MS San Marino - Diário de Bordo

A Viagem do San Marino

Concepção

Construção

Na Água

Diário de Bordo

Perguntas e Respostas

Rotas

Força dos Ventos

Índice Técnico

Localizar

Entre em Contato

Home

Visite o site da NOVA viagem do San Marino

AS ILHAS DO MAR IÔNICO

Cruzando o AdriaticoIlhas TremiteGolfinhosCorfú - KanoniPaxosCefaloniaIthaca

LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 17, 1998

10:00 A festa de ontem foi pesada. O Brasil ganhou por 3 a 0 e o jantar foi farto e regado a ótimo vinho.

Muitas historias, risadas, estavam o Pasquale e a Laura, o Marcelo e a Rosella, o Federico e mulher, o Gigi e mulher, o Giovanni e mulher (que se chama também Milena), o Mássimo e mulher. No belo estilo italiano, alguns levaram também os filhos, que como sempre portam-se como adultos à mesa.

A noite (ou manhã) acabou no San Marino, com whisky e licores, musica brasileira e muita alegria.

É nossa despedida. Tínhamos planejado sair hoje, mas a previsão é de tempo ruim à noite.

Nossa próxima escala (destino final Corfú, Grécia) será Otranto, (onde deveremos encontrar a Rosalba e as crianças que farão a travessia do Adriático conosco) será uma perna de 34 horas, isto é, dois dias e uma noite e podemos nos dar ao luxo de esperar tempo melhor.

De todos os modos o San Marino está pronto para viagem, bastando antes abastecer com óleo diesel, o que (já que compramos óleo sem impostos) terá que ser feito com a presença da guarda costeira, alfândega e autoridades, que devem presenciar nossa partida.

Vamos ver se o tempo melhora para sairmos amanhã.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, June 22, 1998

8:00 Largamos nossas amarras que estavam já ha 5 meses trabalhando como escravas. Foi fácil soltar as manilhas pois tinha colocado graxa nas roscas antes.

Tudo pronto, em 10 minutos paramos no posto para abastecer.

O drama do abastecimento começou a uns 4 dias atras.

Normalmente na Itália, os postos cuidam da documentação para vender o diesel sem pagamento de impostos.

Mas, segundo o dono do posto, muitos eram os abusos e portanto o procedimento foi modificado.

Assim, fui primeiro à capitania, onde me dariam um papel autorizando o abastecimento.

Foi difícil. Não tinham o formulário, mas fizeram um a xerox de um já usado, apagaram os textos preenchidos.

Um novo xerox e pronto, tínhamos um formulário em branco.

Falsificação feita na própria capitania!

Preenchido o formulário, como o chefe não estava, voltei mais tarde para buscar.

O chefe disse que não era autorizado a fazer tal documento, mas acabou assinando quando garanti que estava indo embora e não voltaria mais para a Itália.

Em seguida, seguindo instruções, fui à alfândega, que me informou ser o próprio posto que faz a documentação alfandegária, mas eu deveria ir à "guardia di finanza" pois eles tem que acompanhar a operação.

Lá fiquei sabendo que deverei pagar as horas que os guardas utilizarem para me fiscalizar e também que Sábado e Domingo é mais caro.

Fui também oficialmente informado que tinha apenas alguns minutos para sair após o abastecimento, pois os guardas já estariam pagos e não poderiam perder muito tempo assistindo à nossa saída!

Marquei para Segunda Feira nossa saída, assim aqui estamos agora.

10:00 já colocamos 2000 litros, o abastecimento corre fácil e rápido

11:10 6000 litros já estão no tanque.

O dono do posto me pergunta para onde vamos. Só agora!

O abastecimento tax free só é possivel para barcos que se destinam a países fora do mercado comum europeu.

Assim, todos esperavam que fossemos para a Croácia.

Quando declarei que estávamos indo para a Turquia, foi uma grande confusão.

Era a primeira vez que isto acontecia, mas acabaram concordando.

A verdade é que vamos primeiro para a Grécia, mas não pretendemos abastecer lá, somente em nosso destino final, Istambul.

12:45 Largamos amarras com 9000 litros de peso a mais, rumo a Corfú

A bordo Milena, Rosalba, Valentina e Francesca

A Rosalba mudou de idéia e embarcou aqui mesmo em Pescara.

Não somos mais obrigados a fazer escala em Otranto.

A saída da Marina é fácil, o canal profundo e bem marcado.

Pelo rádio nos despedimos de nossos amigos da torre de controle e com acenos aos outros que nos saudavam do cais.

13:30 1620 rpm, 9 nós, a nova hélice mostra suas vantagens com o aumento da rotação dos motores.

14:30 Estamos agora a 5 milhas da costa, a profundidade é de 55 metros, pois aqui a costa é sempre rasa. De todos os modos, navegamos com mais segurança, pois acabaram-se as redes de pescadores que por aqui são sempre muitas.

O mar esta calmo, com ondas de meio metro, de NE. O vento é NE, força 2.

O San Marino parece fixo no porto. Nossa rolagem máxima até agora foi de 2 graus, a normal de 1 grau .

Estamos carregados, portanto com estabilidade máxima.

Nosso próximo ponto são as ilhas Tremiti, chegada prevista às 19:50

16:00 Estou no Fly Bridge curtindo o belo dia, o mar azul e o sol. Vem a Francesca oferecer sanduíches. Aceito. Seu rosto se ilumina. Em seguida aparece com 2 deliciosos sanduíches de piadina (pão típico da região emiliana) com prosciutto crudo.

O mar continua calmo, ondas de 1 metro. Subi para o Fly porque na proa, onde estava antes, levei diversos banhos pois o vento sopra de costado e leva o spray sobre nós.

18:40 As ilhas Tremiti já estão a vista. Deveremos lá chegar às 20.00, faltam 12 milhas.

Começa a entardecer, hoje é o dia mais longo do ano, a noite chegará às 20:22, quando o sol se põe.

19:37 Acabamos de falar por telefone com o Aldo. As crianças também falam com o pai. As Tremiti estão muito próximas, muito vizinhas.

Zerei somente agora o contador de litros do Flo-Scan. Deveria te-lo feito após o abastecimento. Deve estar defasado de uns 150 litros por motor.

Duas historias interessantes nesta ilha:

Muitos anos atras, um eremita a escolheu. Refugiou-se aqui, e vivia em uma caverna. Encontrou em suas andanças pela ilha um cadáver coberto de ouro.

Rico, voltou à vida mundana e alegre. -Nem sempre a filosofia é feita só de belas idéias-.

Outra: O rei de Nápoles, que era o proprietário da região a transformou em prisão. Depois de muitas revoltas de presos, o rei em pessoa decidiu que faltavam mulheres no local, as quais aplacariam os ânimos dos presos.

Enviou, presas, todas as prostitutas de Nápoles (ou ao menos aquelas já rotuladas). Bela farra deve ter sido, a chegada deste navio com carga de tanto desejo.

20:07 Tremiti a nosso boreste. São três ilhas, daí o nome : Capraia, S. Domino e S. Nicola. Nelas vivem hoje 500 pessoas, que ainda falam o dialeto napolitano.

23:29 Acordei depois de 2 horas de sono, A Milena estava de turno.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 23, 1998

2:35 A Rosalba me chama. O turno dela começou à meia noite, termina às 3. Mas ha um navio muito grande em rota de colisão e ela me acorda.

Altero o rumo, o Superfast é um ferry imenso, que realmente é rápido como diz nome.

3:53 Uma nave de guerra americana chama insistentemente por um navio que ruma em direção 345° a 14 nós. Não obtém resposta e continua chamando.

Esta zona esta cheia de naves e aviões de guerra, devido à tensão no Kosovo e na Albânia

4:03 Um clarão no céu, a leste, mostra que a noite começa a acabar

4:58 é dia claro. Estamos dois dias após o solisticio de verão, o dia mais longo do ano.

Nossa posição: 41° 34'N 016° 54'E. Passamos por este mesmo ponto, está marcado na carta que usamos agora, em 27/7/96 às 20:25. Foram 2 anos de Adriático, valeu.

5:42 O mar está um espelho, não ha ondas ou ventos.

É a calma que procede a chegada de uma frente fria.

De fato, acabo de ouvir no VHF um "aviso de borrasca" dado pela marinha italiana. É tempestade no norte do Adriático, perto de Veneza, que deverá chegar por aqui no meio da noite deste mesmo dia. Estamos navegando para o sul, portanto ela não nos atingirá.

8:40 Bari em nossa aleta de boreste. Dormi até agora, desde as 6:00 quando a Milena me substituiu.

O dia acordou brilhante e calmo, o mar liso como óleo.

Saí às pressas. Um imenso cardume de golfinhos está nos acompanhando. Chamei a Milena e fomos à proa, onde uns 6 golfinhos estavam se divertindo à larga com nossa espuma. Assim ficaram por uns 20 minutos, deu tempo de chamar as crianças e a Rosalba.

Ao todo devem ser mais de 20, mas só os mais corajosos estão nadando na proa, girando e mostrando a barriga, saltando, roçando no casco ou uns nos outros. Que espetáculo. Jamais vimos igual.

As crianças vibram com os novos amigos!

9:10 O calor começa já à toda. São 30 graus a esta hora. Decidimos pela primeira vez ligar o ar condicionado que nunca utilizamos.

9:50 A temperatura interna é agradável ou até frio. O ar condicionado funciona mesmo!

11:00 Nossa rota continua uma reta rumo sudeste.

14:10 Brindisi, nosso way point na Itália, a boreste.

Nossa rota agora, ainda a sudeste porem com 131 graus, leva nosso San Marino direto a Grécia. Próximo waypont, norte de Corfú.

19:20 A hora prevista de chegada às costas da primeira ilha grega é 23:30 desta noite.

As pizzas estão no forno. São pré-congeladas mas muito boas. Vamos jantar e dormir. Meu turno começa às 23:00

22:00 Acabei de acordar, durmo no Pilot House pois assim quem está de guarda pode me chamar com facilidade.

Acordei com o barulho do radio, onde um navio de guerra americano, chamava diversos barcos que estão na região, fornecendo posição, rota e velocidade, e pedindo que cada um se identificasse.

Um fato engraçadissimo ocorreu.

Entre os diversos navios chamados, um não respondia.

A chamada clássica, que estava sendo feita em bom inglês era:

Barco em rota X, posição Y, que se desloca a 35 nós, por favor identifique-se;

- nenhuma resposta -

Novamente: Barco em rota X1, posição Y2, que se desloca a 35 nós, por favor identifique-se;

E assim por uma dezena de vezes.

De repente a resposta, em inglês macarrônico:

Aqui lancha da guarda costeira Italiana em missão de patrulha seguindo uma embarcação desconhecida. POR FAVOR não revele mais nossa posição e rumo!!!

É a guerra na região.

23:23 Estamos em águas gregas, ao norte de Corfú, nos aproximando da ilha de Othonoi. Agora é costear Corfú, por fora e entrarmos pelo sul. Deveremos estar na marina às 10 da manhã.

Decidimos por esta rota mais longa, pois a Milena tem medo de se aproximar demais das costas da Albânia. Há historias de iates roubados pelos refugiados com assassinato de toda a tripulação.

Na duvida, navegaremos umas horas a mais.

A quantidade de navios de guerra é grande, italianos, espanhóis, americanos.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 24, 1998

2:47 A Rosalba, que esteve de turno até agora, me acorda. Estamos a 39° 32’N e 19° 41’E, mar calmo, tempo bom, vento SE força 3

4:01 Bem perto da costa, há neblina, não se vê nada, nem o farol que está menos de uma milha (espero).

Mudo ligeiramente de rumo, para passar sobre um banco de areia com profundidade de 110 metros. Se for assinalado pelo ecobatimetro com esta profundidade, nossa posição é correta.

O Radar não é totalmente confiável pois ha praias, e em costas baixas o radar não reflete com precisão. O GPS também não é confiável, pois com tantas naves de guerra, inserem interferências para evitar ataques de mísseis de terroristas.

Posição confirmada, volto à nossa rota, em vôo cego.

4:25 começa a amanhecer, o farol da ponta Lagoudhia esta no radar, mas ainda não se vê.

A 200 metros a bombordo o fundo sobe para 4 metros, por isto devo navegar com cuidado.

Aqui estamos a 133 metros, de acordo com a carta, pois nosso ecobatimetro só atinge 115 metros.

4:35 A neblina desapareceu como por encanto. Lá está o farol, com três lampejos bem claros.

O deck e os vidros estão todos molhados, de um sereno fortíssimo. Sinal seguro, na Grécia, de um dia de boa qualidade.

8:30 estamos nos aproximando do destino final, Gouvia, a marina de Corfú.

Corfu.gif (206291 bytes)

A viagem foi excelente, ninguém enjoou (graças à escopolamina) e o mar foi sempre calmo.

10:00 Estamos atracados de popa, no cais do porto, bandeira amarela no mastro. Uma pessoa se aproxima e se apresenta como despachante, para nos ajudar com os documentos.

Como somos brasileiros, sabemos da utilidade destas pessoas. Entretanto europeus, americanos, etc. tem ódio destes prestadores de serviço, pois acham que tudo deve ser feito da maneira mais econômica, isto é direto nas repartições. Como resultado, nestes tipos de países, se sentem mal e maltratados.

Eu em vez, (só o capitão pode descer a terra antes do clearing) com nossa experiência de brasileiros, fui conduzidos a cada repartição necessária (marinha, policia, receita, alfândega e novamente marinha) onde fui recebido pelo chefe, que nos oferecia café. Tudo correu muito facilmente e recebi nosso "Log" com o qual poderemos permanecer na Grécia 6 meses, prorrogando o quanto necessário.

Note que chegando por avião ou carro, ou mesmo navio de linha, um estrangeiro só pode ficar na Grécia por três meses.

Na policia, como éramos "amigos", o encarregado não quis nem carimbar nossos passaportes, assim não haveria controle de nossa permanência!

Na alfândega, o chefe me perguntou: "possui garrafa para mergulho?" Respondi, "sim, duas. " Rua resposta: "esconda-as pois sou obrigado a lacra-las em algum compartimento do barco, e vocês poderão precisar delas."

Em seguida perguntou: "Armas a bordo?" Sim, respondi. "Quantas". Menti respondendo "uma pistola".

"Isto é mais serio, me disse ele, mas vocês precisam ter uma arma para sua própria segurança, assim faz de conta que eu não sei nada."

Na marinha, foi emitida nossa "crew list", pois me aconselharam a colocar todos como tripulação, pois na Grécia ha rigoroso controle de "Charters".

Tudo isto porque contratamos um despachante, Takis, o qual muito nos ajudou.

Nossos amigos húngaros (de Torrevieja) tinham reclamado que a burocracia da Grécia impedia sua visita, inclusive devido ao controle dos passaportes!

Tudo fica diferente quando se contrata um bom despachante!

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, June 25, 1998

Ontem a noite giramos pela cidade, que é maravilhosa.

Deveríamos ter iniciado nosso programa, mas a Milena acordou com grande dor nos olhos.

O oculista logo diagnosticou "alergia" e um colírio de cortisona resolveu tudo.

Valeu um belo passeio a pé pela cidade.

Corfú é a maior das ilhas do mar iônico, o antigo mar grego a oeste, ao sul do Adriático.

Homero descreveu Corfú como um paraíso verde, cheio de sabores, cheiros e sensações.

É a mágica ilha que os venezianos conquistaram e da qual tantas historias importaram.

Daí veio a lenda da bruxa Befana que, sentada no cabo de uma vassoura, traz presentes para as crianças italianas a cada 6 de janeiro.

Corfú esta separada do continente por um canal que ao norte se aproxima 1 milha da Albânia.

A costa Albanesa, seca e rochosa, contrasta violentamente com o verde de Corfú.

Ulisses aqui esteve, provavelmente em 1200 AC, e foi daqui reembarcado para sua ilha natal, Ithaca, pelos locais.

No caminho, com raiva, Poseidon transformou o navio em pedra.

Os deuses gregos, meio humanos, sentiam também humanas sensações condenáveis ou não e Poseidon não estava nada contente com Ulisses, cujo caráter parece que não era lá grande coisa.

A ilha de Gravia, seria o navio petrificado.

De 734 a 434 AC, Corfú foi colonizada pelos Corintos.

Corfú pediu socorro a Atenas, que por sua vez pediram ajuda à Esparta.

Assim, Corfú foi talvez a causa da guerra do Peloponeso, marco final da Grécia Clássica.

Em 229 AC, Corfú foi colonizada por Roma.

Em 722 passou ao império Bizantino.

De 1080 a 1386, foi atacada e conquistada por Normandos, Sicilianos.

Pediu então ajuda à Veneza, que a dominou até 1797.

Durante este período, Corfú foi atacada pelos Turcos, diversas vezes.

A fortaleza à qual estamos atracados, é deste período, e resistiu bravamente aos ataques turcos.

Em 1797 Corfú foi tomada por Napoleão.

Foram os Franceses que deram a forma atual da cidade, construído boulevards, prédios e a famosa esplanada, onde tomo meu ouzo no fim da tarde.

1814, foi o ano dos ingleses. Seguiu-se à derrota de Napoleão, a anexação ao Commonwealth.

Em 1864 Corfú passou a ser parte da recém formada nova Grécia.

A arquitetura da cidade reflete um pouco de cada uma destas influencias.

É uma cidade encantadora, onde ao por do sol a população em ruidosa alegria, dirige-se para a Esplanada, festejando o dia que se acaba.

É o espirito grego, do qual tanto ouvimos falar, e agora cai de vez sobre nós, nos transferindo a uma remota civilização e 5000 anos de experiência de vida, de golpe e sem surpresa.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, June 26, 1998

Estamos atracados no píer de um clube, de proa para SE, para o canal. É um belíssimo local que joga um pouco quando passam os navios a toda velocidade. Mas custa muito pouco, (20 dólares por dia) pois não tem água ou luz. Para nós tudo bem, vivemos autonomamente.

Estamos ao pé de uma velha fortaleza veneziana, Ak Sidhero, que a noite é toda iluminada e de dia nos trás sua imponente historia à mente.

Corfú é um destes lugares especiais que magicamente nos encanta. Não dá vontade de ir embora mais. Quanto mais se fica, mais se gosta. Ainda a cidade não esta coalhada de turistas, podemos caminhar por suas inúmeras ruas estreitas cheias de tavernas e lojas de souvenirs onde os objetos mais horríveis são comprados por turistas sedentos de lembranças.

A cidade ainda mostra muito de seu passado, e o ambiente é sempre muito alegre.

A esplanada, um imensa praça no alto dos rochedos sobre o mar (a maior praça da Europa), é um local alegre e encantador onde toda a cidade se reúne à noite.

Eu bebo o meu Ouzo mezé (bebida típica grega sempre acompanhada de algum tiragosto) em algum bar, esperando anoitecer para o calor ir embora. É uma bebida refrescante, à qual vou adicionando água gelada, conforme ela vai diminuindo, como um pastis.

Jantamos em uma taverna que tem suas mesas na rua, inclinada uns 15 graus, parece que tudo vai cair.

Comemos muito bem, os donos cantam com belas vozes de peito e violão acompanhando.

A mesa vizinha, só de gregos (como todas as outras) mostrava que tínhamos feito boa escolha e logo fizemos amizade com eles.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, June 27, 1998

De Flexboat fomos até Kanoni, dois mosteiros aqui perto, marca registrada de Corfú em todas as fotos.

Um, todo branco, (Vlakerna) outro muito pequeno, cor tijolo (Pontikonissi).

A noite, Corfú que é uma festa. Como todos os dias, a praça estava cheia com as famílias passeando, as crianças se divertindo e os rapazes e meninas namorando. Todo mundo ao ar livre, um coreto no centro do belo parque tocando seus luzentes instrumentos à moda dixieland, ficamos por lá até altas horas.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, June 28, 1998

Último dia com a Rosalba, a Valentina e a Francesca.

Depois de um dia de muita água e sol, passamos o fim da tarde na cidade. comprando souvenirs.

As crianças quiseram jantar a bordo, as famosas "cotolette" feitas pela Milena, filet de carne de vitela à milanesa.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, June 29, 1998

7:00 Lá se foram a Rosalba e as crianças. Irão de "ferry" para Ancona, numa viagem de 24 horas. Nem tanto mais rápido que nós.

Aproveitei a manhã para trocar as bombas de água do dessalinisador, as originais estavam todas uma ferrugem só, apesar de mante-las sempre pintadas. São 5 anos e estas bombas trabalham com água salgada, no fundo do porão, um ambiente hostil.

Poderia repara-las, mas comprei novas, italianas, custam pouco (60 dólares cada) e são bem feitas.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 30, 1998

O Takis, que acabou ficando nosso amigo, nos sugeriu um jantar em uma taverna típica Grega que fica em um vilarejo próximo. Não sei os nomes, não anotei. Fomos no carro dele junto com a Vassiliki sua "girl friend" . Este nome significa "manjericão" e é muito comum na Grécia.

Foi uma noite de muitas danças e cantorias, serviram um pouquinho de cada tipo de comida grega.

A mesa ao nosso lado, de gregos que vivem na França, estava animadíssima e os homens dançavam muito bem, assim mesmo como se vê nos filmes.

A despedida foi cheia de emoção (da parte do Takis) que me beijou no rosto e ficou triste com nossa partida. Daqui para frente serão sempre muitos beijos no rosto de homem a homem, como já tinha começado na Itália do Sul.

Esperamos não chegar logo na área do "beijo na boca".

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 01, 1998

14:30 Tudo pronto para partirmos de Corfú, rumo a Petriti, uma pequena baia ao sul da ilha. Serão 10.5 milhas de navegação. Poucos nos recomendam ir lá mas pensamos encontrar uma pequena vila típica.

Acabamos de nos despedir da Ritva e do Peter, Finlandeses do Saga Mare, e vamos subir a ancora.

15:00 só agora saímos. Milena tinha muito o que fazer na lavanderia.

Estamos agora navegando num mar muito liso e azul, rumo 158° , 7.5 nós.

Vamos costeando pela faixa dos 20 metros, para ver a costa, que não e lá destas coisas.

18:00 Acabo de sair da água, depois de uns 20 minutos nadando. Depois de um longo e tenebroso inverno, eis-me outra vez no meio em que me sinto melhor. Em Pescara e na cidade de Corfú a água é muito poluída, deixei para hoje o primeiro mergulho.

Que alegria voltar a nadar em águas límpidas.

Aqui estamos em Petriti, frente à pequena vila, com 5 metros de fundo limpo, o qual se vê completamente.

À nossa proa, a uns 2 quilômetros o continente, à nossa popa, a uns 100 metros a ilha verde de Corfú.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 03, 1998

Continuamos nesta maravilhosa baia, frente a Petriti. Ontem foi o aniversario da Milena, comemoramos na taverna local, com lagosta, muito ouzo e vinho branco da macedônia, que é ótimo.

À tarde mudaremos para algum outro local, vamos escolher

Decidimos ficar mais uma noite. Vamos assistir a partida Brasil - Dinamarca e também Itália França.

O Avon apareceu com um pequeno furo, que vou consertar hoje no fim do dia, assim a cola cura a noite, pois aqui faz calor.

Apreendi a só fazer consertos com cola epóxica, a outra (de contato) também é boa, mas com o tempo e muito sol pode soltar-se.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 04, 1998

8:00 Com a satisfação da bela vitoria do Brasil sobre a Dinamarca, estamos ligando os motores rumo à a Gaiou, na ilha de Paxos, que dizem uma das mais belas da região.

Estamos saindo com previsão de vento forte, forca 6 ou 7 de NW. No momento temos forca 3. Mas se o vento piorar não ha problemas, a ilha de Corfú faz sombra por todo o nosso trajeto, até Paxos e o vento é de popa, confortável.

Por enquanto ondas pequenas de meio metro, com carneirinhos, pois esta baia (salvo no ponto onde estávamos) é aberta aos ventos de N.

Como o San Marino amanheceu coberto de orvalho forte, sabemos que o dia vai ser bonito.

Rumo 070° , 8.6 nós, 1450 RPM, 40 litros por hora de consumo total.

8:45 Estamos no farol Levkimis, alteramos rumo para 145° .

9:26 Rumo 166° , proa para nosso destino onde deveremos chegar às 10:50

10:31 Retomamos o rumo 166° , pois tivemos até agora que viajar em zig- zag para evitar rolar muito. É que entre as duas ilhas (Corfú e Paxos) entrou um mar longo vindo de SW, parte aberta ao mediterrâneo sul, que não estávamos esperando, pois venta NW ha muitos dias. Mas este mar é causado por ventos muito distantes daqui. Não é nada de mais, são ondas de 1.5 metros, mas de través faz rolar.

O dia esta magnifico, a água muito azul.

10:45 Estamos avistando o canal de entrada do porto de Paxos. O Pilot Book avisa para entrarmos com cuidado, usando a buzina se necessário. O canal é muito estreito e faz um cotovelo de 90 graus a una meia milha da entrada. No alto do cotovelo há um maravilhoso castelo medieval.

10:56 estamos no canal. Realmente ha muito transito, mas é muito bonito. Estamos entre três ilhas, a cidade fica no fundo. Um grande barco de turistas nos alcança pela popa, buzina pedindo passagem pois entramos a 3 nós. Encostamos para boreste e ele passa nos dando uma bela fechada pois atraca logo a seguir.

A cidade, à nossa proa é romântica, de ruas estreitas e casas de cores mortas.

Mas ha muita vida apelas ruas.

Atracamos de popa para a rua principal, nossas amarras são difíceis de serem lançadas.

A Milena, que faz este serviço, jogou tres vezes o cabo de 18mm.

Na primeira vez caiu na terra, mas o senhor que nos ajudava não pegou.

Da segunda vez ele deu um nó tão mal feito (não há cunho mas uma argola no concreto) que logo se soltou.

Na terceira vez deu relativamente certo, pois veio alguem e ajudou o tipo.

Como há muita corrente no canal, foi difícil manter o San Marino e suas 65 toneladas perpendicular ao cais, mas graças aos nossos dois motores, tudo acabou bem.

Depois descobrimos que o tipo que nos ajudava com os cabos estava completamente bêbado.

O calor está forte e cremos que por aqui não poderemos ligar o gerador, portanto deveremos economizar energia.

11:30 Atracados em Paxos, bem no centro da cidade, defronte à taverna, num local maravilhoso e protegido

Fomos tomar uns ouzos no bar enfrente a nosso barco. Lá estava um rapaz com a camisa do Brasil. Todo mundo por aqui torce para nós.

O barco bem à frente do bar, de Wales, é tripulado por dois casais muito estranho com os quais logo travamos conversação. Elas ficam muito à vontade topless bem no meio da cidade. Ficamos de nos encontrar a noite.

Ao nosso lado atracaram em seguida dois barcos franceses.

Andamos um pouco pela cidade, e resolvemos dormir até o entardecer.

19:00 Saímos a pé para um longo passeio. Depois fomos jantar em uma taverna de gente muito simpática, lá estavam os franceses.

Em mesa próxima um casal de italianos com cara de artistas (ele de cabelo longo muito bem cuidado ela toda esfarrapada) . Começamos a conversar e a noite acabou às 5 da manha com eles no San Marino.

Esquecemos dos ingleses que não tínhamos mais visto, pois estavam no bar bebendo desde o meio dia, sem parar ate a noite. Creio que caíram, em algum lugar.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 05, 1998

Pensávamos colocar a moto em terra e conhecer toda a ilha. Mas a ressaca de ontem nos fez acordar às 10, está um calor terrível, fica tudo [para amanhã.

Os franceses nos convidaram para um drinque a bordo, lá iremos às 19:00.

Nas noticias que nos chegam pelo telex, sabemos que a Croácia deu uma bela surra de 3 a zero na Alemanha.

Devem estar felizes nossos amigos de lá, merecem uma momento de satisfação.

Sabemos também que Roma esta a 45 graus, e Atenas em chamas em muitos bairros pois esta 42. Melhor por aqui, com mar e ventos, temos 32 graus.

20:00 Depois do aperitivo (ótimo champanhe francês) eles vieram a bordo para conhecer nossa sala de maquinas.

São dois veleiros montados em Ketch e eles já viajaram muito, foram às Antilhas, conhecem bem a Turquia e a Grécia, nos deram boas informações.

Os franceses são ótimos navegadores.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 06, 1998

11:00 Estamos deixando Paxos, saindo pelo canal sul, muito estreito e segundo as cartas com 2 metros de profundidade. O Imray Laurie, nosso pilot book diz 1.8 metro só no meio do canal. Como calamos 1.8 metros, vamos tentar. Se bater o fundo será só a quilha, não causa danos.

11:10 Rumo 131° , em direção a Lefkas, deixamos a boreste a ilha de Anti-Paxos, uma bela irmã caçula de Paxos.

O mar esta muito azul e calmo, mas estamos protegidos pelas ilhas. Vamos ver como estará depois em mar aberto. Anteontem tínhamos mar de vagas longas de sul, mas o tempo está muito bom no sul do mediterrâneo, na Tunísia etc., creio que não haverá mais vagas.

11:50 O mar continua muito calmo, como previmos. Alguns veleiros a nosso boreste em rumo contrario.

A bombordo, o continente grego, que ainda não tocamos.

12:02 Um ligeiro mar de NW nos pega pela popa. ë agradável e confortável.

12:15 Aumentei par 1600 rpm, vínhamos viajando a 1500.

É que estamos sendo ajudados por uma corrente de meio nó. Vou tentar chegar à ponte da entrada de Lefkas as 15:00. Ela é giratória e abre de hora em hora, a zero minutos. Estamos viajando a 9.2 nós.

Para se chegar à cidade, existe um canal, construído pelos Corintos, e refeito pelos Romanos e pela Grécia atual. Lefkas não era uma ilha, só se tornou uma quando o canal foi aberto.

Este canal artificial, o primeiro que iremos navegar desde o inicio da viagem, tem um comprimento de 4 milhas e a carta da marinha britânica mostra com detalhes sua marcação de bóias.

13:58 Acabo de falar por telefone com o Rubens de Oliveira Barros, velho amigo de infância que como eu sempre esteve procurando novos caminhos na vida. Vou escrever para ele (que atualmente mora em Brasília) contando nossas viagens e ele promete escrever de volta relatando suas aventuras.

14:32 Estamos a 3 milhas da entrada do canal. Vamos conseguir entrar às 15:00 conforme planejado. A corrente nos ajudou.

14:55 Estamos na boca do canal, aguardado autorização para entrar.

A espera está complicada pois há muito vento, o local é pequeno e ainda por cima diversas crianças nadam à vontade.

Tenho que manter a proa sempre contra o vento o que me faz fazer ginastica com o controle dos motores.

15:03 A ponte começa a girar. Os barcos menores passam, mas recebemos ordem de esperar.

Logo em seguida a parte flutuante da ponte se move e abre um maior espaço para nós.

Por rádio nos pedem para passar.

Entramos e logo alcançamos os veleiros que vão muito devagar, nós estamos a 4 nós, velocidade recomendada.

O canal é bem sinalizado e fácil. Seguimos dois veleiros que parece que já conheciam o local.

15:45 Acabamos de sair do canal. Suas margens são baixas e deve-se manter uma linha próxima às boias luminosas que deixamos sempre à bombordo.

Na saída tomamos o rumo 173° , direto para a boca da baia de Vlikho, na ilha de Lefkas. A ilha de Scorpios (do falecido Onassis) está bem à nossa proa.

16:42 Ferro no fundo a 6 metros, estamos ancorados nesta magnifica baia (Vlikho), com barcos de todas as nacionalidades em nosso redor.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 07, 1998

8:00 A noite foi calma e tranqüila, a baia é fechada como um saco de vela e não ha ventos.

Passamos o dia no San Marino, nadando, arrumando algumas coisas, colocando nossa correspondência em ordem.

A vila, onde estivemos pela manhã é pequenina mas simpática.

21:00 De dinguie voltamos a cidade, agora para ir a uma taverna que tenha televisão, pois a nossa não pega o canal que transmitirá o jogo Brasil - Holanda.

Como o jogo só começa às 10 horas, jantamos antes com alguns ouzos.

A partida começa animada e a torcida local que inclui ingleses e alemães é francamente favorável à Holanda.

Assim, logo nos identificamos como brasileiros e eles ficaram mais comedidos e iniciamos um relacionamento estranho, pois no fim alguns estavam já torcendo pelo Brasil.

Como só ganhamos nos pênaltis este ambiente durou ate o fim. Ao ganharmos todos vieram nos cumprimentar e um deles, sentou-se à nossa mesa.

É o Rob, um poeta inglês que vive aqui 6 meses do ano.

Pequeno e magro, com óculos redondos e olhos profundos, o Rob tem a aparencia típica de um artista ermitão.

Nosso papo engrenou bem e ficamos bebendo e trocando idéias ate as 4 da manhã.

Ele nos convidou para irmos de carro amanhã conhecer o interior da ilha.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 08, 1998

Como a Milena acordou tarde e de ressaca, deixamos o passeio com o Rob para outro dia.

O tempo virou como esperávamos, venta muito de sul mas o vento deve rodar para NW.

Mudamos o San Marino para a parte NE da baia, mais protegidos assim deste vento.

Fui até o barco do Rob para dizer não iríamos e ele concordou também que o tempo não estava bom.

Voltando ao San Marino, após um período de calma, o vento iniciou violento , força 6/7 assobiando forte entre as montanhas.

Os veleiros com os estais batendo forte nos mastros produzem um ruído que todos que já estiveram no mar conhecem.

17:00 o vento aumentou, o anemômetro marca as vezes força 8, mas creio que ha rajadas força 10, pois levanta um forte spray no mar com uns 10 metros de altura.

Decidimos não sair hoje, gostaríamos de ver o jogo Croácia França, mas o tempo esta terrível.

20:00 Estamos na mesa, jantando, o alarme do radar toca. Nosso ferro correu, estamos perto de uma linda escuna americana, bem a nossa popa.

Ligo os motores, levanto o ferro, tudo com muita dificuldade pois o vento é 7 com rajadas e está muito escuro.

Manobrar fica muito difícil, o San Marino tem tendência de virar de bordo para o vento, mas com 2 motores manobra-se com segurança.

Mudamos de lugar, mais para o centro da baia.

Estranho que o ferro tenha corrido. Durante o dia todo, estivemos neste mesmo local, com vento força 8, o fundo é de boa pega (argila) e o San Marino não se moveu 1 milímetro.

De repente, de um momento para outro corremos uns 100 metros e o ferrou unhou bem outra vez.

A única explicação, é que um veleiro holandês que acabou de chegar tenha por engano enroscado seu ferro no nosso, e ao solta-lo, levantou nosso ferro que correu.

A CRQ demora um pouco para pegar, e por isto andamos nossos 100 metros.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, July 09, 1998

Pela manha conhecemos o Ken Huskey e a Susan Roy, do MY Joni M, um Grand Banks 48, com bandeira americana

Eles transportaram o barco num destes navios especiais para transporte de iates. O preço é de 1000 US$ por pé de comprimento.

Eles moram em S.Thomas, ilhas virgens e nos deram boas informações sobre a Turquia, pois estão vindo de lá

19:30 O Ken e a Susan estão no San Marino. Preparo uma batida com cachaça verdadeira (compramos em Pescara 12 garrafas) e suco de frutas em caixa, com sabor de maracujá. Ficou razoável.

Em seguida fomos de dinguie para a taverna que fica do outro lado da baía e nos encontramos novamente com eles.

Voltamos tarde do restaurante (taverna da Elisa) onde confraternizamos com uma mesa de franceses que cantaram a noite toda.

Muita alegria sobre a decisão do mundial, no próximo domingo, entre a Franca e o Brasil.

No final a proprietária nos ofereceu Metaxa, que misturado com tudo que tinhamos bebido trouxe uma alegria muito esfusiante.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 10, 1998

Continuamos nesta maravilhosa baia. De manhã a Milena rema, como sempre faz, até a cidade, onde vamos levar o lixo e comprar mantimentos.

Voltamos para nadar, fazer alguma coisa leve, ler, curtir a vida.

O Ken e a Susan apareceram as 4, e ficamos batendo um longo papo.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 11, 1998

9:15 Ontem fomos novamente jantar com o Ken e a Susan. Eles partem hoje para Corfú, estão viajando rumo à Palma de Majorca. Trocamos informações, cartas, catálogos etc. Temos barcos similares e gostos similares. Recebemos preciosas informações sobre o Egeu e a Turquia e passamos nossos conhecimentos da Itália e Espanha.

O Ken saiu pela manhã e ajudei-o a desenroscar os cabos das ancoras. Ele teimou em lançar duas ancoras como precaução contra o forte vento. Eu sabia que elas iriam se enroscar e que o efeito de uma seria anulado, ou ainda pior as duas poderiam trabalhar mal.

Mas não disse nada, ele é um bom capitão, navegou milhares de milhas, vem da zona dos furacões, deve ter seus motivos.

É possivel usar dois ferros quando se esta girando solto numa baia, mas deve-se liga-los à mesma corrente, só uma corrente deve subir do fundo ao barco. No fundo, ela pode se dividir em duas, e ai cada ancora faz sua função.

É um sistema trabalhoso mas útil com ancoras Danfort que quando o barco gira correm o risco de soltar-se e não mais pegar.

De todos os modos este sistema só utiliza uma ancora por vez, isto é se o vento muda a ancora que trabalha.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 12, 1998

Hoje será a grande final da copa do mundo, Brasil contra França.

Todos os nossos amigos de Vlikho estão torcendo para o Brasil e combinamos nos encontrar às 9, na taverna, para jantar juntos e depois torcer.

Ha muitos barcos franceses por aqui, e obvio, só um brasileiro. Vamos ver como será a noite.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 13, 1998

11:00 Ressaca, muita bebida ontem.

As nove estávamos jantando com o Jeff e a Eve, A Anne e o Peter, ingleses.

Todo mundo decidiu não beber mas acabamos pedindo vinho, só um copo para cada um.

Nas outras mesas estavam o Rob, um amigo musico (trombone) que ajuda o Geoff na oficina (O Geoff tem uma oficina mecânica para barcos na ilha, a mais bagunça que já conhecí) e outros ingleses que já conhecíamos.

Apenas uma mesa com franceses, uma com suíços e os alemães no bar.

A Eve é a professora de grego da Milena, bem maluca, grega, casada com o Geoff.

O jogo começou às 10, e vários litros de vinho local já tinham sido consumidos apesar da boa vontade de não beber.

Infelizmente a França estava melhor e ganhou. Todos sabemos a triste história.

Fui à mesa dos franceses cumprimenta-los dizendo que foi um jogo limpo e a taça estava em boas mãos.

Ofereci também 3 Metaxas (o famoso conhaque grego) pois nós já estávamos tomando alguns.

Os suíços ficaram muito felizes com meu gesto e disseram que os brasileiros são gente muito educada.

Poucos instantantes depois nossos mesa de 6 tinha uns 15, inclusive os franceses que animadamente conversavam com a Milena. Eles ficaram mudos durante todo o jogo, nem um grito na hora do gol. Os ingleses reclamaram - Vocês não torcem? - mas acho que estavam assustados pois todo mundo era Brasil.

A volta ao barco foi tarde, 3 ou 4 da manhã, todo mundo muito amigo e feliz.

12:00 drinque no barco do Rob. Hoje não vou beber mesmo, só suco de laranja. Mas fiz uma boa batida brasileira com cachaça de verdade e levei junto com bastante gelo para o barco deles.

Ficamos conhecendo lá a Leonie e o Peter Ashley, do El Vagabond, um barco que já haviamos visto em Torrevieja, onde temos amigos comuns.

Também o Roger de Murter (Croacia) é amigo deles, mundo pequeno.

Acabamos a tarde no San Marino, e fiquei fiel a minha promessa - nada de álcool hoje.

O Peter ficou muito impressionado pelo fato que tudo é em duplicata no San Marino e comentou: "você é um homem que usa calças com cinto e suspensório".

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 15, 1998

Um longo giro pela ilha, num carro alugado, 200 quilômetros.

A Ilha é muito bela, em sua extremidade sul ha um farol no rochedo de onde Safi, a maior poetisa da antigüidade, se jogou.

A Lenda diz que foi ela mesma quem instituiu a pena de morte para pessoas que cometeram crimes e ao trair seu marido, foi ela mesma condenada.

Para evitar sua morte os antigos tentaram amarrar centenas de pássaros vivos em seu corpo, para que a queda fosse leve, mas nada adiantou.

O local é mágico e impressionante.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, July 16, 1998

Manhã de muito vento. Ontem a noite falamos com a Renata, e parece que o Flavio está com um serio problema no braço, terá que operar nos Estados Unidos.

Vamos chamar hoje às 2 para saber melhor falando com ele.

15:00 O vento continua muito forte, força 6 ou 7. Preparo o San Marino para uma noite de muito vento, prendendo tudo que pode voar no Fly Bridge.

19:00 O vento aumentou alem das previsões. Estamos com força 8, rajadas de força 9, que levanta muito spray. Isto é quase 90 quilômetros por hora. Experimente colocar sua mão fora de um fora de um carro a esta velocidade para imagina a força que uma área como o San Marino representa.

Nossa ancora está calculada para ventos até este valor, isto é uma tensão de 3000 quilos, que entretanto apresenta trancos maiores causados por nossas 65 toneladas.

20:15 Parece que nosso ferro correu um pouco, estamos mais perto de um veleiro holandês à nossa popa.

Saio fora, o holandês gesticula e me chama pelo canal 16.

Diz que estamos garrando lentamente. Está assustado ao ver um barco pesado como o nosso correndo sobre o seu.

Ligo os motores, levanto o ferro que é o de bombordo, que só tem 45 metros de corrente, mudo de lugar e jogo o ferro de boreste, com 90 metros de corrente.

Espero alguns minutos, garramos novamente.

20:45 A Ancora parece firme agora, mas estamos muito perto de uma lancha.

Para evitar sustos decido montar minha ancora de tempestade que está no porão, uma Fortress de alumínio de quase 2 metros de altura.

Necessito de uns 30 minutos para traze-la para a proa, monta-la, retirar a CRQ de sua corrente e montar a Fortress. É a primeira vez que a uso em toda a vida do San Marino.

Montei bem em tempo, pois o vento gira e dá rajadas incríveis com um barulho ensurdecedor.

Subo novamente o ferro de boreste, com dificuldade, usando os motores para manter a corrente sempre frouxa e não forçar o cabrestante.

Escolho um novo lugar e lanço a Fortress com 40 metros de corrente.

Agarra instantaneamente e se manterá assim por toda a noite.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 17, 1998

O San Marino amanheceu imundo, cheio de sal do spray.

Milena resolveu dar uma limpeza interna, eu faço o mesmo trabalho fora, com a maquina de pressão.

Aproveito para lavar muito bem as peças externa de madeira, em ipê, pois pretendo aplicar um impermeabilizante que comprei na Itália.

Foi um longo trabalho.

Antes, com o Flexboat, fui a cidade despedir-me do Geoff e da Eve, do Rob, do Peter, e também do holandês que passou a noite acordado com medo de outros barcos.

Resultado da ventania: Um veleiro quase afundado, um outro encalhado no fundo da baia.

Em terra, para completar, um terremoto grau 5, comum nestas áreas.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 18, 1998

9:00 ancora no alto, é um monstro que fica horizontalmente em nossa proa, mas decido mantê-la lá, pois vento por aqui é mais comum que turista.

A viagem em mar calmíssimo, rumo 210° , incluiu, já que falamos em turistas, um giro pela ilha Scorpios.

A illha é bela, mas cercada de barcos levando turistas.

Pobres proprietários de ilhas,(não tão pobres assim) que buscando privacidade conseguem um bando de bárbaros turistas a girar todo o tempo com potentes binóculos.

12:00 Atracados em Fiscardo, boa viagem , estamos ao Lado do MY Anastasia, bandeira americana, NY.

Em seguida chega um imenso iate grego, bandeira de Gibraltar, e nos ensanduicha contra o Anastasia.

Estamos com nossa passarela a 20 centímetros das mesas do restaurante da Tassia e lá vamos nós fazer um belo almoço não sem antes beber um ouzo em nosso jardim de popa.

O Anastasia mantem o gerador ligado, o Apanemia, a nosso boreste também. Nós que sempre cuidamos muito para não incomodar nos portos, estamos entre dois fogos.

16:00 Voltamos do almoço magnifico, o melhor que já fizemos na Grécia.

Valeram as "pie" de queijo ou vegetais, uma lagosta excepcional e uma torta de amêndoas como sobremesa.

O Felipe chega hoje, fomos ver como deve fazer para chegar de Atenas até aqui.

Basta (pobres viajantes) pegar um taxi no aeroporto, ir até a estação de ônibus, pegar um ônibus para Patras (220 quilometras) e lá pegar um ferry para Cefalônia , a ilha onde estamos. Chegará em Sami a uns 15 quilômetros daqui. Iremos busca-lo, não sabemos se de barco taxi, carro alugado dinguie ou moto, à meia noite.

20:00 Estamos com o gerador desligado desde nossa chegada, ligamos agora por um pouco (ainda é dia) para a Milena tomar banho e ligar o ar condicionado, pois está muito quente pois não podemos deixar as escotilhas abertas, gerador dos outros em ambos os lados. Entramos assim na turma do barulho.

20:30 Vem o proprietário de um restaurante em frente pedir que eu desligue o gerador pois faz muito barulho. Explico que o tenho ligado por que o Apanemia também tem o seu e seu escapamento é bem sobre minha escotilha de popa que tenho assim que manter fechada.

Ele se faz de desentendido pois proprietário do Apanemia é Grego muito rico, seu amigo e está no seu restaurante. Eles podem, nós não, pois somos estrangeiros e pequenos.

Insisto que só desligo meu gerador quando o Apanemia desligar o dele. Sei bem que um barco grande (30 metros) necessita sempre um gerador ligado, para seu funcionamento, inclusive para manter os freezers, mas a coisa foi muito na cara.

Resultado: depois de muita discussão, o capitão do Apanemia foi falar com o proprietário e desligou o gerador.

22:00 O pessoal do Anastasia veio nos visitar. Ele é Romeno, (Adrian Alexander), mora em nova York. Ela é italiana, (Susi Belli), o capitão Demetrios é muito simpático e o Costas, amigo grego,. muito falante.

Falam diversas línguas mas ficamos no inglês que é a língua que o Costas fala, fora o grego.

Nos convidam para jantar, mas depois do almoço de hoje, nada de comida.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 19, 1998

O Felipe telefonou ontem e retelefonou hoje pela manhã já de Atenas. Vamos ver se consegue chegar. Ele é esperto e bem viajado. Sabe o que faz.

O Adrian (do Anastasia) nos convidou para o breackfast no bar de uma francesa louca, e batemos um grande papo.

Ajudei com as amarras e lá se foram eles para Vikhorn, onde estávamos.

A noite fomos buscar o Felipe em Sami, com um carro alugado.

Foi um roteiro interessante, pois não ha indicações e o mapa é confuso. Mas conseguimos chegar a tempo.

La vem o Felipe que ha tanto não vemos, com sua grande mochila às costas.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 20, 1998

Com o carro que alugamos ontem, aproveitamos para dar uma volta na ilha.

Há lugares muito belos, uma praia em particular belíssima quando vista de cima devido às águas transparentes em diversos tons de azul.

Fomos também a um lago subterrâneo, formado pela permeabilidade da rocha que transfere a água do mar.

Não deve ser perdido, é uma das coisas mais belas que já vimos.

De barco, com um remador guia, percorremos a caverna escura (mas iluminada artificialmente) onde uma água salgada e fria revela parte de seu fundo escuro.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 21, 1998

10:50 Depois de um bom breakfast no bar da Catherine (a francesa louca), largamos amarras. Estamos navegando para a ilha de Ithaca, para a baia de Frikes, onde pretendemos passar alguns dias. São 14 milhas, umas 2 horas de viagem calma.

O mar está calmo, mas ha vagas de NW devido ao forte vento que sobrou nos últimos dias.

Para evitar rolar, mudo um pouco a rota, e o San Marino estabiliza-se.

12:45 estamos ancorados numa praia, com um cabo lançado pela popa.

A água é claríssima, a praia de areia, como todas as outras por aqui.

O ferro não pegou muito bem, e o NW nos pega por boreste, assim lançamos um outro como segurança.

O Felipe foi no Avon com a ancora dentro e eu controlando o cabo . De repente a corrente começou a correr como louca e devido grande profundidade (25 metros) seu peso aumentou e o ferro foi sozinho para a água.

O Felipe levou um grande susto, mas nada aconteceu. Da próxima vez faço eu este serviço que não sabia, pode ser perigoso em aguas profundas.

19:00 O NW está muito forte, força 5 com rajadas de 6, todos os outros barcos se foram, decidimos também ir para Vathi, onde a baia é totalmente protegido de ventos de qualquer direção.

21:00 Ancorados em Vathi, 4 metros, fundo de lama, boa pega.

Muitos barcos ao redor, inclusive um Português, da Ilha da Madeira, um lindo sloop de 20 metros.

Voltamos altas horas depois de um ótimo risoto de polvo no restaurante do Nico, um grego que esteve no Brasil e na Argentina, trabalhando e fala bem espanhol.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 22, 1998

Conhecer Vathi, girando a pé. É uma pequena vila, muito simpática. Levei o pneu da bicicleta para consertar, fomos ao museu antropológico, ao museu de costumes, e ao caminhar pela rua principal ouvimos chamar - San Marino - . Era o Andrew do Anastasia, com seus amigos gregos. Sentamos juntos para um Ouzo e relembramos nossos dias em Fiscardo.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, July 23, 1998

10:00 Colocamos a moto em terra, transportando-a com o guindaste para dentro do Avon. Foi fácil e seguro, é a primeira vez que embarcamos a moto no inflável.

Demos um giro pelo sul da baia de Vathi, fomos a Perachori e visitamos as escavaçoes arqueologicas iniciadas por Schliemann em sua busca de Tróia. Ele aqui procurava o palácio de Ulisses, para confirmar a verdade da então lenda da Odisséia.

O que ele achou não foram os restos do palácio de Ulisses, agora se sabe, pois o verdadeiro palácio foi encontrado por arqueólogos gregos e americanos no inicio da década de 80.

Voltamos para o San Marino e o Felipe com a moto que ele alugou, continuou a explorar toda a ilha.

Para as despedidas (pois o Felipe parte amanha cedo) fomos jantar na cidade. Primeiro ouzo num bar, depois num restaurante italiano, Lo Spuntino, talvez o m melhor d cidade. Mas Vathi estava sem luz, e a cozinha limitou-se a um espaguete, um pouco cosido demais, é verdade.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, July 24, 1998

9:00 O Felipe deveria ter tomado o Ferry a esta hora, mas a indicação que deram a ele foi errada. O Ferry não sai daqui, mas sim de Aftos.

Ele será forçado a ficar conosco mais um dia.

10:00 Ferro levantado, vamos deixar Vathi, rumo a Kioni, no norte desta mesma ilha.

Serão 7 milhas de viagem.

10:33 O mar está calmo, de um azul profundo e belo.

Estamos todos viajando no Flybridge, muitos veleiros, lanchas, grandes iates, todos no mar

10:55 Atracados em Kioni, uma charmosa pequena baia com um vilarejo no fundo.

O porto é precário, atracamos de popa para o cais jogando nosso ferro muito longe, o qual parece que pegou bem.

O fundo não é de boa pega e estamos com a proa para SW o que significa que o vento NW, predominante nesta época e que sopra por aqui com rajadas fortes nos pega em cheio pelo costado, forçando muito nossa ancora.

Como segurança, com a ajuda do Felipe lancei uma outra ancora usando o Flexboat com um longo cabo de 1 polegada de 100 metros de comprimento.

Ao nosso lado, um veleiro Belga, com o qual logo fizemos amizade.

15:00 Começam a chegar os barcos para pernoitar aqui. É uma grande confusão, pois os ferros são jogados e normalmente não pegam bem e a operação tem que ser repetida.

Como há muitos cabos no mar devido às ancoras (inclusive o nosso) fica difícil manobrar, ainda mais com um vento força 5 que sopra agora.

Assim, um veleiro italiano acaba de cortar o cabo do Belga, cujas filhas saíram com um pequeno inflável para remediar a situação.

Lá se foi também o cabo de um belo veleiro dinamarquês.

Um outro italiano, do veleiro Rainbow, tenta entrar à nosso bombordo, mas é pouco pratico e não consegue após muitas tentativas. Meu cabo quase foi.

Sai então com o Flexboat para ajuda-lo mas ele é mesmo desajeitado, mesmo assim não conseguiu.

Sugeri que entrasse de proa e atracasse de costado no píer, mas não aceitou meu conselho e continuou tentando.

18:00 o vento amainou, o porto está coalhado de barcos e o Rainbow atracou de proa e de costado como eu tinha sugerido. Mas o pobre homem nem consegue dar um nó para amarrar se barco. Todos ajudam e ele (que viaja junto com a mulher) aliviado, agradeceu.

23:00 Jantar de despedida do Felipe, com grande confraternização com a família Belga.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, July 25, 1998

11:00 Acabo de voltar de Vathi onde fui buscar a moto. Sai cedo pela manhã, junto com o Felipe. De taxi, fomos até Aftos, de onde sai o Ferry que o levará ao continente. Ele continua a viagem, com sua grande mochila, por Delfos, Corintos e pelas ilhas do Egeu.

Foi uma boa semana que passamos juntos, ele é ótima companhia e estou seguro que se continuássemos com nossa vida de cidadãos comuns em São Paulo, jamais teríamos tido a oportunidade de conhece-lo melhor e conviver com ele.

O taxi me deixou em Vathi, onde tínhamos deixado nossa moto, bem trancada, junto ao porto.

A viagem de volta, a fiz pelo trajeto mais difícil, uma pequena estrada que sobe a 800 metros e costeia o golfo de Aetos. Lindíssimo, valeu a pena.

Mas a estrada é abandonada, só encontrei um automóvel. O resto, vacas e uma infinidade de cabras.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, July 26, 1998

De moto, Milena e eu fizemos um belo giro pela ilha. Fomos muito alto, até a "escola de Homero" onde a vista é incrível.

Voltamos para almoçar no San Marino, estamos com saudades da nossa comida.

Decidimos ficar por aqui, em Kioni, por mais uns três dias, para fazer o tratamento da madeira externa. Vou aplicar um impermeabilizante que comprei na Itália, vamos ver ser é aquilo que o vendedor disse.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, July 27, 1998

Dia de muito trabalho.(preparei toda a superfície e tratei as madeiras da popa). A Milena aproveitou para fazer uma limpeza profunda nos carpetes.

No fim do dia fomos jantar em Stavros, uma pequena vila no interior, de moto.

A moto parece que é muito útil por aqui, pois a melhor comida está no interior.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 28, 1998

Mais um dia de trabalho com as madeiras.

Como sempre à tarde, grande confusão de barcos que chegam para atracar, a maioria veleiros charter onde a experiência da tripulação é mínima. Trombadas, cabos enrolados nos hélices, ancoras arrancadas, muitos gritos e berros, algumas brigas, é o menu de todos os dias.

Muito divertido, quando já se está bem ancorado.

Fizemos amizade com a Ushi e o Karl Heinz, do Golden Gate, um Linser 40, trawler de 40 pés.

Ficamos bebendo champanhe (que eles delicadamente trouxeram) no San Marino até tarde e escutando musica.