ÀS PORTAS DA VELHA EUROPA
Tenerife - Grã Canária - Lanzarote - Novamente no oceano - Em rota de colisão - O estreito de Gibraltar - The Rock - Benalmádena - Torrevieja - Novamente em seco
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 05, 1995
Estamos novamente em Tenerife.
Tenerife é a maior ilha do arquipélago Canário, com 650.000 habitantes.
O arquipélago contem 7 ilhas principais, e Fuerteventura, a mais a leste, se encontra a 70 milhas do Cabo Yubi, no Marrocos, África.
É território espanhol, mas é autônoma, com seu próprio parlamento.
O arquipélago já era conhecido pelos Fenícios antes da era cristã. Em 999 d.C, os Árabes desembarcaram por aqui. Navegadores Franceses, Genoveses e Portugueses foram bem recebidos pelos Guanches (habitantes locais) quando aqui estiveram nos séculos 13 e 14. A conquista espanhola foi iniciada em 1402 por Juan de Bethencourt, navegador francês a serviço da corte espanhola.
É conhecida por sua grande variedade de pássaros (mais de 200).
Seu nome é provavelmente derivado de "canis", cão.
Em Tenerife está o famoso Jardim Botânico, feito em 1788 por ordem do Rei Carlos, da Espanha, para aclimatar plantas trazidas da América com destino à Europa.
Puerto de La Cruz é a cidade mais antiga e interessante.
Santa Cruz de Tenerife é a capital.
Primeiro serviço, como sempre: conserto de bomba de água doce que estava ha muito para ser feito.
A água usada a bordo é fornecida por duas bombas automáticas de pressão. Uma delas estava quebrada desde Camamú. Consertei agora com as peças que comprei na Itália.
Consertei também uma das geladeiras que estava com problemas, vazamento de gás por uma junta de engate rápido. Troquei a junta, recarreguei o gás, tudo em ordem.
O Mauro (Irmão da Milena) chegou, veio nos visitar. Estamos contentes.
A tarde saímos com Mauro para dar uma volta na ilha.
Havia festa em Guarachico, onde não pudemos entrar pois não tínhamos os trajes de Canário, maneira inteligente que eles encontraram para deixar os turistas de fora.
LOG ENTRY FOR: Sunday, August 06, 1995
Estamos aguardando hoje a noite a chegada dos primos da Milena, que vão passar 20 dias conosco.
LOG ENTRY FOR: Monday, August 07, 1995
Chegou a turma: Chiara, 30 anos, Lorenzo 14 anos, Cláudio, 10 anos, direto da Itália.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 08, 1995
O Mauro foi com Chiara e crianças para Gomera, em ferry boat.
Gomera era a ilha preferida por Cristóvão Colombo, para encontrar-se com Beatriz de Bobadilha, sua grande paixão.
Gomera é uma ilha pequena, com 25 000 habitantes, de vales férteis e montanhas rochosas.
Enquanto Mauro trabalhava de "baby-sitter", fomos à Santa Cruz comprar peças de reposição (correias para o alternador).
Como temos grandes baterias, além do alternador normal do motor temos um extra, de 200 ampères em cada motor. Assim recarregamos rapidamente as baterias e não precisamos ligar o gerador quando os motores funcionam, pois o 110 e 220 vêm dos inversores. (apenas para fazer água doce, ligar o ar condicionado ou as máquinas de lavar e secar é que precisamos de gerador)
LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 09, 1995
Preparamo-nos para viagem a Grã Canária amanhã.
Serão 80 milhas de viagem, vamos sair à noite, para pegar mar mais calmo no primeiro trecho que é a parte oeste da ilha.
Consertei o cabrestante da âncora de boreste que vazava óleo.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 10, 1995
02:30 Soltamos nossas amarras. A noite é escura, sem lua.
Estamos navegando rumo sul, a 9 nós.
À nossa proa o farol de Ponta Rasca, último ponto de contato com Tenerife.
5:40 Alteramos nosso rumo, 90° , proa para o meio da ilha Grã Canária.
6:25 Mar pesado de través. Ventos força 5, NE. O San Marino rola muito. Tenho duas opções: Ou mudo de rumo, para NE e depois volto com mar pela alheta de bombordo, ou continuo nesta rota. A primeira hipótese nos atrasará umas 2 horas.
Todo mundo está enjoado, menos o Capitão e Milena.
Decido pela segunda hipótese. Já que todos estão enjoados, é melhor ir rápido e acabar com o sofrimento.
Todos estão deitados no chão, e alguns nas amuras olhando o mar de cabeça baixa. O Mauro foi o que menos sofreu, e ajudou bastante os outros.
10:12 Já estamos na "sombra" da Grã Canária, acabaram-se as grandes vagas. Todos contentes, na proa, tomando vento fresco e sol.
A água é muito azul, e as escarpas (barrancos) de rocha negra que despencam no mar formam um conjunto quase sobrenatural.
11:30 Entramos na barra de porto Mogan, logo nos dirigiram para um cais longo onde atracamos de costado.
Conectamos água, telefone e eletricidade trifásica na hora. Que organização!
LOG ENTRY FOR: Friday, August 11, 1995
Estamos em Porto Mogan, 27° 49N 15° 49"W, ao sul de Grã Canária.
A Ilha de Grã Canária é a terceira em tamanho no arquipélago, mas é chamada Grã em honra da valorosa defesa que Guanches, habitantes antes da chegada dos europeus, opuseram ao desembarque espanhol.
É em forma de cone, com seu ponto central a 1930 metros de altura.
Grã Canária com sua capital las Palmas, era escala de vôos aéreos da América para a Europa.
Agora com mais autonomia, os aviões fazem o percurso non stop.
É também uma cidade moderna e arrumada, não tanto quanto Tenerife.
Arrumamos o barco, as crianças ajudaram a lavar, com muita eficiência.
Saíram para passear a tarde com Mauro.
A noite fomos tomar um sorvete e acabamos num restaurante de um polonês Maluco (Felix Renkel) metido à Mexicano, que pegou o violão e começou a cantar. Logo ficamos amigos e começamos a falar do Trio Los Panchos, que ele admira. Tomamos tantos vodcas que saí de lá com umas fotografias dele com este grupo e mais um disco, que ele insistiu em oferecer.
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 12, 1995
Pela manhã Milena foi às compras. Mauro alugou um carro, e foi com Chiara e crianças para Las Palmas buscar sua passagem.
Existe uma ilha no arquipélago chamada Las Palmas, mas o Mauro foi para Las Palmas, capital da Grã Canária.
Almoçamos paella num pequeno restaurante. Muito bom.
Mogan é um porto de pescadores antigo, que virou lugar de artistas e poetas.
Sua atmosfera é muito agradável. A cidade é pequena e simpática, não se pode perder, é o melhor da ilha.
LOG ENTRY FOR: Monday, August 14, 1995
Saímos pela manhã com Lorenzo, Chiara e Cláudio para ir à praia (Malapaloma) e ver as dunas.
Almoçamos em Arquineguim, Restaurante dos Pescadores, ótima paella.
A tarde levamos o Mauro ao aeroporto, viajando para o Brasil.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 17, 1995
Saímos de carro para Las Palmas de Grã Canária. Fomos a Alcorde trocar a correia que compramos em Tenerife.
Deveríamos continuar o dia passeando mas a Milena se sentiu mal.
Voltamos. À noite comemos excelente bacalhau feito pela Milena.
Cláudio também está doente, com febre
LOG ENTRY FOR: Friday, August 18, 1995
Todo o dia em trabalho na casa de maquinas.
Milena fez limpeza com ajuda de empregada
Cláudio esta melhor, sem febre
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 19, 1995
Acordamos as 09:30. Tomamos café e nos preparamos para passar o dia passeando de carro.
Grã Canária é uma ilha muito bela, de altos rochedos caindo escarpados sobre o oceano muito azul.
Fomos à noite ao restaurante do Felix, que nos tinha convidado para a festa de aniversário de seu filho. Lá estavam cantores famosos da ilha, tanto populares como de ópera. O restaurante foi fechado para esta festa, e nós éramos os únicos estrangeiros. Foi uma noite incrível, cada um cantava canções típicas da ilha, e no final fizeram uma demonstração do que é uma "malagueña" especialmente para nós.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 24, 1995
22:00 Saída de Puerto Mogan para Arrecife, Ilha de Lanzarote.
Pouco vento, mar calmo.
Sérgio, Milena e Lorenzo a bordo, os outros voltaram de Grã Canária.
Noite tranqüila, belíssima navegada.
Serão 143 milhas.
LOG ENTRY FOR: Friday, August 25, 1995
00:25 Farol de Maspalomas em nosso través de bombordo. Alteramos rumo sempre costeando a ilha, agora proa para Ponta de la Luz, bem na cidade de Las Palmas.
02:07 Farol della Luz a bombordo, proa para Toston, Ilha de Lanzarote. Deveremos cruzar este trecho em 11 horas de navegação.
Estamos fazendo turnos sem qualquer ordem. Quem está cansado vai dormir.
12:01 Terra a vista, Ilha de Lanzarote.
Passamos por um canal entre Isla de Los Lobos e Lanzarote e seguimos rumo norte.
É um belíssimo trecho, com costa a bombordo, vamos subindo Lanzarote por leste. O mar está um espelho.
Chegamos a Arrecife as 17:00 mas não localizamos a Marina Puerto de Naos onde íamos, pois o Raphael é o proprietário e tinha nos convidado. Resolvemos ir para Puerto Calero, onde chegamos as 18:00.
Vista pelo mar, Lanzarote é uma ilha curiosa onde as 'urbanisaciones' são de muito bom gosto e muito arrumadas. É a ilha mais ao norte do arquipélago, a mais próxima da Espanha.
Puerto Calero está na latitude 28° 55N e longitude 13° 42W.
Estamos bem instalados. Ligamos 380 volts e água. A Marina é muito bem arrumada
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 26, 1995
Apareceu pela manhã o Werner um alemão de um barco ao lado, perguntando
de onde era esta bandeira.
Convidamos para entrar e ele ficou para o café e comeu bem.
A noite fomos ao barco dele jantar.
Conhecemos o Erhard, que com sua mulher Monica vão para o Brasil no Veleiro A.K.A.
Combinamos ir juntos para Gibraltar, pois continuamos tendo que ter ao menos 3 pessoas a bordo, para cruzar o Atlântico, devido a apólice de seguro.
Eles estão aqui ha mais de um ano. Adoram Lanzarote.
Lanzarote é baixa, se comparada com outras ilhas. É cheia de pequenos vulcões, parece a lua. Existe um belo parque nacional, que visitamos de carro e depois em ônibus. Pode-se também ir a camelo (estamos perto da África e aqui é deserto), mas parecia muito lento.
LOG ENTRY FOR: Friday, September 01, 1995
A dúvida era grande, mas o Werner e a Irmgard (mulher do Werner) decidiram ir conosco para Gibraltar. Na última hora o Erhard, (do veleiro A.K.A.) também decidiu ir junto.
Passamos o dia fazendo compras de supermercado, abastecendo o San Marino.
LOG ENTRY FOR: Saturday, September 02, 1995
8:30 A manhã começa com muitos afazeres. É dia de partida, tudo tem que ser checado e retestado.
É uma outra travessia oceânica, pois a costa da África é inóspita e não podemos contar com muitos portos. Para acrescentar um pouco de sal, a região é conhecida como palco de alguns assaltos a barcos de recreio por navios de pesca coreanos, cuja tripulação é mais pirata que pesqueira.
12:20 O Werner chega junto com o Criket (Capitão Ryan), que é dono de uma loja de artigos náuticos e gentilmente deu uma carga de ar comprimido em minhas garrafas de mergulho. Nosso compressor parou de funcionar, problema no motor. Não quero viajar sem ar para mergulho, nunca se sabe o que poderá suceder.
22:00 Tudo está pronto, barco abastecido, os amigos vem se despedir. É um longo trecho, 850 milhas que demandará 5 dias de viagem. Como estamos próximo à costa da África, poderíamos escolher algum porto para fazer escala e conhecer, talvez Safi em Marrocos. Mas decidimos ir direto.
23:30 Partimos para Gibraltar. Os amigos que ficaram acenam do píer iluminado.
A bordo Milena, Erhard, Werner e sua mulher Irmgard.
Tempo bom, noite de lua.
Prendemos tudo que poderia se soltar no convés e rumamos para o farol de Arrecife de onde tomamos rumo 020° , para livrar nosso trajeto do Banco de La Concepcion, 155 metros de profundidade, o que num mar de 3500 metros pode levantar ondas grandes.
LOG ENTRY FOR: Sunday, September 03, 1995
Dia tranqüilo de viagem, sem nenhum incidente. Irmgard enjoa muito.
Ficamos conversando sobre o Brasil pois o Erhard está indo para lá.
Que saudades de Angra e de Taipús!
O mar esta razoável, ondas de N.W. 1.5 metros, vento N.W. força 5, portanto de proa, onde o San Marino se dá muito bem. Não rolamos mais de 10° nunca.
15:15 Já passamos o Banco de La Concepcion, estamos a 2300 metros de profundidade em nosso rumo definitivo, 045° . Estamos ainda longe da costa, a 150 milhas.
18:00 está escurecendo, estamos na altura de Agadir.
LOG ENTRY FOR: Monday, September 04, 1995
05:00 Mar calmo sem ventos ate agora. Algumas rajadas força 4 ou 5 por 5 ou 10 minutos.
Rumo magnético 027° 7.6 nós no GPS, 8.6 no Log, portanto corrente contrária de 1 nó.
1500 RPM consumo de 48 litros por hora.
Estamos na altura de Cap Sim, a 60 milhas da costa da África. Um banco de areia se estende até 30 milhas da costa, ficamos longe com 2500 metros de profundidade.
Estou sempre de olho na profundidade, apesar de imensa, pois estamos sobre uma cadeia de montanhas marítimas, e sua forma (quando perto da superfície) influencia o formato das ondas e seu tamanho. Quero fazer a viagem o mais confortável possível, mas a Irmgard continua enjoando.
12:00 Hora de almoço. Estamos na altura de Safi e do Cabo Beddouza, nosso ponto de tangência à costa. Estamos a 30 milhas da costa, mas não se vê nada e como nosso radar de grande alcance (72 milhas) quebrou, o de reserva só atinge 24 milhas e não mostra nada.
16:45 Mar calmo, vento rondando.
1014 Mb 25° C 95%.
18:10 Estamos em frente a El Jadida, a profundidade caiu para 90 metros, é o banco de areia próximo à costa. Confiro a posição e rumo, que estão corretos, e vou dormir.
23:00 Subitamente cai a rotação dos motores.
Estou em meu camarote dormindo. Milena também levanta, e pela vigia vê um grande casco ao nosso lado. Que susto. Ela corre para a ponte de comando e eu corro para a sala de maquinas. Tudo O.k. É o Werner, que faz seu turno e reduziu para um navio passar. Na verdade um petroleiro vinha em rumo de colisão e ao manobrar após o capitão do navio pedir por VHF para irmos para Boreste, ele se confundiu e girou 180 graus, voltando para Lanzarote paralelo ao navio. Deve ter feito muita confusão pois ao voltar ao rumo, estávamos 1.5 Nm fora dele. Estava assustado e gritava "É um pirata, vai nos assaltar".
Desde o inicio da viagem ele estava cismado com piratas nesta rota pois seu filho tinha telefonado após ver um programa na televisão alemã que alertava para navios de pesca coreanos que também faziam pirataria. É um perigo real, pois o Manu, do Astragale, quando passou por aqui foi atacado por um barco pesqueiros mas conseguiu se safar.
Mas em nosso caso estou certo que o capitão do navio ficou mais assustado do que nós, tal a barbeiragem do Werner!
LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 05, 1995
03:00 Ao pegar meu turno estamos novamente fora da rota 1.4 milhas.
O Erhard teve que desviar de pesqueiros e estava em " Auto" , isto é, com piloto automático ligado por rumo e não por Way Point.
Viajamos sempre com piloto automático. É mais perfeito que usar o timão, o barco viaja sempre em linha reta.
Nosso piloto Furuno está ligado via rede NMEA ao GPS, também Furuno. São equipamentos usados por barcos de pesca japoneses, muito confiáveis.
Navegamos assim não com um rumo determinado, mas nos dirigimos a um ponto (WP), portanto não estamos sujeitos a erros de deriva devido a ventos ou correntes.
Programamos toda a nossa rota no GPS, diversos WPs, e o piloto automático segue automaticamente a rota.
Não temos "plotter", me agradam as cartas de papel onde vou anotando a história de toda a viagem.
O GPS é um receptor de sinal de satélites que fornece a cada instante a posição que estamos. A partir destes dados, e utilizando também os dados da rede Autohelm que está ligada via NMEA a este GPS, temos:
Velocidade real e velocidade em relação à água, direção e velocidade da corrente marítima, deriva, proa verdadeira, proa magnética e rumo, distancia percorrida sobre a água e em relação à terra, velocidade média, ventos relativos e verdadeiros, tudo isto processado nos computadores de bordo.
Parece complicado mas é simples e funciona muito bem.
Estamos agora em frente à Casablanca e nada de Humphrey Bogart
04:06 Rabat em nosso traves, vamos entrar ainda hoje no estreito de Gibraltar. Viajamos mais rápido que o previsto, pois a Irmgard continua enjoando e quero poupar horas difíceis para ela. Mas isto vai nos fazer entrar em Gibraltar a noite, o que eu desejava evitar.
O mar continua bom, ondas de 2 metros pela proa.
18:30 Fundo de 90 metros, estamos com Larache a boreste, Tanger a 40 milhas à nossa proa.
20:02 Ao chegar próximo a Cabo Espartel, a ponta da África antes de Gibraltar, o mar engrossou pelo través bombordo.
Mudei para rumo 0° afim de rolar menos até poder girar e entrar em Gibraltar.
Subitamente ao tentar falar por rádio com os Estados Unidos, usei uma freqüência que não estava acostumado. O SSB (rádio de alcance mundial) é muito forte e sua transmissão muitas vezes interfere nos delicados instrumentos eletrónicos de bordo. Houve uma parada geral das bússolas eletronicas e o piloto automático parou de funcionar. Os passageiros se assustaram um pouco. O Erhard assumiu o comando manual, e em meia hora substituí um relay que tinha queimado.
Felizmente temos uma velha bússola Constellation, que pertenceu a um destróier, é nossa bússola de navegação principal.
22:00 Estamos na boca do famoso estreito, porta da Europa, mar de popa quebrando, ondas de 3 a 4 metros, mas a navegação é tranqüila, corrente, mar e vento a favor, surfamos deliciosamente.
Não se deve entrar ou sair de Gibraltar com vento contrario à corrente. Pode formar um mar desagradável.
Assim continuamos, com muitos navios no radar sempre sob controle, parece mais um vídeo game, pois lá fora está totalmente escuro, não se enxerga nada, só as luzes de navegação e os faróis.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 06, 1995
00:00 estamos no estreito de Gibraltar com forte mar de popa.
Como o trafego é muito grande, existe mão e contra mão para se entrar, mas pode-se cruzar perpendicularmente o estreito.
Para evitar mar de través ao cruzar o estreito, na altura de Ponta Cires, cruzo a 45 graus, o que é proibido. Mas se cruzar a 90 graus, o San Marino vai rolar muito, prefiro estar no seguro.
Muitos navios a desviar, uma chuva de pontos no radar. A noite está mesmo preta. Alguns pontos sem luz de navegação. O que será? Assusta navegar assim. Soubemos depois que são contrabandistas com barcos pintados de preto, a levar muamba entre a Espanha, Gibraltar e Ceuta.
Entramos às 03:00.
Pelo radar nos dirigimos ao ponto correto, mas ao chegar as luzes de entrada do porto estavam invertidas. Algo está errado! O Erhardt foi para a proa e eu para o Flybridge, para ver melhor. Quando estávamos bem próximos descobrimos que estávamos na cabeceira da pista do campo de aviação e as luzes que víamos era para navegação aérea. O porto estava a alguns metros para o sul, e entramos com perfeição.
Nos instruíram para ir direto à Policia e Alfândega.
Depois de liberados (deixamos as armas em custódia) atracamos a boreste na Marina Bay. Tudo muito organizado
LOG ENTRY FOR: Thursday, September 07, 1995
10:00 Estamos em Gibraltar. Dia bonito
36° 08N, 005° 21W
Acordamos as 10:00. Tomamos café juntos e saímos para passear.
Contratamos um motorista (Pepe) e com ele fomos conhecer "The Rock"
Na volta, bebemos uma cerveja e "cama"
LOG ENTRY FOR: Friday, September 08, 1995
Hoje o Werner, Irmgard e Erhard vão embora. Pena, pois são boa companhia. Erhard nos convidou para almoçar no Biancas's bem em frente ao nosso barco. Ele nos informou que viu um veleiro brasileiro na Marina Sheppards, ao lado. É o Papaleguas, um Fast do YCS.
Deixamos um bilhete. Não apareceram.
Nos despedimos a tarde. Eles foram de volta a Lanzarote de Malaga, no vôo de amanha.
LOG ENTRY FOR: Saturday, September 09, 1995
Estamos cansados, mas saímos para um passeio a pé.
A noite jantamos pato num restaurante dinamarquês "The Little Mermaid", que fica aqui na marina.
Muito bom.
LOG ENTRY FOR: Sunday, September 10, 1995
Milena acordou com fortes dores de estômago. Foi o pato, é muita gordura.
Passamos o dia no barco.
Arrumei a bomba de água da refrigeração da geladeira
A vida num barco é um constante consertar bombas. Temos ao todo 72 bombas no San Marino, sendo 42 de água, (só para esgotar porão são 9), mais de 15 de óleo, e as outras para ar comprimido e esgoto.
Tenho peças de reparo para todas elas e muitas são repetidas ou reserva.
LOG ENTRY FOR: Monday, September 11, 1995
08:00 Tempo bom, 25° C.
Milena esta melhor.
Foi ao cabeleireiro e eu cortei o cabelo também.
A cabeleireira falou o tempo todo conosco em Espanhol, sabendo que éramos brasileiros pois eu tinha dito logo de inicio. No final ao perguntarmos de onde era "Portugal", foi a resposta.
A tarde traçamos rumo para subir a costa da Espanha.
Estamos a 36° 08N e 05° 21W
LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 12, 1995
10:00 Tempo bom, 1014 Mb, 72%, 20° C.
Estamos curtindo muito Gibraltar.
É uma cidade louca onde a maioria das pessoas está de passagem.
Na guerra, toda sua população foi evacuada, muitas pessoas foram para a Ilha da Madeira, ou outros lugares.
Há muitas pessoas do norte da África, muitos Hindus, muitos Ingleses e muitos Espanhóis.
Quando se começa uma conversação com alguém nunca se sabe se se deve falar em Inglês ou Espanhol. Todos são bilingües, mas a língua oficial é o Inglês.
Poucos dias antes de chegarmos, houve uma grande passeata promovida pelos contrabandistas (boa parte da população) que reclamavam da atitude da guarda costeira que tinha intensificado os controles sob pressão da Espanha.
Parece que foram bem sucedidos, tal a quantidade de lanchas pretas com pontentissimos motores, atracadas bem perto de nós, que saem à noite para um "giro".
Alugamos duas bicicletas para conhecer todo o pais. Fizemos diversos amigos, um deles o William Sarfaty, revendedor da Rover, de quem estamos querendo comprar um Land Rover, para termos carro na Europa.
Alugar custa muito, e na Europa não podemos comprar, só por 6 meses, pois somos extra-comunitários. Aqui tudo bem, ainda por cima é livre de impostos.
LOG ENTRY FOR: Saturday, September 16, 1995
Saída de Gibraltar para Torrevieja, são 283 milhas náuticas, deveremos chegar no fim do dia de amanhã.
Passamos pela alfândega retirar armas que estavam em custódia. Um veleiro de Luxemburgo muito bonito estava no cais e não nos deixou encostar pois temia arranhões. Após a liberação saímos as 10:00.
Mar calmo, viramos Europa Point as 10:30, lá estava o famoso farol tão saudado pelos refugiados de fugiam da Europa no período da segunda guerra.
Mar de S.W., vento igual força 4, por nossa popa, viagem confortável.
13:15 O mar começa a piorar, mudamos de idéia e rumamos para Benalmadema, perto de Málaga.
Estepona a nosso bombordo, mantemos rumo 064° .
14:33 Marbela em nosso través de bombordo.
15:25 Farol da Ponta de Calaburras a 270° relativos. Mudamos de rumo, proa para Torremolinos, Puerto de Benalmadena.
Entramos às 15:45. Atracamos de popa, estilo mediterrâneo, com forte vento.
Sem problemas. Pela primeira vez pegamos um "muerto", cabo que vai do cais ate uma poita ou corrente submersa e segura a proa do barco.
Vamos aguardar ate amanhã para ver como vai o tempo.
Logo ao entrar lá estava o Capitão Ryan (Cricket) com um tripulante a chamar "San Marino" de seu catamaran. São comuns estes reencontros por acaso.
Nos encontramos para uma cerveja, bebemos varias, e acabamos comendo uma pizza com vinho, carajillo, brandy, grande bebedeira.
Ele mora agora em Lanzarote, onde nos conhecemos.
Já viajou todo o mundo com sua mulher, e agora tem em catamaram com o qual faz charter. Estava agora nas Baleares, mas está levando o barco para as Canárias.
Ele me informou como em Portugal se pode perder um barco, deixando-o mais de 6 meses. Vou avisar meu amigo Carlão, cujo barco, o Santa Maria, está agora nos Açores.
LOG ENTRY FOR: Sunday, September 17, 1995
10:00 Puerto Deportivo de Benalmadena, 36° 35N, 004° 30W
Acordamos de ressaca. Ficamos por aqui descansando.
O Puerto Deportivo de Benaldema é um pouco bagunça, não nos forneceu uma tomada de luz por falta da peças, e estamos vivendo de gerador e baterias. Melhor, pois economizamos luz e água que por aqui custa muito. A noite, jantamos paella num restaurante na praia.
LOG ENTRY FOR: Monday, September 18, 1995
10:00 Acordamos e fui procurar carro para alugar. Depois de algum trabalho consegui um Seat Panda, pequeno mas suficiente.
12:00 Depois de um bom café da manhã a bordo, saímos para Málaga. Passamos a tarde lá, fomos na saída ao Corte Inglês comprar uma mochila para Milena e um disco do Trio Los Panchos para mim. Depois de Mogan, fiquei com uma vontade danada de escutar velhas musicas mexicanas.
De lá fomos a Mijas, linda cidade na montanha onde jantamos Solomillo a la Pimienta (pepper steak) com bolinhas de pimenta do reino para mastigar (em lugar do poivre vert). Horrível.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 19, 1995
11:00 Acordamos e o tempo esta agora melhorando. Se der sairemos amanhã.
Milena está estudando para onde.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 20, 1995
11:00 Decidimos ir para Torrevieja. Lá tem uma grande Marina e os preços são baixos.
Aqui na Espanha, a cada 10 milhas de costa tem uma Marina ou porto. Incrível.
Que diferença para nós Brasileiros, com trechos de costa de 400 ou mais milhas sem nenhum local para se abrigar com um barco de calado de 1,80 m
17:00 Saída de Benalmadena para Torrevieja.
Serão 240 milhas.
O mar está agradável, de popa, ondas 1,5m.
Vento W força 5, tempo bom.
Rumo 90° , temperatura 20° c 1012 Mb, 70% h
Anoitece, noite clara, céu estrelado.
21:00 Ponta de La Concepcion na alheta de bombordo, farol forte e claro.
22:40 Altura de Motril. Farol forte e claro
Vento força 1, 17° C, 1010 Mb, 71%, mar calmo.
Gosto de viajar a noite, pois o mar quase sempre baixa e os faróis boiando e alagando são uma diversão e uma segurança.
LOG ENTRY FOR: Thursday, September 21, 1995
04:48 Noite sem lua, boa visibilidade.
A costa está sempre visível devido a grande população.
Estamos a 16 Mn do Cabo de Gata. Mar espelhado.
Muito trafego de navios e pesqueiros.
Volta o Vídeo Game no Radar
Motores a 1500 Rpm, como desde Gibraltar.
9.1 n]os no Log, 9,2 no GPS.
06:00 Desvio de rumo, e volto para 73° .
12:47 Continuo em rumo 039° . Estou navegando perto da costa, pois o mar está mais forte lá fora. Entrei fundo no Golfo de Vera.
13:40 Altero rumo para 078° , à proa Cabo de Palos.
17:24 Cabo de Palos, proa para Torrevieja, rumo 357° , deveremos chegar ao escurecer.
O mar encrespa com ondas de 2 metros, desencontrado.
Chegamos as 08:20, ainda claro, na barra
Encontramos no cais as 8:40, já escuro
Gente simpática nos espera. Atracamos de costado, damos um pequeno passeio a pé, conhecemos três ingleses no bar do Yacht Club.
Telefonamos para Maria e Jesus, que moram em Madrid, são nossos amigos
ha muito tempo e querem nos visitar.
Vamos dormir, pois estamos cansados.
LOG ENTRY FOR: Friday, September 22, 1995
Tempo bom, 1018 Mb, 70%, 23° C.
Estamos na Marina Internacional de Torrevieja 37° 58N, 00° 41W
LOG ENTRY FOR: Saturday, September 23, 1995
Pela manhã saímos para caminhar pela cidade.
Torrevieja é pequena mas tem de tudo.
Comemos num pequeno bar (do Tony) bons camarões, e depois fomos comer doce em uma confeitaria. São enormes.
O mercado é limpo, arrumado e tem de tudo.
Ao votar ao barco, encontramos com o casal de ingleses que conhecemos no bar do Yacht Clube. São muito engraçados. Vivem num barco ha 2 anos com um gato, um cachorro e a filha. São aposentados, como a maioria daqui.
Vieram pelo oceano até a França, e depois cruzaram pelos canais até o Mediterrâneo.
LOG ENTRY FOR: Sunday, September 24, 1995
Passamos o dia no barco, arrumando diversas coisas.
Coloquei finalmente as lâmpadas de leitura.
Assistimos também televisão, corrida de formula um.
Ha muito tempo estávamos sem televisão pois o sistema europeu é diferente do Brasileiro e Americano para o qual estávamos preparados.
É bom para conhecer o pais que se está, e para melhorar o conhecimento da língua.
Compramos em Gibraltar uma televisão pequena multisystem, e pretendemos
modificar a nossa quando na Itália
LOG ENTRY FOR: Monday, September 25, 1995
Acordei com febre depois de uma noite difícil. É um forte resfriado que chegou.
Pela manhã veio a turma do estaleiro fazer o orçamento do verdugo e pintura.
Vamos ver quanto vai custar.
Parece que tudo aqui custa menos que no Brasil.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 27, 1995
09:00 Tempo nublado
Já temos os orçamentos do Varadero.
Para tirar o barco da água, pintar o fundo (só mão de obra) e recolocar na água são 800 dólares.
É barato. Pesamos 65 toneladas. Vamos decidir.
Dia nublado com mar grosso
LOG ENTRY FOR: Thursday, September 28, 1995
09:00 O tempo amanheceu bom.
1018 Mb, 68%, 20° C sem ventos.
Estamos decidindo que serviços fazer por aqui. Parece que vamos acabar o San Marino aqui em Torrevieja. Antes vamos buscar o carro que encomendamos em Gibraltar.
Tempo bom, mar suave
LOG ENTRY FOR: Friday, September 29, 1995
Mudamos o barco para uma vaga mais segura, de popa para o cais.
Fechado o negocio de pintura. Vamos também pintar o casco acima da linha dágua.
Conseguimos ótimo preço.
Ainda temos dúvida se pintamos o casco em branco ou em vermelho. Até agora o vermelho do San Marino nos agrada, mas desbotou demais em 3 anos. Branco, não desbota, mas fica mais "bolo de noiva", o que não nos agrada.
LOG ENTRY FOR: Saturday, September 30, 1995
Pequena recaída em meu resfriado. Ficamos a bordo fazendo pequenos serviços
LOG ENTRY FOR: Sunday, October 01, 1995
10:00 Hoje decidimos não fazer nada. Almoçamos uma boa paella, e na volta fomos beber um pouco com os ingleses.
LOG ENTRY FOR: Monday, October 02, 1995
09:00 Tempo bom, 1020 Mb, 77%, 25° C
Iniciamos a semana.
Decidimos pintar o casco de branco. Encomendei as tintas, as letras e peças na West Marine e cortinas novas também, tudo nos EUA, custa menos e é melhor.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, October 03, 1995
Saímos a tarde para pegar visto no consulado Francês pois precisamos para ir à Itália de carro, e alugar um carro para ir a Gibraltar.
É mais barato que ir de ônibus ou trem.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, October 04, 1995
09:00 Saímos para Gibraltar, buscar o carro novo.
Chegamos as 20:00 e nos hospedamos no hotel Bristol, bem ruim.
O bar entretanto é engraçadissimo. Vários ingleses bêbados fazendo pose e contando histórias.
LOG ENTRY FOR: Thursday, October 05, 1995
Nada para fazer. O carro só chega amanhã. Descansamos todo o dia.
LOG ENTRY FOR: Friday, October 06, 1995
10:00 Estamos na Capurro (revendedor Rover) com o William esperando noticias se o carro chega ou não.
O tempo limite é 14:30, pois a alfândega (o carro vem da Inglaterra Via Espanha) fecha a esta hora.
12:00 Fomos almoçar e nada de carro.
14:00 Começamos a planejar nossa ida a Tanger, no ferry boat, para passar o fim de semana enquanto esperamos o Land Rover Defender.
14:30 O carro chegou!
Corremos para a alfândega da Espanha. Depois alfândega de Gibraltar. Depois vistoria para licenciamento. Tudo feito em 20 minutos.
Carro livre para viajar. Bom estes países pequenos!
17:00 Na estrada, de carro novo, rumo à Itália, via Torrevieja
LOG ENTRY FOR: Saturday, October 07, 1995
03:00 Chegamos agora de Gibraltar. Viagem de 650 km.
O novo Defender porta-se muito bem
10:00 Tempo bom, 1022 Mb, 70% umidade, 27° C.
LOG ENTRY FOR: Sunday, October 08, 1995
8:30 Saímos de Torrevieja, de carro, rumo à Itália.
19:00 Abastecemos pela primeira vez na França. Resolvemos dormir.
Estamos na Provence.
Hotel Imbis, simples mas limpo, na própria área de serviço da estrada.
Jantamos bem no restaurante do Hotel.
LOG ENTRY FOR: Monday, October 09, 1995
8:30 Pegamos estrada rumo a Itália.
12:00 Paramos nas Marinas Cap Ferrat, Ville Franche e Beaulieu, para conhecer e preparar nossa futura escala na França.
15:30 Saímos de Beaulieu, atravessamos Mônaco, entramos na Itália, onde o guarda muito bem vestido nos perguntou "de onde é esta chapa?"
22:00 Chegamos a Rimini, fomos ao Hotel Duomo no centro, que pareceu bom mas o Defender era muito alto para a garagem.
Acabamos indo para o Hotel Vila Adria, bom e econômico, que tem parking no fundo. Temos medo de deixar o Defender nas ruas porque o pneu de reserva não tem trava e pode ser roubado.
LOG ENTRY FOR: Sunday, October 22, 1995
De volta à Torrevieja, estamos a bordo, tudo O.K.
08:00 Tempo bom, 1019 Mb, 60%, 24° C
Acordamos cedo para arrumar tudo. Amanhã tiramos o San Marino da água.
LOG ENTRY FOR: Monday, October 23, 1995
8:00 Dia bom, 1020 Mb, 78%, 20° C.
10:30 encostamos o San Marino na piscina do Travellift.
Estamos a 37° 5849"N, 00° 4117"W
Em 30 minutos estamos no seco, sobre as pernas de nosso casco.
Apesar de ter evitado ao máximo "invenções" na construção do San Marino, pois novas idéias podem trazer problemas inesperados, colocamos a meia nau, bem no "hard chine" do casco dois pés retrateis em tubo de inox de 20 cm de diâmetro. Estes tubos, permitem ao San Marino manter-se de pé, equilibrado, no seco ou em um possivel encalhe. Neste caso os pés são importantes para em caso de adernagem, não sejam afetados os hélices ou os lemes, já que temos dois motores.
Os tubos são manejados por dentro da casa de máquinas e passam por um tubo estanque cuja boca superior está acima da linha dágua.
É um sistema muito usado na Escócia, onde as marés são muito grandes, e encalhando pode-se trabalhar o casco. Só que lá estas pernas são montadas por fora, postiças.
O Casco está em bom estado mas começa a mostrar pontos do primer.
Utilizamos tinta Awgrip, tipo autopolimento, cujas camadas vão se desgastando conforme o barco navega. Foi aplicada quando o barco foi lançado em Fevereiro de 1993, portanto ficou 2 ano e 8 meses submersa. Ainda está perfeita, sem cracas apenas mostrando partes da última demão.
Tínhamos aplicado três demãos, com rolo. A primeira em cor preta, as duas últimas vermelhas. Assim, com o aparecimento de manchas pretas, sinal que a primeira demão foi atingida, está na hora de repintar.
Claro que vamos utilizar a mesma tinta, tão bons foram os resultados no Atlântico. Veremos como se comporta no Mediterrâneo.
Tiramos da água no momento exato.
Enquanto lavam o fundo com jato de água, fomos comprar um varal e mesa de passar roupa para completar a lavanderia de bordo.
A lavanderia do San Marino fica entre a casa de máquinas e o camarote de hospedes de boreste. Tem um tanque de lavar roupas de louça, tamanho normal, uma lavadora e uma secadora de roupas tipo residencial. Pode-se estender fios de nylon para deixar roupas secando.
Como os 2 freezers estão também na lavanderia, sobre eles pode-se improvisar uma mesa de passar.
Dormimos cedo, no estaleiro, cansados.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, October 24, 1995
Dorme-se bem neste varadero. A paisagem é bonita há bastante ventilação e pouca poluição.
Bem diferente dos dias que passamos na Verolme.
Torrevieja é um porto de sal mas não mostra isto.
O San Marino foi projetado para podermos viver dentro dele mesmo fora dágua. No inverno, em países muito frios, como a Rússia, será necessário invernar fora dágua. Basta conectar água, eletricidade e um tubo longo para a saída do esgoto, que só descarregamos duas vezes por semana, em locais adequados.
É uma perfeita palafita fora dágua.
O sistema de esgoto do San Marino, inclui três caixas de detritos, uma à popa, para nosso banheiro e duas à proa para os banheiros de visitas.
Não poluímos assim os locais onde ficamos, fazendo a descarga em locais distantes, através de uma bomba elétrica que macera antes de descarregar.
Nas marinas equipadas com equipamento de sucção, liga-se o tubo às tomadas dispostas no exterior do casco e procede-se à sucção.
Um controle de nível na ponte de comando avisa quando se deve esvaziar cada tanque.
Foi iniciado hoje o trabalho de lixar e massear o casco ainda vermelho.
Milena arrumou todas as roupas e fui à marina acertar as contas.
Consegui conectar o barco a rede elétrica do estaleiro. É sempre uma grande
dificuldade, mesmo para um barco como o nosso, preparado para 110/220/380 volts, 50 ou 60 ciclos.
Dormimos cedo, devido ao cansaço.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, October 25, 1995
Retirei os motores do compressor de ar, do lavajato e do guincho de ancora
para mandar enrolar, estão queimados.
A tarde, fomos ao Supermercado.
LOG ENTRY FOR: Thursday, October 26, 1995
Dia de correspondência - ficamos escrevendo cartas para os amigos.
A Milena depois sentiu-se mal e fui avisar o inglês do barco Shikataka que não poderíamos beber aquela cerveja hoje. Fomos dormir cedo
LOG ENTRY FOR: Friday, October 27, 1995
Pela manhã enviamos as cartas. Chegaram também os pisos Vetus que devemos substituir.
No convés decidi não colocar o tradicional piso de teca, ou outra madeira. A madeira esquenta muito sob o sol e adeus isolação térmica. Também a fixação das ripas de madeira sobre o sanduíche de fibra é problemática, pois se só colado pode mexer e soltar e se aparafusado, cada parafuso é um ponto de possivel infiltração de água.
Decidi assim forrar o convés com piso Vetus, aquele com pequenos círculos em material parecido à cortiça, pois a fibra corrugada escorrega muito.
É muito importante um piso não escorregadio, pois é assim que se quebra uma perna a bordo.
O piso é realmente bom, mas mancha com facilidade e algumas lâminas se soltaram devido ao sol forte. Não foi uma boa solução.
Almoçamos boa paella na praia. Bebemos muito vinho e anis.
A tarde, passeamos com o Defender
A noite, fiquei tocando piano.
LOG ENTRY FOR: Saturday, October 28, 1995
10:00 tempo bom, 1020 Mb, 55%, 23° C
Milena saiu pela manha para caminhar.
Fiquei colando os pisos Vetus que são muito trabalhosos. Consegui colar só 4 placas hoje.
O marceneiro que está refazendo o verdugo de proa (que perdemos no mar entre Cabo Verde e Canárias), está fazendo um bom serviço.
LOG ENTRY FOR: Sunday, October 29, 1995
Domingo de Espanhol. Saímos pela manhã, cedo, rumo às montanhas. Subimos por um caminho difícil, onde só um jeep pode chegar, e paramos num local alto e bonito, montanhas de Crevillente. Milena saiu a pé e eu fiquei lendo sob as arvores.
Compramos um atlas da Espanha, edição Campsa, com guia de hotéis e restaurantes. Razoável.
Depois giramos toda a região em carro.
Orihuela é uma linda cidade antiga, sede episcopal desde o século 16 onde está o maior palmeiral da região.
Almoçamos muito bem na Casa Corro.
Dia agradável.
LOG ENTRY FOR: Monday, October 30, 1995
Temos que sair do barco, pois a fase de pintura vai er iniciada.
Tudo vai sem empapelado e haverá muito cheiro de tinta.
Passamos o dia preparando a viagem e deixando o barco em ordem.
Vamos dar um giro pelo norte da Espanha, enquanto aguardamos.
Estamos na Europa, na península ibérica, e queremos conhecer melhor a Espanha, onde já estivemos varias vezes, mas sempre com pressa, como viajávamos antes, sempre a negócios, misturando prazer.