O MEZZOGIORNO
Ilha de Elba - Ilha de Ischia - Casamicciola - Scario - Vibo Valentia - O Estreito de Messina - Saline Ioniche - No Adriático
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 10, 1996
6:10 Acordamos cedo para sair rumo à ilha de Elba.
Desistimos da Córsega, vamos direto pela costa.
A previsão que chegou à meia noite, indica fim do Mistral pela manhã.
O mar melhorou, lá vamos nós.
1020 Mb, 64%, 18° C. Ontem vivi o dia mais seco até hoje. Estava com 30% de umidade relativa.
Estou iniciando o procedimento de viagem, que quando estamos em ancora é fácil. Nenhuma amarra para soltar, a ancora sobe eletricamente, nenhum cabo elétrico ou mangueira para desconectar ou guardar, e melhor, nenhuma marina para pagar.
7:30 tudo pronto, inclusive levei o lixo para a cidade.
O maior trabalho é subir o bote grande, o Flexboat, que pesa 450 kg, mas já está no Fly, sem problemas. Tive também que desmontar a ancora de tempestade e guarda-la
8:15, Fora da barra rumo a Elba
1350 RPM, 8.4 nós Mar calmo.
Hora estimada de chegada 19:00.
8:40 navegamos paralelo a um navio da marinha italiana, o F 581, que segue nosso mesmo curso.
Sai também a nosso lado o ferry para a Córsega, todo amarelo, bonito.
9:00 Um grande cargueiro, o Makedon vem por traz em cima de nós esperamos que ele mude a rota. Não mudou, mudamos nós.
Se a gente não se cuida eles passam por cima sem notar.
9:20 Voltamos à rota.
10:30 avistamos a ilha Gorgona, a 20 milhas, a 195 graus.
O mar esta relativamente calmo, com ondas desencontradas como era de se esperar. Vagas longas de S.W., balançam um pouco o San Marino.
11:04 Alterado rumo p/ 145 graus, para diminuir o balanço.
11:55 Alterado rumo p/ 196, voltando à rota.
RPM 1500, 8.2 nós, 8.9 GPS.
12:30 Nova mudança de rota para manter o zig zag: 155°
Vento S.W. força 5, o mar começa a mostrar carneirinhos
13:20 Novamente no rumo direto para Elba. O mar melhorou, rolamos menos 15:05 Ilha de Elba a vista, estamos a 20 milhas.
Deveremos chegar uma hora antes do previsto, pois aumentamos a velocidade para o barco rolar menos. Estaremos na boca do porto às 18:00.
O mar acalmou, e a viagem esta agradável. Poucos barcos no mar.
6:15 Atracados, pela primeira vez em porto publico. Foi fácil, pois tivemos sorte de achar uma vaga de nosso tamanho.
Jogamos o ferro e entramos de popa.
O pessoal dos barcos ao lado nos ajudou com os cabos de popa.
Não ha água nem energia elétrica, e também não poderemos ligar o gerador, pois fará ruído e fumaça para o barco ao lado.
Nosso gerador está com 900 horas de uso, e está fazendo um pouco de fumaça. Deveríamos segundo o catálogo ter solicitado ao fabricante uma revisão com limpeza dos bicos injetores às 600 horas. Não o fizemos, pois não encontramos desde S. Remo, um representante Nortern Lights.
Vamos economizar luz e água, para ficarmos neste lindo porto, que além do mais é de graça!
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 11, 1996
8:00 Saímos a pé para visitar o castelo do século 16 que domina a cidade, construído por Cosmino I, duque de Firenze.
Famosa por ter sido o reino miniatura de Napoleão durante um ano, em 1814, quando para lá ele foi exilado, Elba é a maior ilha do arquipélago toscano. É montanhosa e por isto mesmo oferece bela baias.
Vinhos da ilha são excelentes, tanto o Elba Branco quanto o Elba Tinto.
Elba foi sempre importante, desde os tempos antigos, pela facilidade em se obter ferro, à flor da terra.
Os Etruscos, faziam mineração aqui 6 séculos antes de Cristo.
A última mina deixou de operar em 1984. Assim estamos livre da poeira de ferro, tal como tivemos em Vitoria, o maior porto exportador de minério de ferro do mundo.
Na idade média a ilha foi dominada pelos piratas, que saqueavam navios que faziam a rota do oriente próximo.
As frotas piratas eram tão numerosas, que foi reportado, em 1564, uma flotilha de 42 navios piratas.
No século 17 e 18 a ilha foi sucessivamente dominada pela França, Espanha, Itália e Inglaterra.
O almirante Nelson, quando aqui esteve, descreveu Portoferraio como, em seu tamanho, o mais completo do mundo.
Realmente o porto é abrigado de ventos de todas as direções, é de boa profundidade por toda a baia, (10 metros) com fundo de boa pega.
Quando Napoleão chegou, veio com quase mil homens, e uma nave, a Inconstant.
Ele promoveu o rápido desenvolvimento do lugar, construiu estradas e melhorou Portoferraio, no curto período que aqui ficou, provavelmente preparando sua volta à França.
A ilha é paradisíaca, e certamente teria sido melhor para ele ficar por aqui do que retornar em aventura mal sucedida, que culminou com seu desterro para a ilha inóspita de S.ta Helena.
Poucas pessoas não ficariam apaixonadas por Portoferraio.
Pequenas ruas em subidas e descidas, mostram subitamente entre o vão das casas, vistas do mar nos mais inesperados ângulos.
Ficamos amigos dos vizinhos de bombordo, um casal de franceses, A Gera e o Jackes Charpine, de Chambery, France, que estão ha um ano no mar com seus filhos, Jacky e William
Eles compraram pizza e trouxeram para comermos juntos em nosso barco.
Fomos dormir às 3 da manhã, com muita musica francesa.
Durante o dia tentei ligar o gerador para ver se poluía muito e realmente está fazendo muita fumaça. Resolvi trocar os bicos injetores eu mesmo.
Sempre tem a primeira vez.
LOG ENTRY FOR: Friday, July 12, 1996
8:00 Saímos para visitar as casas de Napoleão. Uma na cidade, simples e espartana, outra no campo, suntuosa e com as águias símbolo de seu império. Fomos a pé, e depois no campo de ônibus.
Compramos as passagens no jornaleiro, fizemos uma boa viagem.
Na volta, ficamos fazendo hora num bar, pois o ônibus só passa cada hora e quarenta. Quando chegou, corremos, pegamos o ônibus e voltamos.
Lá dentro me lembrei que tinha esquecido meu chapéu no bar.
Descemos do ônibus, voltamos ao bar, e retornamos de taxi. Bela economia!
Consegui com sucesso trocar os bicos injetores do gerador. Trabalha suave e sem qualquer fumaça.
Os motores Diesel são menos poluentes que os de gasolina pois admitem mais ar na câmara de combustão, queimando quase totalmente o combustível.
Quando os bicos estão sujos, o spray de Diesel dentro da câmara de combustão é desigual, queimando apenas parte do combustível e o resto saindo pelo escapamento como fumaça negra.
Nossos três motores Diesel trabalham dentro das mais rígidas normas antipoluentes americanas.
A noite o Jackes nos convidaram para jantar em seu barco.
Tudo legumes como eles gostam. Foi difícil para mim que não sou amigo dos vegetais, mas estava bom.
Conversamos muito, foi bom para melhorar meu francês tão pobre pois eles não falam inglês.
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 13, 1996
9:00 Decidimos dar a volta na Ilha, parando para dormir em alguma baia.
O dia está bonito, céu azul sem nuvens, 1020 Mb, 23° C.
12:00 Ligamos motores, ancora acima, despedida dos amigos, partimos de Porto Venere, com saudades antecipadas.
1:10 costeando o Golfo de Procchio, lembramos de Angra dos Reis.
A paisagem é semelhante, montanhas de altura media junto ao mar, costão de pedra e alguma praias. Muito bonito e calmo
15:30 Jogamos ferro no golfo de Campo, 42° 44N, 010° 14 E, 7.7 metros, vento N, força 4, 30 metros de corrente.
Muitos barcos ao redor, bela praia e água cristalina
20:00 Dormimos na ancora, com vento força 4, de N.W.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 14, 1996
12:00 saímos da baia de campo, rumo a Porto Azurro
O dia está lindo e tranqüilo
16:00 jogamos ferro, e fomos de dinguie conhecer a cidade, tão limpa e romântica
LOG ENTRY FOR: Monday, July 15, 1996
12:00 Ficamos até esta hora na cama resolvendo como fazer e quando fazer para chegar ao Adriático.
O dia está magnifico, cumulus, 1021 Mb, 40%, 30° C.
Fomos também dormir tarde ontem, as 2 da manhã, pois jantamos em Porto Azzurro e fomos depois ao cinema. Os horários aqui são avançados.
Voltamos para o barco no Flexboat, em noite escura, mas sem vento ou ondas. O vento norte acabou por volta da meia noite.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 16, 1996
6:40 Estou iniciando o procedimento de viagem para Ischia.
O barômetro marca 1018 Mb, 2 a menos que ontem, tudo bem.
62% umidade, 23° C, sem ventos. Deverá ser uma viagem tranqüila, são 200 milhas náuticas que deveremos fazer em 26 horas se a corrente for contraria de 0.5 nós conforme calculo.
7:30 Fui a cidade deixar o lixo, e subi o Flexboat.
7:40 Ligando os motores.
7:55 Ferro no ar, rumo ao ponto 61, saída da ilha de Elba.
Mar espelhado, 1350 RPM, 8 nós, 50 lph.
Se a corrente continuar fraca (0.2 nós) chegaremos por volta das 11:30 da manhã. Caso contrario, pelas 12:00. Posso corrigir a velocidade e manter horário preciso, mas quero economizar combustível para chegar a Rimini sem abastecer.
Pouca visibilidade, menos de 1 milha, bruma seca.
9:30 Liguei o ar condicionado pela primeira vez, para testar.
Está funcionando. Vamos ver se agüenta o calor daqui.
12:13 Chegamos ao ponto 61, Promontório Argentário, porto de onde se exporta o mármore de Carrara, famoso desde que Michelangelo o utilizou em suas esculturas.
Próximo ponto, Fiumicino, Roma, às 20:30.
Chegada prevista a Ischia, se assim continuar a corrente a nos ajudar, 9:00.
O dia continua magnifico, mar espelhado, vento 4 nos variável, continua a bruma seca
13:00 A Milena fez um belo almoço, Risoto à Milanesa como "primo" e Frango à Contadina, um prato Romagnolo, como secondo. Sobremesa - Salada de Frutas-
Estamos saindo da Toscana e entrando no Mar Tirreno, na região de Lazio, onde está Roma. Civitavecchia é a divisa e lá chegaremos às 17 00.
É a cidade onde se faz o famoso Sanbuca, Licor à base de anis.
Era o porto de Roma na época de Trajano. As fortificações em torno da Dársena Romana, foram desenhados por Michelangelo.
Já estivemos por lá de carro, não vale o esforço visita-la.
14:40 Cruzamos com um imenso cargueiro, o MS Viviana.
17:00 Civitavecchia em nosso través de bombordo.
20:06 Roma no través de bombordo.
Ainda está claro, não dá para ver o clarão da cidade.
20:30 Milena esta esquentando meu jantar. Vou comer e dormir, Milena fica de turno. Quando cansar ela me chama e revezamos
10:20 O radar mostrou durante um bom tempo um ponto em nossa rota mas não víamos nada. Desviamos e quando passamos ao lado o veleiro que viajava com luzes apagadas as acendeu.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 17, 1996
4:30 Começa a amanhecer. Milena foi dormir e voltei à ponte.
Um pesqueiro em rota de colisão me obriga a mudar de rumo.
6:40 Ischia a 15 milhas. A corrente nos ajudou.
Deveremos chegar às 9:00.
A ilha foi colonizada pelos gregos em 750 AC, que a chamaram Pithecusa, devido à boa argila aqui encontrada (pithos).
Os Romanos, os Sarracenos (Século 7 e 8) e depois Pisa, foram seus conquistadores.
Existem águas termais que afloram quentes, mostrando uma atividade vulcânica atual. A ultima erupção do vulcão foi em 1301 d.C.
Não tão conhecida como sua vizinha, Capri, é entretanto por muitos considerada ainda mais bela.
7:00 24C, 1018 Mb, 85% umidade relativa, céu de altocumulus.
Os motores Detroit que tão bem tem se portado completam 1000 horas.
São maquinas simples e robustas que tem nos transportado sem reclamar nunca, consumindo pouco e requerendo apenas troca de óleo e filtros.
8:00 avistamos a ilha. Estamos a 2.5 milhas de sua parte sul, 6 milhas do porto, a visibilidade é reduzida
9:00 atracamos em Casamicciola, numa boa marina.
12:00 passamos uma água doce no barco, saímos para almoçar.
19:00 Cansados, dormimos a tarde inteira. O movimento de navios na noite que passou, não nos deixou dormir bem, a viagem foi cansativa.
Jantamos uma excelente pizza, no restaurante Zelluso, e ficamos em nosso jardim de popa, curtindo a cidade.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 18, 1996
10:00 Dia de céu totalmente azul, calmo, sem ventos.
27° C, 1018 Mb, 70% umidade
Casamicciola é uma cidade que ainda não foi estragada pelos turistas.
A população está nas ruas, as velhas colocam suas cadeiras à porta no fim da tarde, parece que estamos no Brás, em São Paulo. É muito agradável.
Alugamos um pequeno carro e fizemos a volta à Ilha. É bonita, mas gostei mais de Elba. Tem mais força e personalidade. Aqui está tudo muito destruído pelo turismo, dá impressão de só vir turismo barato. Mas foi interessante.
O porto de Ischia é uma cratera vulcânica que era um lago, e cuja entrada foi artificialmente aberta. Interessante.
LOG ENTRY FOR: Friday, July 19, 1996
9:30 25° C, 1018 Mb, 80%, céu azul sem nuvens.
Passei o dia arrumando o San Marino para viagem, transferindo Diesel de tanques, limpando filtros de diesel, etc.
A noite fomos ao barco do lado, o Adamastor, tomar um drinque com o Luiz e a Celeste. Ele é político de esquerda, e foi prefeito de Roma por muito tempo.
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 20, 1996
5:30 Acordamos cedo para iniciar este trecho até Scario. O dia está bom 24 graus, 1017 Mb, 75%, a previsão é mar calmo ventos variáveis força 3.
6:15 tudo pronto, ligar motores.
6:30, Fora da barra, rumo Scario, chegada prevista 17:30.
7:00 Capri a 14 milhas, está no radar. Rumo 145, 8 nos, 1350 rpm.
8:10 Avistamos Capri. Vamos passar ao largo. É pena mas já conhecemos e temos gratas lembranças. Esperamos que os turistas não a tenham destruído como em Ischia, pois fazem já 20 anos que lá não voltamos.
Sempre me lembro do Livro de San Michele, do sueco Axel Munthe, que revelou a ilha ao mundo. É certamente a ilha mais famosa da Itália.
9:00 Capri.
Saímos do Golfo de Nápoles e entramos no Golfo de Salerno.
12:10 Saímos do Golfo de Salerno.
13:20 Cruzamos com o cargueiro Danica Red que leva as luzes de navegação acesas em pleno dia.
O mar está espelhado, bela navegada.
Almoçamos Melão com Presunto de entrada e bife à milanesa com milho.
Quando o mar está ruim, come-se sanduíche. Vantagens do calmo verão mediterrâneo.
16:15 Cabo Palinuro, a nosso través de bombordo.
Cabo Palinuro tem este nome devido ao piloto do navio Aeneas, Palinurus, o qual após a batalha com Scylla dormiu de cansaço e caiu ao mar, morrendo nas mãos dos nativos.
18:15 Já estamos atracados. O porto é simples mas encontramos lugar bom.
Nos recebe o casal de Noruegueses que está no barco ao lado, um veleiro de 30 pés o Navsika com o qual eles vieram da Noruega.
Já atravessaram o Atlântico ha dez anos com o mesmo barco.
Foram ao Caribe e voltaram.
Jantamos juntos numa pizzaria e a Elizabeth e o Martin Svendsen foram ótimos. Nos divertimos muito
Na pizzaria não havia vinho tinto, só branco. Como eles queriam tinto, o dono veio com uma garrafa de Brunello de Montalcino, um dos vinhos mais caros da Italia. Quando eu disse, "não este deve ser muito caro" ele respondeu - São só oitenta mil liras (60 dólares). Quando eu disse, "não, é caro", reduziu o preço para 35.000 liras. Mesmo assim é muito, não por um Brunello, mas para um vinho de pizzaria barata. Ficamos mesmo com o branco de barril que custou 8000 (5 dolares) um litro.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 21, 1996
9:00 Estamos nos despedindo do Martin e da Elizabeth, que partem para a Grécia, Corfú. Eles também vão atravessar Messina, e trocamos ontem idéias de como faze-lo.
Soltei as amarras deles e nos despedimos. Foram ótima companhia, mesmo que só por um dia.
Passeamos a pé pela cidade, paguei os Ormeggiatore, uma espécie típica da Itália, são os atracadores de barcos que colocam cada embarcação no lugar que acham melhor. Para nós acharam um local excelente.
Os portos são na sua maioria públicos, mas eles formam uma espécie de máfia, como nossos flanelinhas que tomam conta do carro.
Só que aqui cobram caro, e seus nomes estão nos guias náuticos e na capitania. Mas não dão nota fiscal!
12:00 Entrou uma tempestade e todos os barcos retornaram com velocidade para o porto. Foi uma chuva forte acompanhada de raios, mas passou em duas horas.
20:00 decidimos sair amanhã, rumo a Vibo Valentia, já na Calábria.
Aqui estamos na Campania, capital Napoli.
LOG ENTRY FOR: Monday, July 22, 1996
07:00 Ferro levantado, saímos de Scario, uma cidade esquecida (felizmente) pelos turistas. Está encravada numa costa rochosa e o acesso por terra é difícil. Tudo é calmo, menos sábado a noite quando a cidade inteira vai para a rua principal fazer "footing".
Vibo Valentia, nossa próxima escala está à 85 milhas náuticas daqui, deveremos chegar as 17:30.
O mar está calmo, 31° C, 1020 Mb, 64%, com ventos força 4 de N.W.
2:00 Cruzamos com o catamaran Buster, bandeira de possessão inglesa
O mar está espelhado, estamos escutando no CD musicas antigas napolitanas.
17:00 Vibo a 4 milhas. Já esta no radar o porto com seu grande quebra mar. A cidade fica acima, na montanha e a marina em baixo.
17:45 Atracados na Marina do Carmelo. Deve ser divertida, pois nosso vizinho, num iate de 22 metros, é um alemão complemente louco, com quem tomamos algumas cervejas e trocamos palavras sem nexo, tanto em alemão quanto em inglês.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 23, 1996
10:30 Vibo Valentia (Marina) é uma cidade que nos mostra como deverá ser a Calábria. Muito pobre, suja, gente brava e simpática. Estivemos à 15 anos na Calábria, de carro, e a impressão foi a mesma.
Vamos preparar o barco para talvez ir direto a Pescara, perto de Rimini.
Já fizemos 600 milhas, parando em 6 portos diferentes. Talvez agora iremos direto, se o tempo permitir. Mas vou usar o dia de hoje para fazer uma revisão completa na sala de máquinas.
O dia amanhece bonito, cumulus no céu, 1022 Mb, 70%, 28° C, tudo sinal de bom tempo. Devemos assim partir amanhã cedo.
A maquina de lavar roupas parou de funcionar. Tem trabalhado como louca ao longo destes dois anos, e merece um descanso. Mas é difícil de consertar pois a lavanderia é pequena e o acesso muito complicado.
Tento acessar o mecanismo pela frente, removendo a porta e a parte frontal do tambor. Depois de removido, constato que o controle é eletrônico e não tenho esquema. Não gosto de aparelhos com controle eletrônico, apesar de estar em meio que domino, pois são mais difíceis de reparar sem peças de reposição especificas.
Decidimos chamar um técnico da Bosch local. Ele vem amanhã às 10:00, assim vamos adiar nossa partida
20:00 fomos ao barco do Gandolf e da Jasmin ao lado, e passamos a noite bebendo cerveja e comendo "speck" em pedaços.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 24, 1996
9:00 27° C, 1022 Mb, 70% céu de cumulus escassos.
O técnico da lavadora não apareceu. Acho que ficou com medo de retirar a maquina de local tão difícil.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 25, 1996
6:50 25° C, 1020 Mb, 74%, altocumulus.
Iniciamos o procedimento de viagem para Saline Ioniche.
7:25 Procedimento encerrado.
9:45 Rumo 202, para o estreito de Messina, onde deveremos chegar às 13:00
1360 RMP, 8.0 nós,
10:40 Sicilia, a ilha, à vista. O estreito de Messina fica entre o continente e a Sicília, local de grande movimento de navios e ferryes.
13:00 entramos no estreito de Messina. Pouco trafego, mar espelhado.
A bombordo, Scilla, tão citada na Odisséia e com certeza localizada aqui.
A travessia do estreito era considerada perigosissima na antigüidade devido a pouca manobrabilidade dos barcos e sua pequena velocidade, e ate 1830 o Pilot Book do English Admiralty advertia para os imensos perigos de sua travessia, devido às correntes fortes e rodamoinhos, pois ainda era época de vela.
Hoje, pequenos veleiros podem encontrar problemas neste difícil estreito.
Para nós, com possantes motores, o problema é pequeno.
1:15 Encontramos vários barcos de pesca, muito estranhos.
São pescadores de peixe espada que migram pelo canal.
Eles possuem uma longa plataforma, de uns 20 metros saindo pela proa onde vai o arpoador e uma torre das mesmas dimensões onde vai o apontador em uma gávea, junto com o timoneiro, que pode subir e baixar através de um elevador elétrico.
Ao avistar o peixe, o timoneiro que se dirige ao local e o arpoardor ferra com arpão manual.
Acabamos de ver um grande peixe, de mais de 50 kg ser arpoado e levado a bordo.
São perigosos estes pesqueiros pois quando vão atras de um peixe não se importam com as outras embarcações como já aconteceu duas vezes e esta acontecendo de novo neste instante. Vou para o timão, e desligo o piloto automático.
Os barcos são rápidos e mudam de curso sem se importar com nada.
Agora são os ferryes. Estamos bem no meio da linha entre Messina e San Giovanni, e eles passam uns atras dos outros. Tive que desviar de dois e um terceiro desviou de nós. É preciso toda atenção pois eles são grandes e rápidos.
Estou em top speed para facilitar ar manobras. Como estamos com tanque cheios, 11 nós a 1870 RMP 100 litros por hora, assim não vamos longe.
Parece que o perigo nos tempos modernos são os ferryes e os pesqueiros motorizados, não os rodamoinhos.
Saímos do mar Tirreno, entramos no mar Ionio
O vento aperta, força 5, o mar começa a se formar, ondas com carneirinhos brancos em suas crestas, vindo de popa.
Estamos em plenos domínios da Magna Grécia antiga. A Sicília sempre foi Grécia.
Mileto, era na Sicília, onde o famoso matemático Thales nasceu.
Siracusa, também é na Sicília.
14:25 Reggio Calabria a nosso bombordo
15:40 A nosso bombordo, Capo del Armi, com seu farol, estamos próximos de nosso destino.
O vento continua força 5/6, o mar está mais pesado, talvez dificulte nossa entrada e atraque.
16:30 Atracamos em Saline Ioniche de costado no cais para navios com muita facilidade.
O local a nos destinado era no meio de dois barcos pequenos, e para pegar o corpo morto, com este vento, só nos dois, fica difícil.
Assim, eles nos mandaram para onde estamos. É melhor, e não pagaremos nada.
Mas só podemos ficar uma noite.
20:00 Saímos para jantar em um taxi engraçado (devido ao sotaque). O restaurante La Lanterna, onde a dona conosco se sentou para discutir nosso prato, foi um dos melhores onde já comemos na Itália. Que o penne a l'arrabiata delicioso!
LOG ENTRY FOR: Friday, July 26, 1996
4:30 Inicio o procedimento de viagem rumo a Crotone.
5:10 Motores ligados, vamos soltar as amarras.
Saí do porto com muito cuidado, pois um banco de areia visível só em sua parte fora dágua, bloqueia a entrada do canal.
É preciso estar junto à parede oeste do dique e sair colado à ela.
Como existe uma curva de 90 graus no meio do percurso e a esta hora os pesqueiros estão voltando, com redobrado cuidado e a baixa velocidade saí da barra, buzina tocando a cada minuto.
5:25 Fora da barra, 1410 RPM, 8.3 nós, 50 lph
25° C, 1014 Mb, 50%, céu sem nuvens, vento S.W. força 1
5:40 Cruzamos com o cargueiro Alsena, Bastia
6:00 Rumo 097° , 12 milhas a oeste do cabo Spartivento .
Mar calmo, o sol nasceu sobre as montanhas com seu imenso poder, nestas regiões.
7:40 Cabo Spartivento, o ponto mais ao sul de toda a Itália.
Mudamos rumo, 037° , a partir de agora voltamos a subir, direção Veneza a talvez 700 milhas, onde pretendemos passar o inverno.
8:00 Um cardume de golfinhos vem saudar nossa entrada no rumo norte, são grandes, escuros e menos brincalhões que os nossos.
10:45 Dormi duas horas, Milena ficou de guarda. Mar espelhado, 28° C.
12:00 Atingimos o Way Point 12, entramos no Golfo de Squillace, conhecido por seu mar difícil e ventos fortes que afunilam pelas montanhas da Calábria.
Ventos catabáticos, de velocidade aumentada pela topografia, sopram na noite. Ventos catabáticos são aqueles formados pela diferença de temperatura entre a terra (mais fria) e o mar (mais quente) à noite, soprando da terra para o mar. Durante o dia o efeito é contrario, pois a terra esquenta-se rapidamente mantendo-se o mar na mesma temperatura. São os ventos anabáticos, soprando do mar para a terra.
15:20 A corrente tem sido a nosso favor, 0,5 nós, vamos chegar antes do previsto.
O mar também está um espelho e o dia lindo, e agradável.
Certo que estamos perto da África, mas o clima seco ajuda a não sentir os 33 graus.
17:00 Decidimos cancelar nossa escala em Crotone, pois o mar está um espelho e o Golfo de Taranto, próximo trecho, é difícil e forma mar pesado.
Assim, aproveitamos o mar atual e cruzamos Taranto esta noite. Vamos direto para Brindisi, onde deveremos chegar amanhã por volta de meio dia, já no Adriático. Se o canal de Otranto, entrada do Adriático estiver difícil, paramos em Otranto, mas a previsão é de mar moderado, isto é ondas de 1 a 3 metros.
17:30 Estamos já navegando no golfo de Taranto. O mar está calmo.
19:30 Após um banho quente, Milena , no forno, prepara uma pizza. Confortos do San Marino.
Estou preparando para a noite, lanternas, luz de navegação, salva-vidas com luz estroboscópica caso alguém caia na água a noite. Costumamos à noite não sair para fora da cabine sem salva-vidas com luz. É impossível localizar à noite, na água, uma pessoa sem uma referencia luminosa.
20:36 Anoitece, lindo pôr de sol vermelho, a lua já alta no quadrante oposto. Um cargueiro cruza nosso rumo passando a 1/2 milha.
21:30 O mar está um espelho, a lua ilumina tudo e nossa esteira criada pelo turbilhão das hélices brilha como prata polida.
Fico fora, curtindo a noite.
Delfins de bom tamanho com reflexos da lua, nadam acompanhando nosso barco. Belo fim de dia. Vou dormir, Milena fica de turno.
22:56 Voltei para meu turno, marquei posição. Boto um CD do Chico Buarque e depois pego meu violão. Cantando o sono se vai, pois respira-se mais, oxigena-se o sangue, e se desperta.
LOG ENTRY FOR: Saturday, July 27, 1996
00:25 Bóia o farol de Leuca, forte e claro.
02:20 S.ta Maria de Leuca, cabo, em nosso bombordo.
Mudamos rumo, agora 018° , N.N.E. Milena acorda, vou dormir.
5:25 Cabo Otranto, amanhece, dormi ate agora, desde Leuca. Milena ficou de guarda, trocamos agora.
O Cabo Otranto é o ponto mais oriental de Itália, o calcanhar da bota.
Agora o rumo é 335° , N.N.W. Mantemos 1400 RPM, 8.3 nós, mas a corrente é contraria de 2.5 nós, incrível.
É a saída do Adriático para o mediterrâneo, estreitando aqui para 38 milhas, (do outro lado a Albânia, terra proibida, se chegarmos perto de suas águas poderemos ser presos ou mesmo afundado a tiros, como já aconteceu a outros barcos), repondo a água que se evapora no mar maior com água recebida dos Alpes no norte Adriático.
Por isto o Adriático é menos salgado que o mediterrâneo. A corrente é constantemente assim. Hoje o vento vem na mesma direção.
Se fosse o oposto poderia levantar um mar bem desagradável.
O mar esta agitado, de proa, mas dá para viajar com conforto.
1018 Mb, 82%, a noite foi muito úmida. 25° C, vai fazer calor hoje.
38 milhas separam um pais de regime feroz e fechado, de um aberto e liberal, quantos sonhos de liberdade e fuga do outro lado.
Ate agora, jamais nos pediram qualquer documentação na Itália, nem mesmo passaportes.
Belo sonho o do comunismo, ideal tão brutalmente desfeito pela egoísmo humano, transferido das elites ricas para o proletariado, tão logo assumiram o poder.
08:15 Rumo 310° , Brindisi.
10:00 Decidimos continuar mais um dia de viagem e saltar Brindisi.
O mar esta melhor do que pensávamos, e vem uma frente fria. Se não formos agora, teremos que ficar em Brindisi por algum tempo, o que não é a melhor opção.
Recalculo a rota, vamos para S. Benedito del Tronto ou Pescara. Deveremos chegar por volta das 16:00 de amanhã
13:06 40° 5274"N, 17° 4812"E, o mar acalmou, mas a corrente continua contraria. 8.0 nós, LOG, 7.2 GPS, 0.8 de corrente
13:30 O almoço hoje foi simples. Como o mar bate, não dá para cozinhar bem. Comemos salmão escocês defumado, nada mau.
16:30 Pela primeira vez escutamos a radio Bar, Montenegro, antiga Iugoslávia., que transmitiu o boletim meteorológico também em inglês.
6:45 Um cargueiro está ha uma hora tentando nos ultrapassar, parece que anda quase tão lento como nós. É o Ulukca, Istambul.
Um navio de guerra, um grande couraçado, talvez americano está a nossa proa, a 5 milhas, parece parado.
Enviou um helicóptero para nos analisar.
Agora, o Ulucka mudou de rumo e vem direto em cima de nós. Chegou até 100 metros em nossa popa. Mudei repentinamente de rumo e nos afastamos.
Eu já tinha visto este navio dirigindo-se em sentido oposto, a umas 5 milhas a oeste, mas não pude ler o seu nome, portanto não pude identifica-lo.
Tudo isto é estranho. Talvez seja um navio que esteja tentando furar o bloqueio de armas sobre a antiga Iugoslávia. O navio de guerra o está controlando, e chegando muito perto de nós ele pode ter tentado confundir o controle do radar americano, por isto o helicóptero veio conferir. Talvez excesso de imaginação, mas não temos nada para fazer nesta solidão do mar, e imaginamos coisas.
A Milena, pessimista, acha que ele quer nos assaltar, piratas. Pode ser também, não é incomum.
7:10 Parece que ele se afastou definitivamente.
7:45 Vou tomar meu banho, e me preparar para o turno da noite. Não temos horários definidos. Normalmente um vai dormir quando o outro está cansado.
Ficamos os dois acordados quando atingimos pontos de muito trafego. É divertido controlar à noite, pelo radar, todos os barcos que se aproximam.
A noite entretanto é de lua, dá para fazer um controle visual.
LOG ENTRY FOR: Sunday, July 28, 1996
1:07 Vieste, a bombordo, no promontório de Gargano, a espora da bota Italiana.
Estamos a 20 milhas da mais próxima ilha da Herzegovinia, Palaguza.
Nesta viagem passamos a 40 milhas de Corfú, Grécia e a 30 milhas da Albânia. Não paramos para chegarmos a tempo em terras de le Marche, e para receber nosso amigo Tercio que chega dia 6/8.
O novo rumo tomado a partir de Vieste, 300° , nos leva direto a S. Benedeto del Trontro, atualmente nosso destino final. Lá deveremos estar às 16:00.
Chamo Milena para me substituir pois estou cansado.
Fiquei até agora ouvindo musica, mas o sono está agora mais forte que eu.
2:00 Fui dormir, mas logo em seguida Milena me chama, pois um imenso navio de passageiros nos chama pelo rádio, pedindo nosso curso e velocidade pois pretende cruzar nossa rota. Falei com o capitão pelo canal 16, rapidamente, e ele, muito gentil, alterou seu curso e cruzou nossa esteira de popa.
2:15 Milena me chama novamente, pois um veleiro vem direto contra nós, em rota de colisão proa a proa. Vem todo iluminado, com as luzes de navegação tricolores de mastro acesas, também a luz de ancora, e também as luzes regulamentares de navegação baixas. Para poder ser visto facilmente.
Já o tínhamos visto no radar ha uma hora atras.
Quando nos aproximamos uma milha, mudei meu curso com guinada clara para bombordo. As manobras no mar devem ser feitas com clareza para serem notadas pelo outro barco, que assim entendem nossa intenção.
Desviei-me e quando estava passando a uns 200 metros de seu bombordo, o veleiro subitamente girou para cima de nós, enquanto buzinava e acendia um potente farol sobre nós. Creio que ele estava dormindo e acordou com o ruído de nossos motores. No pânico, virou para o lado errado.
Imediatamente girei para bombordo 90 graus, e deixei-o pela popa.
Chamei em seguida pelo rádio, mas não obtive resposta. O tipo deveria estar muito assustado.
Voltei a dormir
4:00 Ilha Pianosa a nosso boreste, troco de turno com a Milena e volto à ponte de comando. Começa a amanhecer. Foi uma noite mágica, de mar espelhado como se fosse de óleo escuro, iluminado por lua quase cheia, que vinha pela popa. A esteira estava brilhando como nunca, e os acidentes de terra, os grandes penhascos de Gargano, assumiram um aspecto fantasmagórico.
Por quatro vezes passaram grandes ferryes, que parecem transatlânticos, todo iluminados e com muita vida a bordo. Seu reflexo na água parada foi coisa de não se esquecer.
Escutei todo um disco de Dorival Caimi, com musicas sobre o mar e a Bahia. Estranho este sentimento que tantos temos sobre o amor ao mar, tão assassino e perigoso, mas ao mesmo tempo tão atraente e acolhedor.
Talvez por isto os homens o apreciem mais que as mulheres, pela sua imprevisibilidade.
6:30 Voltei a dormir. Milena de guarda.
Quando fico de guarda, perco muitas vezes os boletins meteorológicos pois ou estou fora vendo estrelas ou escutando musica.
Milena traz a segurança de boas previsões, pois em seu turno ( e algumas vezes também no meu) toma nota de todas as condições reinantes.
12:00 O VHF transmite um aviso de borrasca sobre o Adriático central, Marche, Romagna, onde estamos. Esperamos que não nos atinja.
12:40 à nossa bochecha de proa, a boreste, uma imensa plataforma petrolífera, que marco na carta com tinta. Uma segunda se avista e outras mais. Marco a posição de todas
14:00 Terra a vista, costa de le Marche.
15:10 A borrasca aumenta, ventos de N.W. força 5 estamos ainda a uma hora do porto. Poderá ser difícil atracar com este vento, mas o San Marino é pesado, e maneja bem com vento.
15:15 Pelo radar podemos saber onde está o centro do temporal, num raio de 72 milhas que é o alcance máximo.
Incrível- O centro está bem sobre o porto que nos destinamos e vem em nossa direção. Nas outras partes da costa só venta, sem chuva.
Chamamos a Marina por rádio, mas não respondem.
Chamamos pelo telefone celular e o garçom do clube atende dizendo que todos estão ocupados com a tempestade, de longe podemos ver os raios.
Chamamos pelo VHF a Capitania que nos aconselha esperar fora e quando a tempestade passar entrar pois o porto é bem protegido.
Baixamos velocidade, o vento aumenta força 8, chove fortíssimo.
Pelo radar acompanhamos o movimento da chuva e vemos que esta avançando para o mar em nossa direção, mas está abrindo sobre o porto. Continuamos, e de repente parou de chover.
16:15 Aproveitamos a brecha e entramos na barra que está calma.
17:00 atracados com auxilio dos "ormegiattore" locais, não sem antes esperar uma meia hora ao largo, pois eles estavam ocupadissimos com os barcos que estavam atracados, pois alguns devido à tempestade tinham quebrado as amarras.
Conversando com o pessoal do lado, nos informamos das condições do local que parece ótimo.
Ao anoitecer passaram dois casais de brasileiros que moram aqui, o Luís e a Cida, O Marco e sua namorada (Antonia), a única San Benedetense.
São de São Paulo, Mooca, e aqui estão ha 12 anos, como ourives.
Vivem bem, estão felizes, nem pensam em voltar.
Passamos a noite até as 2:00 juntos, vendo o show de fogos de artificio no porto, do Fly Bridge, pois hoje é dia de S. Benedetto, patrono da Cidade,
LOG ENTRY FOR: Monday, July 29, 1996
O Luís ofereceu nos levar de carro até La Spezia, onde está o nosso Defender.
É que ele tem que ir a Bergamo, e no caminho nos deixa lá. São "apenas" 220 kms a mais para ele, mas foi muito gentil. Almoçamos juntos no caminho e nos tornamos bons amigos.
Voltamos às 23:30, cansados, pois são 600 kms.
Consertaram o cambio que tinha problemas no sincronizado, e nada cobraram pois está em garantia.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, July 30, 1996
Estamos mortos de cansaço. A viagem de ontem foi extenuante.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, July 31, 1996
8:30 1012 Mb, 24° C, 80%, 8/8 de altocumulus.
Ontem choveu o dia todo, a noite também.
Faz tempo que não vemos chuva assim. A Espanha , a Riviera e o sul da
Itália são regiões de poucas precipitações. Está até agradável.
Veio o técnico e consertou a maquina de lavar. Foi o defeito mais difícil que teve o San Marino até agora. Incrível, na maquina de lavar roupas!