim, pois somos só dois a bordo, e a operação exige o uso do dinguie. Entretanto o Richard veio nos ajudar e depois de um bom trabalho, pois o vento estava força 5, conseguimos nos posicionar. Mas estávamos na boca da baia e rolava muito. Assim, subi o ferro e começamos tudo outra vez em outra posição. Depois de algum trabalho, amarrados em uma forte arvore, o ferro começou a correr. Mudamos outra vez, mas agora joguei o ferro no meio da pequena baia, e vamos ficar girando, apesar do pouco espaço.
Logo em seguida estavam todos a bordo para uma boa cerveja.
Fomos convidados para jantar no Silver Lass, rimos muito, conversamos até altas horas.
LOG ENTRY FOR: Friday, August 15, 1997
10:00 Bateu um mar desagradável a noite toda. Estamos na boca da baia e vamos mudar para outra, bem em frente à pequena vila.
Levantamos ferro e ancoramos bem no centro da baia. Tenho ultimamente ancorado com o radar, tão pequenos são os espaços disponíveis por aqui. Deixo um circulo no VRM que corresponde a nosso giro com ferro de uns 60 metros e procuro o local. É preciso considerar a posição dos outros barcos e o movimento ao mudar o vento.
19:30 Chegaram o pessoal do Scila e do Silver Lass para um jantar de despedida a bordo. Amanhã tomamos rumos diferentes.
A Milena preparou um fondue de queijo, pois começa a esfriar. Para animar a noite, servi primeiro a ultima garrafa de Prosecco que ainda tínhamos da Itália, e preparei um pequeno prato de "smorgasboard" feitos a meu modo e com um copo de vodka gelada no centro.
Eram 6 sanduíches pequenos abertos, todos muito fortes, um de aliche, outro de alcaparras com manteiga e tabasco e os outros de pedaços de pimenta brasileira . Assim ao come-los expliquei, podem apagar o fogo bebendo a vodka. Como servimos no jardim de popa, não havia água. A tática funcionou, todos se animaram, o jantar foi um sucesso.
Acabado o fondue que comemos acompanhado de vinho branco (ou tinto local, ao gosto de cada um), foi-se uma garrafa de vinho coto, aquele que ganhamos em le Marche. Depois muito licor marasquino que foi o que colocamos dentro da salada de frutas em lata que a Milena preparou. Já que estávamos no licor, Drambuie, Grand Marnier, e um licor do pais basco, o famoso Izarra.
Logo virou grande cantoria no jardim de popa, pois fui buscar o violão. A festa acabou às 3, com muita dança.
Simpáticos o Nino, a Lucilla, a Penny e Richard, de quem dos despedimos assim.
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 16, 1997
10:00 Grande cansaço após a bebedeira de ontem. Mergulhei para substituir um fio de inox que faz o terra para a lamina de cortar cabos que temos no hélice.
Descobri este problema a alguns dias atrás quando mergulhava para curtir o fundo do mar.
A água por aqui é limpíssima, mas o fundo muito pobre.
Saímos de dinguie, fomos a pé até a pequena vila, e depois almoçamos belas lagostas. Lastovo é o nome desta ilha em Croata, mas em italiano se chama Aragosta (lagosta)
No fim da tarde chegou o veleiro Nitíssima, que de dinguie vieram falar em português conosco. Vivem em S. Paulo, são italianos de Civitanova, e deixam seu barco lá.
Pena que estamos de saída amanhã cedo, senão faríamos amizade.
LOG ENTRY FOR: Sunday, August 17, 1997
8:00 Levantamos às 7, para preparar a saída para Vela Luka, na mesma ilha de Korcula, parte norte.
Subimos o ferro e nos despedimos do Nitíssima, um belo veleiro de uns 50 pés. O comandante e proprietário é dono da empresa Mazzaferro em S. Paulo, mas não sabemos seu nome.
9:20 À nossa proa, a ponta de Korcula, o mar esta um espelho, linda navegada.
11:30 Entramos em Vela Luka, mas não gostamos. É uma cidade industrial, cheia de hotéis pequenos, muita bagunça. Voltamos e estamos rumando agora para Hvar, onde deveremos chegar às 13:30. O mar continua calmo, vento força 2 SE, visibilidade 12 milhas.
Tirei nossa posição usando o farol de Hridy Luvadici e a ponta da ilha de Vis, usando a alidade. Só para desenferrujar pois o GPS funciona sempre muito bem. Bateu em cima. As cartas são boas e os pontos bem marcados. É fácil navegar por aqui.
Apenas o VHF incomoda. Os italianos são loucos para falar, o radio está sempre congestionado no canal 16, que deveriam deixar livre. Mas chamam, reclamam, são Italianos. Raramente se ouve um alemão ou inglês chamar.
12:00 A Milena foi para a cozinha, preparar ovos com bacon e risoto à milanesa. Mar calmo, vida normal inclusive que nos permite uma boa refeição.
Por falta de tempo não coloquei no fogão suportes parta manter as panelas. Mas não é necessário. Se o mar esta razoável, o fogão vitrocerâmica que é uma placa de vidro, mantém bem as panelas no lugar. Se o mar esta ruim, não se cozinha, e se esquenta o que se quer no Microondas.
O San Marino rola pouco, normalmente 2 graus, nunca chega a 5 graus. Porem com forte mar de través rolamos até 25 graus e não dá para fazer nada.
O Adriático é tão pequeno que Vieste, na Itália, está em nosso Radar, a 69 milhas.
13:00 estamos chegando na barra de Hvar. O telefone volta a funcionar, ha muitas mensagens. São 5 dias sem telefone.
13:45 Estamos na baia de Hvar. Foi difícil arrumar lugar no píer, acabamos parando na ancora, em frente à cidade, um local belíssimo. Temos a melhor vista possivel, e não faz tanto calor. No píer, esta uma bela confusão.
A baia é muito pequena, já tem três barcos ancorados e é fundo, 12 metros. Joguei 50 metros de corrente, nosso giro será neste raio se o tempo ficar feio, menos com tempo bom.
16:00 Começam a chegar mais barcos e a jogar ancora perto de nós sem a mínima noção de que ao girar os barcos irão uns contra os outros. Provavelmente são "charter". Felizmente são quase todos veleiros, que giram mais ou menos na mesma velocidade do San Marino, portanto o risco de colisão é menor.
17:00 Deixamos o San Marino com risco de bater em outros barcos, mas o vento esta leve e constante, assim, sem perigo.
Antes telefonou o Carlos, que esta indo para Los Angeles amanhã e o Flávio que está em Miami. Falei também com minha mãe, que como sempre é otimista e incentiva nossa viagem. Tudo bem por lá.
A cidade de Hvar é muito charmosa e romântica, temos uma vista perfeita do jardim de popa do San Marino e agora vamos vê-la por dentro.
Hvar foi colonizada pelos gregos da ilha de Paros 4 séculos antes de Cristo. O nome Hvar é derivado de Paros ou Pharos, significando farol. Subseqüentemente foi conquistada pelos Romanos, Eslavos e Venezianos.
A cidade em si desenvolveu-se na idade média.
Os muros da cidade, construídos pelos venezianos estão intactos assim como o Arsenal,
Um lindo castelo fortificado, chamado Ispanhiola, domina a cidade.
Os franceses a conquistaram de 1806 a 1811 e o teatro local (1612) é tido como o teatro publico mais antigo da Europa.
Jantamos em um interessante restaurante que deve ser do estado, pois apesar de bom os funcionários não davam a mínima importância em serem gentis e conversando com a garçonete, ela nos disse estar muito chateada pois este ano vieram muitos turistas. Não vê a hora de chegar o dia 20 quando começam a ir embora.
Na volta, contamos 35 barcos ancorados nesta pequena baia que não tem lugar para 3. Chegaram enquanto estávamos passeando.
Muitos estão muito perto de nos. Se entrar vento forte ou se o vento for fraco e girar, vão bater uns nos outros.
LOG ENTRY FOR: Monday, August 18, 1997
3:00 Acordei com o alarme do radar. Tinha deixado ajustado a 20 metros. Como a antena esta no centro do San Marino, qualquer barco que se aproximasse a 10 metros, dispararia o alarme.
Subi para ver. Vários veleiros batiam uns contra os outros, muito levemente pois não havia vento. Sem vento ou com a leve brisa que sopra, cada barco ficou livre para se posicionar como queria. Ninguém, nos conveses. Pequei um forte farol e apontei para os barcos que se tocavam, mas ninguém apareceu. Dormiam pesado ou não estavam no barco, pois a cidade fervia de entusiasmo.
A Milena também subiu à ponte para ver o que se passava.
Passei o resto da noite na cama do Fly Bridge, acordando vez ou outra com o alarme e cuidando para que o San Marino não tocasse em nenhum barco.
8:00 Já estamos navegando. Levantamos ancora ha 10 minutos e deixamos Hvar, que cidade maravilhosa.
Estamos no rumo de retorno a Trogir, não sabemos onde pararemos no caminho.
8:20 Começa a chover. Já estávamos vendo esta chuva no radar, deve passar logo.
A Milena falou por telefone com o Domenico, do Pippa II que esta em Murter e virá nos encontrar em Trogir. Falou também com a marina de Trogir que disse estar nosso lugar disponível amanhã. Vamos invernar por lá
8:45 Falamos por radio com o Silver Lass que esta indo para Zirje encontrar o Scilla.
Creio que foi nosso último contato, pois eles estão se dirigindo para Veneza.
O mar esteve difícil para eles pela manha mas já esta bom. Nós por aqui rolamos um pouco (10 graus) pois pegamos o mar de través. Poderia fazer um zig-zag, mas estamos até com saudades de um pouco de movimento.
9:45 Acabamos de atravessar o estreito entre as ilhas Brak e Solta. A previsão do tempo continua ruim, borrascas e tempestades. Desde ontem está assim.
10:30 A nosso bombordo o Lady Cristiane, um lindo yatch de uns 30 metros, de George Town, certamente charter.
Estamos com a proa para Drvenik, onde decidimos ancorar para passar este dia e próxima noite. Lá é protegido de todos os ventos.
11:15 Estamos em Drvenik. Entramos na baia, é bela e pequena e é proibido ancorar.
Decidimos ir para Marina, uma pequena cidade ao norte de Trogir, com bela baia, bom de ancorar. Estivemos lá com o Baffi Scoppa.
12:30 Ancorados na baia, vamos almoçar no antigo castelo da cidade onde já comemos uma vez, bem.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 19, 1997
8:00 Amanheceu meio fechado, mas deve abrir. Tivemos hoje uma boa idéia para continuar a viagem. Depois de retornarmos do Brasil, pegamos o Defender e vamos para Istambul, fazendo uma calma e bela viagem por todo este interior misterioso, de tantas lendas e história.
Deixamos lá nosso carro, voltamos a Trogir, e fazemos a viagem de barco, também até Istambul. Poderemos faze-lo na primavera, curtindo o Montenegro, e a Grécia. Chegando em Istambul, deixamos o San Marino em local seguro, e de Carro, no verão, vamos até o Nepal. Vamos ver se dá certo.
10:45 Vamos subir ferro e ir para Trogir, onde o San Marino descansará no próximo inverno.
O San Marino trabalhou magnificamente neste verão, como sempre o fez, desde o inicio.
Pequenos reparos precisam ser feitos, no sistema de esgoto dos camarotes de casal (exala cheiro ruim algumas vezes) retocar a pintura externa e refazer o piso antiderrapante que descolou em muitos locais.
Um dos freezers não está perfeito, e quero também colocar o Icemaker em funcionamento, o que nunca fiz.
Como defeitos, o aquecedor de água dos hospedes parou de aquecer água, (o mesmo que troquei na Itália), mas deve ser defeito muito simples.
Quem sabe, se tiver tempo, dou um retoque no verniz interno, que entretanto ainda esta muito bom.
O fundo, mergulhei ontem e está perfeito. São quase 2 anos com a mesma tinta venenosa, que realmente é uma maravilha. Talvez deixemos para faze-lo em Istambul.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 20, 1997
Saímos de carro, depois de 2 meses sem estrada. Fomos a Split, conhecer os restos do palácio de Diocleciano. Sempre foi um imperador que me impressionou, pelas profundas mudanças que introduziu no império Romano em sua tentativa de salva-lo. Foi um homem inteligente que em um determinado momento de sua vida decidiu retirar-se e construiu este palácio em seu pais natal, onde sempre que insistiam que voltasse, dizia, "não posso, tenho que cuidar do meu jardim"
O palácio esta em magnifico estado, vale a pena visita-lo, apesar da cidade ter o ter invadido, a ponto de uma das igreja ter virado loja "chic".
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 21, 1997
Estávamos fazendo os trabalhos de preparação para deixarmos o San Marino invernar, quando telefona o Gigi, do Crisandra. Eles estão na ilha de Hvar, onde estivemos a alguns dias, porem em Starigrad, onde não fomos. Dizem ser uma belíssima cidade medieval, numa profunda e segura baia. Ha uma boa marina ACI, onde estão.
Como o San Marino já está todo amarrado para o inverno, eles decidiram vir para cá nos encontrar. Deverão chegar amanhã.
LOG ENTRY FOR: Friday, August 22, 1997
14:00 Telefona o Gigi: "estamos em Split".
Combinamos encontra-los às 19:00 no barco deles, que esta na marina ACI. Como temos carro, vamos nós.
20:00 A Miranda preparou um delicioso penne à pimenta, comemos e bebemos à vontade. Soubemos então porque eles não vieram à Trogir.
Tentaram entrar pelo lado Este, onde o canal é raso atualmente, mas pelo Pilot Book deles, antigo, dava profundidade.
O Crisandra cala 2.80 m e tocou o fundo, encalhando. Por sorte, com a ajuda de um inflável que passava conseguiram se safar, e decidiram ficar em Split.
A Marina lá é boa, moderna e muito movimentada.
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 23, 1997
Sai às 9:00 para buscar o Gigi e a Miranda, em Split. Eles vem almoçar conosco. A Milena comprou "scampi" e a Miranda vai fazer espaguete com pomodoro e scampi.
Ficou uma delicia, levei-os embora às 18:00 mas antes fomos comer uns doces no palácio de Diocleciano, em Split.
Ë comida, comida, comida, sempre que estamos com italianos. O problema é que estamos acostumando.
LOG ENTRY FOR: Sunday, August 24, 1997
12:00 Alguém bate forte na passarela de popa. Fomos ver, são o Lothar e a Gisela, do LoGis, que vieram a Trogir para buscar o pai dela, que chega hoje da Alemanha de avião. Viram o San Marino, e correram para nos chamar.
Emprestamos o carro para eles irem buscar o seu pai, e fomos comer juntos a noite uma pizza. Foi grande a festa de reencontro, e o pai da Gisela é ótimo, jovem e inteligente. Foi soldado de Rommel na segunda guerra, foi preso em Casablanca e ficou 3 anos como prisioneiro dos americanos, nos Estados Unidos. Contou suas proezas e ressaltou ter sido sempre tratado com justiça, ao contrario de seus outros três irmãos que caíram prisioneiros dos russos. Acabamos a noite no barco deles, tomando um vinho rose que eles compraram em alguma ilha.
LOG ENTRY FOR: Monday, August 25, 1997
Saímos às 10:00 para comprar carne para o jantar que faremos hoje. É nossa despedida do Lothar e da Gisela, que vão daqui para Viz, aproveitar o fim do verão.
Aproveitamos para de carro fazer uma volta pela ilha de Ciovo, onde está nossa marina, bem à frente de Trogir. É bela e ainda intocada.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 26, 1997
O Lothar e a Gisela vieram se despedir. Lá vão eles com o LoGi, para Vis. O LoGi é um barco a motor de 45 pés feito com muita sabedoria. Viajam a 7 nós, com um motor (Iveco) e navegam sempre calmamente. Com o segundo motor em funcionamento, podem planar e atingir 18 nós, o que fazem raramente. O barco é muito estável, possui quilha longa como o San Marino e é muito marinheiro.
Assim eles navegaram até agora 10 000 milhas, do Báltico até a Noruega, e de lá até aqui.
17:00 Saímos rumo a Split.
Estamos agora de volta. Fomos a um dermatologista pois a Milena estava preocupada com duas pequenas manchas brancas na pele. Não é nada, deve ser mordida de mosquito como já havia diagnosticado o Lothar.
Fomos em seguida ao Crisandra, e juntos fomos jantar num velho restaurante em Split, o Saraievo, regular.
O Gigi está com problemas na bomba de água doce. Assim que resolver, vem aqui para Trogir com o barco.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 27, 1997
12:00 Ficamos na cama até agora, descansando da noite de ontem.
A Helga, da Alemanha telefonou dizendo que nos espera lá a próxima semana. Telefonamos para o William e a Belém de Gibraltar, para refazermos as taxas e o seguro do Defender. São já 2 anos que o compramos. Telefonamos também para a ABS em Split e em Trieste, para refazermos a vistoria anual que vence em 31 de outubro. O San Marino está "sounding" e pronto para qualquer vistoria, como sempre esteve.
Hoje vou acabar o trabalho de preparar o San Marino para ficar só por um mês ou mais.
Ontem condicionei os dessalinisadores, lavei os motores exteriormente e lavei o porão da casa de máquinas. Hoje vou fechar todos os válvulas do casco, verificar o estado dos tubos e do selo mecânico, retirar o sensor do LOG, guardar o bimini top e colocar dois painéis solares que uso para manter as baterias carregadas mesmo com o consumo dos ventiladores e exaustores que continuamente trocam o ar de todo o barco para evitar umidade. Não deixo ligado o carregador de baterias pois não me sinto seguro com alimentar o barco com 220 volts em minha ausência, mesmo porque podem por engano desligar a corrente. Assim, vamos esvaziar o Freezer e a Geladeira.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 28, 1997
Saímos a pé, fomos passear por Trogir. Almoçamos no Fontana, e voltamos para dormir. Está um calor terrível, 33 graus com umidade de 90%. É a frente fria que deve chegar.
19:00 Resolvemos ir até Split ver porque o Crisandra não veio.
Jantamos com eles numa pizzaria, aqui fazem aquela pizza mais grossa (fermentada) que gostamos, tipo da feita em Nápoles, que entretanto sumiu de todas as pizzarias do mundo, sendo substituída pelas "finas". Assim as pizzarias podem guardar a massa na geladeira por vários dias, sendo que a fermentada só pode ser usada no dia. É preciso fazer previsão de venda e o que sobre é jogado fora. É mais negocio fazer pizza "fina" e assim vamos dizer que a outra engorda mais, e convencer o público.
Eles não saíram pois a bomba de pressão de água doce estava quebrada e o técnico levou o dia todo para conserta-la.
Devem vir amanhã cedo se o tempo permitir.
LOG ENTRY FOR: Monday, September 01, 1997
Saímos às 12:00, rumo a Zágreb, depois Lubjana, depois Áustria.
A viagem pelo interior, bem na divisa com a Bósnia foi muito interessante. Tudo bombardeado e destruído, estamos a alguns quilômetros da divisa com a Bósnia, onde a coisa está feia. Na verdade, Trogir está a uns 50 quilômetros da área de guerra, aonde não existem atualmente combates, mas muita tensão.
Fomos a principio até Sinnj, depois Knin, depois Pitvice, Sluni, Karlovak (terra da famosa cerveja) depois Zágreb.
Tudo destruído e bombardeado, muitas vilas totalmente abandonadas e em ruínas.
O interior é pobre mas bem ordenado.
Passamos por Zágreb, por fora, onde também houve combates e as casas apresentam sinais de tiros e explosões.
De lá Lubiana, na Eslovénia e depois do longo túnel sob os Alpes chegamos a Villach, na Áustria às 10 da noite, onde dormimos.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 02, 1997
Estamos já em Schliersee, no hotel Seeblick de nossos amigos Poeplau, onde ficaremos alguns dias e depois voaremos para o Brasil.
Vamos deixar o San Marino sozinho talvez mais de um mês, em um pais com constante ameaça de guerra, porém numa cidade amiga, onde fomos muito bem recebidos, e onde o mar e o vento dificilmente entram pesado, devido à proteção das ilhas.
Não preparei entretanto o San Marino para temperaturas abaixo de zero, portanto tenho que voltar antes do inicio do frio.