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O Egeu Oriental

 

Preparando para o verãoFesta dos onomásticos - Uma oficina de arrepiar - Afinal Navegando - Ventos Fortes - AstipalaiaKosNa Turquia, Bodrum

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 13, 1999

Retornamos ontem ao San Marino, depois de três meses na Alemanha.

Alugamos um pequeno apartamento nos Alpes, e esperamos por lá o inverno passar.

Encontramos sol e temperaturas elevadas por aqui.

Fomos direto para um restaurante matar a saudade da comida Grega.

O San Marino está perfeito, atracado de costado na marina de Agios Nikolaus.

A Milena entretanto reclama da sujeira.

Fora há uma camada de pó vermelho, trazida pelo vento sul do, da África.

Dentro, ela reclama do mesmo pó, e de mofo.

É que desta vez resolvemos deixar as baterias e a eletricidade desligadas, assim os exaustores ficaram também desligados.

Foi uma experiência, pois nunca tínhamos deixado o San Marino tanto tempo só.

Não deu certo, os exaustores são indispensáveis.

Assim, lavo o barco por fora, a Milena arruma por dentro.

Está aqui também a Poppi, que ajuda a Milena.

O Costas, logo apareceu e nos convidou para um jantar.

Como sempre muita e boa comida, ficamos conversando sobre a guerra.

Na verdade estamos pensando em não mais ir para a Turquia, pois os Curdos estão à toda, e na Grécia o ambiente não é nada bom também.

Estão com ódio dos americanos e alemães, querem apoiar a Iugoslávia, a opinião é unânime.

Pensamos em voltar via Malta, Tunísia, Sardenha e Majorca para Gibraltar.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 14, 1999

Continua o trabalho de limpeza.

Como tínhamos mudado o San Marino de local, estamos também com problemas de alimentação elétrica.

Fiz um novo cabo, com 50 metros de comprimento e estou agora conectado com uma tomada trifásica de 32 amperes. Vai bem.

Ontem e ante ontem, ficamos no gerador e nas baterias.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 15, 1999

Temos que voltar a nos comunicar.

Instalei novamente o telefone celular no computador de bordo, transferi os dados dos arquivos do Laptop para ele, estamos prontos novamente a atualizar nosso site.

Decidi manter o diário sempre atualizado, para que nossos filhos e amigos possam acompanhar nossa viagem.

Temos muito a fazer nestes próximos dias,

Abastecer, de diesel e víveres, revisar tudo, trocar o compressor de um freezer, trocar o motor de um dos cabrestantes de âncora.

Ontem a caldeira do aquecedor apresentou um vazamento devido à ferrugem no trocador de calor, que veio pela parte interna.

Temos que troca-la, mas não é importante pois o inverno já acabou e temos como reserva o aquecimento elétrico.

Estamos também convidados a ir à vila do Staphis, para uma noite de Raki, serão dois dias perdidos pois a ressaca será pesada, mas vale trocar uma boa noite por um dia de trabalho.

A vida é curta e boa, mas só se não se deixa a alegria pela obrigação.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, April 16, 1999

Passei o dia pendurado no computador. Perdi um tempão tentando passar o site do laptop para o computador de bordo.

A conexão via GSM (celular) cai sempre e é muito lenta.

A Milena está limpando todos os armários, para reenche-los com viveres para um bom período de viagem.

Os preços por aqui são razoáveis e há de tudo.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, April 17, 1999

9:30 O vento volta forte, de sul, força 8.

O mar está batendo com violência no paredão de proteção da marina, e as ondas algumas vezes passam e molham todo o San Marino.

É a primavera, quando o inverno se indo deixa seus rastros violentos.

O mar fica pior nas estações transitórias que no inverno ou verão.

É grande a diferença de temperaturas entre as regiões frias e quentes, as frentes ainda entram e violentamente.

Aqui o tempo vem de NW, e é para lá que vamos.

Assim, não temos muito tempo entre nossa saída e chegada para escolher tempo calmo.

O mediterrâneo vira rápido e forte, até os navios param quando venta acima de força 8 e este trecho que vamos pegar é aberto para todos os ventos.

17:30 Substituí todas as braçadeiras dos tubos de borracha do motor.

É trabalho para se fazer a cada 5 anos, uma já tinha quebrado quando navegávamos as Cíclades.

Ao substituir vi que há um pequeno vazamento na bomba de água doce.

Desmontei, vou trocar o retentor, mas preciso de uma prensa de umas 10 toneladas para remover o eixo. Não tenho, vou ver segunda feira se acho alguma na cidade.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, April 18, 1999

Lavei de novo o San Marino. O vento sul bateu forte nos últimos dias, tudo estava cheio de poeira vermelha do Saara.

Abri todos os tanques de diesel para inspecionar se há água , sujeira ou bactérias.

Felizmente tudo em ordem.

Na dúvida coloquei um antibactericida nos tanques principais, pois é diesel de um ano.

Vamos abastecer aqui mais 2000 litros, só por segurança, pois temos ainda 5000 litros, suficiente para ir direto até Malta.

Ë só trabalho depois de três meses longe e preparando para sair na próxima semana.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, April 19, 1999

9:00 Novamente um belo dia. 18 C, 1018 Mb, 52% de umidade.

Vou sair para procurar uma prensa hidráulica e uma empresa que trabalhe com refrigeração para soldar os tubos de cobre do novo compressor.

Posso faze-lo a bordo com estanho, mas é melhor solda prata, que é muito mais forte, o estanho solta com a vibração.

12:00 Estou de volta, com a bomba já montada.

Achei a única prensa hidráulica da cidade, 15 toneladas, exatamente o que precisava.

18:00 A bomba está colocada, testei os motores que estavam 3 meses sem funcionar, tudo perfeito.

Mandei também o compressor do freezer para fazer o serviço de solda dos tubos.

Temos que fazer tudo antes de começar a viagem, talvez na próxima semana.

19:00 Vieram o Geoge, a Ada e os filhos, nos visitar.

Começamos a conversar sobre a guerra, aqui 92% das pessoas apoiam o Milosevith, é difícil.

São todos muito religiosos na Grécia, ortodoxos, e também a Servia é Ortodoxa.

Chamam os servos e os Russos de Irmãos, pois são todos ortodoxos.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 20, 1999

O dia começou bonito, resolvi finalmente sair cedo para comprar, ver os preços do diesel, cortar cabelo.

O barbeiro daqui é incrível, daqueles antigos mesmo, cuja cadeira é do tempo do Tiradentes, muito mais velha que aquelas que hoje são relíquias. Ele ainda usa máquina manual de cortar, toalhas quentes. Tem televisão branco e preto e telefone de parede preto, tipo 1950.

A intenção era continuar o trabalho na volta, mas a Milena ficou com vontade de comer lagosta, as daqui são ótimas.

Lá fomos nós de moto (nossa Honda 50cc está perfeita) para Elunda, no restaurante (muito simples) que o Príncipe Charles tinha ido no ano passado, só para conferir se é bom.

Almoçamos bem, mas no restaurante do Manolis em Plaka é melhor e mais barato.

Resultado: Não fizemos nada hoje!

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 21, 1999

10:00 Chegou o caminhão com o Diesel.

Abasteci 2000 litros, só como segurança para poder ir com reserva até Malta, em caso da guerra apertar.

A primeira coisa que se corta é a venda de combustível.

Poderia ter comprado 5000 litros, temos espaço, mas o preço é alto aqui na Grécia, estamos pagando 50 centavos de dólar por litro, é muito, em Malta deverá ser por volta de uns 25.

14:00 Aproveito o belo dia para arrumar o Fly Bridge.

O Flexboat e o Avon são testados, tudo funciona muito bem.

Levanto as antenas do VHF e SSB, reviso o EPIRB, recoloco todo o equipamento que fica dentro dos dois botes, que podem ser usados como barcos de salvamento em caso de emergência.

Continuamos de olho nas notícias, parece que a Guerra não se alastrará.

Se assim for, poderemos ir até a Turquia.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 22, 1999

Comprei nas lojas de ferragens locais, os materiais para instalar as bombas de porão extras.

Trouxe duas da West Marine somente como precaução pois o porão da casa de máquinas já possui uma bomba mestra, que esgota automaticamente e também uma bomba de grande eficiência (160 litros por minuto) ligada ao eixo do motor de boreste.

Mas é mais fácil acionar uma bomba elétrica de reserva caso a bomba mestre pare ou fique entupida em um momento crítico.

Espero nunca precisar destas bombas que vou instalar.

14:00 As bombas estão quase instaladas, só falta a parte elétrica, a mais fácil.

Tive que furar o casco para colocar as duas saídas de água de 1 1/2 ", ficou um serviço decente.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 21, 1999

10:00 Chegou o caminhão com o Diesel.

Abasteci 2000 litros, só como segurança para poder ir com reserva até Malta, em caso da guerra apertar.

A primeira coisa que se corta é a venda de combustível.

Poderia ter comprado 5000 litros, temos espaço, mas o preço é alto aqui na Grécia, estamos pagando 50 centavos de dólar por litro, é muito, em Malta deverá ser por volta de uns 25.

14:00 Aproveito o belo dia para arrumar o Fly Bridge.

O Flexboat e o Avon são testados, tudo funciona muito bem.

Levanto as antenas do VHF e SSB, reviso o EPIRB, recoloco todo o equipamento que fica dentro dos dois botes, que podem ser usados como barcos de salvamento em caso de emergência.

Continuamos de olho nas notícias, parece que a Guerra não se alastrará.

Se assim for, poderemos ir até a Turquia.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 22, 1999

Comprei nas lojas de ferragens locais, os materiais para instalar as bombas de porão extras.

Trouxe duas da West Marine somente como precaução pois o porão da casa de máquinas já possui uma bomba mestra, que esgota automaticamente e também uma bomba de grande eficiência ligada ao eixo do motor de boreste.

Mas é mais fácil acionar uma bomba elétrica de reserva caso a bomba mestre pare ou fique entupida em um momento critico.

Espero nunca precisar destas bombas que vou instalar.

14:00 As bombas estão quase instaladas, só falta a parte elétrica, a mais fácil.

Tive que furar o casco para colocar as duas saídas de água de 1 1/2 ", ficou um serviço decente.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, April 23, 1999

Hoje é dia dos Jorge, explicando melhor, de São Jorge.

Os Gregos festejam seu onomástico com mais intensidade que o próprio aniversário.

Como na Grécia todo mundo se chama Jorge, ou Georgios ou Iorguiu (tentando escrever como eles pronunciam, a festa hoje é para todos.

Existem também os Manolis (Manoel), os Ianis (João), e os Kostas (Constantino).

Uma pequena minoria usa outros nomes.

Nosso amigo Georgios, deverá portanto festejar em sua casa.

O costume local é não convidar ninguém neste dia, as pessoas aparecem sem avisar.

Chegamos na casa deles às 9 da noite, fomos os primeiros, horário de gringo.

Tinha comida pronta para um batalhão, eu contei 22 pratos diferentes, todos em grande quantidade.

Eles armaram uma grande mesa no centro da sala, no centro toda esta comida.

Os amigos iam chegando, sentando, bebendo Raki ou vinho, e comendo.

Tinha cadeira para todos.

Creio que existe um estoque de cadeiras na ilha, que vai girando entre os Iorguios, Iannis, Kostas e Manolis.

O pessoal fala alto, deixam os italianos longe para traz.

Todo mundo é muito animado, vem adultos e crianças, vale tudo.

Voltamos altas horas, de moto, Milena na garupa.

A noite era escura, a cabeça cheia de Raki e a distancia, uns 15 quilômetros por estradas bem esburacadas.

Comentei com a Milena: "nunca imaginei que com quase 60 anos de idade, estaria em uma moto, de cara cheia, à noite voltando para casa (barco)"

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, April 24, 1999

A uns 100 metros de nós, está atracado o Spes Nostra, um magnifico veleiro holandês de aço, de 28 metros, montado em sloop.

Seu mastro mede 37 metros.

O proprietário, Hank, nos convidou na quinta feira passada para um drinque a bordo.

Ao entrarmos, um marinheiro todo de branco nos esperava fora.

O Hank nos recebeu no convés, onde também estava sua mulher, o capitão e a steward, mulher do capitão.

Todos em branco brilhante, o barco parece um hospital, é mantido impecável.

Como não podia deixar de ser, champanhe.

Que luxo!

Eles são gente simples e de papo fácil.

Hoje saímos juntos para jantar, eles vieram primeiro ao San Marino, para um vinho branco.

Jantamos no Pelagos, nada bom, é restaurante para turista.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, April 25, 1999

Estamos num prego danado, muito cansados.

Passamos o domingo a bordo, lendo, vendo programas de televisão, nos informando sobre a guerra.

A impressão é que está melhorando, toda a Nato está unida.

Isto nos fez voltar a vontade de ir para Rhodes, depois Turquia, mesmo que só por algumas semanas, pois pretendemos estar em Gibraltar em Agosto.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, April 26, 1999

Estou tentando encontrar uma resistência para o aquecedor de água, mas não há nas lojas.

Vou improvisar alguma coisa.

Aproveitei também para trocar o motor do cabrestante da ancora de bombordo, e revisar todo o circuito elétrico.

Quando o Milton e a Jeane estavam a bordo, em Egina, a catraca de popa apresentou um defeito no contato do pedal.

Assim revisei todos os contatos dos cabrestantes, um de fato, estava bem oxidado.

Estamos quase prontos para o cruzeiro de verão!

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 27, 1999

Apareceu o Jean, nosso amigo francês musico.

Ele acabou de chegar da França, veio direto para o San Marino.

Passamos algumas horas conversando sobre a guerra, ocultismo e outras loucuras.

Vamos jantar juntos hoje.

19:00 O Jean veio nos buscar e trouxe uma menina que acabou de conhecer.

Ele é metido a conquistador, não perde oportunidades.

Mas a menina não pode ir conosco hoje.

Jantamos à Grega, com dez tipos diferentes de pratos, todos ótimos.

Vinho da Macedônia ( macedonia grega). De lá fomos para o bar do Manolis, o Olga, ele estava esperando o Jean, que toca violão e canta lá.

Não tinha ninguém, nenhum cliente, ficamos nós cantando musicas brasileiras, francesas, e gregas, o Manolis tem mania de "Mulher Rendeira", do tempo que ele viveu no Brasil.

As bandeiras brasileiras que dei à ele estão convenientemente exibidas no simpático bar.

Como não tinha clientes, fomos bebendo.

Cada vez que passava na porta algum turista, lá ia o Manolis chama-lo, dançava no meio da rua, mas sem resultado.

Mas a Milena resolveu fazer o mesmo, e entrou um casal de finlandeses, que logo se enturmou.

Na animação da situação (e também um pouco culpado de te-los feito entrar em tanta loucura) disse a eles que eu pagaria os dois drinques que estavam tomando.

Cantaram, dançaram e se foram.

Na nossa vez de sair, pedi a conta para o Manolis que disse "vocês aqui não pagam nada!".

Mas - e a conta dos finlandeses - retruquei.

"Hoje, neste bar, ninguém paga nada", respondeu o Manolis, tocando o seu Buzuki.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 28, 1999

Os dias continuam lindos.

Estamos estudando as previsões do tempo e as frentes frias que se aproximam.

Temos que sentir como se forma o tempo por aqui, para fazermos uma viagem tranqüila.

Até Malta são 4 dias e 4 noites de viagem continua, mas ainda não decidimos nossa rota, nem nosso destino.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 29, 1999

10:10 Estou voltando da oficina do Iannis, deixei lá a caldeira do queimador de diesel (aquecedor de água) para soldar.

A oficina do Iannis, creio que a única em Agios Nikolaus, é qualquer coisa de especial.

Um galpão de uns 100 metros quadrados, onde a bagunça é indescritível.

Imagine um ferro velho de interior, é muito pior.

Tudo lá é cinza, escuro ou preto.

Ele tem um torno grande e velho, uma furadeira pesada que parece do século passado, uma grande bancada onde tem de tudo desde os serviços que ele tem para fazer desde o ano passado, até um monte de ferro velho.

Duas máquinas de solda elétrica, novas e boas destoam do ambiente. Tem também solda acetileno.

Ele também está bem integrado. É grande e gordo, muito sujo de graxa, da cabeça aos pés.

Estive ante ontem lá para soldar a resistência do "boiler".

O sistema é curioso.

Ficam os clientes, cada um com seus problemas esperando. Na vez de cada um, o Iannis olha a peça quebrada, coça a cabeça, fala duas ou três palavras mal humoradas e começa o trabalho, geralmente com a marreta.

A coisa funciona mesmo no tranco, e a peça que ele consertou para mim ficou uma porcaria.

Mas o serviço de hoje é fácil, só uma solda.

Entretanto, ao chegar, não havia ninguém, só ele.

Olhou a peça e me disse: "amanhã".

OK, volto amanhã para buscar, espero que ainda encontre minha peça, o Iannis e a oficina.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, April 30, 1999

O boiler ficou pronto, serviço porco mas forte.

Montei o aquecedor de água, o boiler, e arrumei a casa de máquinas.

Estamos com a casa de máquinas 100% em ordem.

O Jean apareceu, nos convida para jantar.

Como sempre muitos tipos de comida, mas a costeleta de porco era especial.

Tomamos um bom vinho tinto.

No café, ele nos levou a um restaurante de um amigo dele, que não nos deixou pagar, nem nós, nem o Jean.

Fomos depois a um bar de outro amigo, que nos ofereceu Metaxa, oferta da casa.

Na saída nos presenteou com 2 litros do maravilhoso óleo de oliva de Creta.

Que gente generosa, estes gregos!

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, May 01, 1999

A Milena esteve conversando com os franceses do SY Espalmador, Nantes, um veleiro de alumínio, 18 metros, que também vai para Rodes.

Nos encontramos com eles em Lavrion, em Santorini, e agora eles vão para o mesmo local que nós.

É, decidimos definitivamente esquecer a guerra e o problema dos Curdos.

Vamos daqui para Rodes, depois subimos a costa da Turquia.

Dizem todos que é um dos trechos de mar mais lindos do mundo.

Não vamos mais mudar, pois um casal de alemães com um filho nos esperam lá dia 22 de maio para 15 dias de férias.

Melhor assim.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, May 02, 1999

16:30 Milena está preparando o jantar, o Jean vem comer conosco a noite.

Estou trabalhando no Fly, mas o vento entrou forte e tive que deixar a colocação do bimini (toldo) para amanhã.

19:30 Chegou o Jean, com a Sabine, uma alemã que ele conheceu ontem.

As nórdicas vem para cá loucas para arrumar um homem, e os gregos estão sempre a disposição.

Desta vez foi Jean.

O jantar foi animado, muita musica, fomos dormir lá pelas 4 e a Sabine passou mal de tanta bebida.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, May 03, 1999

Hoje mergulhei para ver o estado do casco.

Não posso usar as garrafas pois é proibido na Grécia, não quero criar caso.

Fui mesmo na apneia.

O casco está perfeito, nenhuma craca, mas o hélice precisa de limpeza.

A água está um pouco fria (18 C) mas deu para dar uma boa olhada.

Limpei o sensor do log, vou ver se contrato alguém para limpar os hélices.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 04, 1999

Tudo pronto, vamos começar a navegar amanhã.

Os hélices estão limpos, o rumo já traçado, serão 14 horas até Rhodes.

Pretendemos sair amanhã por volta da meia noite, mas estamos na dependência do tempo, vem frente fria por aí.

De todos os modos amanhã é dia de despedidas, se não der para ir para Rhodes devido ao mau tempo, iremos para Spinalonga, uma linda baia a uma hora daqui.

Assim as despedidas não precisam se repetir.

O Costa veio a noite, com uma caixa de doces típicos, nos despedimos.

Ele foi grande companhia e deixamos um amigo por aqui, já com saudades.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 05, 1999

De moto, pela manhã giramos a cidade.

Nos despedimos da Rena, depois da Ada e do Giorgio, depois da Silvia e do Manolis, da Marianna do Supermercado, a tarde está reservada para o procedimento de viagem, deixar tudo em ordem e preso.

Até hoje nunca quebramos nem um copo em viagem, não vai ser hoje.

Mas o Sul está soprando desde cedo, força 4, não é muito, mas é a frente que entra.

O vento deve girar para Este, depois Norte, se entrar frente de fraca intensidade, dá para viajar.

13:00 Chegou a previsão do tempo, a frente vai entrar pesada.

Decidimos navegar só até Spinalonga.

14:25 Chega o Jean, veio se despedir, ele é maluco e por isto mesmo grande papo.

17:00 Chegam O Geogio, a Ada e as crianças.

Ela parou de trabalhar, foi para casa fazer uma grande Baclava e um bolo de chocolate para nós levarmos.

Trouxeram também um licor, Raki e Azeite.

17:50 Soltei os cabos, o San Marino está livre de suas amarras, feliz como um cachorro livre.

Ao sairmos da marina, uma das defensas (a maior) caiu na água.

Fui eu que não dei um nó correto, são seis meses sem prática.

Foi difícil pega-la, o vento está forte, mas um garoto de um veleiro australiano ajudou a Milena.

Serão 1.20hs de navegação.

O mar está relativamente calmo, ondas de um metro, Sul.

O vento girou para norte, força 5, o mar deve mudar logo.

De longe acompanhamos o movimento da cidade que se distancia, os barcos de turistas que voltam, os de pesca que saem.

Que alegria voltar a navegar.

Ainda há sol o vento frio bate na pele e aquela sensação de liberdade, quase esquecida, domina toda minha mente.

18:45 Estamos quase atingindo Spinalonga, na ponta do cabo, o mar está mais pesado, de través, rolamos um pouco, bom para matar saudades.

19:10 Jogamos o ferro em 5 metros de fundo, areia.

Com medo do vento da noite que se aproxima, dei ré nos dois motores, com força.

A corrente se retesou, estamos bem firmes, pois joguei a ancora de tempestade, a noite pode ser pesada.

20:10 O Jean telefonou, vem jantar conosco, de carro, nós vamos no dinguie.

O restaurante do Manolis, nosso amigo , é onde se come a melhor lagosta e o melhor peixe.

É muito simples, primitivo mesmo, mas é assim que gostamos.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, May 06, 1999

03:30 Levantei com o barulho do vento.

Ele entrou muito mais forte que a previsão indicava, agora é Norte, força 8 com rajadas.

O local onde estamos, bem protegido do norte, não forma ondas, mas a montanha afunila os ventos e aumenta sua intensidade.

Confiro no radar nossa posição, a ancora não mexeu um centímetro.

Mas a corrente range e bate, assim resolvi colocar um pedaço de cabo de nylon de 20 mm entre a corrente e o cunho de proa, para servir como amortecedor, pois o cabo de nylon é elástico.

Vou entretanto passar a noite na cama do Pilot House, pois a coisa pode piorar.

4:40 Um veleiro que estava ancorado próximo à ilha de Spinalonga, está agora uma meia milha ao Sul.

Seu ferro está correndo e ele não se dá conta.

Quando voltamos ontem a noite já havia vento e a Milena disse: Aquele veleiro está garrando. Não concordei, mas ela é que estava certa.

Com um farol de mão, fiquei iluminando o casco dele, piscando a forte luz, até que ele apareceu no convés.

Chamei-o pelo radio, e com voz de sono, ele agradeceu que o acordei.

Mais uns 10 minutos, ele bateria na costa, encalhando.

5:20 O vento está ainda mais forte, já levanta um forte spray no mar, sinal que passou de força nove.

Mas nossa ancora está muito firme, nenhuma preocupação.

12:00 Estou atualizando o site, já dei uma geral lá fora, e depois vou curtir o sol e o mar de águas cristalinas.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, May 07, 1999

09:38 Ontem mudamos de ancoragem.

Estávamos num ponto onde as rajadas de vento são muito fortes, mudamos para uma reentrância mais protegida do vento norte, que deve bater por 2 dias.

A pequena baia (saco) é toda nossa.

Jogamos o ferro bem no centro, (ainda a ancora de tempestade), o fundo é de areia, estamos seguros.

O norte soprou a noite toda, com rajadas força 10, uma loucura.

O spray levantava a uns 5 metros do mar.

Maio é mesmo assim, teremos que esperar mais alguns dias para atravessar para Rhodes.

Este trecho de mar, é considerado o pior do Egeu, pois os ventos norte ou sul são afunilados pelas altas montanhas de Creta, causando um mar desencontrado e perigoso. É melhor aguardar.

Aqui onde estamos, é pacifico e belo.

Afinal voltamos à vida náutica, com tempo livre para ler, tocar instrumentos, ouvir musica, apreender sobre a Turquia (A Milena é especialista em guias turísticos e garante que os alemães são de longe os melhores).

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, May 08, 1999

06:00 A coisa foi feia esta noite.

O vento entrou forte como nunca encontramos, com força 8 quase todo o tempo, e rajadas força 10.

O San Marino está dentro de um saco com 250 metros de diâmetro, ancorado bem no centro.

Se o ferro correr e eu não ligar rápido os motores, vamos para cima dos rochedos.

Assim, dormi no pilot house, com um olho aberto e o radar ligado com a zona de alarme perto das margens.

Mas a ancora de tempestade agüentou firme, e passamos a noite sem nenhum incidente.

Subi varias vezes ao Fly Bridge para ver como as coisas estavam por lá, pois o toldo faz um barulho incrível, nas rajadas de vento.

Mas tudo também correu normal.

19:30 O vento continuou o dia todo, um pouco mais fraco, é verdade, mas entre força 6 e 7, o que é muito.

Vou incluir no site uma tabela de força dos ventos, para meus amigos terem uma idéia do quer é este vento.

Vamos esperar a noite, ver como fica.

Aproveitei para classificar as cartas náuticas da Turquia, são muitas e precisam ser achadas com facilidade.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, May 09, 1999

11:00 Decidimos partir amanhã cedo.

O tempo ainda será duro (segundo as previsões) e o norte vai continuar soprando, mais fresco, força 4 ou 5.

Deverão ser ondas de 1.5 metros.

Assim, mudamos nosso rumo, pois para ir à Rhodes o norte nos pega bem no través de bombordo, vamos rolar o tempo todo.

Decidimos perder Rhodes, e ir para Bodrum (nosso destino na Turquia) via Astipalaia e Kos.

Daqui ate Astipalaia são 80 milhas mas o rumo é 020, isto é quase norte, pegamos o mar (NW) de com a bochecha de bombordo, é confortável.

Pena perder Rhodes, mas visitamos tantas ilhas gregas, quem sabe Kos e Astipalaia serão boas surpresas.

A Milena garante que sim, que Astipalaia (uma ilha fora do roteiro dos turistas e a primeira do Dodecaneso) será uma beleza.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, May 10, 1999

5:10 Ainda é escuro, levantamos para sair para Astipalaia ao invés de Rhodes.

A Milena puxa via Internet (que comodidade) a previsão de tempo da rádio alemã (a mais detalhada e precisa).

O tempo está razoável, amanhã piora.

Vamos sair já.

Inicio o procedimento de verificar se tudo está em ordem, a Milena arruma o barco internamente.

Serão 11 horas de viagem. queremos chegar de dia, vamos sair às 6.

É uma pequena travessia, rumo norte.

É uma linda manhã.

A lua quase cheia forma uma avenida prateada na baia, o sol nascendo por baixo dela pinta de vermelho a crista das montanhas.

O vento é fraco, norte, o mar com ondas curtas e baixas (dentro desta baia) traz vida ao dia que nasce.

Também o San Marino vai nascendo.

Ligamos as luzes externas para tirar o cabo de nylon da ancora, pouco a pouco vou ligando os instrumentos de navegação,

5:55 Ligo os motores, como sempre vou à popa verificar se a água sai livre pelo escapamento, desço à casa de máquinas, tudo está perfeito.

A Milena está no timão, vou limpar a lama do ferro

O ferro subiu com muita dificuldade.

Veio cheio de argila dura, clara, incrivelmente compacta, precisei de uns 5 minutos para remove-la com uma alavanca e muita água salgada.

É por isto que em italiano, Creta quer dizer argila.

A ancora subiu mas a haste do ferro, uma imensa barra está torta. O vento foi demais, a ancora portou-se heroicamente.

6:30 estamos já sob o comando do piloto automático, rumo ao ponto 05, cabo Fatsi que está a 1 milha.

Navegamos a 8.8 nós, 1510 rpm, com corrente contraria de meio nó.

Vento norte força 4, mar bom, o sol está em nossa cara, rumo 071

7:00 O mar está um pouco mais pesado, ondas de 1 metro, NW, nos fazem rolar um pouco, nada mais que 5 graus, desconfortável porque muito desencontrado.

9:10 Estamos já a 18 milhas de Creta.

Não se vê mais terra em nenhuma direção, pois a visibilidade não está destas coisa, 6 milhas.

O mar baixou um pouco, mas o dia está cinzento.

10:40 O farol de Kamila Nisi e o de Sofrana, rochas perdidas no meio do mar, estão no radar.

Um está a 12 outro a 22 milhas, a 20 graus de nosso rumo.

Bom para confirmar nossa posição.

12:10 O mar acalmou bastante pois o vento girou para SW (contra todas as previsões, gregas e alemães que previam Norte) e caiu para força 2.

Melhor, a viagem fica mais confortável.

A corrente continua contraria, 1 nó, aumentamos a velocidade, 1600 rpm, 9 nós, consumimos agora 58 litros por hora.

Estamos bem no centro do mar Egeu sul, não ha terra em 360 graus ha muito.

Me dá saudades da travessia do atlântico, quando ficamos com horizonte marinho por todos os lados por 10 dias.

A Milena aparece com bolachichas com ovas de salmão. Que delicia!

15:15 Astipalaia está já nas nossas retinas. É apenas uma sombra escura de uma montanha massiva.

16:12 A pequena vila está localizada no alto de uma montanha, uns 150 metros, e desce até o porto.

De onde estamos, na entrada da baia, vemos o grande forte e duas igrejas de cúpulas redondas e brancas.

A cidade sobe pelas encostas, com prédios simples mas imaculadamente pintados de branco.

Todas as janelas e portas são de um azul escuro profundo.

Devem ser umas 150 casas ao todo.

A ilha, com suas muitas baias e cavernas, foi um esconderijo de piratas.

A ilha foi dominada pelos venezianos, e em 1912 foi a primeira ilha do dodecaneso a ser ocupada pelos italianos.

17:05 Estamos ancorados na baia, com 5 metros de profundidade, fundo de areia.

Na dúvida usei outra vez a ancora de tempestade, agora torta.

Imediatamente botamos o Avon na água, ligamos o pequeno motor e fomos conhecer a cidade.

É uma linda pérola ainda intocada pelos turistas.

Quatro bares, escolhemos um para matar a saudade do "Ouzo mezê", a bebida típica daqui, tomada com água (fica cor de leite) e sempre acompanhada do mezê, isto é tira gostos. Tinha polvo, queijo forte, azeitonas, tomates, lula frita, dois tipos de pães, um dos melhores que já tivemos.

A proprietária, gorda e simpática, sentou-se à nossa mesa e iniciou uma conversa em grego. A Milena se vira um pouco, e logo uma vizinha, amiga dela, sentou-se conosco.

Em seguida veio a filha, que fala inglês e serviu de interprete.

Quiseram saber tudo de nós, até se tínhamos filhos, idade, tudo.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 11, 1999

10:30 A noite foi calma, poucos ventos, algumas rajadas de norte.

Vamos para uma outra baia na mesma ilha, Maltezana, mais protegida tanto do norte quanto de outros ventos.

Valeu conhecer Skala, esta baia onde estamos, com sua simpática vila.

10:45 Estamos navegando rumo a Maltezana.

O vento é força 5, o mar começa a encrespar.

1130 Joguei o ferro normal, nossa CQR de 75 libras, pois o fundo aqui é de grama, a Fortress não é boa para isto.

Estamos ancorados com 7 metros, 45 de corrente, a baia é ampla e bela.

16:00 Inspecionando os motores como faço sempre antes de uma viagem, verifiquei pedaços de sal no motor de boreste.

Isto significa vazamento de água salgada na linha de refrigeração.

Segui atentamente as linhas e encontrei uma das braçadeiras que eu tinha substituído um pouco frouxas.

Depois de troca-las, usam-se um pouco os motores e deve-se reapertar tudo pois as borrachas cedem.

Deixei de fazer, eis o resultado...

Não há tavernas ou bares.

Resultado: Um magnifico ravioli al burro i salvia preparado pela Milena.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 12, 1999

5:45 Ferro levantado, saímos rumo a Kos.

Serão 70 milhas de viagem, o tempo é bom, esperamos um ligeiro mar de través.

Como sempre fui à casa de maquinas .

Um forte cheiro de borracha queimada e água no porão.

Diminuí a rotação, pensamos até em voltar, mas fui investigar, enquanto isto mantemos a rota a baixa rotação.

A água era a que havia entrado ontem por vazamento em uma mangueira de refrigeração do motor, de água salgada.

O cheiro, localizei só após 20 minutos, uma correia (dupla) do alternador de alta potência do motor de bombordo que partiu. A segunda ficou trabalhando sob tensão, portanto queimando.

Desliguei o alternador, passei toda a carga para o outro.

Enquanto isto, a Milena no timão se divertia com um cardume de golfinhos que dançava a nossa volta.

Esta eu perdi!

Rumo 077, próximo ponto a ponta sul da ilha de Kos, a 27 milhas.

6:44 alterei o rumo para 045. Estava rolando muito com mar vindo de través.

06:51 Aumentei a rotação para 1700. O San Marino viaja agora 9.2 nós, fica mais estável, mas gasta mais (70 litros por hora)

7:15 Retornei ao rumo direto para Kos.

O mar vem agora pela alheta de bombordo, está confortável.

O Pilot Book já tinha avisado. As cartas locais não são confiáveis, com erros maiores que 1 minuto, isto é uma milha.

A posição da ilha de Kos esta mais de uma milha ao norte do que deveria estar.

A carta foi feita pelos italianos em 1936, e nunca atualizada pelos Gregos.

Uma simples aerofotogrametria corrigiria os erros, mas parece que ninguém esta interessado, ou se ou gregos fizeram não divulgam por motivos estratégicos (estão sempre em pé de guerra com os turcos e Kos está a 15 milhas da Turquia)

Mas o Radar mostra tudo como é, corrigimos nosso rumo com perfeição.

Kos está no radar desde nossa saída (25 milhas de distancia).

A cidade de Kos foi fundada em 366 antes de Cristo, e se transformou numa importante potência marítima. Dizem que o porto atual é o mesmo daquela época.

Hipocrates nasceu em Kos, o pai da moderna medicina.

7:56 Um belo cargueiro vazio, cruza nossa esteira de popa. Não deu para ver o nome.

O vento continua NW, força 4, o mar, de carneirinhos, vem da mesma direção com ondas de 1 metro. Tudo calmo.

Nada nos horizontes. Estamos a 11 milhas de Kos, a visibilidade deve ser umas 8.

08:42 A sombra escura de Kos aparece bem à proa. são quatro montanhas, a maior delas (850 metros) a 345 graus relativos.

Nossa posição é correta.

09:08 Afinal um veleiro, em nossa bochecha de bombordo, a uma milha. Vem cavalgando, só com a grande rizada e a genoa, é um ketch.

Temos visto poucos barcos de recreio nestas semanas, a temporada ainda não começou, a primavera é conhecida por tempo violento algumas vezes.

A estação começa em junho, termina em setembro, é curto o verão por aqui.

09:51 Estamos no cabo Pluka, ponta sudoeste de Kos.

É um marco para nós, completamos a travessia do Egeu, um mar considerado traiçoeiro e perigoso, ao ponto dos navios e ferryes pararem quando o vento passa de força 8.

Agora estamos na sombra da ilha, pois o mar vem do norte, o leão agora é um carneiro, manso e amigo.

Mais 25 milhas estaremos no ponto mais a este da ilha, onde se encontra o porto e a cidade principal.

Não sabemos se ficamos no porto ou numa nova marina que dizem está pronta.

Tentamos ver no Internet, mas só conseguimos o telefone da capitania.

A Milena, que é a encarregada das comunicações, faz a ligação e se informa que a marina não esta completamente pronta, e melhor ir para o porto.

A ilha, em sua parte sul, é toda árida e monótona. Uma grande baia com boa ancoragem na parte oeste, é onde se encontra uma única pequena vila.

Estamos chegando ao cabo Phuka, ponta mais a sudeste, onde ha um farol e parece um hotel moderno e feio.

Agora ha mais movimento, um cargueiro indo para o sul e dois veleiros contornando a ilha

A costa da Turquia esta a vista, a 15 milhas daqui.

Bem à nossa proa camba o veleiro alemão Key West, um belo sloop de uns 45 pés, azul.

12:43 Cabo Pslidi em nosso través de bombordo, porto de Kos à proa, 2.70 milhas.

17:30 Atracar foi um sufoco.

Entramos no porto de Kos, um saco interior de uns 400 metros de diâmetro, por um estreito canal, muito fácil.

O vento, dentro, estava força 4 ou 5.

Não foi difícil encontrar um lugar, entramos de popa como é costume no mediterrâneo.

Eu fico no Flybridge de onde com a mão esquerda vou controlando os motores e coma a direita aciono o interruptor que baixa a ancora.

Enquanto vou entrando de ré, a Milena cuida das defensas, cuidando que ao encostarmos em outro barco (o vento nos joga encima) a batida seja suave.

Cuida também da passarela, que deve ser baixada na hora da chegada e dos cabos que devem ser jogados para alguém em terra, pois somos só dois.

Os cabos são previamente preparados ou com um pesado gancho de aço (para conectar em anéis) ou com um grande loop para conectar nos cunhos.

O problema dela é grande, pois aqui na Grécia dificilmente alguém vem ajudar como os cabos, de terra.

A Milena fica gritando "Help" até que algum pobre passante decide ajudar.

Geralmente o tipo não entende nada de barcos e por meio de gestos vão se comunicando.

Desta vez deu certo, atracamos bem.

Em seguida fui a capitania regularizar a documentação, onde me informaram que estávamos atracados em local errado, deveríamos mudar.

Com este vento!

Saímos novamente, não ha lugar vago aonde deveríamos ir, entramos em um buraco apertado, ninguém para pegar o cabo, até que um vizinho veio dizer - aqui não pode -.

Saímos novamente, e encontramos um único lugar, bem na boca do canal, do lado de três barcos de turismo turcos.

Entramos com cuidado, o vento nos jogava sobre o cais o que é bom, e novamente a Milena enfrenta o problema de alguém para pegar os cabos.

No fim tudo deu certo, mas foi um grande sufoco pelo vento forte.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, May 13, 1999

9:00 Lá estamos nós caminhando pela cidade para regularizar a documentação de saída.

Primeiro Policia, controle de passaportes.

Caminhando para lá cruzamos com o Henk e a Joke, do Spes Nostra, que estavam conosco em Creta. Mar pequeno.

Eles nos acompanharam todo o tempo, fomos à Capitania, à alfândega, depois ao mercado para comprar algumas iguarias gregas.

Almoçamos junto, um excelente Pita Giro, nos despedimos e retornamos para o San Marino.

12:29 Motores ligados, saímos par Bodrum

12:44 Estamos no rumo 037, serão apenas 10.5 milhas

O mar está ligeiramente picado, ventos NW força 3., tudo tranqüilo.

12:58 Estamos em águas turca.

Vou trocar a bandeira de cortesia grega por uma nova turca.

A grega está toda puída.

No outro pau coloco a bandeira amarela.

Na nossa proa a Ásia.

É o quarto continente que o San Marino atraca.

América, África, Europa, Ásia

13:45 Estamos já atracados na marina.

Que comodidade, já tínhamos até esquecido.

Um corpo morto fácil de pegar, um marinheiro veio a bordo ajudar a Milena e outros dois, em um bote, nos indicava o caminho.

A Marina está num local lindíssimo, à nossa proa um castelo medieval com um minarete dentro.

Começamos a tratar da papelada de entrada, mas só poderemos completar amanhã, as repartições estão fechando.

Estamos em Bodrum, a antiga Alicarnassus, (cidade natal de Herodoto, o pai da história escrita) uma cidade com reputação de boêmia porque um bom número de artistas e dissidentes foram exilados aqui em nosso século.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, May 14, 1999

12:00 Saí às 8:30 e já estou de volta no San Marino.

Com a moto girei toda a cidade pela manhã a fim de regularizar nossa entrada no país.

Primeiro comprei o impresso (log) na repartição adequada. Custou 30 dólares.

Depois fui ao controle sanitário, estamos com a bandeira amarela no pau (letra Q), isto é, estamos de quarentena.

Depois da visita ao controle sanitário, estamos liberados, não temos peste a bordo.

Daí fui ao controle de passaportes. Dois selos, 40 dólares.

De lá fui à alfândega, já com uma lista de todos (todos???) os bens móveis a bordo.

Nem olharam, carimbaram tudo como OK.

Da alfândega para a capitania, onde paguei mais 20 dólares e obtive o carimbo final no citado log.

Pronto estamos autorizados a ficar na Turquia.

Todos são muito simpáticos, e todos querem tirar o seu dinheiro.

Muitos falam alemão (a emigração turca para a Alemanha foi imensa), outros francês, alguns italiano e outros inglês. Não foi difícil me comunicar.

Enquanto isso a Milena acertava tudo na marina, estamos instalados, vamos almoçar na vila.

17:00 estamos de volta, comemos muito bem um prato (caçarola) com carne, pimenta, queijo e temperos, outro igual com frango, deliciosos.

A sobremesa era ótima, café, tudo bom.

20:00 Saímos outra vez, agora de moto, fomos para o outro lado da cidade, atras do castelo.

A noite é animadíssima, todas as pessoas saem, fomos a um bar tomar Raki com mesê (como na Grécia) e nos divertimos muito com o dono do restaurante que pega as pessoas quase na amarra (mas com simpatia) e coloca o pessoal sentado onde quer.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, May 15, 1999

Dia de trabalho a bordo, troquei a bomba de água do gerador que estava vazando pelo retentor.

A Milena deu uma geral em todo o barco.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, May 16, 1999

Hoje resolvemos ir a um bom restaurante para ver como é a verdadeira e boa comida turca.

Temos sempre jantado nos restaurantes baratos e comuns e sempre comido muito bem.

A Milena com seus guias e suas informações escolheu um, o Han que dizem, é onde os turcos vão, não os turistas.

No caminho, um vendedor de tapetes nos assediou e ficamos conversando com ele para aprender um pouco sobre tapeçaria.

Ele também nos confirmou sobre a excelência do restaurante.

Tem até dança do ventre.

Chegamos lá, já escuro, umas 9:30 da noite.

Fica no bazar, no centro da cidade, é uma casa magnifica, se come no atrium entre paredes trabalhadas.

O restaurante estava vazio. Só nós.

Um bom numero de garçons, o cardápio era mais ocidental que turco, mas pedimos um mesê com raki, e um Kebab de carneiro na ânfora (quebrada na mesa para servir) , vinho Turco (nada bom), baclava de sobremesa.

Comemos relativamente bem, nada especial.

Mas o ponto alto foi a música.

Um "one man band" começou com a mexicana Maria Helena, continuou com Besame Mucho e foi por aí afora.

Tivemos também Orfeu do Carnaval e Garota de Ipanema.

Quem manda ir em restaurante que só vai turco!!!

Nada de dança do ventre, isto é para turistas, os turcos querem é musica mexicana.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, May 17, 1999

Dia de supermercado. Como sempre aprender tudo de novo, tudo escrito em turco, antes era grego, agora é mais fácil.

O supermercado foi uma boa surpresa, tem de tudo, muito limpo e organizado.

A seção de frutas é muito bonita, mas a Milena prefere compra-las amanhã no mercado central.

Conseguimos carregar tudo na moto, de volta.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 18, 1999

Hoje foi o dia do incêndio.

Uma vez por ano checo todos os extintores e o sistema de automático da casa de máquinas.

Chamei uma pequena empresa local para recarregar os extintores de CO2 e Pó Químico, tudo está em ordem.

O fogo é a mais perigosa ocorrência no mar.

Temos uma bomba de água de alta potência ligada à mangueira de incêndio, um sistema automático e halon na casa de máquinas e mais 10 extintores espalhados pelo barco, tipo CO2, Po Químico e Água.

Na cozinha um pequeno de halon e um cobertor a prova de fogo para abafar pequenas chamas.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 19, 1999

Estamos aguardando os alemães que chegam sábado de manhã.

Tão logo eles cheguem, iniciaremos nossa viagem para Istambul, subindo pouco a pouco, ancorando em baias e pequenos portos, conhecendo melhor a Turquia.

A Turquia tem se revelado um pais muito acolhedor.

Os Turcos são extremamente simpáticos.

Segundo a bíblia, Adão e Eva estavam entre o Eufrates e o Tigris, portanto o Éden muito provavelmente é na Turquia, pois aqui estes rios correm paralelos, a menos de 100 kms um do outro.

Noé também aportou por aqui, pois o Monte Ararat fica no nordeste da Anatólia, a parte principal da Turquia.

Tudo isto entretanto fica muito bem no verão, mas o inverno daqui é rigoroso, como ficava o paraíso nesta época?

Muita neve na cobra e na maçã!

A gente não faz muito idéia, mas estamos mesmo no oriente, na Ásia Menor.

Os países que fazem limite com a Turquia são : Grécia, Bulgária, Geórgia (antiga URSS), Armênia, Irã, Iraque, e Síria .

A história magnifica deste pais e a opulência e força do império Otomano, que acabou na primeira guerra mundial, se sente ainda no povo, nos pratos típicos e refinados, que tanto influenciaram a cozinha ocidental via Veneza.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, May 20, 1999

Estamos na terra de Mausolo, que foi enterrado em um imenso túmulo aqui vizinho, chamado Mausoléu, daí a palavra atual.

Bodrum é uma pequena vila (20 000 habitantes) de ruelas estreitas e sinuosas, casas baixas brancas e sem telhado e muitas mesquitas.

Do alto do minarete, em forma de lápis os Muezzins cantam "Alá é grande e Maomé o seu profeta varias vezes por dia) - atualmente substituídos por alto-falantes e uma fita gravada já que é sempre a mesma ladainha -.

Há também um belo bazar onde há de tudo, negociantes de tapetes, bares e cafés.

Aqui não se leva o islamismo muito a sério.

As mulheres se vestem "à ocidental ", bebe-se álcool à vontade (consomem 18 litros por ano per capita, a Alemanha 19 , os Estados Unidos 21), bebe-se muito mais chá que café, enfim tudo muito diferente daquilo que normalmente se pensa.

O imenso porto onde estamos domina toda a cidade que se estende à suas margens.

No centro ha um castelo fortaleza medieval, de rara beleza e em ótimo estado de conservação.