Maiorca e Menorca
Atravessando o Golfo de Lion - Mahon Amigos Italianos Fornels e muito vento Puerto Colon Palma de Maiorca - A seco, no estaleiro
LOG ENTRY FOR: Monday, July 17, 2000
11:00 Como vamos partir hoje, coloquei o Avon na água para levar nosso lixo para terra. Ele se resume num cubo de 20x30X30, lixo de 2 semanas, compactado.
Encontrei o Espalmador , de Nantes, atracado na marina de porto Conte.
É um veleiro francês de alumínio, que encontramos em Santorini e também teve sua ancora solta no mesmo dia que nós. Depois eles invernaram em Creta, no mesmo porto que nós. Mas não há ninguém a bordo, os vizinhos me informaram que eles foram para a França e deixaram o barco só.
13:40 Tudo pronto para partirmos para as Baleares. A previsão é boa, ondas de um metro vindas de NW. No começo vamos rolar um pouco e depois amanhã, quando estivermos chegando, ondas vindas de leste.
Tempo de viagem previsto 24 horas. São quase 200 milhas.
14:10 motores ligados, vou subir o ferro.
14:40 Rumo 258, para Mahon capital de Menorca, a 185 milhas daqui.
15:05 Ondas de um metro e meio, como esperado, de WNW, um pouco mais para oeste que o esperado, melhor para nós. Viajamos a 1500 rpm, 8 nós, 50 litros por hora de consumo.
16:10 O mar continua igual, vamos rolando um pouco, em geral 5 graus, 10 graus nas ondas maiores.
Acabamos de deixar a plataforma terrestre em que repousa a Sardenha, a profundidade caiu bruscamente de 200 para 800 metros e vai desce até 2.400. Bom para o mar, que fica com ondas mais longas e baixas.
18:30 Pouco a pouco vai caindo a tarde, o sol está em nossa proa, nosso rumo é oeste.
O mar vem bem de través, ondas de um metro, continuamos rolando 5 graus.
No horizonte à proa, o mastro de um veleiro. Estas rotas de travessia no mediterrâneo são muito pouco freqüentadas, os barcos ficam quase todos sempre costeando. Desde que saímos de Porto Conte, é o primeiro barco que avistamos.
O vento está força 4, alguns carneiros no mar.
A Sardenha e a Córsega já não são mais visíveis, Estamos a 33 milhas da costa.
É bom só ter horizonte mar. Estar no centro de um circulo perfeito com nada em volta. E o pequeno veleiro solitário também, em que estará pensando?
20:45 O sol começa a se por, o mar está vermelho pelo reflexo do céu. "rosso di sera buon tempo si spera" diz o ditado italiano.
21:15 Tortelloni al burro e Salvia, (como só a Milena sabe fazer) creme de chocolate com chantilli, este o cardápio desta noite, que comemos depois de um belo banho quente. Mas para quem pensa que tudo é conforto, devo dizer que andamos nos segurando pelas paredes, o mar continua alto o suficiente para não dar um minuto de sossego.
O sol já se afogou no mar revolto mas deixou os seus rastros num céu ainda vermelho.
Estamos tendo corrente favorável desde o começo, vamos ganhar quem sabe uma hora.
Fui abrir a geladeira e encontrei um ovo solto, que rolava de um lado para o outro, como louco, e não quebrou!
Tal como nós no San Marino, rolando neste mar imenso. Logo imaginei que nossas vidas são a mesma coisa. Frágeis criaturas todos nós, rolando ao sabor da vida, alguns quebrando no princípio, outros no meio, outros nunca. Rola o ovo, rola o San Marino, rolamos todos nós, é tudo a mesma coisa sem importância.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 18, 2000
00:38 estive dormindo até agora. A Milena como sempre segura o tranco a noite, faz a vigia e a guarda. O mar continua o mesmo, talvez um pouco mais forte. Estamos rolando 10 graus. Poderia começar a fazer um zig-zag mas preferimos assim. Até que um pouco de balanço nos traz belas recordações.
A lua, linda, clara, forte, nos dá perfeita visibilidade, mas mostra também com clareza o quebrar das cristas das ondas, o que às vezes é um pouco assustador
02:00 Estamos bem no meio da travessia. cada vez rolamos mais, o vento está forca 5 e o mar é ainda é resto das tempestades da semana.
03:00 mudamos um pouco o rumo, 247, 10 graus mais para o sul. O balanço diminuiu muito, está mais confortável.
06:00 Acordei agora. A Milena está no comando desde as 04:30 e o mar cada vez pior e muito confuso.
Um lote de vagas vem de N.E. e nos pega na aleta de popa. Tudo bem, nos faz andar suave. Outro vem de N.W. e nos faz rolar. Quando coincidem duas vagas uma de cada direção e caímos no vazio das duas, rolamos até uns 25 graus.
Aumentei para 1650 rpm, 8,4 nos. o barco ganha um pouco de sustentação, rola menos agora.
10:15 Mahon, capital de Menorca, a 30 milhas. Dormi mais um pouco, a Milena corrigiu o rumo que tínhamos alterado devido às ondas, estamos com a proa para Mahon.
A cidade foi tomada por Fenícios, Cartagineses, Gregos, Romanos, Vândalos, Bizantinos, Visigodos e Mouros. Parece que foi fundada por Aníbal em 206 DC.
Nos tempos modernos foi tomada por Afonso II de Aragão, foi sitiada por Barbarossa em 1558, ocupada pelos ingleses em 1708. Em 1756 um destacamento francês desembarcou em Menorca, que ficou em mãos gaulesas só por 13 anos.
Foi neste período que Richelieu serviu no banquete da vitória em Paris um molho chamado mahonésa (mayonnaise - baseada no aioli local), que desde então tanto sucesso fez no mundo.
Em 1782 uma coalizão Franco-espanhola tomou de novo a ilha aos ingleses, recapturada 16 anos depois.
Em 1802, pelo tratado de Amiens, a ilha retornou à Espanha.
Tudo isto nos excita a curiosidade para conhecer uma cidade que tantas influencias sofreu, e para mostrar a importância estratégica de um porto tão protegido e seguro, que vamos entrar daqui a pouco.
10:30 Cruzam a nossa proa dois navios cargueiros. Saio para olhar melhor e vejo um grande cardume de peixes voadores pequenos cruzando a nossa proa. Nuca vi em tão grande numero.
10:50 Um imenso navio de passageiros está em rota de colisão conosco. Desvio, mas ele também muda de rumo. Vai para Mahon. Volto assim ao meu rumo anterior, vamos entrar os dois, ele à frente, eu atrás, mas ainda faltam 3 horas para chegar.
13:05 Estamos a 6 milhas da barra do porto. Já dá para distinguir claramente os faróis e as falésias que estão em volta.
Vamos entrar na baia e dar uma olhada para ver se ancoramos ou se atracamos no cais da cidade.
14:00 Estou jogando o ferro atras da ilha Reyes, em 14 metros de fundo. Deixo rolar 75 metros de corrente.
Há diversos barcos em volta, tentei encontrar um local mais seguro e livre de bater nos outros, mas depende muito de quanta corrente eles jogaram.
Vamos dormir, cansados.
17:00 Acordo com a buzina de um barco. É nosso vizinho, um trawler inglês, reclamando que parei muito perto. Ele tem razão. O vento girou, ele certamente botou menos corrente que eu, e fomos mais perto.
Ele irritado, já tinha levantado o ferro e estava indo para a Marina, aqui perto. Sorte nossa, pois seriamos nós que deveríamos mudar de posição se ele pedisse.
Coloco o Avon na água, e vou em busca das autoridades para fazer a documentação de entrada na Espanha, que sempre foi muito burocrática.
Fui perguntar numa loja de náutica. - resposta "fique no seu barco, o pessoal que toma conta do ancoradouro já deve estar lá."
Voltei, eles chegaram, preenchi um papel, tudo feito, 12 dólares por dia para ficar ancorado aqui com direito à recolha do lixo.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 19, 2000
Hoje chegam o Marino e a Grazia.
A Grazia é uma amiga de infância da Milena, dos tempos em que ela morava em Rímini.
Se encontraram novamente ha alguns anos atrás, e ao contrario do que acontece normalmente, retomaram a amizade com o mesmo ímpeto dos tempos de juventude.
A amizade é composta de muitos fatores. Inclui admiração, e inveja, aprendizado e ensinamento, tutela e liberdade, além e principalmente dos fatores do coração.
Todas características que mudam com o tempo, e raramente uma amizade infantil pode ser retomada com o mesmo vigor de antes.
A exceção foi portanto bem vinda, principalmente por que o Marino, um artista plástico bem sucedido e filósofo político conhecido, com quem costumo bater longos e agradáveis papos se tornou também meu amigo.
Fui busca-los com o inflável no píer do restaurante Minerva onde eles já estavam quando cheguei.
De longe vi a Grazia com seus cabelos negros e curtos e o Marino com sua blusa de lã sobre os ombros, à maneira italiana.
Carregamos no pequeno bote as inúmeras bagagens, e lá fomos numa conversa animada, voltando ao San Marino, que girava em sua ancora no fundo da baía.
A Milena espera na plataforma de popa, ajudando a descarregar as malas e sacos.
Muitos beijos, conversas, largamos tudo e corremos para a pequena cidade de Mahon.
O céu já começava a dourar, como sempre a tarde por aqui, e demos um belo passeio a pé pela cidade.
Uma paella para jantar, mas não fomos felizes com a escolha do restaurante.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 20, 2000
Acordamos já tarde e voltamos a caminhar pela cidade. Há um belo mercado, as ruas pequenas são encantadoras, há muita vida e alegria.
Uma rua ladeia todo o porto e subindo-se, para um plano uns 100 metros acima, está a cidade.
O mercado serviu de palco para a escolha de temperos e vinhos, tudo numa preparação de nosso próximo cruzeiro pelas baleares.
Voltando ao San Marino, ao reiniciar a diária operação de ligar o gerador, etc. etc., constato que o ar condicionado parou de funcionar. Não faz falta, mas o defeito é fácil de consertar. Basta comprar uma nova bomba de água que força a circulação de água fria por todo o barco. A original queimou o enrolamento, certamente por corrosão depois de 8 anos de vida marítima.
O jantar esta noite foi magnifico. Foi no Minerva, onde há um píer.
Comemos coisas do mar, navajas, dátiles do mar, vongoles, mariscos diversos, peixe e camarão.
Voltamos já alegres pelos Rioja que estavam à mesa.
Continuamos com a festa a bordo.
O Marino tinha comprado durante o dia uma garrafa de Lepanto, famoso brandy espanhol, e me ofereceu como presente., que logo foi aberto e nos manteve acordados até às 3 da manhã, com muita música.
LOG ENTRY FOR: Friday, July 21, 2000
Almoçamos sanduíches na cidade.
Antes tínhamos ido à catedral, onde há um maravilhoso órgão, e pegamos do meio, o concerto de Brandenburgo, de Bach. O interprete não era lá muito bom, mas valeu a atmosfera do lugar.
Consegui encontrar uma bomba de água para o ar condicionado. Não é idêntica à original, mas servirá bem.
O Marino foi à cidade e comprou material de pesca e minhocas. Ficou em serviço contínuo durante boa parte do dia.
A Milena e a Grazia saíram para continuar a comprar provisões.
Antes de sair em cruzeiro é assim mesmo, há que preparar tudo.
De minha parte, comprei cartas náuticas, e algumas peças elétricas.
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 22, 2000
10:30 Café da manhã tomado, rota pronta vamos sair.
11:05 A saída a barra foi movimentada. Um grande navio (Vitoria) saía, um ferry (Valencia) entrava. Muitos pequenos barcos como o nosso, se encostavam no canal para dar passagem aos brutos.
11:25 Rumo 342, para o cabo Favatrix. O mar está bom, ondas de 1 metro de popa, tempo belo.
12:20 Cabo Favatrix a bombordo, vamos mudar de rumo, 311, proa para o cabo Pantinat.
13:10 Cabo Pantinat bombordo, assumo o comando manual, do Fly Bridge, vamos entrar em Fornels, uma baia bem protegida de todos os ventos, exceto norte.
14:00 estamos fundeados, ao norte de uma pequena ilha, 7 metros de profundidade.
O fundo aqui, de acordo com o pilot, não é de boa pega, não vou testar com os motores, e sim deixar que corra naturalmente até pegar. Temos espaço de sobra.
Nadar, curtir o local, e a pequena vila bem em frente.
21:00 De Avon fomos jantar, comer uma maravilhosa caldereta de lagosta, especialidade da região, no Les Pons. Não há lugar, tudo cheio. A Milena pede, chora, nada. Vamos ficar sem caldereta.
Passado alguns minutos resolvi voltar com uma gorjeta boa na mão, para tentar de novo. Ao chegar-me ao maitre ele disse, (antes de saber que eu trazia a gorjeta na mão fechada) "consegui uma mesa" .
Ótimo, melhor assim, jantamos muito bem e no final depois do pagamento e da gorjeta costurmeira, procurei-o e entreguei aquilo que tinha planejado dar antes. Todos felizes.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 23, 2000
A bomba nova do ar condicionado, resolvi colocar hoje. O tempo é bom, cada um de nós tem coisas a fazer, vou fazer a minha. A Milena e a Grazia, fazem uma faxina geral.
Enquanto isto o Marino pesca nosso jantar, pequenos peixes que nós no Brasil jogaríamos fora, e que aqui são considerados com muita sabedoria, iguarias incríveis.
A verdade é que o jantar foi ótimo, estes pequenos peixes foram cozinhados pela Grazia num molho delicioso a base de tomate, estava magnifico.
22:00 Estávamos sentados no jardim de popa conversando e comendo uvas excepcionais, quando começou o vento forte.
Um sul, depois leste, depois nordeste, força 6 com rajadas.
Há quase uma centena de barcos fundeados, quase todos correram o ferro.
Com o radar ligado, controlo nossa posição e a dos barcos próximos.
É uma grande festa no mar, gente girando, ferros subindo e baixando, outros mudando de lugar.
O Vortex, veleiro francês de uns 50 pés, jogou o ferro muito próximo de nós, mas não há perigo, estamos controlando. Eles estão a uns 30 metros bem à nossa popa. Se nosso ferro corre, vamos em cima deles.
Estamos sentados no jardim de popa, vamos ficar por aqui ainda algumas horas.
LOG ENTRY FOR: Monday, July 24, 2000
01:00 o pessoal do Vortex vem falar conosco, perguntado se estaremos de guarda. O vento aperta, acho que estamos garrando um pouco, nos aproximamos do Vortex. Pode ser apenas a corrente que se retesou (estou com 50 metros na água) ou o ferro que afundou um pouco mais na lama mole.
01:45 Parece que estamos mesmo indo em cima do Vortex. Ligo os motores, subo aos poucos o ferro , jogo a Fortress que não pega, recolho, jogo outra vez o CQR que unha bem.
Isto numa boa escuridão, com muitos barcos girando em volta de nós, procurando um bom lugar. Um confusão.
O Marino, a Grazia e a Milena vão dormir, cansados.
Fico no Pilot house, como sempre mudo de casa quando o vento aperta.
Deixo o timer da cozinha ao meu lado, com 15 minutos de tempo. Durmo e acordo.
2:30 O vento acalma, tudo volta ao normal, vou dormir direto e confiar no alarme do radar. Estamos bem no meio da baia, há muita área de fuga.
10:10 Não ha mais vento forte, mas não podemos ir para Ciudadela, como pretendíamos, pois o radio Menorca avisou que ha ressaca no porto, e isto impede realmente sua utilização.
O S.W. que vai soprar hoje entra direto em Ciudadela e provoca mares de ate 1.5 metros dentro do porto e ressaca violenta.
Vamos ficar por aqui, curtindo ainda Fornells.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 25, 2000
99:15 Estamos deixando Fornells.
9:49 Cabo Cabelera em nossa bochecha de bombordo. É a ponta norte de Menorca, ha um Racom.
Vamos mudar o rumo ao passa-la, proa para oeste.
11:30 Estamos ancorados na baia de Cala Morts.
O vento continua aumentado, força 5.
Com o Flexboat vamos à praia nadar e curtir a região.
A água é muito clara, há diversos barcos ancorados de dentro da pequena baía.
13:45 Voltamos a navegar, agora rumo a Maiorca, se o mar permitir.
14:20 O vento aumentou muito, está força 6. A previsão dizia força 3. É muita diferença.
O mar deve estar difícil no canal entre Maiorca e Menorca, pois a direção esperada era SW, está SE.
Quando manejei os cabos sob tensão para mudar de posição o Flexboat que estávamos rebocando, prendi o dedo anular direito. Coisa de principiante, não deveria acontecer.
Acabo de imobiliza-lo. Não sei se quebrou ou luxou. Vamos esperar.
Decidi mudar de objetivo, vamos dormir na Cala Fontanellas ou em alguma outra vizinha. Vamos dar uma olhada.
Decidi pela Cala de Algareines, que está a duas milhas daqui.
É pequeno, cheio de barcos, água claríssima e turquesa, fundo de areia, 8 metros. Jogamos o ferro que unhou firme, de primeira.
22:00 Decido dormir no pilot. Pode haver vento, todo cuidado é pouco.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 26, 2000
01:00 Acordo com o vento rugindo e o alarma do radar berrando. É um veleiro que estava em nossa proa e garrou. Está passando lentamente a nosso lado. Mas há luz a bordo, já perceberam, tudo em paz.
01:25 A rádio Menorca começa a chamar o veleiro francês Bayus, que está sem motor e emitiu um pan-pan.
02:15 O contato com o veleiro foi feito, escuto as transmissões da radio Menorca no canal 16. Eles não podem dar a posição para o barco de salvamento ir busca-los pois o GPS deles está sem baterias. Mas dizem estar a 10 milhas da boca do porto de Fornels.
O barco de salvamento Antares já está na região mas não consegue localiza-los.
A radio Menorca pede que eles soltem foguetes de sinalização, eles respondem que não tem a bordo!
Menorca pede então que iluminem as velas de algum modo.
2:40 O Antares os localiza. Eles querem ser rebocados para Fornels, mas o Antares recomenda Mahon. Argumenta que como eles estão sem motor e em Fornels não há píer, se ficarem lá ancorados, com o péssimo fundo (sabemos bem) podem garrar e sem motor não terão saída.
7:45 Vamos levantar ferro outra vez e tentar ir para Puerto Colon em Maiorca
8:10 Estamos fora da barra no rumo para o cabo Nati, ponta norte oeste da ilha. Lá já vai dar para ter uma idéia de como estará o mar ate Maiorca
9:55 Já andamos 10 milhas fora da costa de Menorca. Nosso destino, porto Colon esta agora a 35 milhas.
Ha mar formado de ondas longas por nossa bochecha de bombordo, ondas de 1.5 metros, ocasionalmente 2. Mas o San Marino navega macio, tranqüilo e não rola, caturra.
Nossos amigos italianos estão enjoados, vamos esperar que consigam dormir.
10:30 Já se pode ver a costa de Maiorca. O mar baixou um pouco, é a sombra da ilha.
Dia bonito, não muito quente.
O Marino dorme, a Grazia está bem.
10:40 Andamos 6 milhas em rumo ligeiramente errado, 15 graus ao norte. Me enganei e ao invés de acionar a navegação por satélite deixei em rumo magnético, ao desviar de uma rede de pesca, que são muitas por aqui.
Corrigi o rumo, pois percebi ao pilotar a posição na carta e conferi-la no radar. Nada de especial, mas serve de lição.
12:00 Vimos alguns golfinhos, mas ao chamarmos os amigos que dormiam, eles já se tinham ido.
14:20 Entramos em Puerto Colon, está tudo muito cheio.
Não ha lugar para ancorar, tudo tomado por poitas já ocupadas. O único lugar é na entrada da barra, onde entra um swell de sul, que agora existe. Jogamos o ferro ali mesmo, e ficamos rolando esperando passar a hora da "siesta" pois ninguém responde ao VHF.
16:00 Falei com o Club Nautico pelo canal 9. Eles não tem lugar, me recomendaram atracar junto ao posto de gasolina
17:00 Atracados de costado. A Milena foi ao Cabeleireiro, nós ficamos descansando a bordo.
Fui até as autoridades portuárias para ver se poderíamos mesmo ficar ali, tudo está muito fácil, dá para desconfiar.
19:20 Vem o encarregado do porto, dizer que não podemos permanecer ali. Toca procurar outro lugar para ancorar, mas tudo é muito raso.
Me meti no meio de uma meia dúzia de pequenos veleiro e catamarãs (onde há catamarã significa pouca profundidade) e quase encalhamos em 1.6 metros de fundo. Mas mesmo assim joguei o ferro. Ficamos muito próximo de todos os outros barcos. Para evitar uma nova noite mal dormida, vamos novamente mudar e retornar ao ponto de origem: a boca da baia.
20:30 Decidimos jantar no Caler Sa Sinia, bem em frente o clube náutico, magnifico restaurante, vale uma viagem à Puerto Colon, só para comer lá.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 27, 2000
9:30 Estamos mal aqui em Puerto Colon. Rolou muito a noite, vamos direto para Palma. Lugares nas marinas, só na segunda feira. Assim, vamos ficar na ancora em algum ponto da baia de Palma e curtir este belo mar.
9:55 Rumo 203, 1600 rpm, 8.5 nos, estamos rodando Maiorca pelo sul, vamos para Palma, 45 milhas daqui.
10:18 Calla d'or a boreste, mudamos de rumo, 236, Punta Salinas em nossa proa a 9.3 milhas.
Punta Salinas é o extremo sul de Maiorca.
11:23 Acabamos de dobrar o cabo Salinas.
O mar continua belo e calmo.
11:54 Soa o alarme de nível de água da casa de maquinas.
Uma das muflas, a do motor de boreste está vazando água.
Para evitar trabalhar dentro da sala de maquinas com os motores girando, desligo um dos motores e vamos viajar com um só.
Estamos agora a 1670 rpm, só com o motor de bombordo, 7.3 nos, 37 litros por hora.
Aumentei para 1760 rpm, 41 lph, 7.7 nós.
13:30 Pelo telefone a Milena arrumou um lugar no Puerto El Arenal, uma marina.
Vamos para lá, dar um pouco de civilização a nossos hospedes.
14:30 Já estamos atracados, o vento lateral dificultou a manobra mas entramos com perfeição.
A marina é boa e bem organizada.
19:00 O Marino chega com uma jarra de sangria, amanhã é o aniversario da Grazia, iniciamos hoje a comemoração.
Ele também encomendou uma grande paella que comemos no San Marino, acompanhada de um tinto de Penedes.
LOG ENTRY FOR: Friday, July 28, 2000
Alugamos um carro giramos por toda a ilha. É muito bela e cheia de acidentes geográficos sobre o mar.
O aniversario da Grazia foi comemorado com muito vinho e lagosta no restaurante El Caballito, muito bom, a convite do Marino.
Consertei o vazamento da mufla de boreste usando epoxi. Ficou perfeito, mas logo que puder vou retirar a mufla para examina-la e soldar convenientemente a pequena rachadura.
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 29, 2000
Continuamos a girar pela ilha com o Marino à direção. Que bom ter alguém sempre guiando.
Palma é muito bonita, sua costa norte é escarpada e rochosa, há belos panoramas para agradar a retina.
LOG ENTRY FOR: Monday, July 31, 2000
12:00 Estamos navegando outra vez, agora rumo a "las illotas", um conjunto de pequenas ilhas na baia de Palma.
Nossa intenção é dormir esta noite lá e amanhã ir para o Boatyartd Palma, onde vamos subir o San Marino , fazer a inspeção anual da ABS e talvez pintar o fundo com tinta anti-vegetativa.
13:05 Ancorados na parte sul de "las illotas", junto a uns 10 barcos de diversos tamanhos.
Rola um pouco mas a água é limpa e quente.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 01, 2000
Rolou muito a noite, mas a manhã abriu bela e clara.
"Las illotas" são um conjunto de pequenas ilhas que ficam ao norte de Palma, a umas 5 milhas.
Muita gente vem de barco para cá durante o dia, curtir a beleza e a calma do local, mas a noite ficam poucos para dormir.
Temos ao nosso lado um belo trawler americano de uns 80 pés, um veleiro inglês ainda maior, um catamarã e três veleiros pequenos.
Um deles, francês, como sempre com todo mundo nu a bordo.
Mas por aqui isto não faz muita diferença, pois também nas "illotas" há muita gente pelada, e parecem ser espanhóis mesmo.
14:50 Está na hora de partir.
Combinamos ontem com o pessoal do estaleiro "Palma Boatyard" que dormiremos na "piscina" do travel lift.
Ferro no ar, motores ligados.
Pouco a pouco vamos nos aproximando da última das ilhotas.
15:20 A barra do imenso porto de Palma está à nossa proa.
Há bastante mar neste pedaço, o vento é sul e entra direto na baía.
15:45 Estamos já dentro do porto, protegidos pela imensa barragem de concreto.
Há muitos navios, de todos os tamanhos.
O estaleiro fica próximo do Real Yacht Club e é para lá que nos dirigimos.
17:30 Estamos na piscina do travel, encostados a bombordo.
20:00 Fechamos tudo, o San Marino está quase no meio da rua, e fomos fazer um bom jantar em Palma, que ninguém é de ferro!
LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 02, 2000
8:00 Chegou o Javier, o inspetor da ABS que tem mil exigências.
O San Marino só vai subir às 12, no meio tempo vamos fazer os testes na água (gerador, motores funcionando, bombas de incêndio e porão, etc.).
A ABS (American Bureau of Shipping) é a sociedade classificadora que acompanhou a construção do San Marino no Brasil, e classificou-o como Cruz de Malta A1+ MAS, a melhor classificação possível para um barco de nosso porte.
Mas para manter esta classificação, que nos permite entre outras coisas uma boa economia nos prêmios de seguro, temos que nos submeter a inspeções anuais.
Fizemos uma no Brasil, uma na Itália, uma na Croácia , uma na Grécia e outra na Turquia.
Esta de agora, sendo a relativa a 5 anos, será muito maior e mais completa.
Eles nos solicitaram colocar o San Marino no seco para inspecionar eixos, hélices e lemes. Vamos ver como vai ser.
11:00 Já estamos no ar, lentamente nos encaminhando para nossa posição no pátio do estaleiro.
O coração fica sempre na mão nestas horas, será que hoje o travel lift quebra?
12:30 Pousado sobre nossa resistente quilha e calçado com cavaletes, começa a lavagem do casco com água sobre pressão.
Dentro do San Marino atendo às exigências do vistoriador.
A vistoria é completíssima. Desmontamos todas as bombas a bordo inclusive as de água doce e salgada dos motores. Gerador totalmente desnudado e examinado nos mínimos detalhes.
Motores com as tampas das válvulas retiradas, ele queria que eu abrisse os cabeçotes e o cárter. Mas acabamos chegando a um acordo e consultando a Detroit que disse que um motor com 1700 horas é ainda novo.
Parte elétrica vistoriada com teste de resistência e fuga de corrente. Parte hidráulica, com toda a tubulação checada e apalpada. Mas tudo estava perfeito, acredite quem quiser.
O Marino e a Grazia, foram para um hotel, nós ficaremos no San Marino. Podemos viver confortávelmente no seco, enquanto nossas caixas de esgoto agüentarem (uns 10 dias).
Fomos jantar juntos no La Cueva, tapas incríveis, ótimo ambiente. É nossa despedida, amanhã cedo eles partem de volta a Rímini, sua terra.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 03, 2000
A inspeção exige a remoção dos dois eixos e dos lemes e das válvulas de casco. É a parte mais difícil, não vou fazer sozinho.
Pedi auxilio à oficina local, que enviou dois mecânicos ingleses (todo mundo por aqui ou é inglês ou é alemão) o Mike e o Garry vão trabalhar conosco.
14:00 Estamos tentando tirar os dois eixos, com a mesma dificuldade que teve o Precioso, seis anos atras, na Verolme.
Vamos também remover o leme, que na minha opinião está perfeito.
O inspetor voltou ao hotel, pois o pino da flange do eixo de bombordo não quer sair. Fiquei de chama-lo por telefone quando os eixos estiverem fora.
Ele é muito jovem e também muito cuidadoso.
18:00 O eixo não sai mesmo, vamos parar e continuar amanhã.
Telefonei ao Javier para informa-lo e convidei-o para jantar.
Fomos a pé, em busca de um bom restaurante e achamos um maravilhoso, na cidade, onde não vão os turistas.
É o La Cuchara, imperdivel, onde comemos foie de canard, maravilhosas costeletas de cabrito, tudo perfeito.
LOG ENTRY FOR: Friday, August 04, 2000
O pessoal chegou às 6 da manha, para trabalhar com menos calor.
O Javier está esperando meu telefonema para vir para cá e continuar a inspeção, tão logo o eixo seja removido.
Ele precisa verificar o estado dos rolamentos de borracha que trabalham dentro da água, e eu também estou curioso em saber em que estado eles estão.
Qualquer desalinhamento na montagem dos pés de galinha aparece como desgaste irregular destes importantes rolamentos..
Mas a Flange do eixo não sai, é o mesmo problema que tivemos na Verolme.
Vamos tentar com calor. Veio da oficina um mecânico escocês que se intitula "o louco" pois com oxigênio e marreta solta qualquer coisa. Conseguiu soltar o parafuso da flange, aqueceu tudo com o maçarico, deu pancadas para valer, mas não o pino não saiu.
O jeito é furar, lentamente com nossa furadeira pesada. Ainda bem que sei afiar brocas, herança de minha mocidade quando trabalhei em ferramentaria, uma arte difícil de aprender.
14:00 Ninguém agüenta mais, vamos deixar para amanhã, o pino não sai.
O inspetor voltou a Madri e voará de novo para cá quando os dois eixos saírem.
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 05, 2000
Chegaram às 8, o Mike e o Garry. Em 3 horas entre furar e bater, o pino saiu. Torto e destruído. Preciso descobrir a causa, pois não é normal.
Para comemorar vamos ao bar tomar um café, que virou cerveja.
Já que o pino saiu e hoje é Sábado, vamos deixar tudo para Segunda e comemorar.
Não vai ser um eixo teimoso que vai estragar nossa alegria.
Às 2 da tarde voltei ao San Marino, depois de muita conversa mole como o inglês chefe , o Barry, que era corredor de motocicleta e que navegou quase todo o mundo num pequeno veleiro. Já esteve em Trizonia, no Lizzys bar, onde comprei a camiseta que estou vestindo. Daí para mil conversas náuticas e não náuticas, ajudada por muitas cervejas.
18:00 Depois de tanta cerveja, um bom sono, acordei agora.
Mas estou mesmo muito cansado, 30 dias de travessias, muito vento, convidados, e três dias de inspeção rigorosa ABS. Vamos dormir cedo.
A Pobre da Milena está chateada com tanta espera.
LOG ENTRY FOR: Sunday, August 06, 2000
Palma é uma lindíssima cidade, e tiramos o dia para conhece-la a pé.
Palácio do Rei, Catedral, os bairros judeus e árabes, as avenidas.
Sentamos num bom bar para almoçar as maravilhosas tapas. É Domingo, muitas gente passeando com aquele ar de despreocupação que tão bem faz.
Há turistas, mas não tanto a ponto de ofuscar os locais.
A esta hora, num belo dia, eles estão quase todos na praia ou na piscina, e deixam por um tempo a cidade calma.
A noite voltarão, como horda de bárbaros, ávidos por momentos exóticos de alegria ou violência.
Há muitos "hooligans" por aqui, que viajam em férias só para demonstrar sua bravura idiota.
LOG ENTRY FOR: Monday, August 07, 2000
O segundo pino saiu logo, fácil e docemente. Os eixos também, correram como sobre trilhos lubrificados para fora de seu alojamento.
Os lemes do San Marino são montados ligeiramente fora da linha dos eixos, como todos os barcos deveriam ser, assim é possível remover o eixo sem remover o leme.
Telefonei para o Javier, que já tinha ido para Madrid. Não ha aviões hoje, e o Javier também não poderá viajar.
Virá um outro inspetor, para terminar o trabalho.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 08, 2000
O novo inspetor chegou às 9 da manhã.
Tudo foi muito rápido. Ele conferiu o estado dos rolamentos, que estão perfeitos, conferiu a folga dos rolamentos do leme que estão também corretas, fez um teste para verificar a existência ou não de fissuras nos pontos mais críticos de cada eixo (com ajuda de um spray colorido), verificou uma das válvulas de casco que tínhamos previamente desmontado e assinou o certificado de inspeção.
Tudo em ordem, vamos remontar tudo amanhã.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 09, 2000
O Mike descobriu porque o pino do eixo de bombordo foi tão difícil de ser retirado.
O eixo de bombordo era o eixo reserva que eu deveria estar levando no costado de bombordo, para emergências.
Lá estava o eixo original. Como isto foi acontecer não sei, na construção devo ter me enganado e deixado montar o eixo reserva no lugar do original.
Colocamos os eixos, e tudo está bem.
Como segurança vamos montar novos rolamentos, tanto os que trabalham dentro da água, quanto os que trabalham dentro da casa de máquinas.
Vamos também colocar novos pinos.
Temos a bordo todas estas peças, com exceção dos rolamentos que trabalham dentro da casa de máquinas.
Eles foram encomendados em Madrid, mas ainda não chegaram.
LOG ENTRY FOR: Thursday, August 10, 2000
9:00 Nada de rolamento, ficaremos na espera.
Aproveitamos para em nosso scooter, procurar novas bombas primárias para o dessalinizador, que achamos com alguma dificuldade. Quero troca-las logo que for possível, pois estão no mesmo estado que a bomba do ar condicionado que falhou em Mahon.
12:00 Estamos de volta, os rolamentos chegaram.
14:00 Os eixos estão montados e no lugar. Tudo se encaixou à perfeição e com suavidade como deve mesmo ser.
Montamos também os hélices originais, pois em Pescara eu tinha trocado por hélices pesadas, muito robustas, para suportar melhor eventuais batidas e rochas ou mesmo no fundo, o que felizmente nuca ocorreu.
Os hélices originais, de perfil mais delgado e preciso, são mais eficientes e assim o San Marino fica mais econômico, importante para a travessia que pretendemos fazer no próximo ano.
15:00 Algumas cervejas com o Mike, o Garry e o Rob. Chegam também o Barry e o Paul (encarregado da pintura). Já ha um sabor de despedida no ar, muitas historias, o Rob, o escocês louco conta suas historias no mar, e haja cerveja e gim tonica. Amanha recomeçaremos às 6 da manhã, vem os três, o Rob, o Mike e o Garry.
Nós também decidimos dormir cedo.
LOG ENTRY FOR: Friday, August 11, 2000
6:00 O pessoal já chegou. Falta o Rob. Emendou ontem e encheu a cara de verdade. Hoje não apareceu.
Estamos com horário marcado para ir para água. 4 da tarde.
Temos ainda que aplicar duas mãos de pintura nos eixos, hélices e leme, colocar os zincos novos. O ajuste do selo mecânico do eixo e a colocação das facas corta cabos junto os hélices, faço eu mesmo.
15:00 Servicó feito, tudo em ordem, fomos para o bar, o Mike e eu, comemorar com uma cerveja.
Acabaram sendo três. A Milena se juntou a nós, e em seguida o Barry.
De repente vi que o San Marino já não estava mais lá, estava no caminho levado pelo travel lift.
Corri e cheguei junto com ele na piscina. Eles precisam de mim para os cabos, defensas etc.
O bruto desceu tranqüilo e pousou na água.
Corri para a casa de maquinas ver se não havia vazamentos, abri a válvula que retira o ar da câmara dos selos mecânicos, tudo perfeito.
Uma boa lavada no convés, para tirar a sujeira dos sapatos dos trabalhadores, e lá está chegando a Milena, que continuou nas cervejas e que teve que escutar todas as histórias do Barry, que eu já conhecia.
Logo em seguida vieram o Barry e o Mike despedir-se de nós.
Fechamos o San Marino e fomos para a cidade comer tapas.
LOG ENTRY FOR: Saturday, August 12, 2000
Acordamos às 10, afinal uma noite de sono completa.
A piscina está bem ao lado da proa do imenso Tatoosh, cuja tripulação informa que pertence a um americano, que recebeu este barco como presente, de Bill Gates. Ele jura que é verdade, que leu no diário de bordo.
Decidimos passar o dia aqui, sair no fim da tarde para dormir em alguma baia.
O San Marino está imundo, ha muita coisa a arrumar. Tenho que instalar as novas bombas do dessalinizador, dar uma ordem na sala de maquinas, limpar tudo, está tudo cheio de graxa.
18:00 Estamos com motores ligados prontos para sair da piscina
18:30 Estamos foras da barra. Fundo de tinta nova, hélice de passo um pouco mais longo e de perfil menor, para mais economia, 1360 rpm, 8.2 kn, 40 lph
Ondas de 2 a 3 metros vindas de S.W. São longas, como no atlântico, não incomodam, ao contrario, nos dão saudades do oceano.
19:15 Procuramos na carta uma boa baia para passar a noite. Escolhemos Palma Nova, ao norte de Palma, uma cidade moderna e cheia de movimento.
Há muitos barcos, de todos os tamanhos ancorados à nossa volta.
Jet skys barulhentos e nervosos, pedalinhos audaciosos, esqui aquático, pára-quedas, há te tudo por aqui.
Um pouco de movimento não faz mal a ninguém, nos divertimos com toda esta loucura.
LOG ENTRY FOR: Sunday, August 13, 2000
Domingo a bordo. Não saímos hoje. Desde de manhã estamos arrumando e limpando o San Marino. A Milena faz uma limpeza profunda e geral internamente, ela está irritada com tanto pó que tomamos no estaleiro. Limpa paredes com cera especial, o carpete, banheiros, tudo.
De minha parte substituí as bombas primarias dos dessalinizadores, pois comprei novas em Palma.
Depois lavei os porões da casa de máquinas e passei spray de óleo fino nos motores.
Dei também uma boa ordem nos catálogos dos equipamentos de bordo, que são muitos, estão em um armário de 70x70 e não falta nenhum. Tudo que está a bordo tem catalogo técnico e documentação.
No meio tempo nadar, curtir a bela água, a paisagem, as mulheres bonitas.