MS San Marino - Diário de Bordo

A Viagem do San Marino

Concepção

Construção

Na Água

Diário de Bordo

Perguntas e Respostas

Rotas

Força dos Ventos

Índice Técnico

Localizar

Entre em Contato

Home

Visite o site da NOVA viagem do San Marino

 

O INVERNO VEM CHEGANDO

A volta do Brasil - Novos amigos - O interior da Croácia - O Carlo vem nos visitar - Um Natal Explosivo! - Dubrovnik - Bósnia - Um almoço à la Croata - Como fazer uma revolução

LOG ENTRY FOR: Saturday, October 18, 1997

11:00 Somente agora estamos de volta ao San Marino.

Estamos na Europa desde o dia 8, pois saímos do Brasil às 20:00 de 7/10/97.

As despedidas foram difíceis, passei a tarde com minha mãe, pouco tempo é verdade, mas queria estar por último com ela.

Dia sim dia não, passava em sua casa para matar saudades e contar nossas vidas. Ela que tanto me incentiva e ensina, com sua vontade clara e suave, com seu otimismo e compreensão do mundo.

Eu estava ansioso por voltar, pois tinha preparado o San Marino para ficarmos um mês longe, e já são decorridos quase dois.

Tivemos problemas com as passagens, pois as compramos num plano econômico que não nos permitia voltar em qualquer data, assim logo que conseguimos um vôo, embarcamos.

Não deu nem tempo de telefonar à nossos amigos, que foram tão gentis e atenciosos.

Num belo jantar oferecido por eles, no apartamento do Sérgio e da Edna, o tempo foi curto para estarmos com todos.

Deu também para começar a matar saudades da comida brasileira. (Era o vatapá da Mirian)

Com o Flávio e a Renata, nossos filhos que nos hospedaram também ficamos menos do que desejaríamos. Eles nos proporcionaram tudo para que tivéssemos uma estada confortável e fácil.

O Carlo estava em fase de muito trabalho, nos encontramos algumas vezes mas ele virá em pouco tempo para cá.

Pudemos também estar com o Baleche, o Tony, que tanto nos tem auxiliado em nossa ausência. Sempre é agradável estar com ele e sua família, que sempre nos incentivaram e apoiaram.

Um dos motivos mais fortes que nos levaram a voltar em setembro foi o casamento do filho do Milton, o Sérgio, ao qual fomos elegantemente vestidos, a rigor.

Foi uma festa incrível, muito bela e farta, e também muito divertida.

Num outro dia, na casa do Milton e da Jeane, matamos a saudade do delicioso churrasco (feito pelo Samuca) e do piano do Roberto.

A saudade do bacalhau, foi saciada na casa do Henrique, o famoso bacalhau feito pela Valéria.

E da Moqueca, meu filho Flávio nos levou logo no primeiro dia para o restaurante Bargaço, junto com o Marcelo e sua esposa.

Com a família, uma bela feijoada em casa de minha irmã Leniza, com todos os sobrinhos presentes.

Um pulo no Rio de Janeiro (encontrando os amigos de lá), Angra dos Reis para matar saudades do mar, do Russi (aos cuidados da Aida, em sua linda casa) e do Luís Rosa.

Com a família, (agora com novos membros) uma bela feijoada em casa de minha irmã Leniza, com todos os sobrinhos presentes,

O Flávio e a Renata nos levaram ao aeroporto e passados os controles de policia e check das bagagens de mão, perdemos o contato com nosso amado Brasil.

O San Marino nos esperava, sozinho e fiel, a 12 000 quilômetros de distancia.

Foi um período cheio estas três semanas passadas no Brasil. Nossos amigos nos receberam com festas e calorosos abraços o que aumentou a dificuldade de nossa partida.

A viagem aérea foi boa, nos braços da Varig.

Ao chegarmos a Alemanha, voltamos ao hotel Seeblick (onde deixamos nosso carro) e onde nossos amigos Poeplau nos receberam, com alegria. Deveríamos partir imediatamente, mas os documentos de licenciamento do Defender não tinham ainda chegado de Gibraltar. Nos informaram ter enviado por correio na segunda passada. Resolvemos esperar.

Saímos de volta, quarta feira dia 15, logo após ter chegado o correio de Gibraltar.

Atravessamos as fronteiras sem problemas e meu visto para Croácia saiu em minutos. Vi na tela do computador que todos os meus dados estão lá. O pais é bem organizado!

Decidimos fazer outra rota, via costa, portanto entramos na Croácia pela estrada que vai de Ljubljana a Rjeka.

Tivemos que dormir no caminho, no Hotel Kastel, em Crikvenica.

Na quinta feira, em dia de muita chuva, fizemos os 500 kms que cobrem Crikvenica a Trogir, numa estrada perigosa e nós de ressaca! É que tínhamos ido na noite anterior a uma maravilhosa taverna onde os locais confraternizavam e bebiam muito. Entramos na onda!

Demos uma ordem geral em tudo e hoje começa a vida normal.

É Sábado, o dia é belíssimo, alta pressão e ventos de E, fracos.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, October 19, 1997

Passei o dia pendurado no computador.

Estou também arrumando os materiais comprados no Brasil e Alemanha.

O dia continua lindo, vale a pena estar a bordo.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, October 21, 1997

15:00 Começa o frio. Saímos pela manhã, fazer compras. Incrível como descobri o prazer de ir ao mercado, ver o brilho e as cores das frutas e das verduras, observar a maneira antiga de se comerciar. O mercado aqui, ao ar livre e céu aberto, é servido geralmente por senhoras ainda em roupas medievais, que trazem diariamente a colheita de sua horta para vender. Há também bancas com frutas importadas, mas sempre com a mesma cara. A mercadoria é pesada naquelas antigas balanças, de cobre, onde os pesos são um a um colocados num dos pratos.

Outros tipos de mercadoria se encontram também:

Presuntos, feitos pela família, lingüiças, carne defumada, pães, óleo de oliva, tudo muito belo.

Vamos nos abastecer ali por todo o tempo que ficarmos em Trogir.

Ha também bares e a população (que parece não ter muito o que fazer) fica tomando longos café, cervejas ou "Istra Bitter", um aperitivo croata muito agradável.

Ha também o mercado de peixe, uma construção de 1600, com longas bancadas de mármore onde é depositado o peixe recém pescado, direto dos barcos, para escolha do cliente.

É lavado diariamente por duas senhoras robustas, com grandes baldes de água do mar, pois esta só a alguns metros do canal e os barcos pesqueiros ancoram enfrente.

É assim ha 4 séculos!

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, October 22, 1997

Saímos hoje para almoçar fora. Fomos no Restaurante Barba, onde comemos muito bem, parece o melhor de Trogir. Na verdade está localizado em Seget, uma pequena vila do século 15, a beira mar. Eu a tinha visto de inflável, quando fui buscar o Flexboat na oficina do Bruno, lá perto. Agora fomos por terra, é muito verdadeira e possui um pequeno cais onde estavam 2 barcos de pesca.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, October 23, 1997

Incrível como as coisas acontecem com viajantes como nós.

Fomos almoçar no restaurante "Tragos", antigo nome de Trogir. Boa comida, os donos muito simpáticos.

Estávamos conversando com eles, entrou um casal de americanos e começou a conversar também.

Logo fizemos amizade, regada a bom vinho e slivovitch, em uma hora estávamos no San Marino.

De repente a gente encontra pessoas que nunca viu, e desenvolve-se amizade rápida, baseada em idéias similares.

O Roger Conove, é um escritor e editor americano conhecido e está viajando pela Croácia, indo a Sarajevo, diz ele, a trabalho. Com ele viaja a Regina Frank uma linda moça, costureira de moda, os dois muito inteligentes e simpáticos.

Nos despedimos com muita emoção pois os quatro sabíamos que se estivéssemos perto, desenvolveríamos bela amizade. Eles tem uma data certa para chegar e precisam ainda ir a Dubrovnik. Certamente nos encontraremos no futuro.

Duas ou três vezes nesta viagem fizemos amigos com viajantes "de terra" e foi bom.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, October 25, 1997

Saímos de carro para conhecer as ruínas de Salona, antiga cidade Romana, onde nasceu Diocleciano, vizinha à Split. As ruínas estão em muito bom estado, abertas ao publico. Dizem que 90% da cidade ainda está soterrada.

Tudo entretanto está abandonado, e como se pode entrar de carro, dá a impressão que muitos levam obras romanas em seus porta-malas, pois a cerca é fraca, os portões sempre abertos, inclusive à noite, e não ha guardas ou vigias.

Deu vontade de comer um carneiro, que aqui fazem no espeto, fica sobre o fogo girando por várias horas. Tínhamos visto um restaurante que parecia bom, pois cheio de croatas, em Boraia, quando viemos da Alemanha.

Fomos para lá, (fica no interior) e comemos mesmo um magnifico e rudimentar carneiro, com pão caseiro e vinho rose do local. A Milena aproveitou como acompanhamento uma bela cebola roxa, vale a pena voltar lá.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, October 26, 1997

Hoje deu vontade de conhecer Primosten, uma cidade ao norte (uns 15 km) que fica em um cabo que entra o oceano em uma baia calma. A cidade estava animada e vale uma parada para quem estiver viajando de carro pela Maestrale, a estrada costeira que percorre toda a Croácia.

Foi engraçado. Pois perguntando a uns pescadores que estavam pintando seu barco sobre as condições de uma marina para subir nosso barco, eles nos ofereceram vinho.

Aceitamos, e logo encheram uma caneca de meio litro para cada um de nós.

Ficamos falando de aventuras marítimas, eles já tinham ido até a África em seu barco, e até o Brasil em navios, como tripulantes.

Nos convidaram para almoçar dividindo conosco sua merenda, mas não aceitamos.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, October 29, 1997

Fomos à Policia, acertar o visto para ficar na Croácia. Ao entrar, dão visto na fronteira para uma mês, para mim deram dois, pois meu nome já estava no computador, já sou conhecido. A Milena viaja com passaporte de San Marino, pois assim não precisa de visto, mas por conselho aqui recebido antes, pedimos o carimbo de entrada. Ela poderia ter entrado com a carteira de identidade de San Marino, mas não o fez para pegar o carimbo no passaporte.

Estamos pedindo um visto de um ano, com múltiplas entradas, senão cada vez que saímos e voltamos é mais uma pagina do passaporte acabada, pois o visto é adesivo, do tamanho de uma página.

Entretanto, parece muito difícil. A chefe do departamento na policia, muito gentil, nos explicou que para mim, Sérgio, seria possivel pedir uma licença de residência, pois possuo um visto. Para a Milena impossível, pois ela precisaria sair da Croácia e pedir um visto para tendo-o, solicitar a residência. Tudo muito complicado, pois da outra vez a mesma moça nos deu indicações diferentes. A impressão que dá é que eles não querem mesmo conceder esta permissão.

O conselho dela é ficarmos entrando e saindo para conseguirmos vistos!

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, October 30, 1997

Almoçamos com a Anna (Snekkestad) a norueguesa do barco Marion que está perto de nós. O marido dela trabalha na ONU aqui na Croácia e ela alugou um apartamento aqui perto para passar o inverno, pois o barco deles é muito pequeno.

Rimos e conversamos muito, o restaurante Alka onde almoçamos tem um garçom muito engraçado, o Ante, e a comida é boa.

A Anna também está com problemas de período de residência, e a última informação que recebeu foi de ir a Sarajevo pedir um visto para a Croácia, e começar tudo de novo como nós. Eles não querem mesmo fazer as coisas fáceis.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, November 01, 1997

Decidimos ir a Sibenik, pois dizem que a cidade é linda. Fomos pela estrada costeira, o dia brilhante aumentou a alegria da viagem.

Chegamos lá às 11:00 e fomos direto à catedral, magnifica, e já reconstruída pois Sibenik foi bombardeada do mar em 1991 tendo sido sitiada muito tempo por terra e por mar. A reconstrução foi bem feita, porém em cimento e não nas pedras originais. A destruição atingiu a cúpula, o batistério e parte do órgão.

Quando chegamos estava sendo rezada uma missa para os mortos, a catedral estava triste e cheia de soldados. A musica, que não consegui identificar, cantada por um grande coro e acompanhada por órgão era impressionante.

Foi muito triste.

Subimos em seguida as escadarias da cidade velha, atras do som de uma banda de música. De repente estávamos no cemitério, nova tristeza, a banda tocando uma ária fúnebre que também não identifiquei. Estamos no inicio do oriente, as musicas são de autores checos, húngaros, poloneses, não os conheço bem.

Almoçamos um porquinho no espeto, mau. Vale a pena conhecer Sibenik, andar por suas ruas estreitas e ir ao Café Valeria tomar um aperitivo junto com os locais.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, November 02, 1997

Continua tempo bom, lá vamos nos para a estrada. Decidimos ir a Skradin e ao parque nacional de Krka onde há uma cachoeira de bom tamanho.

Fica perto de Sibenick, e para não refazermos a mesma estrada costeira, fomos pelo interior. Tudo muito deserto e árido, mas a estrada é boa.

Passamos por muitas casas bombardeadas, a maioria já refeita, ao menos os telhados. Esta foi uma região de grandes batalhas até a pouco tempo, pois estamos em região onde habitavam muitos servos, aqui na Croácia.

Primeiro fomos a Skradin, pequena cidade de 600 habitantes, que foi também muito afetada na guerra. A paredes todas cheias de buracos de balas e as casas bombardeadas falam por si.

Sibenik ficou sitiada, por aqui estava a frente de combate.

A cidade fica na foz do rio Krka, e alguns quilômetros rio acima estão as famosas cachoeiras. O local é muito belo e verde. A paisagem vista de cima das montanhas ao chegar é incrível.

Voltamos a Trogir, via Sibenik onde almoçamos.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, November 04, 1997

Que manhã radiosa!

As montanhas que estão à nossa frente amanheceram brilhando como purpurina. O céu está azul profundo e o mar num tom azul mais intenso ainda convidam à vida ao ar livre.

Saí de bicicleta, como faço todos os dias, para comprar pão para o café da manhã. É lembrança de Antibes, onde o baguette ainda traz saudades. Mas o pão daqui é razoável, vale a pena o passeio.

A Milena saiu para uma caminhada, depois irá com sua professora de croata (uma linda menina de 19 anos e olhos verdes) dar uma volta pela cidade, fazer compras, etc. Assim terá aula pratica de croata!

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, November 09, 1997

Vieram o John e a Anna. Passamos um fim de tarde agradável, conversando sobre política mundial, resolvendo os problemas do mundo. o John trabalha para a ONU, é engenheiro sanitário e ajuda na reconstrução da Bosnia. É bastante inteligente e aberto para podermos conversar qualquer assunto inteligentemente.

O dia acabou de modo interessante. Pela primeira vez pedimos (e recebemos) uma pizza a bordo! A Pizzaria Mirkec, em Trogir entregou rapidamente uma pizza de ótima qualidade.

Parece impossível, mais é a primeira "delivered pizza" de nossas vidas!

Em nossos primeiros anos de casados, quando morávamos em apartamento , em região central, não existia ainda este serviço (quanto tempo já faz!)

Em seguida mudamos para o Morumbí que era ermo nesta época, depois para a Alemanha, nos Alpes, e depois Granja Vianna. Sempre gostamos de morar em locais bucólicos, portanto afastados. Nada de entrega de pizza.

A primeira chegou em Trogir - que emoção!

Isto significa que por aqui está muito civilizado. Realmente a Milena está já querendo ir embora, talvez aflita com tanto movimento.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, November 10, 1997

Acabei a manutenção do gerador, que faço anualmente. Este ano deu mais trabalho, foi preciso desmontar o trocador de calor (que faz o papel do radiador num automóvel, resfriando a água doce do sistema fechado de refrigeração circulando água do mar em torno de umas dezenas de pequenos tubos de cobre) que estava já bastante entupido, porém em muito bom estado. Troquei também os zincos (que fazem o papel de boi de piranha) que são consumidos pelo mesmo processo que se usa para efetuar a galvanoplastia, isto é, se desgastam em vez dos componentes do trocador de calor.

Troquei o óleo e o antifreeze da refrigeração, troquei o rotor da bomba de água salgada. Depois de uma boa limpeza com tensoativo e uma mangueira de água doce, retoquei a pintura e estamos prontos para mais um ano de serviço. O gerador, que na primeira viagem do San Marino, nos deu muitos problemas com entrada de ar na linha de diesel (falha da montagem, não do gerador) nunca mais falhou.

Nem mesmo uma vez deixou de partir ao primeiro toque e jamais parou quando solicitamos seus serviços.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, November 11, 1997

O dia bonito, pé na estrada que a vida não é só trabalho!

Pegamos a Magistrala, esta esplêndida estrada que costeia toda a Croácia. É lindíssima e muitas vezes perigosa. Fomos para o Sul, até Omis, uma cidade encravada num estuário de um rio que cavou sua passagem entre as montanhas de rocha em milhões de anos de trabalho paciente.

O resultado, uma cidade fortificadissima por natureza, pois para a terra há apenas rochas altíssimas com uma passagem entre elas (do rio) de alguns metros de largura. Uma fortaleza estrategicamente colocada neste ponto pelos antigos, a tornou inexpugnável por terra.

Por mar, fundos baixos a protegem.

Deste modo, nem os venezianos que tomaram toda a conta por volta de 1400 conseguiram conquista-la, tendo que pagar tributo a seus habitantes para navegar em suas costas com suas mercadorias preciosas trazidas do oriente.

Foi sempre uma terra de piratas e de valentes.

Almoçamos lá, num ótimo restaurante, a Konoba (taverna) Milo.

Comi um prato de nome interessante, "A alegria do garçom" traduzido para o português. Não consegui entender bem porque se chama assim, mas estava bom.

É uma espécie de sanduíche com filet, presunto queijo e alguns temperos. Razoável.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, November 12, 1997

Voltou a chuva. É uma nova frente fria que se aproxima, agora vinda de oeste. A pré-frontal já é forte, vamos ver como ela entra, talvez à noite pois desloca-se devagar.

Assim, volto à manutenção de inverno.

 

Resolvi verificar o alinhamento do motor de bombordo. É uma tarefa que se deve fazer anualmente em todo tipo de barco. Motor desalinhado ( em relação ao eixo propulsor) é uma das coisas mais perigosas em um barco.

Além do possivel dano ao rolamento e ao retentor da caixa reversora (o que causa vazamento de óleo e possivel dano à caixa de marcha e conseqüente perda do propulsor), exige a remoção do motor de seu jasente para o reparo, portanto muito trabalho.

Pode também causar o rompimento do eixo propulsor, por cristalização do aço submetido a terríveis pressões. Neste caso, o deslocamento do eixo quebrado, permite a entrada de água pelas gaxetas.

Pode ainda ser pior, pois o eixo pode escapar pelo tubo telescópico no casco, perdendo-se e ainda por cima deixando entrar enorme quantidade de água pelo furo por onde atravessa o casco. O único remédio é mergulhar e colocar um tampão de madeira por fora.

Levo no San Marino um eixo de reserva e tampões em poliuretano, cônicos, na medida exata do furo do eixo.

Desde o Brasil que não faço esta verificação. Não é negligência, em um barco não se deve transcurar de nenhum detalhe.

É que no San Marino, o motores são montados rigidamente sobre as longarinas do casco . É assim muito difícil de desalinhar, e caso o faça, sente-se logo uma vibração diferente em todo o casco.

O San Marino não vibra nunca quando em cruzeiro, pois o casco é muito rígido, e ligado solidamente aos motores absorve as vibrações do mesmo. Além disto, os Detroit são motores de 2 tempos e 6 cilindros, o que quer dizer, pouquíssima vibração.

Como o trabalho é pesado, necessita coragem para começar. Cada eixo pesa 250 quilos, os flanges são fortes e os parafusos a soltar são de 1 polegada e de difícil acesso.

O trabalho terminou às 4 da tarde. Valeu. O motor de bombordo está alinhado exatamente como o deixou o Precioso em Angra, não se moveu nem um décimo de milímetro.

A medida se faz, soltando a flange que liga o eixo ao motor, recuando ligeiramente o eixo e com um calibre de laminas se mede a folga entre a flange do eixo e a da caixa reversora.

A medida feita a 90, 180, 270 e 360 graus, não deve apresentar variação maior que 2 décimos de milímetro, no caso de nossa flange que tem um diâmetro de 20 cm. A proporção é a mesma para outros diâmetros.

Reaprecie também os suportes do motor que são fixados por longos parafusos inox de 3/4 " que atravessam os jacentes de lado a lado. Muito trabalho, mas estavam realmente um pouco frouxos.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, November 13, 1997

A noite foi de tempestade. Muita chuva e trovoadas, mas só barulho. O San Marino nem se mexe, o porto é bom e bem protegido.

Continua chovendo, aproveito para verificar o alinhamento de motor de boreste.

Está melhor ainda que o outro, entre um décimo de milímetro de tolerância.

É mesmo incrível, pois o ajuste inicial foi feito com tanques cheios e agora estão quase vazios. Além disto, pegamos mar pesado por muito tempo, principalmente no fim da travessia do Atlântico.

Retiramos o casco da água na Espanha, e atravessamos temperaturas muito altas na Bahia e baixíssimas no inverno passado.

Isto é uma prova do belo projeto feito pelo David e da qualidade da construção que fizemos.

A tarde encheu a maré, como ha 30 anos não acontece, segundo os locais.

O mar invadiu o cais e nosso plug elétrico ficou submerso e deu curto circuito.

Foi uma correria pois a chave geral estava dentro de uma quarto e ninguém tinha a chave. Tivemos que quebrar o cadeado.

Coloquei minhas botas de borracha pois é perigoso caminhar em água salgada com eletricidade em curto dentro dela.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, November 19, 1997

Acabei uma parte da manutenção dos motores, troquei os zincos, limpei os trocadores de calor, troquei pela primeira vez o óleo dos reversores, enfim muito trabalho nestes dias que passaram, menos ontem que fomos a Miet, uma longa viagem pelo interior, muito triste pois é uma região ocupada (antes era local de sérios, que primeiro expulsaram todos os croatas de lá, e posteriormente os Croatas atacaram e conquistaram a região pondo os sérvios em fuga. Tudo muito destruído, muito triste, Não deu para ver nada, nem a famosa mesquita, pois as ruínas predominam. Os Croatas tomaram a região há 2 anos, assim a guerra esta ainda muito perto.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, November 21, 1997

Fomos almoçar na casa da Anna. Ela nos convidou para um almoço "norueguês" com direito à aquavita, cerveja, um presunto feito de carneiro, queijo cor âmbar, pão de lá e ovo mexido.

A coisa ficou mal desde o começo, pois sendo um almoço típico da Noruega, não pode faltar aquavita.

Cada um tinha seu cálice cujo conteúdo deveria ser bebido de um gole só, e depois colocado boca abaixo sobre a toalha, para mostrar que estava seco!

Isto entre muita cerveja de lá.

Tudo muito bom, mas a bebedeira foi total. A Milena começou a telefonar para todo mundo e acabou dormindo no sofá da sala. A Anna chorando contou-me todas as desgraças de sua vida. Depois foi para a rua falar com os vizinhos e caiu machucando o joelho. Felizmente tenho muita pratica e estava bastante sóbrio para colocar tudo no lugar e dirigir cuidadosamente de volta a nosso barco. Que bebedeira!

Amanhã vamos de carro para a Itália. A Milena tem problemas a resolver!

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, December 10, 1997

Estamos de volta a Trogir. Passamos 10 dias na Itália, que ainda brilha com o sol do outono.

A Itália é um país cheio de cores naturais, da terra, dos campos cultivados, dos tijolos aparentes, dos telhados e do verde, tudo emoldurado por um céu muito azul, resultado das águas que circundam esta terra de tantas tradições.

A viagem de volta foi bela, com tempo magnifico, e a estrada costeira, Magistrala, é uma atração por si só.

Jamais deve ser feita com tempo feio. Perde-se um dos mais belos espetáculos do mundo e ainda por cima é perigosa. São precipícios sobre o mar, muito altos, sem qualquer acostamento ou guard rail. A estrada é estreita e cheia de curvas fechadas, é uma bela aventura.

Ao chegar, tudo em ordem, bastou ligar os disjuntores e o San Marino voltou a funcionar, como sempre bem.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, December 19, 1997

Desde o dia 10 não toco no diário de bordo. Estamos bem atracados em Trogir. o tempo é sempre bom, nada sucede.

Tenho aproveitado o tempo para refazer o sistema de esgoto dos camarotes de proa que vez ou outra trazia mal cheiro. São principalmente as mangueiras de vinil que foram utilizadas na construção, muito rígidas e portanto difíceis de trabalhar. Os terminais de plástico que fazem as conexões das extremidades estavam alguns deles rachados, por isto o mau cheiro. Tudo foi substituído e testei o sistema com ar comprimido para estar seguro de não haver mais vazamentos.

Aproveitei para lavar todos os porões de proa. O serviço que parece difícil é muito fácil: Ponho dentro de uma garrafa de spray a pressão (estas utilizadas para fertilizantes) liquido para limpar porões ou então qualquer detergente ou tensoativo misturado com alguma fragrância para perfumar. Borrifando todo o porão, paredes inclusive, deixo por uns 15 minutos o produto trabalhar e depois com uma mangueira de água doce com pressão, lavo tudo. Em seguida, com o aspirador de líquidos, deixo tudo seco.

Ontem troquei finalmente o óleo dos motores, e os filtros.

Foi o óleo mais difícil de comprar que existe. Os Detroit não podem usar óleos sintéticos ou de multiviscosidade como os motores modernos. Por aqui não encontrei nada. Encomendei, chegaria em dois dias. O dono da loja matou a mãe, internou os filhos no hospital, levou a mulher ao dentista, ficou doente, foi à Itália, ficou sem carro e o óleo que comprou não era entregue. Tudo desculpas pelo atraso que fez com que o óleo prometido chegasse apenas ontem, dois meses depois de comprado!

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, December 21, 1997

O tempo está um pouco melhor. Ontem vieram para jantar o John e a Anna, nossos amigos noruegueses. Virou grande festa, com muita musica, cantoria e dança. Eles são ótima companhia. Partem amanhã para passar o natal e ano novo na Áustria, onde vão esquiar. Voltam dia 2 de janeiro.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, December 23, 1997

Telefonou o Carlo, nosso filho. Ele está em Roma e vem amanhã a tarde para passar o natal conosco. Deverá ficar até o dia 5. É bom se estar longe e ser visitado. Alem de tudo quando se está junto em um barco, vive-se muito em contato, pode-se curtir muito melhor as pessoas de que gostamos.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, December 24, 1997

Véspera de natal. Fomos ao mercado, a Milena comprou um perú de uma velhinha de preto que o trouxe de casa para vender no mercado. Comprou também galinha, pois vai fazer capeletti in brodo antes.

O Carlo deverá chegar às 19:00 pela Air Croatia. O aeroporto é muito próximo daqui, vamos busca-lo.

17:00 Telefona o Carlo de Roma. Não está conseguindo embarcar. Brasileiro precisa de visto para a Croácia, há mais de um mês estamos juntos, Carlo no Brasil e nós aqui, tratando de obte-lo.

Não há embaixada ou consulado da Croácia no Brasil. Na semana passada, fomos à policia do aeroporto que nos informou que concederia o visto ao Carlo aqui mesmo na chegada.

Porem a empresa aérea não o deixa embarcar sem visto.

Ele reclamou, telefonaram da Itália para Zágreb e o funcionário informou "não pode embarcar".

Telefonamos nós em seguida para Zágreb, falamos com o diretor da Air Croatia que não concordou . Saímos em correria para o Aeroporto e conseguimos falar com a mesma pessoa que nos tinha a principio informado que o visto seria obtido aqui. Ele enviou um telex para Roma, mas em seguida o Carlo telefonou que de Zágreb tinham autorizado. tudo O.K.

Ele chegou às 19:30, carregando duas malas, uma com peças para o barco.

Comemos o tal peru, tomamos um magnifico vinho que ele trouxe, e saímos a pé para Trogir, ver se conseguíamos pegar um pedaço da Missa que cantada, deveria ser bela.

Mas a igreja estava lotada, não dava para entrar.

Valeu ver todo mundo na rua, alegres e sorridentes, soltando bombinhas (que na verdade são bombas fortíssimas) como loucos. Incrível, logo depois de uma guerra sangrenta eles enfrentam o Natal com bombas!

Não são poucas, é uma quantidade incrível uma em seguida à outra. A Policia, sorridente parece que está gostando muito. Mas as bombas são tão fortes que a praça principal está vazia, todos tem medo de chegar por lá, inclusive nós.

Até pouco tempo atrás eles não podiam abertamente festejar o natal, devido ao governo comunista. Por isto tanta alegria!

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, December 25, 1997

Comemoramos o 25 com um almoço no restaurante Alka, onde também estavam uma turma de soldados americanos da Sfor, muito animados.

De carro antes, fomos até Split visitar o Palácio de Diocleciano, tão bem, conservado.

O Carlo gosta muito de história e conhece bem este período. Dá assim duplo valor às belezas que encontramos.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, December 26, 1997

Pela manhã saímos de carro para o Carlo conhecer Primosten e Sibenic.

Estava tudo fechado, inclusive a Igreja.

Voltamos para jantar em Kastel Staric, no restaurante Labinezza, sempre ótimo, vale uma parada.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, December 27, 1997

Entra uma violenta frente fria. Choveu muito à noite, ventos de 50 milhas

Ficamos assim o dia todo no barco.

17:00, Já escuro fomos a pé para Trogir e começou violenta chuva. Felizmente tínhamos casacos apropriados e não nos molhamos muito, salvo os pés e as calças. Entramos assim numa pizzaria e iniciamos com Slivovitch e depois muito vinho. Valeu a alegria do álcool. Apesar da chuva e da noite o dia ficou radiante.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, December 28, 1997

Para o Carlo conhecer um pouco da Croácia, saímos de carro para Dubrovnic. No caminho entramos em Mali Ston, que ha muito queríamos ir. Lá ha um grande cultivo de ostras, e mar onde é proibido ir de barco. Assim é limpissimo, as ostras são incríveis, as melhores que comemos em muito anos.

Comemos demais e chegamos a Dubrovnik já noite. Saímos mesmo assim para passear pela cidade antiga, é belíssima.

A cidade medieval fortificada de Dubrovnik é provavelmente a maior atração turística de toda a Croácia.

Ela foi bombardeada, sitiada e parcialmente destruída na última guerra (1992) mas está quase toda reconstruída, à perfeição, com o auxilio da UNESCO.

É uma cidade fascinante, as muralhas de defesa são impressionantes e em duas fileiras.

Há tanto a ver e a conhecer em Dubrovnik que minhas palavras são insuficientes certamente para transmitir.

A cidade foi conhecida por muito tempo sob o nome de Ragusa e começou a existir no século sétimo.

Durante as cruzadas Dubrovnick foi conquistada por Veneza, mas brevemente, passando a ser parte do império Hungaro-Croata em 1358.

Ficou desta época até a invasão por Napoleão independente, passando depois para mãos austríacas até 1918.

A Republica de Dubrovnik desenvolveu-se e prosperou na idade média, como importante cidade marítima e comercial.

A riqueza da cidade permitiu a construção de belos edifícios e obras de arte.

A cidade foi planejada, havia sistema sanitário e água encanada.

Havia também um serviço médico publico, regulamentos sobre quarentenas (para evitar a entrada de pestes), farmácia, asilo para velhos, lazareto e orfanato, tudo isto implantado entre os séculos 13 e 14.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, December 29, 1997

Hoje decidimos ficar por Dubrovnic. Curtir a cidade velha passeando a pé.

Fiquei um bom tempo sentado em um café enquanto a Milena e o Carlo viam as lojas.

As pessoas vão e vem pela rua principal, num footing constante. Sentam um pouco em algum café, e depois recomeçam.

São em geral pessoas belas, altas e magras, assim são os croatas. Bem vestidos, com o charme do inverno, vale a pena ficar observando.

Os cachorros, livres, também participam, longe dos donos em alegres bandos sempre em paz.

Tal como na Áustria ( e também na Itália) fica-se o dia ocupando uma mesa de um bar só por um café. Para nós é estranho e me sinto mal depois de uma meia hora com o mesmo café. Levanto-me e vou para outro bar.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, December 30, 1997

Novamente na estrada, agora rumo à Bósnia. O Plano é ir para Mostar (cidade ainda em estado de guerra) e depois para Saraievo (que já esta calma, a vida recomeça)

Passamos pela fronteiras às 10:00 sem qualquer controle. A Bosnia é um pais totalmente desorganizado, não ha qualquer controle para quem entra ou sai.

Entretanto o grande movimento de carros militares, tanques de guerra, tropas etc. Mostra o quanto a situação ainda é insegura.

A viagem de 50 quilômetros até Mostar foi triste. Tudo destruído, cidades inteiras arrasadas e queimadas.

Ao chegar em Mostar, a situação piorou, grandes prédios, igrejas, minaretes, tudo destruído e queimado.

No lado oeste o rio Naretva, a Croácia se apossou de meia cidade sem base jurídica legal. Estão reconstruindo tudo muito rapidamente, para manter a posse. Do lado este, tudo ainda destruído.

A tristeza é tão grande que decidimos voltar, deixar de lado Sarajevo.

Chegamos a noite em Trogir depois de uma revigorante parada em Markaska, belo porto, onde o mercado de peixe, à tarde, se faz dentro dos barcos que acabaram de chegar da pesca e expõem seus peixes à venda.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, December 31, 1997

Vamos mesmo passar o 31 aqui em Trogir.

Saímos cedo, Carlo e eu, para ir ao aeroporto confirmar sua viagem de volta. Aproveitamos para mandar revelar as fotografias que fizemos (o serviço por aqui é ótimo e barato) fomos ao mercado comprar óleo de Oliva local. Para saber se é bom, nos deram para beber. Parece ótimo, compramos, sempre com o sabor de ser tapeado. Também ficou o sabor do óleo de oliva em nossas boca, e um pouco de enjôo. Fomos ao supermercado comprar umas bolachas para tirar o gosto e compramos também algumas garrafas do ótimo vinho croata para o Carlo levar para o Brasil.

Para passar a meia noite, escolhemos o restaurante Ancora, recomendado pelo pessoal da marina.

20:30 Lá vamos nós para o Ancora, bem vestidos (nos disseram para ir o melhor possivel) . A Milena resolveu não ir de vestido longo, eu pus o Smoking porem sem gravata, com gola rolê para não ser demais. O Carlo vestiu-se com gravata num belo terno risca de giz. Tudo como nos tinham recomendado, vestir o melhor que tiver.

O horário de chegar: entre 8 e 9 da noite, quando inicia o jantar e a musica já esta tocando. Europeus chegam cedo e na hora marcada. Não vamos dar uma de brasileiros.

Entramos sem saber o que encontrar. Tudo vazio, só nós. O restaurante, com umas 10 mesas, bem arrumado, muito limpo.

Os músicos, afinando os instrumentos: Um violão, um Bandolim e um teclado certamente com ritmo. Tudo amplificado, vamos ver o que vai dar.

Pouco a pouco vão chegando os clientes.

O garçom traz champanhe, vinho muito bom, um ótimo antepasto.

A música começa, num volume tão alto que dói os ouvidos.

O Carlo, que é musico, acostumado a altos decibéis, não agüenta.

Coloca nos ouvidos filtro de cigarro, mesmo assim não adianta.

A qualidade da música também é terrível.

Decidimos abandonar o local e voltar para o San Marino.

De lá assistimos à meia noite na cidade, e no restaurante da Marina, bem à nossa popa, soltaram tantos fogos que parecia que tinham posto fogo no prédio.

Assim são os Croatas, não brincam em serviço!

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, January 01, 1998

O ano começou como todos os outros. Ligeira ressaca, dormimos até tarde.

Fomos almoçar no Barba, onde se pode comer Steinbrock, um marisco que se encontra em buracos da rocha, incrustado.

É proibido pesca-lo e portanto servi-lo, mas neste restaurante tem.

É delicioso.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, January 02, 1998

Demos um belo giro pelo sul e fomos até as cataratas de Krka, que estava mais linda que nunca, com muita água das montanhas nevadas.

No restaurante Tomislav comemos um carneiro no espeto. Não havia mais a cebola roxa nem o vinho local, pena, pois queríamos que o Carlo tivesse um almoço igual ao que tivemos ha 2 meses atras, aqui mesmo.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, January 03, 1998

Voltamos à Split, comprar peixe e presentes para mandar para o Brasil.

A cidade é sempre linda, e estava cheia de gente, é sábado.

Apareceu no fim do dia o Duško, nosso amigo croata do barco Lastavica, que conhecemos em Milna.

Ele nos convidou para almoçar amanhã na casa de um amigo pescador.

A Milena e o Carlo decidiram fazer uma "bouillabesse" e convidar os noruegueses para jantar.

Trabalharam a tarde toda, preparando à moda de Marseille o "aioli", alho com óleo e ovo, para acompanhar o prato.

O John sempre compenetrado estava engraçadíssimo, e a Anna sempre saída, adoraram a famosa sopa de peixe.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, January 04, 1998

Almoço em Seget, na casa dos amigos do Duško.

Entramos tímidos, pois não conhecíamos ninguém. Lá estava toda a família, filhos noras e netos.

Nos ofereceram conhaque, depois vinho muito bom.

O almoço foi feito na churrasqueira, lingüiça, costeleta de porco, tudo delicioso.

Todos íamos bebendo muito, e a conversa foi ficando animada. Falava-se um pouco de alemão, um pouco de inglês e um pouco de italiano, único modo de nos entendermos com os croatas.

Os assuntos eram vários, nossa viagem, os barcos de pesca, o mar da croácia.

De repente o Duško me perguntou:

"Você tem armas a bordo?"

Difícil responder pois não sabemos quais as regras do pais e pode ser grande encrenca caso a Policia encontre as armas que levamos.

Não soube mentir e disse, sim. Ele perguntou "que tipo".

Respondi "um revolver", para não entregar tudo.

Ele respondeu "só isto?, não serve para nada".

É verdade respondi, e orgulhoso contei que levava também uma pistola e um rifle AR 15, do exercito americano, tudo porém muito regular pois sou inscrito no exercito como colecionador de armas.

"Não dá disse o Duško. Vocês precisam no mínimo de uns 3 Kalichnikov, uma bazooka e granadas. O ideal seria um pequeno canhão mas vai ser difícil de montar no barco. Como poderão enfrentar Piratas?. Eu arranjo tudo para vocês, de graça. Basta dizer que querem".

O Carlo e eu ríamos a mais não poder, enquanto a Milena conversando de outro assunto não sabia o que se passava e convidava a turma para almoçar no San Marino.

Depois dos doces e mais conhaque, já 6 da tarde, o Duško decidiu nos levar de volta.

Na estrada viu ao longe um comando de policia e sem pestanejar entrou a direita na primeira rua, cidade de Seget pois não podia ser flagrado dirigindo alcoolizado.

Como não havia saída, paramos em uma bar.

Mais bebida, jogamos pebolim não sei como, e uma hora depois fomos tentar novamente.

Na estrada ainda estava a policia.

Novo desvio à direita, novo bar em Seget.

Desta fez fizemos amigos locais, principalmente eu que fiquei talvez por uma hora conversando com um Croata que tinha bebido todas. Eu falava em inglês ele em Croata, e nenhum entendia o outro, mas estava muito animado.

Saímos do bar para tentar novamente a estrada, agora com o Carlo guiando pois ele era o único que não tinha carta, que portanto não poderia ser apreendida. Belo raciocínio.

Ele saiu dirigindo muito bem o velhíssimo carro checo do Duško que depois nos disse ser impossível alguém guiar, tantos os truques e segredos para engatar as marchas.

Felizmente passamos direto pela policia que ainda estava lá, e acabamos o dia numa pizzaria em Trogir.

Aí lembramos: "Quem pagou a conta no último bar?"

Ninguém! Esquecemos!

Provavelmente meu amigo Croata foi o benfeitor. O Duško me disse depois que em toda aquela conversa ele estava me vendendo um terreno!

 

LOG ENTRY FOR: Monday, January 05, 1998

Lá se foi o Carlo. O deixamos às 16 hs no aeroporto.

Foram dias agradáveis onde sentimos nossa perfeita comunhão de idéias. Valeu.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, January 06, 1998

9:00 Desde cedo estamos preparando o tal almoço que a Milena prometeu a nossos amigos pescadores. Como tudo foi combinado em grande bebedeira, decidimos ir até a casa deles para confirmar tudo. Grande festa à nossa chegada, sim, eles se lembravam, irão todos (12) às 14:00.

Saímos direto para o supermercado. Como servir tanta gente no barco?.

Milena decidiu fazer um Penne Alla Arrabiatta, e um Agnolotti com Panna. Compramos 1.5 kg de cada, vinho temos um galão que ganhamos deles, comprei um litro de Pelinkovich, que vi que eles gostam muito um litro de Slivovitch, e uma torta congelada. Vamos lá.

14:00 Chegam todos, pontualmente, trazem flores.

O almoço é servido à americana, não temos lugar para todos. Cada um vai se servindo e sentando onde dá. Tudo muito estranho para eles, mas estão adorando a comida feita pela Milena. Tudo simples, senão seria impossível.

Veio também a Anna, nossa amiga norueguesa, que fez um bom carnaval (como sempre).

As discussões giraram torno do problema de ódio existente na Croácia, assunto muito delicado onde a Anna muitas vezes passava dos limites.

O ambiente ficava pesado, eu entrava mudando de assunto, mas a coisa depois recomeçava.

Tudo com muita alegria e camaradagem.

Eles fora embora às 18:00 deixando um convite para comermos um "brodetto" (sopa de peixe) na casa deles, tão logo eles voltassem da pesca, em dois dias. Ficaram de vir nos buscar no San Marino.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, January 07, 1998

Decidimos partir para Pescara definitivamente. O Gigi (do Crisandra) vem da Itália para fazer a travessia do Adriático conosco. Que curtir uma bela navegada e ver como nós fazemos as coisas. Ele pretende ir ao Caribe com seu barco e tem sede de aprender.

Por telefone combinamos que ele chegará no domingo pela manhã. Se o tempo permitir (está ótimo atualmente) sairemos no mesmo dia.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, January 08, 1998

Passamos o dia esperando nossos amigos pecadores. Ninguém apareceu. Acho que eles não voltaram da pesca ou esqueceram do convite para o "brodetto'

Pela manhã veio o Bruno, meu amigo mecânico dos motores Johnson que me ajudou a descobrir o defeito de meu 50 H.P.

Tentamos substituir toda a eletrónica, que meu amigo Maurício comprou nos EUA mas não era por aí.

Foi uma coisa muito difícil pois o magneto central do volante (que sincroniza o "timing" da faisca de ignição) estava mal colado de fabrica. Quando o motor esquentava, com a dilatação mudada o "tempo" e o sincronismo ia pró espaço. Algumas vezes o motor parava completamente, outras vezes ficava mal de marcha lenta.

Enfim, colei com resina epóxica e o problema foi resolvido, não sem antes irritar a Milena que encontrou o volante a cozinhar no forno da cozinha em temperatura "de fazer suspiro".

Mas aconteceu uma coisa hilariante.

Saímos, Bruno e eu para ajustar o tempo do motor. Eu ia na direção e o Bruno com a lâmpada estroboscópica. Sei que não é um procedimento muito seguro mas como eu não tenho um volante de teste (que se coloca no lugar do hélice) vamos assim mesmo.

O estroboscopio do Bruno é novo, e ele não sabe usa-lo bem. Assim, pedi o manual de instrução que é em inglês (língua que o Bruno fala muito mal) e passei a explicar ao Bruno o funcionamento do aparelho. Quando disse que o motor deveria estar girando a "five thousand revolutions", isto é 5000 RPM, o Bruno entendendo errado e respondeu: "É isto aí, vocês latino-americanos não sabem fazer "revolutions". Veja na Nicarágua, não mataram quase ninguém. Precisam apreender conosco , os croatas", disse todo orgulhoso!

Motor perfeito, testei também o Avon com o Honda 15HP. São os melhores salva-vidas possíveis no Adriático, melhores que as balsas especiais, pois o mar é pequeno e se atinge qualquer margem rapidamente.