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NA ROTA DA MOQUECA

Problemas com o eixo - A sêco na Verolme - De novo navegando - Mar Pesado no Cabo São Tomé - Vitória - Abrolhos - Ilheus - Camamú - Taipus - Maraú

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, November 02, 1994

Estamos prontos para reiniciar a viagem rumo ao norte, nossa próxima etapa, Vitória.

Vieram a bordo o Manu (do veleiro Astragale, Basel) o Marcello (gerente da Marina) e trouxeram champanhe. Despedimo-nos sabendo que logo nos encontraríamos pois antes de largar a barra da baia da ilha grande, ficaríamos alguns dias ainda dentro da baia.

12:00 Largamos amarras, com Flavio, Renata, Manoel (meu sobrinho) e Milena.

14:00 Chegada ao Bar do Luiz para almoço de despedida.

Aproveitamos para pedir "aquela" moqueca, feita pelo Geninho!

16:00 Abastecimento de 3929 litros em Angra.

16:30 Detectado vazamento do selo mecânico de Bombordo.

17:00 Reparado vazamento, porem constado eixo de bombordo vibrando, não poderemos viajar assim.

O que será que aconteceu? Temos testado o San Marino em diversas ocasiões e nunca detectamos vibração. Esta foi porem a primeira vez que navegamos com todos os tanques cheios, pode ser o excesso de peso, são 12 toneladas.

Desistimos da viagem, decidindo docar para substituir eixo.

Feitos diversos contatos, o Russi, indicou estaleiro Mac Laren no Rio, porém com possibilidade da Verolme, aqui em Angra, que seria melhor.

Vamos aguardar, dormindo no canal da Gipoia.

Tempo bom, mar calmo.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, November 03, 1994

10:00 Viagem para Saco do Céu, Ilha Grande.

Viagem tranqüila, atracamos perto de um veleiro de Hamburgo, casco vermelho, porem de propriedade de um polonês que mora na Argentina.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, November 04, 1994

11:00 Saída para enseada das Palmas.

Mar de proa pesado, muito balanço.

Selo mecânico de Boreste vazando também.

Noite em mar batido por forte lestada.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, November 05, 1994

10:00 Caminhada para praia de Lopes Mendes, uma das mais bonitas da região. Vale a viagem.

16:00 Viagem para Enseada do Abraão.

Noite calma e tranqüila, menos para a bomba de porão que ficou esgotando o

vazamento do selo de boreste

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, November 06, 1994

14:00 Viagem para Marina Clube, onde fundeamos.

Manoel, Flavio e Renata voltam para S. Paulo.

Foi bom ter meu sobrinho Manoel a bordo. Uma das vantagens de se viver em um barco é que podemos conviver mais proximamente com pessoas que gostamos e não temos oportunidade de estar perto por mais tempo devido à vida atribulada das cidades.

Russi, Aida e Arthur (filho) nos visitam até meia noite.

Aguardamos contato da Verolme, para docagem.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, November 07, 1994

8:00 Encontro com Russi que vai comigo à Verolme para me mostrar as instalações.

Fomos também ao Frade pegar endereço da Elisa, a moça que faz limpeza no barco para a Milena. Grande figura, quer virar marinheira, mas é casada, tem filhos...

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, November 08, 1994

8:00 Pegamos Elisa e Carlinhos no porto em Angra, dia de grande faxina.

Vamos docar quinta feira próxima, no dique flutuante da Verolme.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, November 09, 1994

8:00 Saímos para compras em Angra, e acabamos almoçando em Itaguai, no restaurante do Betinho, ótimo, casquinha, bolinha de camarão com catupiry, linguado frito.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, November 10, 1994

7:00 Me despeço de Milena que volta para S. Paulo.

8:45 Motores ligados, levantar ferro, viajo sozinho pela primeira vez.

9:00 Saída da Marina Angra para Verolme

1259 RPM, 7.3 Kn GPS 6.8 Kn Log, 36 lph

10:00 Atracado no cais de Marinharia, Verolme

12:00 Atracado em dique flutuante, as bombas começam a retirar agua dos flutuadores.

14:00 Em seco, para troca de eixo, operação segura e perfeita.

Mar Calmo, tempo bom, temperatura 27C, 7026 litros de combustível

 

LOG ENTRY FOR: Friday, November 11, 1994

Dormi na Verolme, dentro do barco no seco, para acompanhar o serviço.

Retiramos o eixo com dificuldades,  para remover o pino do flange.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, November 12, 1994

Eixos verificados no torno, nenhum problema. Pequena correção na ponta do eixo de bombordo lado do hélice, nada significativo.

Eixo reserva colocado em seu lugar, também verificado e O.K.

 

O San Marino carrega um eixo de reserva, pés de galinha e pé de pinto extras, um leme e todo tipo de material necessário para substitui-los mesmo dentro d’água.

Aproveitamos para trocar os ânodos de zinco e retocar a pintura anti-vegetativa que está perfeita, são já dois anos na agua!

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, November 13, 1994

Serviço feito, voltei para S. Paulo, temos feriados pela frente, colocaremos o San Marino na agua na volta.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, November 16, 1994

07:00 Retorno para Angra, com Milena

Verolme.jpg (65004 bytes)14:00 Chegada a Verolme. Infelizmente o Albuquerque (chefe do pessoal) comunica que não poderemos navegar hoje, não ha tempo para encher os tanques e recolocar o San Marino na agua.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, November 17, 1994

Estamos flutuando novamente.

O Precioso, especialista da Verolme que fez o serviço de remoção dos eixos e recolocação, alinhou novamente os motores mas não estamos seguros de ter encontrado a causa da vibração.

Saímos para testes, a vibração continua, todo o trabalho foi desnecessário, tempo perdido!

 

LOG ENTRY FOR: Friday, November 18, 1994

Tentamos realinhar os motores, agora com novo sistema. Todos acreditamos agora que o problema é alinhamento, talvez deslocação vertical.

 

O San Marino possui dois motores, montados sobre suportes rígidos diretamente sobre as longarinas do casco.

Os eixos, longos 6,35 metros, são de 2 ½ polegadas de diâmetro e muito flexíveis. Estão apoiados em um pé de pinto logo na saída do casco e um pé de galinha próximo ao hélice.

O acoplamento ao motor é também rígido com flange de aço.

Esta sistema transmite ruídos do motor ao casco, fazendo o barco mais barulhento, porém escolhemos este processo por ser a típica montagem de um barco de pesca, que exige alinhamento perfeito, mas uma vez alinhado dificilmente sai de posição além de ser um sistema simples, sem coxins de borracha ou acoplamentos flexíveis, todos de vida curta.

Nossos eixos são em Aço Inoxidável Villares especial para eixos de barcos.

Passamos a noite no Cais da Marinharia, Verolme

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, November 19, 1994

Saída junto com Russi para novo teste. Continua a vibração, não é alinhamento.

Passamos mais uma noite no Cais da Marinharia, com forte Sudoeste batendo a noite toda.

Estamos esperando o Flavio, que vai seguir viagem comigo se acertamos o problema do eixo.

As 5 da manhã Renata telefona avisando que Flavio bateu o fundo do carro numa lombada da estrada e está nos Bombeiros em Parati.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, November 20, 1994

Saída para novo teste sem sucesso.

Decidimos ir embora da Verolme e ancorar em frente a casa do Russi, em Angra. O Russi me acompanha na viagem.

Aproveitamos para um excelente almoço na casa do Russi.

A Aida (sua mulher) cozinha maravilhosamente - Casquinhas de Siri, Lula e Peixe - Muito, muito bom.

Flavio chega às 16:00 junto com o Carlos Alberto (Betânia), seu amigo, alto e fortíssimo, com cara de jogador de basket americano. Será nosso companheiro de viagem até Vitória.

Milena aproveita e volta para São Paulo, cansada dos problemas com o eixo.

Chuvas continuas, frente fria subindo

 

LOG ENTRY FOR: Monday, November 21, 1994

Depois de muito pensar cheguei a conclusão que deveríamos montar mais um mancal para apoio do eixo entre o pé de pinto e o motor.

Decidi tomar este caminho apesar dos engenheiros que calcularam o eixo, tanto nos Estados Unidos quanto na ABS, garantirem não ser necessário.

Amigos em S. Paulo procuraram e encontraram mancal com rolamento flutuante e nos mandaram dois pelo expresso.

No meio tempo, fomos almoçar no bar do Luiz, que ninguém é de ferro!

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, November 22, 1994

Continuamos aguardando chegada do Mancal.

Estamos projetando um suporte para o mancal, pois recebemos as dimensões por fax, e aproveitamos para curtir o sol e o mar.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, November 23, 1994

7:00 Chegou o Mancal. Com pedaços de aço comprados em um ferro velho, iniciamos fabricação da base.

12:00 Início da montagem do mancal de bombordo.

Encontramos o Manu (Astragale) que vai almoçar no Luiz e veio dar palpites - sempre bem recebidos - pois ele é um excelente técnico.

Jantamos em Angra, no Dito e Feito, uma boa pizza

Tempo bom, mar calmo

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, November 24, 1994

7:00 Acordamos sempre cedo para aproveitar todo o dia montando o mancal. É um trabalho difícil pois o mancal de bombordo fica sob o gerador e a turma tem que se virar para fixa-lo lá.

Tempo bom, mar calmo

 

LOG ENTRY FOR: Friday, November 25, 1994

Acabamos montagem do mancal de bombordo.

Iniciamos montagem de mancal de boreste, talvez mais um dia.

Tempo bom, mar calmo.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, November 26, 1994

8:00 - Precioso chega novamente com Manuel, Isaac e o ajudante.

Ele tem sido dedicadíssimo e mostrou um grande conhecimento de seu trabalho.

12:00 - Mancais montados, arrumamos a casa de maquinas para testar.

14:00 - Saída para teste. Esquecemos as vigias de proa abertas, na pressa. O camarote de proa ficou inundado.

Ao sair, perguntamos de longe ao Russi que está no píer de sua casa se queria ir conosco. Entendemos que não, mas era o contrario. Que pena.

Teste efetuado até a Gipoia, RPM até 1950, tudo O.K., acabou a vibração.

 

O problema estava na flexibilidade do material da Villares, que é maior que a do aço especificado pelos engenheiros americanos, Aquamet. Com a rotação o eixo flambava e a força centrifuga encarregava-se do resto. Com isto saia de alinhamento o selo mecânico e entrava agua pela luneta.

 

Resolvemos partir imediatamente. O tempo está para virar e se não formos agora teremos que esperar mais uma semana e o Flávio tem que voltar para S. Paulo.

17:45 Partida para Vitoria

Nos despedimos de todos, no cais de Russi , Aida, Arthur (seu filho) acenam e nos emocionam.

18:00 Verificação casa de maquinas, O.K.

18:45 Estamos já em mar aberto, proa para Ilha Rasa, onde existe um farol e lá chegaremos à noite. 1500 RPM, 52 lph

Selo mecânico de boreste vazando um pouco. Falamos por telefone com Milena e Renata

21:30 Mar Calmo, passamos laje de Marambaia, faltam 36 milhas para I. Rasa

1500 RPM, 60 lph, 8.7 nós no log, 7.2 nós no GPS.

22:45 Mar calmo, rumo 108, 1500 RPM, 60 lph, 7.1 nós no GPS, 9 nós no Log Ilha Rasa a 2 milhas.

23:00 Corrente 2 nós a 292 graus

23:00 Sergio vai dormir, Flavio e Betânia em turno

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, November 27, 1994

Farol-Ilha-Rasa.jpg (25899 bytes)02:50 Flávio anota farol da Ilha Rasa a bombordo

04:30 Voltei ao turno. Flavio dormia, Betânia de vigia, comenta como foi bonito passar à noite pela cidade do Rio de Janeiro.

Passando Ilhas Maricás, RM 109° , Rpm 1500, 64 lph, 9.2 Kn log, 7.4 GPS.

Corrente 312° , 1.9 nós.

Mar muito Calmo.

Carlo, meu filho mais velho telefonou e falou com Flavio enquanto eu dormia.

06:00 Amanhece - Vagas 1.5 m, mar gentil.

Barômetro caindo 1006 mb, temperatura 22° C, humidade 85%.

1500 RPM, 61 lph, 7.4 nós GPS, 9.0 nós log

Posição 23° 04’66"S 042° 38’84"W.

Flavio dorme, Betânia desceu para seu camarote.

Aproveito para chamar pelo celular meu amigo Comandante Miranda, da Marinha, que me instruiu para as provas de Capitão Amador. Ele me preparou em 4 dias e obtive sem problemas a tão difícil patente.

Persiste o vazamento do selo mecânico.

Passamos Ponta Negra, corrente 285° , 1.7 kn, ventos leste, 9 nós.

07:00 Pelo telefone controlamos o avanço da frente fria, que está agora no Rio Grande do Sul (Telesp 132)

Nossa chegada prevista a Cabo Frio : 10:40

7:30 Paramos para ajustar selo mecânico de boreste que vazava.

Desliguei o motor de boreste e deitado no porão da casa de máquinas ajustei a pressão do cilindro de borracha.

 

Montei no eixo do San Marino um selo mecânico que consiste num tubo de borracha fixo no eixo, sobre o qual vai montado um anel em liga de cobre especial. Este anel gira sobre um disco de aço inoxidável preso ao casco. Forma assim um retentor que impede totalmente a entrada de agua do mar pelo tubo de saída do eixo no casco. As antigas gaxetas necessitavam de ajustes constantes e sempre deixavam passar umas gotas de agua. Nosso selo mecânico, fabricado pela Prowell, Alemanha, estava mal ajustado depois de tantos movimento feitos com o eixo. Uma vez acertado, não necessitará mais de ajustes.

08:30 Passamos por cima de uma rede de pesca e a cortamos. Tudo O.k.

 

Também está montado no eixo do San Marino, próximo ao hélice um conjunto de facas circulares fabricados na Florida pela Spur, que ao encontrar cabos redes ou fios sob a agua, corta-os antes que eles se enredem nos hélices, parando os motores. Foi invenção feita pelos pescadores de lagosta nos Estados Unidos, que estavam sempre às voltas com cabos nos hélices. Dizem entretanto que a invenção acabou virando contra eles mesmos, tantos são os cabos e redes contados por barcos que usam este sistema.

Acontece que estas redes que se colocam em alto mar no Brasil são proibidas pois representam grande risco à navegação e a instrução da Marinha é reporta-las o que o faremos tão logo chegarmos à Vitória.

09:30 Selo mecânico de boreste muito quente. Novo ajuste. Apertei demais, agora deve ficar perfeito. Estou checando a temperatura a cada 15 minutos. Tudo O.K.

11:40 1580 RPM, 70 lph, 8.3 nós no log, 8.2 nós no GPS.

Farol-de-Cabo-Frio.jpg (41206 bytes)Viramos Cabo Frio para Cabo São Tomé.

Aqui foi preparada a mais famosa moqueca da história do Brasil.

Naufragou nos bancos de areia da região uma nau portuguesa. (como tantas outras, a região está cheia de cascos sossobrados).

Os sobreviventes foram feitos prisioneiros e o Padre Sardinha foi comido em "moqueca", como os índios chamavam carne humana em forma de churrasco.

Grandes moquecas foram feitas nesta época, com suculenta carne branca.

Nós infelizmente não temos moqueca a bordo, comemos um misto quente.

Chegada estimada à São Tomé as 23:50.

Mar agitado e desencontrado em Cabo Frio.

14:35 Contato por radio com navio de containers Augusta, que nos avisa que o Cabo São Tomé está com mar pesado!

Desde Cabo Frio ventos de 30 nós, força 6, leste, contínuos.

O mar mudou completamente, de proa, muito forte, ondas de 4 metros, baixamos velocidade para 7.5 nós.

1400 RPM, 7.5 nós pelo GPS, 7.5 nós pelo Log, 54 lph.

A tripulação dá sinais de cansaço.

Betânia prepara hambúrguer para todos. Flavio não quer comer, o balanço é demais, o Betânia nem liga. Botou um salva-vidas (ele não sabe nadar) e está tranqüilíssimo.

Vou dormir e deixo Flavio de Betânia de guarda. Quero estar descansado quando chegar em São Tomé.

Este famoso cabo, esquina onde todos os navios que se dirigem do norte ao Rio, Santos ou Buenos Aires passam, possui um longo banco de areia, chamado Banco de São Tomé, que se estende a umas 8 milhas da costa, e a linha de 20 metros de profundidade a uma 20 milhas. Estamos programando entrar na faixa de profundidade de 40 metros, a 25 milhas da costa.

Muitos me aconselharam a passar rente a costa, o mar é mais suave, mas fiquei com medo, pois a costa é baixa, a noite escura e a regra mais certa de segurança é: "Mantenha-se longe da costa".

Creio que errei, deveria ter passado mais longe, a 50 milhas.

Farol-de-São-Tomé.jpg (23215 bytes)22:03 Estamos a 44 metros de profundidade, farol Açu de São Tomé a bombordo, mas não se consegue vê-lo. Estamos muito longe. Mas o Racon (repetidor de radar) mostra com clareza nossa posição. (Está a 290° relativos).

 

LOG ENTRY FOR: Monday, November 28, 1994

01:30 Viramos Cabo São Tomé.

O mar está muito difícil, ondas 5 metros, arrebentando. Vento força 8, é vento de tempestade. Este vento está já soprando à 24 horas.

O mar que aqui se forma é traiçoeiro pois as vagas oceânicas que vem do outro lado de atlântico, aceleradas por este vento encontram um local raso (aqui a profundidade é de 50 metros) e arrebentam como na praia.

Felizmente estamos enfrentando este mar de proa e avaliamos bem a altura das ondas pois elas cobrem todo o San Marino, que se transforma em submarino a cada minuto. Só as vemos devido à espuma iluminada por nossas luzes de navegação, mesmo assim quando estão encima de nós.

O barulho é fortíssimo, são pancadas muito violentas. O San Marino não range, nada se move, só um pouco de barulho de garrafas batendo, é um casco muito robusto.

A noite está escura e o radar nos mostra uma grande quantidade de navios por perto, uns nos ultrapassando, outros em sentido contrario.

Todo o trafego de navios do norte para o sul e vice versa se concentra neste perigoso trecho de costa, cuja linha costeira não aparece bem no radar por ser muito baixa. Felizmente o Racon nos indica nossa precisa posição. É bem sinalizada a costa brasileira.

1:50 Flavio e Betania vão dormir, estão exaustos. A tensão de uma navegação perigosa ( a todo tempo estamos desviando de navios) mais o movimento do barco esgota as forças de qualquer um.

É minha vez de ficar de turno.

2:15 Tentei pilotar um pouco com o timão, para ver se batia menos. Não adianta, não dá para ver o mar. Ligo novamente o piloto automático, que vai bem.

3:10 Fui buscar meu violão que veio batendo pelas paredes. Resolvi cantar alto, é a melhor maneira de espantar o sono, pois aumenta a oxigenação do sangue portanto desperta.

3:50 Não agüento mais o cansaço. Tenho duas opções: Ou tomar pílulas excitantes ou dormir um pouco. Escolho a segunda hipótese. Ligo os dois radares simultaneamente e marco zona de guarda de 4 milhas em um e de 1 milha em outro.

Coloco um timer para me despertar a cada 15 minutos.

5:30 Aparece o Flávio com cara de ressaca. Chamamos o Betânia, vou dormir novamente.

Eles ficaram assustados com o mar que agora está ainda mais forte. Parecem paredes de agua a despencar sobre nós. Felizmente nossos vidros são de 12.5 mm de espessura, temperados.

09:10 Volto à ponte, a situação é mais calma. Decido ir direto à Vitória.

09:30 Rumo a Vitória, chegada prevista 21:30.

O mar continua difícil e com o novo rumo o pegamos um pouco de través.

12:00 O ecobatimetro mostra profundidades acima de 120 metros. É a plataforma continental que acaba.

Betânia continua fazendo hambúrgueres. Comemos pouco, o balanço não ajuda. O mar diminui, ondas pela bochecha de boreste, 3 metros, longas, vou dormir novamente.

Farol-de-Vitoria.jpg (38119 bytes)20:30 Avistamos Vitoria. Lá está o farol de Santa Luzia, construido pelo Barão de Cotegipe .

21:20 Entramos pelo canal do porto de Tubarão.

Tentamos localizar o Iate Clube e não encontramos.

Chamamos por VHF primeiro o Iate Clube, depois a capitania mas não tivemos resposta. Chamamos a praticagem que nos forneceu as coordenadas do Iate Clube, mas o local parece raso, não vou entrar à noite.

Dormimos frente a ilha do Frade, rolando a noite inteira.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, November 29, 1994

9:00 entramos no Iate Clube do Espirito Santo

Fox Trot 23, VHF ch 16, SSB 4431.8

Recebidos muito bem por Pereira, que nos indicou o canal a seguir.

Fundeamos na entrada da Marina.

Foi sábio não ter entrado a noite. A entrada é perigosa para nosso calado e o canal pequeno.

11:00 Almoçamos a famosa moqueca do Partido Alto, fomos ao Shopping Center onde assistimos ao Filme Rapa Nui.

17:00 Flavio e Betania voltam para S. Paulo.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, November 30, 1994

Passei o dia arrumando o barco.

O camarote de proa está muito molhado.

Tampei os poucos vazamentos encontrados.

O mar estava tão forte que quebrou o suporte da antena do VHF que se encontra a 5 metros do nível do mar. Arrancou parte do verdugo de proa, bombordo, uma viga de Ipê de 15x5 cm. Nunca vi mar igual. Mas foi um ótimo teste para o San Marino, que navegou toda a noite neste mar, sem reduzir a velocidade a menos de 7.5 nós.

Hoje teve campeonato de pesca por aqui. Acaba de chegar um marlin de 196 kg.

O recorde do clube (696 quilos) é o recorde mundial.

Grande festa, e depois os vencedores vieram visitar nosso barco para conhecê-lo. Também estava o Capitão dos Portos, ao qual narrei meu problema com a rede de pesca e ele me disse: Da próxima vez corte-a, foi o que nossas facas de hélice fizeram!

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, December 01, 1994

7:00 Continuo limpando o barco. Realmente, esta semana com o Betania e o Flavio foi um desastre em termos de limpeza, e não quero amolar a Milena.

Ela gosta e mantém sempre tudo em grande ordem e limpeza. É sempre ela quem cuida antes de cada viagem de verificar se tudo está preso a bordo e se as vigias do casco estão convenientemente fechadas.

 

As vigias do San Marino, (fabricadas pela Freeman, USA) são de tipo muito sólido, em alumínio fundido e pintadas com Awgrip. São realmente estanques e de grande tamanho, permitindo o escape de uma pessoa por elas em caso de naufrágio. (Quando estamos em um porto, colocamos grades de aço para impedir a entrada de pessoas mesmo com as vigias abertas). Como o San Marino é classificado pela ABS, as vigias precisam ter vidro temperado em espessura aprovada, que no caso é 12 mm, além de possuir "tampa de combate" que são tampas de metal que se fecham sobre o vidro, impedindo entrada de agua mesmo que o vidro se rompa em algum acidente. Nosso camarote possui 6 vigias, 2 na popa, 2 nos costados, 1 no corredor e 1 no banheiro.

 

18:00 Barco mais ou menos em ordem, vou buscar a Milena no Aeroporto. Alugamos um Fiat, para poder conhecer a região melhor.

Estou adorando Vitória, uma cidade limpa, ordenada muito simpática e onde se come muito bem.

Milena fica decepcionada com o estado interno do Barco

20:00 Jantamos no Partido Alto, era boa a moqueca.

Tempo bom, ventos de sudoeste força 4

 

LOG ENTRY FOR: Friday, December 02, 1994

8:00 Milena contrata dois "marinheiros" para efetuar uma verdadeira limpeza externa. A operação é extraordinariamente cômica, pois na verdade são guardas do clube fazendo um bico, e jamais tinham entrado em um barco. Fora o medo inicial, o trabalho transcorreu bem até a hora de se limpar o casco. Coloquei o Avon na agua e enquanto um ia remando (ou tentava) o outro com a borracha de sucção se segurava no casco e limpava. Acontece que o vento era forte e aquele que remava não sabia nadar e tinha um medo danado. Rimos a noite toda dos comentários e da cara dos dois.

Dentro a Milena trabalhou todo o dia.

A noite jantamos no Restaurante Pirata, na praia, comemos muito bem.

Tempo bom, ventos S.W. força 4

 

Temos dois infláveis de fundo rígido, que usamos como barcos de apoio.

Um, de 3,5 metros, Avon com remos e motor de 4 hp é leve e muito prático.

O outro, Flexboat de 5 metros, com motor de 50 HP, pesado mas com capacidade para as mesmas 8 pessoas que podemos alojar a bordo, permite boa velocidade (30 nós) e puxa esqui slalon. Tem um bom radio VHF instalado.

É importante que o dinguie que se tem a bordo, possa levar simultaneamente todo o pessoal embarcado, pois fica mais fácil o desembarque e pode-se organizar passeios não deixando ninguém pata traz.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, December 03, 1994

8:00 Continua limpeza agora com duas moças na parte interna.

O San Marino estava mesmo uma bagunça!

Preparo o barco para deixa-lo sozinho pois vamos ficar 15 dias em S. Paulo.

Jantamos no restaurante coreano Daimon , muito bom.

Mar batido, tempo bom, ventos NE, força 3

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, December 04, 1994

8:00 fomos de carro a Guarapari

Almoçamos no restaurante do Bonna, muito boa moqueca, cada moqueca por aquí é melhor que a outra!

18:00 Voltamos a S. Paulo de avião bom vôo, no horário.

Tempo bom, ventos NE força 4

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, December 15, 1994

Meu filho Carlo, que mora em Los Angeles, chegou para umas férias conosco. Vamos subir a costa leste do Brasil com ele e sua mulher americana, Lori.

Voamos de volta à Vitoria, Carlo e Milena e eu, entramos no San Marino curiosos de ver como estavam as geladeiras que deixamos ligadas.

 

Nosso sistema de refrigeração é bastante sofisticado e muito eficiente.

Temos dois freezers horizontais no piso inferior, (que mantemos a -10 C) na lavanderia, e um refrigerador próximo a cozinha, vertical, com dois compartimentos, um que mantemos a 2 graus e o outro a 8. Cada um deles possui um termômetro eletrónico e posso controla-los da Ponte de Comando. Um alarme programado indica se cada um destes compartimentos está fora da temperatura desejada.

Os gabinetes foram feitos por nós em fibra de vidro e incluem uma isolação de poliuretano expandido com parede de 20 cm. Cada um deles é refrigerado por um sistema Adler Barbour Supercoldmachine, que funciona em 12 volts, direto da bateria.

O sistema trabalha muito bem, e caso nos ausentemos, só com as baterias podemos manter um dos freezers e a geladeira funcionando por 15 dias.

Se estamos em marina, ficamos seguros que se por qualquer motivo a eletricidade que carrega nossas baterias falte, os viveres congelados não se deteriorarão.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, December 16, 1994

Estamos agora iniciando a preparação do San Marino, para subir a costa.

A nosso lado está o Doceana, um veleiro de 45 pés com uma família a bordo, indo para o Caribe, nossa direção. Estão esperando passar uma frente fria para sair, nós também.

É bom fazer este percurso no rabo de uma frente fria. Ela não entra por aqui tão forte como no sul, e uma vez passada, promete mar calmo e ventos favoráveis.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, December 17, 1994

Estou trabalhando no ar condicionado para ver se coloco em funcionamento.

Pessoalmente não gosto de ar condicionado nem o San Marino precisa dele. Mas as visitas muitas vezes preferem descansar em ar fresco artificial.

 

Na construção revestimos todo o costado do casco, as laterais do casario, o piso do flybridge e o convés com uma camada térmica isolante de 10 cm de poliuretano expandido. Além disto o piso do Fly e o Convés são laminados como sanduíche com alma de balsa, 25 mm.

O Isolamento térmico, feito para o frio e para o calor, ficou tão perfeito que jamais sentimos necessidade de ligar o ar condicionado.

Serve também como isolamento acústico, e dormimos no San Marino sem escutar ruídos de fora, o que algumas vezes é mau, pois não nos alerta de perigos que o ouvido nos indicaria.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, December 18, 1994

Chegada da Lori, Carlo foi busca-la no aeroporto pela manhã, estamos prontos para sair, mas antes vamos apresenta-la às delicias gastronômicas do local.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, December 19, 1994

Continuamos no Iate Clube, aguardando frente fria entrar para sairmos atras com mar melhor

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, December 21, 1994

Trecho Vitória- Abrolhos

11:20 Ligando motores

13:30 Rumo 060° para Rio Doce, chegada prevista (wp6) 18:45.

GPS 9.4 knts, 1620 rpm, 80 lph, log parou de funcionar.

15:15° 20’S, 039° 58’W, 7 nós pelo GPS, corrente contraria de 2 nós, tempo bom.

Milena foi dormir

15:25 Barra de Santa Cruz a 270 graus.

19:40 Dobramos Rio Doce.

Chegada prevista a Abrolhos, 9:40 de amanhã.

Vento Leste 10 nós, Corrente contraria de 1.5 nós.

GPS 8.1 kn, 1620 rpm, 40 lph cada

Escurece, Lori na Ponte Portuguesa, fora, diz que não consegue dormir. É ótimo tripulante com insônia, aproveito e vou dormir, ela fica de guarda!

 

Enquanto cruzo, durmo na cama que temos na ponte de comando, e deixo de quarda um tripulante ou passageiro. Estou assim sempre perto para uma emergência.

Mantemos sempre o radar Furuno principal ligado, com área de guarda programada para 4 milhas, aproximadamente 15 minutos de navegação. Se vier navio em rota de colisão contraria temos 5 minutos para manobrar e sair do curso dele, o que é suficiente.

Se deixo a zona de guarda maior, o alarme toca muito cedo e adeus sono.

22:50 Retorno ao turno, Lori com dor de cabeça.

Mar de Proa, nordeste força 3, 8 nós GPS 8.7 nós log (voltou a funcionar, deve ser craca no impeller)

Mais uma vez cortamos uma rede de pesca ilegal, com nossas laminas de hélice. Santa invenção, pois estaríamos parados a esta hora.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, December 22, 1994

2:00 Voltei a dormir, Lori de turno

05:25 Amanhece.

Ha um pequeno vazamento de óleo no reversor de boreste. A pressão baixou um pouco (80 PSI) e tive que colocar 2 litros óleo na transmissão. Voltou ao normal.

Estamos a 28 milhas de Abrolhos, todos dormem.

A Lori vigiou a maior parte da noite . Obrigado.

09:00 Chegada a Abrolhos, mar calmo, dia lindo.

Lá esta o Doceana nos esperando, fundeada ha um dia.

Somos recebidos pelo Eduardo do Ibama, que foi muito gentil e nos auxiliou a passar um cabo pela poita onde fica a corveta da Marinha quando visita a ilha.

Colocamos o Avon na agua, garrafas e material de mergulho e Carlo e eu vamos conhecer o famoso local. É incrível, os peixes se aproximam quase a nos tocar, nadam conosco, não tem medo.

Abrolhos.gif (228698 bytes)

Abrolhos sendo uma reserva ecológica, não permite a pesca e apenas mergulhos ocasionais.

Não ha turismo organizados, e as vezes chega alguma lancha saída de Caravelas que vem passar o dia por aqui.

Não temos autorização de descer à terra, mas também não a solicitamos.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, December 23, 1994

Dia de descanso em Abrolhos

Novos Mergulhos com Carlo. Lindo fundo e os mesmos peixes muito amigos.

Cuidado com a corrente que é forte e quando subimos estamos longe do dingie.

Farol-de-Abrolhos.jpg (31081 bytes)Fui visitar o lindo farol francês (o maior do Brasil) , instalado na época de D. Pedro segundo. É todo em aço e a parte luminosa em cristal bizelado. Imperdivel!

Vento leste continua forte (20 nós)

Fomos convidados para a festa de Natal, que a guarnição local promoverá.

Hoje a noite foi a festa de despedida do Doceana, que não comparecemos, pois a Milena está com gripe.

22:00 O Doceana nos chama por VHF. O bote rígido deles com motor 4 hp ficou à deriva e perdeu-se.

Tentamos localiza-lo a noite com o Radar mas já tinha passado muito tempo e não foi possivel encontra-lo.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, December 24, 1994

O Doceana não saiu devido à frente fria esperada não ter entrado.

Passamos junto o dia, pois esperávamos utilizar o nosso inflavel Flexboat para mergulhar fora dos limites da reserva e trazer um belo peixe para a festa do pessoal.

Mas ao colocar o Flexboat na agua, o cabo da direção estava emperrado e quebrou-se. Verifiquei depois que faltava lubrificante.

Assim não pudemos ir.

A Festa de Natal a convite do pessoal da Marinha foi muito comovente, pois são poucas as famílias que vivem lá e foram muito carinhosos conosco. Comemos deliciosa carne de Bode, já o peixe falhou. Fomos só Carlo e eu.

Milena e Lori ficaram a bordo preparando um delicioso Peru, em mesa muito chic.

Jantamos com muita vontade mas desmaiamos no chão da sala logo após, mortos de cansaço.

O mar bate muito e o San Marino balança o tempo todo.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, December 25, 1994

11:15 Partida para Ilhéus.

Mar calmo, tempo bom, falamos por radio com Doceana que saiu as 06:00

e nos confirmou mar calmo.

11:33 9 nós, 70 lph, 1610 rpm.

13:50 Contato visual com Doceana que nos chamou por VHF em seguida.

17:45 Entramos na carta 1200, mar calmo, vagas 1 m, contato por SSB com Foxtrot 23 (Iate clube de Vitoria, Gilson) 4431.8kh. Agradecemos a boa atenção que lá tivemos e nos despedimos.

22:00 fui dormir, Lori de turno

 

LOG ENTRY FOR: Monday, December 26, 1994

03:00 voltei ao turno , Lori foi dormir, linda noite estrelada, sem lua.

03:09 Barra do Rio Belmonte, diversos Pirajás aparecem no Radar me assustando pois pareciam "targets" e na carta pedia precaução devido a possibilidade de bancos de areia (chamados chapelões no local) moveis.

Lembrei do Russi, que me alertou para estes "pirajás".

A navegada é tranqüila e bela, que mar maravilhoso este da costa leste do Brasil, com longas vagas, vento constante e suave, tudo muito gentil.

10:00 Chegada a Ilhéus, Iate clube de Ilhéus, onde fomos muito bem recebidos.

Conhecemos Sérgio Ferri (Dono do Panda, sloop de 40 pés fundeado frente ao iate) e Willy (Diretor do clube).

Almoçamos no famoso bar Vesuvio (da Gabriela, Nacif), mas comemos mal.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, December 27, 1994

Estamos aguardando a chegada do cabo de direção do bote inflavel, que quebrou em Abrolhos

Doceana chegou à tarde e fundeou perto de nós.

Encontramos um navio chamado San Marino (linea C), que coincidência!

Chamamos por VHF mas ele não nos respondeu.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, December 28, 1994

O Doceana saiu para Camamu. Ficamos de encontra-los lá.

Também chegou Faial Too (Miami) cujo proprietário é de Oklahoma e vindo da Europa dirigia-se para Porto Seguro, quer passar o 31 lá. Vai adorar, seguramente.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, December 29, 1994

Faial Too partiu para Porto Seguro. Estamos conhecendo bem Ilhéus, com o carro que alugamos. Vale a pena ficar um bom tempo por aqui, como o pessoal é gentil!

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, December 30, 1994

Chegou ao porto o navio português de passageiros Funchal.

19:15 Preparamos nossa saída para Camamú, vamos viajar a noite, como gosto.

1011 mb, 28° C, 72% h, Ventos NE, 10 nós.

Percurso calculado 64.3 Milhas (Ilhéus, Campinho), estimado 8.30 horas a 7.5 nós, já deduzida a corrente contraria.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, December 31, 1994

2:40 Saída para Camamú, Noite escura. Deixamos o porto de Ilhéus deixando o farol por boreste.

Lori na ponte portuguesa, curte o calor da noite e me ajuda olhando tudo com atenção.

3:25 Rumo 034° , 7.7 nós pelo GPS, a corrente contrária é mesmo forte. 1600 RPM, 68 lph.

Mar calmo, tempo bom

9:00 Chegada ao Canal, Ilha Quiepe, entramos com GPS programado para seguir a rota traçada na carta, automaticamente.

Funcionou a perfeição, o que atesta a excelente qualidade das cartas náuticas de nossa marinha.

10:00 Ferro lançado em Campinho.

14:00 Levantamos ferro para Taipus , com Seu Chico, que encontramos por

indicação do Marcelo Quintella, como prático.

14:30 Fundeamos em Taipus.

22:00 Ceia de 31 com Tender, muito bom .

Tempo bom, mar calmo, ao longe fogos sobre a cidade, cé cheio de estrelas.

Mais um ano se acaba, nosso segundo reveillon a bordo.

Onde estaremos em 1995?

Nossos planos de viagem se desenrolam conforme o tempo vai passando. Não temos um roteiro fixo, talvez Caribe, Bahamas, Açores, Gibraltar.

Continuo sonhando. Os sonhos são talvez a melhor parte de nossas vidas.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, January 01, 1995

Inicia-se 95. Estamos em um local maravilhoso, na foz do Rio Camamamú, nesta pequena vila, Taipus.

Saímos cedo para conhecer a cidade, todos no flexboat, paramos ao longo do cais de taboas quase caindo e em poucos minutos já conhecíamos todos.

Paramos no único bar da cidade que fica na praia, existem outros dois na rua principal. Bar nunca falta nas cidades brasileiras.

Unico-Bar-em-Taipus.gif (292488 bytes)

Lá perguntamos onde poderíamos almoçar. "Restaurante na cidade não tem" nos disse o dono do bar, mas minha sogra faz refeições para os motoristas dos ônibus que param aqui uma vez por dia.

"Bom, vamos experimentar, o que pode ser?" - Acho que hoje só tem lagosta, talvez tenha siri catado para fazer uma moqueca.

Melhor não poderia ser. Comemos como poucas vezes na vida, lagosta escaldada e depois moqueca de siri. A pimenta era boa, daquela que gostamos, e fiquei surpreso de ver como minha nora americana come pimenta. Depois entendi, ela mora em Los Angeles onde tem muita e boa comida mexicana, com muito "chili".

Não precisa dizer que o dia parou por aí. Voltamos para o barco, dormimos e no fim da tarde um bom mergulho nas águas do rio.

Estamos no paraíso! Latitude 13° 56 S e Longitude 038° 38W.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, January 02, 1995

Conhecemos os filhos do seu Chico, que é uma espécie de prefeito da cidade. O Wellington e o Washington estão por aqui de férias, eles possuem barco em Salvador, fretado para a Petrobrás.

Perguntei se poderiam me ajudar na manutenção do San Marino. Há muito que não lavo os porões, e a sala de máquinas.

Lá esta portanto o Wellington me ajudando.

 

Nossa sala de máquinas é mesmo uma "sala", medindo 6 x 6 metros e com um pé direito de 2 metros. Tudo está arranjado de modo a facilitar a manutenção, tem muita luz e ventilação (4 grandes vigias) uma bancada de trabalho com cadeira, 2 gaveteiros para peças e ferramentas com mais de 300 gavetas entre grandes e pequenas. Tudo fica sempre em ordem e gostamos de manter tudo muito limpo. Temos também uma bancada de serviço com furadeira de coluna, esmeril e uma grande morsa. Carrego todo tipo de ferramentas, que sobraram da fabricação do barco e também de minha antiga oficina. Durante a construção do barco, tive sempre o cuidado de comprar de tudo um pouco a mais, e como não temos problema de carregar peso, levo tudo a bordo. Somos praticamente auto-suficientes.

É fácil limpar a casa de máquinas. Primeiro passo um desengraxante forte em tudo (com bomba tipo spray) e depois jogo agua doce com a mangueira pressurizada. Em seguida com uma bomba de porão adaptada, seco tudo inclusive os espaços do porão que não escorrem facilmente. Uma vez por ano, faço uma boa limpeza de porões, que é o que estamos fazendo hoje.

O San Marino não faz agua, é absolutamente estanque, por isto se mantém sempre limpo.

Lori e Carlo brincam com as crianças do local, que querem ensinar português para ela.

Roberta, 12 anos, deseja ser uma juíza;

Herbert 10 anos, (Irmão da Roberta), deseja ser um cantor;

Lucas, 11 anos, quer ser um cirurgião;

Claudia 9 anos, quer ser uma modelo;

Dias felizes.

Tempo bom, monótonamente bom.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, January 04, 1995

Está chegando o fim das férias. Estou preparando o San Marino para uma longa permanecia em ancora, sozinho.

Estamos desde Vitória vivendo sem tocar terra, mas somos auto suficientes, basta ter óleo diesel.

Troca de óleo dos motores, troca dos ânodos dos motores e gerador, correias

de alternadores esticadas (motores e gerador), Troca de óleo do dessalinizador, troca de filtro de oleo dos motores, limpesa de todos os filtros de agua, tudo pronto e bem feito.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, January 05, 1995

Hoje recolocamos tudo nos porões, acabamos de limpar a cabine de proa pois o colchão continuava molhado, deixamos um dia no sol Baiano.

 

Nossos colchões são muito especiais, feitos sob medida numa empresa em Los Angeles. São de mola, feitos especialmente para barcos, não enferrujam e se dobram facilmente para poder entrar nas cabines. É imprescindível ter bons colchões. As noites devem ser bem dormidas para estarmos bem durante o dia. A regra é "colchões com uma espessura mínima de 20 cm", os nossos tem 25 cm.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, January 06, 1995

08:00 Partimos de Camamú e deixamos o San Marino só. As crianças trazem frutas colhidas lá como presente de despedida.

Fizemos muitos amigos. Combinei com o Wellington que ele ficaria tomando conta do barco enquanto estivéssemos fora, e que ele me acompanharia até o Caribe, pois a apólice de seguros exige três pessoas a bordo para este tipo de viagem.

Pretendemos ir à Fortaleza e de lá, direto a Barbados. O trecho é longo e longe da costa.

Pedimos também ao Wellington para tirar passaporte, pois não sabemos a data de nossa saída.

Voltamos de Taipus até Camamú em Barco alugado, (1 hora) , Camamú Ilhéus em Taxi . Jaime Cardoso o motorista, muito simpático nos levou à sua casa para um café e nos mostrou a cidade.

Sergio-Milena-Lori.gif (237834 bytes)

2.30 Vôo Varig c/ duas escalas até S. Paulo onde chegamos a noite.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, March 19, 1995

Voltamos a Ilhéus, via Varig.

De lá por taxi, para Camamú onde dormimos.

Antes, jantamos na praça, num bar pequeno, casquinhas de siri e vatapá, muito agradável.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, March 20, 1995

Já pela manhã estava o Wellington a nos esperar no cais do Rio Camamú. Carregamos nossa bagagem, que era muita, pois estamos preparando o San Marino para longa viagem.

O trajeto até Taipus, todo por rio, tarda uma hora mas é muito lindo.

Chegamos a Taipus as 12:00

Mar calmo. Dia bom.

Tudo bem a bordo, inicio as rotinas de religar agua, eletricidade etc.

Fomos convidados para almoçar na casa do "seu" Chico. Comemos um ótimo almoço feito pela dona Benedita (mulher do seu Chico), com Lagosta escaldada, catado de siri e feijão. Uma delicia.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, March 21, 1995

Trouxemos de S. Paulo aquela massinha contra baratas e o Wellington a colocou por todo o San Marino. Não ha baratas nem outros bichos a bordo, mas é melhor prevenir e esta massinha é infalível.

É feita por um japonês em S. Paulo e agora vendida em bancas de jornais.

Milena aproveita para completar a limpeza de armários.

A noite fomos a Taipus, comer bolo e café feito pela dona Benedita, na casa do Sr. Chico.

Durante passeio a pé acabou a luz. Muitas estrelas e pirilampos de repente se revelaram. Como era mais romântica a noite sem eletricidade!

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, March 22, 1995

07:00 - Acordamos e Milena preparou café.

Fui Buscar Wellington e Dona Arlinda, que ajuda Milena na limpeza.

Chegou também o Mário, mergulhador que veio limpar o casco, cheio de vida marinha, incrível o mal que uma foz de rio faz à tinta venenosa.

Fez um bom serviço mas cobrou muito caro (R$ 200,00)

Usou um naguilé ligado no motor de barco, ótimo sistema para trabalhar embaixo d’água.

12:00 Fomos almoçar no bar do Jorge, perto de Campinho, que só tem lagosta.

Ele possui um viveiro onde vai busca-las no mar, mas o sabor das lagostas daqui é muito superior ao de qualquer outra. A explicação dada por eles é que a agua não muito salina, não deixa gosto de maresia.

Segundo eles, não dá para comer as lagostas do mar lá fora!

O Jorge trabalhou no Rio e em Santos, como marinheiro em barcos de recreio, e agora mora novamente aqui, em sua terra natal.

17:00 O Wellington e Dona Arlinda voltam para terra . Ufa, acabada a limpeza

geral.

Taipus está a 13° 56S e 038° 38W.

O mar é sempre calmo (rio) o tempo sempre bom, temperatura de hoje 30° C.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, March 23, 1995

0900 - Arrumei o estojo médico.

 

Temos a bordo um grande estojo médico com todo o tipo de medicamentos de urgência. Além daquilo que recomenda a Marinha Brasileira e nossos amigos médicos, diversos tipos de talas, gazes, bisturis, agrafes, equipamento para reanimação e três livros de primeiros socorros, um em inglês, um em português e um em espanhol, para qualquer um se sentir a vontade. A responsabilidade como capitão de levar alguém a alto mar onde talvez o socorro esteja a 5 dias de viagem exige todo o cuidado.

20:00 Jantamos na casa de Seu Chico, com direito a bolo e café.

Tempo bom, 31° C.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, March 24, 1995

4:00 Está ventando e o inflavel Avon, na agua, faz barulho e não nos deixa dormir. Vou mudar sua posição e deixo cair o cabo na agua.

Tive que pular n’agua para recolhe-lo.

8:00 Hoje vamos desenroscar as correntes das ancoras, pois quando fui viajar deixei apenas uma ancora segurando o San Marino. O Wellington ficou com medo e jogou também a segunda.

Não gosto de usar duas ancoras, a menos que a popa esteja presa e não possa girar, pois do contrario as correntes se enroscam, e no final o efeito é o mesmo de uma só.

Vou ligar os dois motores para trabalhar com os ferros que foram lançados juntos pelo Wellington e devem estar enroscados.

09:00 Iniciei subida de ancora. Wellington voltou para casa, doente.

Vem muita craca nos primeiros 3 metros de corrente, uso a máquina de pressão para solta-las, é o melhor método. Depois só lama.

Com os dois botes, empurramos a popa, dando cinco voltas sobre o eixo da corrente. Feito isto ambas sobem com segurança.

14:00 Fomos para o Bar Beira Mar (Rua dos Namorados), onde Dna Crispiniana preparou uma deliciosa moqueca de siri catado, (que loucuras estas moquecas!) com arroz farinha e feijão.

Dona Crispiniana nos prometeu para amanha fruta pão cozida para comer com coco no café da manhã. Vamos experimentar.

Na volta Milena nadou um pouco e descansamos lendo.

Assistimos ao por do sol e encerramos o dia.

Amanha pretendemos navegar até Maraú.

Mar Picado, ventos força 4, S.W.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, March 25, 1995

07:00 - Chuva fina, 1005 mb, ventos NE, força 2

08:00 - Tomamos café a bordo com Fruta Pão que a Dna Crispiniana

colheu, cozinhou e nos deu com coco ralado.

Comemos com manteiga salgada, coco ralado e um pouco de açúcar.

É gostoso e se come quente.

08:30 - Preparação para viagem a Maraú. O Wellington continua doente Decidimos ir sem pilotagem. A carta 1131 cobre parte do percurso e vamos nos basear nela. Depois, segundo informações é só seguir pelo meio do Rio.

9:30 Saímos para Maraú. Viagem tranqüila por piloto automático até o fim da carta. Depois, com auxilio do Sonar fomos até Maraú onde chegamos as 12:00.

Nunca encontramos profundidades menores que 6 metros, mas viemos com maré subindo/cheia.

14:00 Descemos para conhecer a cidade. Subimos até a cidade alta e cansei bastante. Fomos almoçar na Cabana do Germano. Camarão e Polvo de Moqueca, dona Menininha é a cozinheira.

20:00 Estamos apreciando do jardim de popa a cidade de Maraú.

Mar picado, 1005 mb, chuva fina, NE força 2, 28° C.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, March 26, 1995

0400: Entrou a frente fria que já esperávamos. Intensidade média com ventos

S.W. de 15-20 nós e muita chuva e descarga elétrica. O ferro prende bem apesar do barco ficar dando voltas pois estamos em um rio (Maraú), que inverte sua corrente conforme a maré.

 

Temos uma ancora de popa, com cabrestante elétrico. É uma Bruce de 25 kg com 200 metros de corrente de 8mm, pouco para um barco de 60 toneladas, mas é mesmo feita para se soltar em caso de vento muito forte. Serve apenas para manter o barco em uma posição fixa, o que é conveniente num rio. Porém como temos muito espaço para girar, prefiro deixar só uma ancora na proa.

Esta ancora de popa, caso eu queira fundear proximo a uma praia, me permite aproximar de popa, largar este ferro soltando até 200 metros de corrente, lançar o ferro de proa e retornar recolhendo a corrente de popa até o ponto que desejo. Fico assim ancorado sem girar, proximo à praia.

Uma das grandes vantagens das CQR é que não se enroscam na corrente caso o barco gire, como pode suceder com as Danforth, assim, deixamos girar à vontade. A cada giro, o ferro se solta, corre um pouco, e se fixa novamente.

0800: Café da manhã feito pela Milena com arroz doce. Muito bom.

Milena lê e vou consertar a bomba de pressão de agua doce, e fazer algumas

revisões

0900: Chega a previsão do tempo da Marinha Brasileira. Engraçado, quando estávamos com o Inmarsat ligado ao satélite East Atlantic, que é o que serve a estação da Embratel em Tanguá, não recebíamos previsões. Como o Weather Fax também não funciona bem no Brasil, ficávamos sem nada.

Dois dias atrás tivemos problemas de conexão com o satélite e trocamos para Atlantic West, que serve a costa Americana e o Caribe. Descobrimos então que os boletins emitidos diariamente pela Marinha Brasileira são transmitido por Telex em inglês via estação americana!

 

Nossa estação metereológia a bordo consiste nos tradicionais Termômetro (com máxima e mínima), Barômetro e Higrômetro. Temos também um Weather Fax Furuno, que recebe cartas sinóticas e também Navtex, que trabalham mal no Brasil. No sul, recebíamos cartas da Argentina, depois parou de funcionar.

O Sistema Inmarsat C, que nos permite receber e enviar Telex a qualquer máquina no mundo, ou mesmo Fax (só podemos enviar, não receber), recebe previsões meteorológicas 2 vezes por dia, e também todas as mensagens Navtex. É utilíssimo e vale seu preço.

Acoplado a nossa rede Authelm, temos sensores de velocidade e direção do vento, que nos fornece, quando navegando, estes dados em termos aparentes e reais.

A Milena é a encarregada da meteorologia, e cumpre com perfeição suas tarefas, talvez um pouco por medo de enfrentar mal tempo.

12:00 Para o trabalho e vou descansar um pouco.

14:30 Vamos de Flexboat para a cidade. Cuidamos de amarrar no cais com bastante distancia da costa pois a a maré quando baixa fica muito seca.

No Bar do Germano, tomo uma cerveja e a Milena sai para conhecer as igrejas

com a dona Menininha, a proprietária. Vão a casa do Padre que é muito bonita e grande, conhecem a Monica, mulher do médico que mora em casa feita com muito bom gosto.

Voltamos ao barco com Menininha e Yara, uma paulista cujo marido esta para chegar de São Paulo. Nasceu aqui e estão comprando um sítio para voltar.

Ao retornar a terra, 18:00, jantamos uma moqueca de Mero (Badejo) e de caranguejo, no Bar do Germano. Em seguida fomos a casa de Monica onde conhecemos seu filho Felipe e sua amiga Lu. Bebemos um licor de jenipapo e uma cachaça antiga. Voltamos com eles ao barco para uma visita, retornamos para leva-los a terra e viemos dormir.

Fomos também muito bem recebidos pelo Manoel, Secretario de Transportes .

Maraú está a 14° 05’S e 39° 01’W. Vamos deixa-la com saudades, é um lugar magnifico, de gente hospitaleira e amiga. Não tivemos tempo de conhecer a famosa cachoeira, fica para a próxima.

Barômetro 1109 mb, 85% humidade, 26° C.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, March 27, 1995

08:00 Vamos a cidade preparar nossa partida.

Tomamos café com Dna Menininha que nos deu um litro de dendê e todos os temperos para uma boa moqueca.

Comemos bolo de tapioca na praça.

11:00 Iniciamos procedimento de viagem para Taipu

13:05 Chegada a Taipus. Viagem tranqüila

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, March 28, 1995

0730: Acordamos e nos preparamos para partir de volta a S. Paulo. Tenho que retornar, não será desta vez que iniciaremos a longa viagem.

12:00 Dona Arlinda vem ajudar Milena a prepara nossa bagagem.

14:00 Vamos ao Jorge comer lagosta. É a nossa subsistência de cada dia.

16:00 Chega o Wellington que já está melhor junto c/ o Sr Chico. Fui eu o médico, com nossos remédios de bordo, que coragem!

Combinamos nossa partida para amanha cedo as 06:30.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, March 29, 1995

06:00 Levantamos cedo para preparar a saída.

Wellington chegou as 06:30 com o pai que vai também a Camamú aproveitando a condução.

Completamos o procedimento as 08:00

Novamente de barco para Camamú, de lá no taxi do Sargento Jaime para Ilhéus onde almoçamos talvez a melhor moqueca de camarão até agora no restaurante 5 estrelas. Com muito dendê e leite de coco.

15:00 - Inicio do vôo para S. Paulo

21:00 Chegamos em casa sem transtornos