MS San Marino - Diário de Bordo

A Viagem do San Marino

Concepção

Construção

Na Água

Diário de Bordo

Perguntas e Respostas

Rotas

Força dos Ventos

Índice Técnico

Localizar

Entre em Contato

Home

 

Visite o site da NOVA viagem do San Marino

    

 

UM SABOR DE ORIENTE

Rimini - Chioggia - Confusão em Pellestrina - De carro pelas montanhas - Investigando a Croácia

LOG ENTRY FOR: Saturday, March 01, 1997

5:00 Acordamos com o despertador berrando, costume perdido ha muitos anos.

Lá está o Karl, como prometido, todo vestido em roupas de mau tempo, esperando por nós! Ele veio mesmo!!! Em palavra de alemão se pode sempre confiar.

Ótimo, ele é muito boa companhia e já vou bota-lo para trabalhar. Pode começar soltando e enrolando o cabo elétrico e a mangueira de água, as amarras faço eu com o Baffi Scoppa.

A Milena trata de prender tudo muito bem interiormente, arrumar os armários e depois me ajudar no desatraque com os cabos, pois ela tem prática.

6:45 Fora da barra, rumo a Rimini. Nasce o sol e a lua está linda entre as montanhas nevadas.

Mar calmo, algumas pequenas ondas de proa, tudo em ordem.

Serão 85 milhas de navegação, umas 10 horas.

Estão conosco o Carlo Baffi Scoppa, o Karl e a Milena.

07:04 Mudei de rumo, direto para ponto 62, pego assim o mar mais de proa, rolamos menos. O radar está coalhado de pontos brancos. São pesqueiros e bóias de redes. São inúmeras. Deve-se tomar cuidado para não se navegar muito próximo, pois o hélice pode se enroscar. Temos o corta cabos no eixo da hélice mas não queremos danificar a propriedade do próximo. Portanto, atenção dobrada.

9:15 Chamou pelo celular a Peppina. Estamos bem em frente a Osimo, a cidade deles. Como foram gentis durante todo o tempo que ficamos em Porto San Giorgio.

12:30 A Milena começa a servir salmão e alicci, depois "cappeletti burro e panna", que serviço.

Aproveito para tirar uma soneca, acordo as 15 horas, estamos perto de Católica.

A costa é monótona, só praias, e viajamos a umas 10 milhas dela para evitar os baixios e os barcos de pesca que varrem o fundo com suas caçambas de colher vongole.

Deveremos chegar à hora prevista, 17:30

16:55 Estamos com a proa para o farol do porto de Rimini. O GPS parou de funcionar como nos tinha informado o técnico da Furuno que veio consertar o radar.

Não acreditei na informação que me deu, que o aeroporto de Rimini, sendo base militar americana, interfere nos sinais GPS deixando-o sem função.

É a primeira vez que isto acontece, e se fosse um dia de neblina e eu não estivesse informado, seria um problema interessante.

 

De todos os modos, o GPS é um instrumento incrível e importantíssimo na navegação de alto mar, permitindo o aterramento em local preciso e quando acoplado ao piloto automático, mantendo um rumo perfeito, independentemente de correntes ou ventos.

Na navegação costeira entretanto, é preferível confiar na precisão do radar, pois a interferência geral que os técnicos americanos tem colocado ultimamente, diminuem sua precisão para muitas vezes um décimo de milha. Somando isto às diferenças das cartas e também das coordenadas obtidas pelo sistema WGS84, nem sempre o padrão das cartas locais, é preciso todo o cuidado com o uso do GPS perto de pontos na terra.

17:10 Estamos entrando no canal do porto, bem devagar, pois é estreito e raso.

O Aldo Grassi nos espera no píer com sua família, (inclusive cachorro). Lá está ele com o dono do estaleiro onde deveremos ficar. É um porto publico, nunca ha lugar.

Atracamos em meio a grande festa.

18:00 Chega o dono do estaleiro onde estamos atracados e diz que deveremos ir à Capitania.

Na Capitania, fomos falar com o "nostruomo" que é como chamam o capitão do porto.

Muito gentil examinou todos os nosso documentos, o seguro, fez o registro, pediu um "crew list" e disse que a policia irá nos visitar.

Ao perguntar para onde iremos, respondi Pula, na Croácia. Ele nos disse que não seria necessário fazer o "Constituto", que nos permite estar um ano na Itália. Porem se formos à Veneza, deveremos faze-lo.

Pensou depois um pouco mais e disse: É melhor fazer assim mesmo.

Creio que somos o primeiro barco de bandeira fora do mercado comum que já chegou por aqui, e eles querem mostrar serviço.

Realmente a burocracia é enorme. Foi até necessário registrar o Baffiscoppa como "marinheiro" e ele agora, muito orgulhoso, carrega um certificado oficial da marinha italiana que o designa "marinaio".

Fotos, selos, carimbos, e lá vamos nós de volta ao San Marino agora oficialmente na Itália (mais de um ano depois de termos entrado em San Remo, e depois de termos abastecido duas vezes "tax free".

19:00 Chega a policia para controlar nosso passaportes que ainda não foram carimbados na Itália. Querem, saber se ha clandestinos a bordo.

Aproveitam para solicitar passaportes de todos, e pedem para dar uma espiada no barco. São dois rapazes muito gentis.

Eles vão colocar um carimbo de entrada em nossos passaportes (a primeira vez na Itália) e pedem para ao deixarmos Rimini irmos ao Aeroporto (sua base) para fazer a saída.

Até agora nunca fomos controlados pela policia na Itália, talvez porque temos sempre ido a marinas.

Neste momento a Milena comenta "vocês trabalham no aeroporto? Conhecem meu primo Giampiero Gentili?" . A resposta foi rápida "sim conhecemos muito bem".

Imediatamente largaram nossos passaportes, se despediram, nem quiseram saber de ver o barco. Saíram às pressas.

O Gianpiero, o primo da Milena que mais gostamos, é conhecido por sua inflexibilidade ao dirigir o aeroporto de Rimini. Lá chegam diariamente aviões principalmente da Rússia e Leste europeu, carregados de turistas e normalmente infringindo uma grande quantidade de regras e normas. O Giampiero os manda de volta não deixando desembarcar, e faz muito bem.

Isto entretanto não combina com o espirito italiano que aceita (como no Brasil) todos os jeitinhos possíveis. Perde a segurança aeronáutica que já não é muito forte na Itália.

Parece que até os "carabinieri" tem medo do Gianpiero.

20:00 Saímos para jantar na casa do Aldo onde ficamos até tarde

O Karl sempre simpático estava atordoado ao ver a quantidade de comida servida, e as "criancinhas" comendo muito mais que qualquer um de nós.

Voltamos cansadíssimos.

Como prêmio ao cansaço a cama de proa onde está o Baffi Scoppa estava cheia de água salgada, (há muito vem acontecendo) que não sabemos de onde veio. Amanhã vou investigar.

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, March 02, 1997

9:15 1030 Mb, dia claro de céu azul, estamos em Rimini, bem no porto canal, em meio a uma centena de barcos de pesca. Estamos propriamente no centro da cidade, todos vem nos visitar e perguntar de onde somos, longas conversas.

Primeiro chegaram o Remo e a Cristina, nossos amigos de San Marino que trouxeram o neném a bordo.

Em seguida chegaram a Grazia e seu marido, o Marino. Eles nos convidaram para almoçar, tivemos que dizer que também estavam o Baffi Scoppa e o Karl, que imediatamente também foram convidados.

A Grazia é uma amiga de infância da Milena em Rimini. Elas nunca mais tinham se visto, desde os 12 anos de idade. Hoje foi o primeiro reencontro.

Nos levaram a um restaurante de peixe, na ponta sul do porto.

O almoço foi daqueles de italiano nenhum botar defeito.

Um bom aperitivo, com uns 10 tipos diferentes de antepasto, tais como scampi, calamari, um peixinho pequeno frito chamado "homem nu", ostras, mariscos, vongole, salmão, uma loucura.

Quando se iniciaram os "primos", isto é as massas (em 3 variedades) todo mundo já estava muito alegre devido ao excelente verdicchio que estávamos bebendo.

O Karl em particular estava adorando o programa, como todo alemão em mesa farta na Itália. Cismou em elogiar a garçonete que era muito feia. Cada vez que ela chegava, ele (que fala um razoável italiano) dizia como era bela, que belo rosto, que belo corpo. A moça estava exultante e cobria o Karl de gentilezas.

Nós todos ríamos como loucos.

A Grazia, sentada ao meu lado é muito simpática e o Marino, que é um político famoso de Rimini (de esquerda) logo se identificou conosco e a profunda amizade que só o verdicchio sabe fazer logo se solidificou.

Vieram os grelhados, o sorbet (com vodka) as sobremesas, o limoncello.

O Marino pagou a conta às escondidas, nada pudemos fazer.

Voltamos para o San Marino, que estava próximo, e lá começamos a beber um bom "xerez" que tínhamos comprado na Espanha.

Tudo virou grande festa, com musica, dança, cantorias.

No meio de tudo isto chegavam as visitas, obviamente sóbrias, e se deliciavam com a alegria a bordo.

Veio Marinella, secretária do Aldo Grassi, veio a família do Aldo, veio também o Mancini (o geometra que cuida da herança) com toda a família.

Tudo gente muito sóbria que devem ter achado "como são loucos estes brasileiros"!

A festa iria longe, mas o Grassi insistiu para irmos comer pizza em sua casa.

Ninguém agüentava mais comer, mas fomos para lá.

Caímos na cama, na volta, como se finalmente o mundo tivesse acabado.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, March 03, 1997

8:00 O dia está bonito, sem nuvens, 1030 Mb, 8ºC, sem ventos.

Estou de saída com o Karl para Porto S. Giorgio, vou buscar o carro que lá deixamos.

Vamos de trem , que parte às 9:17.

Fomos jantar com o Aldo, uma bela lagosta, e depois dormir para partir amanhã cedo.

É festa demais!

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, March 04, 1997

6:30 Levantamos às 5, o barco está agora pronto para partir. São sempre 30 minutos para o banho e vestir-se, mais uma hora para deixar tudo em ordem.

Partimos para Chioggia, próximo a Veneza, pois não há lugar para um barco do nosso tamanho nas marinas de Veneza.

Milena vai de carro, é uma longa viagem.

6:40 Largamos as amarras, tudo em ordem.

7:15, Viajamos a 8.3 nós, rumo a Chioggia, 1500 rpm.

8:29 mudamos rumo, direto à foz do Pó.

Ha neblina, a visibilidade é de uns 300 metros

9:30 Estamos bem no meio de uma "plantação" de plataformas petrolíferas (gás metano) .

São dezenas. Como minha carta é antiga, apenas 8 estão marcadas, mas pelo radar vejo que são mais de 30.

Vamos desviando de cada uma.

A neblina acabou, a visibilidade está por volta de 2000 metros.

11:58 mudamos para a carta 38, onde está Veneza.

O Racon da foz do rio Pó está repetindo nossos sinais de radar.

É preciso estar longe da costa, é muito raso e ha neblina, pouca visibilidade, uns 100 metros.

Deu fome, o Carlo foi para a cozinha fazer um espaguete ao alho e óleo. Ele é italiano, confio.

1:15 Estava mesmo bom, mas um pouco cosido, falha grave para um peninsular.

A neblina baixou, visibilidade 500 metros, estamos na foz do Pó.

São já 3 meses sem navegar, tinha me esquecido de como é agradável esta vida livre e calma. Tudo funciona bem a bordo, nada a fazer senão controlar o radar, (pois são inúmeros barcos na região). Contei agora 38 pontos no radar numa faixa de 6 milhas

14:50 Chama o Flávio do Brasil, dizendo que vem nos visitar em Veneza dia 18 ou 19. Ele vem à feira de Hanôver e aproveita para nos ver.

14:55 Pelo VHF chama a Milena, que nos espera em Chioggia, que diz ser uma linda cidade.

O mar está como de óleo, desde nossa partida. Não há qualquer onda, poderíamos ter vindo esquiando.

16:50 Atracados. A operação foi difícil e cômica. Eu não me entendia pelo radio com a Milena, quase entro por um baixio, seria nosso primeiro encalhe.

Os sinais indicativos de canal dentro da lagoa veneta nada tem a ver com os balizamentos náuticos, são milenares, compostos de troncos enterrados em posições pré convencionadas, mas não tenho os significados. Entro atras dos outros, pelas indicações da Milena que está em terra.

Motores desligados, vou conferir a profundidade, é muito raso por aqui.

Para estes momentos uso o velho sistema de um peso com uma cordinha com nós a cada metro. É o mais seguro.

Temos 1,70 m, nossa quilha vai a 1.80 m, portanto em maré baixa tocamos bem o fundo, que é de lama mole, Nosso hélice está 35 cm acima e o leme 45, não há perigo de danificar nada, nossa quilha é muito sólida.

20:00 saímos para jantar.

A cidade é uma surpresa agradável, cheia de vida.

Do alto da ponte que abre o canal principal, jovens comentavam no dialeto local: "vocês viram um barco brasileiro que chegou hoje a Chioggia?"

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, March 05, 1997

Dia de ligar a eletricidade externa, colocar amarras definitivas (pois pretendemos ficar por aqui pelo menos um, mês), e descansar de toda a festa que foram estes dias desde nossa partida.

Chioggia se encontra ao sul da "Laguna Veneta", uma pequena baia de água salgada, que se estende na direção NE, com uns 50 quilômetros de comprimento e uns 8 de largura.

É uma lagoa rasa, onde os canais navegáveis são constantemente dragados e balizados ha mais de mil anos.

Nesta lagoa viviam os pré-históricos em palafitas.

Uma língua de terra separa a lagoa do mar Adriático e três entradas bem balizadas conduzem as embarcações ao interno. Ao sul, a 45º 14’ 40"N está o canal do porto de Chioggia, por onde entramos.

6 milhas a NE está o canal de Malamoco, que leva ao porto do mesmo nome, complexo químico industrial que polui à vontade toda a lagoa.

Mais 6 milhas a NE está o porto de Lido, na cidade de Veneza.

Chioggia permite entrada com calado de 8 metros, Malamoco com 15 e Lido com 11, portanto navios de porte médio podem atracar.

Os canais internos principais são mantidos com uma profundidade de 5 metros. Dá portanto para uma embarcação de recreio navegar por toda esta lagoa, porém suas águas são muito sujas e poluídas, não vejo nenhum prazer.

Mas não posso negar que sempre sonhei navegar as águas calmas de Veneza onde o comércio com o oriente forçava a construção de galeras e portava o luxo e o requinte da mesa temperada.

Chioggia.gif (202261 bytes)

Diversas ilhas são habitadas mas as cidades principais são Veneza, Chioggia, Murano, Burano, Lido e Pellestrina.

Todas estão intimamente ligadas à historia da Republica de Veneza, uma poderosa nação cuja riqueza permitiu construir palácios e igrejas e obras de arte ainda em perfeito estado de conservação.

O famoso leão de Veneza está presente em toda a costa este do Adriático, até a Grécia, e sua característica arquitetura com muitos traços bizantinos mostra ainda hoje a potência da nação que ali se formou.

Verdadeiramente a história civilizada da laguna veneta se inicia com o fim do império romano. A invasão da Itália pelos bárbaros forçou a população local a se refugiar nas ilhas.

A primeira cidade a merecer este nome foi Rivo Alto (Rialto), aonde o Doge construiu para si um forte.

A primeira igreja foi construída em 828.

O comércio com o oriente enriqueceu a cidade que no século 11 já dominava toda Istria, Dalmácia e Apulia. As cruzadas levaram o poder da cidade até o oriente médio e um casamento estratégico anexou Chipre.

A Sereníssima, como era chamada a República, teve seu apogeu no século 15 e seu declínio se inicia com a tomada de Constantinopla e as descobertas portuguesas de 1500.

Napoleão deu o golpe de graça tomando a cidade que passou aos austríacos quando o grande general caiu.

Em 1866 Veneza tornou-se parte do recentemente formado Império Italiano.

Chioggia é uma pequena Veneza.

Era a segunda cidade da Republica Sereníssima.

São quatro canais principais contando a ilha, sendo suas ruas todas transversais a estes canais.

São assim na verdade 5 ilhas, e nós estamos na que fica mais ao sul, perto do porto comercial, na ultima vaga do píer da marina, bem num canto onde o "canale lombardo" faz um giro de 90 graus.

De nosso Pilot House podemos ver todo este canal, bem como todo o dique que protege a entrada dos outros. Temos assim uma lida vista que inclui duas faces da cidade e controlamos toda a movimentação dos canais.

Em nosso lugar estava até agora uma lancha da Guarda Costeira, que se deslocou para podermos ficar em Chioggia.

Pequena e encantadora, é uma cidade cheia de vida, habitada por pescadores e com muito pouco turismo, que tanto destroi o prazer de se estar em Veneza.

Bem à nossa bochecha de boreste, dois "bragozzi", famosos barcos veleiros típicos de Chioggia, muito bem reconstruídos enchem de cor o canto do canal.

A catedral, a igreja de S. Domenico (com seu famoso Cristo em madeira e belas telas, entre elas um Tintoretto) , o campanário, o palácio "del Granaio", o mercado de peixe sempre muito ativo e uma bela Loggia.

Vale a pena visitar Chioggia, principalmente de barco.

É sabido que os locais que possuem grandes marés facilitam o desenvolvimento da vida marinha devido a zonas ora submersas ora úmidas, onde a temperatura é mais alta e os nutrientes mais abundantes.

Por este motivo talvez sejam o peixe e os crustáceos de Chioggia os melhores do Adriático.

Os moluscos são por lei submetidos a uma passagem por raios ultravioleta, para matar qualquer bactéria que se encontre pois a laguna (onde é proibido pescar) é muito poluída.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, March 06, 1997

9:00 O hospital San Marino continua à toda. Estou com um forte resfriado e Milena também, com dor de ouvido.

Tenho umas gotas para ouvido que ela reluta em usar pois está com a data vencida.

Faço um grande discurso sopre prazos de validez e seu empirismo, ela aceita, usa, e já está melhor.

Na realidade somos nós que estamos com os prazos vencidos (acima de 50 anos) mas continuamos em plena forma!

Milena saiu com o Baffiscoppa para comprar peixe, e eu fiquei lavando o exterior do San Marino, que não faço ha 3 meses, devido ao pé quebrado.

Roupa de mau tempo, e lá vou eu para o frio (12 graus). Precisava, estava cheio de sal.

Foi muito trabalhoso, mas acabei as 17:00

Eles voltaram radiantes do mercado de peixe. Compraram "coda de rospo", cauda de um peixe feio como um sapo, sem espinhas e com um osso central, mas de carne branca deliciosa, que a Milena fez com manteiga derretida.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, March 07, 1997

7:00 Saí cedo para levar o Baffi Scoppa à estação. Ele faz 3 escalas para chegar em Pésaro, e depois vai de carro à Macerata.

Foi uma companhia agradável e ele é do tipo que se esforça ao máximo para advinhar como gostaríamos que se comportasse, e sempre alcança seu objetivo. Bem melhor seria o mundo se todos fossemos assim.

Na volta resolvi descobrir o furo que existe no nosso inflável maior, o Flexboat. É um pequeno furo, que faz com que se esvazie em 2 dias. Nunca consegui acha-lo.

Hoje, munido de paciência e água com sabão, fui pouco a pouco molhando cada parte da seção que se esvazia, e acabei achando um furo mínimo, que reparei. Só posso infla-lo amanhã, para a cola secar, vamos ver se não ha outro.

Ontem retirei a válvula, desmontei, limpei e recoloquei, pois também vazava um pouquinho por ela.

18:00 Como é linda esta cidade. Estamos com a proa para um canal bem à frente da cidade, a bombordo a lagoa veneta, a boreste o canal principal, paralelo ao porto. Quanto romantismo nesta "piccola" Veneza.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, March 08, 1997

Pronto para iniciar a retirada de um aquecedor de água doce, que está vazando. A Milena me pede para leva-la a uma lavanderia. Resultado, acabamos fazendo um belo almoço no Al Bersagliere, Lagosta fervida com manteiga derretida e Risoto de aspargo e camarões, muito bom.

Giramos um pouco pela cidade e voltamos para um bom descanso.

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, March 09, 1997

10:00 Voltam os lindos dias de inverno, parece primavera. A claridade é intensa, as cores brilham, lá vamos nós para a rua, bem no domingo, o pior dia para passear, pois tudo está cheio.

Rumo norte, vamos até Jesolo conhecer as marinas para ver se está melhor lá que aqui.

Almoçamos em Jesolo, no magnifico restaurante Al Rustico, na Via Roma destra, perto de Cavallino. Comi um peito de ganso em fatias com tostadas e manteiga e depois um espaguete com "scampi", perfeitos. A Milena como segundo, lulas com polenta, que por aqui é branca, por que será?

Voltamos pela Romea, velha estrada romana ligando os Alpes à Romagna, a qual neste trecho segue ao lado do Canal Novíssimo, que liga Veneza à Chioggia pela terra, margeando a laguna Veneta. Como o próprio nome diz, este canal é recente, foi construído em 1490!

19:30 Chioggia é linda em noite clara, a velha e romântica cidade, os canais, os pesqueiros, tudo à nossa frente, que local maravilhoso estamos atracados.

Um belo veleiro 20 metros está encalhado a 100 metros em nossa proa. A maré está muito baixa e ele deve calar uns 3.5 metros, é classe de competição, talvez American Cup.

Até a semana passada estava aqui o "Moro de Venezia" que quase trouxe para a Itália a famosa taça, e que nos lembra Raul Gardini, cuja triste morte não lustra a glória italiana.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, March 10, 1997

Coloquei o Flexboat na água, o conserto ficou perfeito, não há mais vazamentos.

Foi uma tarefa difícil.

Normalmente já é um pouco trabalhoso coloca-lo sozinho, pois pesa quase 500 quilos. Mas o guindaste é bom e o sistema está bem calculado.

O problema hoje, foi que na laguna veneta, colocam paus para manter os barcos em posição, e ao descer o inflável, ele se inclinou e ficou preso ente um destes paus e o casco, o que eu já previa, porem não previa como seria difícil tira-lo desta posição.

Ele ficou a 45 graus, e tive que improvisar um sistema usando o cabrestante da ancora que também é utilizado com cabos que usei para traquinar o bote.

Funcionou, e ele foi para a água sem danos.

O dia está magnifico, em seguida saímos para conhecer os canais de Chioggia. São poucos, porém românticos e belos, cheios de barcos de pesca e pequenas embarcações locais, dos moradores, pintadas em cores berrantes.

Dos canais têm-se uma outra visão da cidade, mais doméstica, parece que estamos entrando na casa de cada um. As pontes são altas, como as de Veneza, com o vão em semicírculo e o piso em forma de V invertido muito aberto.

Há calma e não ha turistas.

Em um dos canais, atracamos em frente a um restaurante, o Al Vaporetti, imperdível, comemos vieiras, enguia e lagostim frito, e a sobremesa inesquecível, feita de frutas cristalizadas e pão.

A navegação nos canais é simples quando se compreende as marcações em paus enterrados.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, March 11, 1997

9:00 O tempo continua superbo, vê-se Veneza de onde estamos, a 25 km, num local que deveria estar coberto de névoa, sempre, durante esta época.

1031 Mb, 13ºC, não há nuvens no céu, e as cartas sinópticas mostram que o tempo deverá continuar assim, talvez a pressão vá a 1040 Mb.

À noite tivemos vento força 5, norte, o Bora.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, March 13, 1997

9:15 A visibilidade diminuí, mas ainda é boa. 1035 Mb, continuam os dias lindos, 14 graus.

Consegui finalmente acertar a questão da eletricidade, pois tínhamos apenas 16 Ampères. Coloquei na torre um disjuntor nosso, de 30 ampères e de lá estamos pegando energia. Está bem melhor, antes precisávamos ligar o gerador na hora do almoço.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, March 14, 1997

9:30 Amanheceu com uma neblina incrível, visibilidade 10 metros. Agora o sol de fim de inverno é já suficientemente forte para com seus raios atravessar esta névoa e esquentar o solo, consequentemente dissipando-a.

Abriu-se um novo lindo dia, e assim deverá continuar.

Estamos com 1022 de pressão, e a carta sinóptica mostra que teremos bom tempo ao menos até domingo, quando chega nosso amigo Russi, que está na Grécia e pára um ou dias na Itália só para nos visitar.

Esta será uma semana de visitas, pois nosso filho Flávio que está em Hanôver a trabalho, virá nos visitar dia 18, junto com seu sócio, o Celso Furiani.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, March 15, 1997

10:30 1020 Mb, continua o tempo lindo, que sorte estamos tendo nesta época.

Amanhã chega o Russi e parece que a frente fria que se aproxima pelo leste (o que não é normal, sempre vem de oeste), deverá entrar dia 18, se não se dissipar. Isto significa que o Russi terá dois belos dias para conhecer Veneza, e poderá chover quando o Flávio chegar, que pena!

Andei resfriado por um bom tempo, destes não muito fortes, que vem e vão, também a verdade é que não me cuido. Parece que agora foi embora definitivamente, depois que recorri aos antibióticos de bordo.

Sempre evitamos usar antibióticos, para não criar resistência no organismo e serem eficazes quando deles se necessita.

Mas às vezes é preciso utiliza-los pois a coisa pode engrossar.

Não sei se devo me preocupar agora com 55 anos em não criar defesas no organismo, isto é coisa para moços, mas quem sabe?

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, March 16, 1997

6:30 Estamos prontos para ir buscar o Russi no aeroporto, em Milão, Linate.

Devem ser umas 3 horas de viagem.

O sol nasce bem na nossa proa, vermelho e robusto, agora entende-se bem porque o oriente era para os antigos tão cheio de mistérios.

O sol nascendo lá, dava a impressão, em dias frios, que a vida nascia lá, de lá vinham todos os conhecimentos, lá estava a grande civilização a China.

Estamos em terra de Marco Polo, que na verdade nasceu na atual Croácia, que em sua época era Veneza.

Poucos eram os viajantes então. O domínio religioso da igreja impedia todo e qualquer tipo de viagem, mas os Mongóis (do famoso Gengis Kan), logo que tomaram toda a Ásia, espalharam liberdade, de culto, política e de livre movimento.

Eles, que passam à historia como bárbaros e cruéis, foram entretanto os mais tolerantes entre os conquistadores do passado, pois não possuindo grande cultura, aceitavam as outras como boas, como hoje acontece com os Estados Unidos.

Assim Marco Polo pode viajar e trazer todos os ensinamentos que a Ásia lhe deu.

Certamente ele esteve em Chioggia, mas até agora não vimos traço de sua passagem.

O tempo está muito bom e firme, como previa há 4 dias a estação alemã de Offenbach, a que estamos sintonizados com o nosso wheather fax.

18:00 Estamos de volta, o Russi chegou no horário, só foi difícil encontrar o portão de desembarque. A orientação era: Passageiros com bagagem desembarcarão pelo portão internacional, bagageiros sem bagagem, portão doméstico. Como alguém pode advinhar se a pessoa que chega carrega toda sua bagagem na mão ou despacha?

No caminho paramos para almoçar em Bérgamo, pois estávamos com vontade de comer as famosas codornas ao modo bergamasco e os Casoncelli alla Bergamasca, pratos típicos que tão bem se come no restaurante Ca D'oro em S. Paulo.

O restaurante era incrível, belíssima decoração com potes, pratos, lâmpadas etc., tudo em latão polido entremeados de objetos antigos, num ambiente pequeno e acolhedor, não comum na Itália. Chama-se Agnello D'Oro, e faz parte de um pequeno hotel.

Nos foi servido com a codorna, uma polenta branca, feita de trigo sarraceno e queijo local, que encantou o Russi.

A noite saímos a pé para conhecer o centro de Chioggia, que encanta como sempre. Aproveitamos para comer Vongole e Marisco (ninguém é de ferro) feitos em banho de cebola, moda daqui.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, March 17, 1997

10:00 Depois de um bom café, saímos de Flexboat para conhecer Pellestrina, uma pequena cidade localizada na restinga que separa a Laguna Veneta do Adriático, e que só pode ser atingida de barco.

Fica a 3 milhas daqui, o dia está bonito, mas frio.

A Milena veste-se para tempestade, como sempre faz, com roupas para mal tempo, dos pés à cabeça.

Antes damos um giro por todos os canais de Chioggia, passando sob as pontes curvas, ao estilo veneziano, e fazendo o Russi descarregar sua máquina fotográfica como se fosse um Rifle.

Seguimos os canais, destino Pallestrina, sempre um pouco inseguros pois nunca sabemos se devemos deixar as marcações (três paus enterrados com as extremidades superiores juntas) por bombordo ou boreste.

Canal-de-Veneza.gif (248109 bytes)

A viagem ia bem. De repente, um grande número de barcos de pesca, à toda velocidade em sentido contrario ao nosso, navegando como loucos, ultrapassando uns aos outros sem qualquer cuidado, criou uma situação perigosa. Logo em seguida, mais de uma dezena de lanchas rápidas, com um ou dois motores de popa de 200 ou mais cavalos, voavam por cima da grande marola feita pelos pesqueiros, que são quase navios, de 30 ao 60 metros.

Que confusão, tudo sobrava para nós, com nosso pequeno inflável, que jogava como louco, o Russi à proa recebendo os respingos.

Nesta loucura fomos até Pellestrina, onde com grande dificuldade atracamos e desembarcamos no píer do centro da cidade.

A confusão parou por uns minutos e logo em seguida outros barcos chegaram, agora lanchas da policia, 6, grandes e pequenas, acompanhadas de um helicóptero. Postaram-se no meio do canal, que deve ter uns 100 metros de largura e fecharam a passagem.

Logo em seguida vieram mais pesqueiros que tiveram que parar, sendo abordados pela policia, com grande confusão formada, discussões ao estilo Italiano, e mais um helicóptero, daquele grandes, sobrevoando o local.

Em terra, a população toda no cais, comentando em seu dialeto quase incompreensível a situação, e os "Carabinieri", elegantes como sempre, com a maior calma tentando controlar a situação.

Só então soubemos (perguntando às pessoas do lugar) que ontem, uma destas lanchas loucas (de Chioggia) que pescam marisco em local proibido, à noite e às escuras, passou sobre um outro pescador clandestino (de Pellestrina) que estava na água, matando-o na hora e dilacerando seu corpo que foi levado à Veneza.

O cortejo fúnebre saiu de Veneza e os pescadores de Pellestrina em sinal de luto não trabalharam neste dia.

Como os pescadores de Chioggia não obedeceram este luto, quando o cortejo voltava, foram atacados pelos de Pellestrina, que roubaram o resultado de sua pescaria, indignados com a atitude não respeitosa dos vizinhos.

Seguiu-se grande pancadaria, e ao saber pelo rádio que a policia chegava, fugiram todos como loucos, bem em cima de nós, que pacificamente vínhamos em nosso inflável. Por isto a loucura e o susto.

Almoçamos muito bem por lá, voltamos num canal tranqüilo e liso, passeamos pelos canais internos de Chioggia e terminamos nosso dia a bordo.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, March 18, 1997

Lá vamos nós novamente para Milão, agora buscar o Flávio, que chega certamente cansado, depois de 4 dias na feira de Hanôver, como fiz por mais de 20 anos.

Chegou às 13:00, comemos um sanduíche na estrada, e chegamos em Chioggia às 16:00, o Russi nos esperava a bordo.

Passou o dia trabalhando, desmontando o aquecedor de água que estava vazando. E eu que tinha insistido para que não fosse conosco, para poder ficar em Chioggia, passeando e curtindo a beleza do lugar!

Saímos logo em seguida de inflável para o Flávio conhecer Chioggia, demos uma grande volta e paramos no canal central, onde deixamos o barco num local que estava escrito "Barca in Cantiere" isto é barco no estaleiro, sinal portanto que não voltaria e poderíamos usar o local.

Passeamos a pé, e acabamos a noite jantando no El Gato, razoável.

Ao voltar, encontramos um palito de fósforo enfiado na fechadura da ignição do Flexboat, que não conseguimos remover. Voltamos remando, não era muito longe.

Já tinham nos avisado, que a população local não gosta de turistas a navegar pelos canais, não sabemos porque, mas a partir de agora vamos respeitar, pois parece que levam a sério.

Poderiam ter roubado alguma coisa, furado uma câmara do inflável, mas apenas enfiaram um palito na fechadura como aviso.

Bem já passamos por todos os canais, vamos retirar o inflável d’água e não agredir os locais. Deve-se respeitar pois estamos na terra deles.

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, March 19, 1997

Tínhamos decidido ir à Veneza no inflável, mas depois do sucedido decidimos ir de carro até Tronchetto e de lá, pelo "vaporetto" visitar este monumento.

Lá fomos Russi, Flávio, Milena e eu. O circuito de sempre, Pizza San Marco, a pé até Rialto, caminhar pela outra margem do canal central.

 

Mas quem resiste, encontramos um belo restaurante e perdemos algumas horas a comer um delicioso espaguete ao vongole, peixes, sobremesas, num delicioso almoço oferecido pelo Russi.

O Flávio que sempre reclama que perdemos meio dia, sempre, comendo, desta vez gostou pois a comida era mesmo ótima.

Voltamos no cair da tarde.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, March 20, 1997

Dia de despedidas, vamos levar o Russi ao aeroporto. O Flávio embarca amanhã cedo, vamos todos juntos e ele dorme uma noite em Milão pois seu avião parte às 6 da manhã.

Decidimos no trajeto conhecer Bassano del Grappa, terra da famosa aguardente de mesmo nome.

Saímos assim mais cedo.

Vale a pena ir até lá. É uma cidade aos pés dos Alpes, com uma bela ponte coberta, toda em madeira. Ruas tortuosas e pequenas escalam a montanha e destilarias se encontram por toda a parte.

Já fora do horário (na Itália hora de comer é sagrado) fomos a um restaurante. Um casal americano estava sentado a nosso lado e recomendou o que deveríamos comer.

O David e a Katleen estão morando em Bassano. Ele é Quiropratico e viaja o mundo trabalhando de cidade em cidade. Fica um ou dois anos em cada lugar.

Deixamos o Russi no aeroporto e fomos procurar um hotel em Milão. Tudo cheio, há uma feira.

O Flávio nos convidou para jantar, e fomos em seguida desmaiar de cansados no hotel Ambassador, péssimo, mas era o que havia.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, March 22, 1997

Mão à obra para substituir os aquecedores de água. Vou ver se encontro alguma coisa no mercado local.

Fui a Piove del Sacco, onde ha uma excelente loja e também no Zambonin, aqui em Chioggia.

Na volta, cheio de catálogos e informações, decidimos, ao invés de trazer o original dos EUA, Balmar, substitui-los por italianos normais para residência.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, March 24, 1997

O dia foi dedicado à compra dos aquecedores de água e peças para instala-lo.

O nosso era para montagem no piso, este é vertical para montagem na parede. Tenho que fazer uns pés, e para isto comprei uma barra de alumínio anodizado.

Encontrei duas lojas ótimas e tudo já está comprado.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, March 25, 1997

Passei o dia transportando os aquecedores que trouxe da loja em nosso carro.

São peças difíceis de transportar, não porque pesem muito (30 kg cada), mas por serem desajeitadas. São redondas, lisas e altas, como um tambor de 200 litros de óleo, ligeiramente menores.

Como faço tudo sozinho, tive que planejar um sistema.

Do carro, coloquei no carrinho de mão de alumínio desmontável com rodas de bicicleta. Levei assim até o pontão, onde passei para o inflável Avon.

Via água, até o San Marino, onde com o guindaste de proa coloquei dentro de nosso corredor dos quartos através da escotilha feita para isto.

Aproveitei para retirar o motor de popa Honda que estava no porão, ha dois anos sem usar, e faze-lo funcionar. Retirei também o Jonhson 4 H.P. que estava no Avon, e levei-o para a casa de maquinas, para fazer um a boa revisão.

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, March 26, 1997

10:00 Manhã magnifica, dá pena me enfiar na casa de máquinas para instalar o aquecedor de água, mas vamos ter visitas (o Aldo Grassi e família) e é necessário água quente para todos.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, March 27, 1997

Todo o dia instalando o aquecedor. Decidi utilizar dois residenciais, Italianos, de 80 litros cada em lugar dos americanos Balmar que tiveram seu tanque interno em aço corroído. Aço por aço, por que não usar um doméstico?

 

Apenas a parte externa do Balmar (que na verdade é um Dickson) é em Inox. O tanque interno, que corroeu é idêntico a um residencial.

Ambos possuem um ânodo de magnésio que deve ser trocado a cada dois anos.

Foi minha inobservância deste detalhe que fez corroer os tanques do Balmar.

A diferença é que em cada aquecedor Balmar eu tinha uma resistência de 1500 watts (aquecendo a água em 4 horas) e um de 5000 watts (aquecendo a água em 1 hora) o que era útil quando havia muita gente a bordo.

Alem do aquecimento por eletricidade, temos também nos mesmos aquecedores um trocador de calor, que normalmente nos barcos esta ligado à refrigeração dos motores, usando assim o calor dos motores para aquecer a água do banho.

No nosso caso, como muitas vezes os motores ficam parados por muito tempo, quando estamos nos portos, usamos este trocador de calor ligado à rede de água quente do aquecimento interno. Assim o queimador de óleo diesel aquece também nossa água.

Para podermos ter água rapidamente mesmo no verão vou fazer uma modificação no sistema, podendo assim aquecer a água mesmo sem aquecer o interior do barco, usando o queimador de diesel, o que será útil no verão.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, March 28, 1997

Chegou o Aldo às 15:00. Fizemos grande almoço a bordo. A noite todos , saíram para passear.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, March 29, 1997

Telefonou o David, aquele americano que conhecemos em Bassano del Grappa. Eles vem nos visitar.

Ótimo, juntamos todo mundo e saímos no Flexboat para almoçar em Pellestrina.

O dia começou bem, quebrou-se o cabo de aço do guindaste bem quando começamos a içar o Flexboat. Troco este cabo a cada dois anos, mas parece que o último que coloquei, comprado no Brasil não era da melhor qualidade apesar de aço inox 316.

Como estávamos ainda com o problema da chave de ignição, fiz ligação direta para poder viajar.

O almoço foi engraçadissimo, pois o Aldo que não bebe, neste dia tomou alguns copos de vinho e desandou a falar inglês com o David. Mas o Aldo não sabe nenhuma palavra de inglês, veja a confusão.

Todo mundo se deu muito bem, a Katleen fala italiano e o David também, grande confraternização.

Voltamos já escuro, procurando o cometa que deve ser visível hoje.

Só pudemos vê-lo um pouco mais tarde, com sua longa cauda, sobre as luzes de Veneza.

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, March 30, 1997

Um grande Brunch de domingo no San Marino, e lá vamos com a família Grassi para Veneza.

Está incrivelmente cheia de turistas, horrível.

Mas eles estão curtindo, as crianças não conheciam, ficam deslumbradas.

Fiz questão de alugar uma Gôndola, pois não poderiam os Grassi, pela primeira vez juntos em Veneza deixar de dar este giro tradicional.

O Aldo sempre muito espalhafatoso, cantava mais alto que o gondoleiro e gritava sinais náuticos incompreensíveis cada vez que a gôndola girava uma esquina.

Lembrei-me entretanto de minha lua de mel, com a Milena em Veneza, em um hotel barato mas romântico.

Aqui estamos de volta, agora é um pouco também nossa casa.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, March 31, 1997

12° C, continuam os dias lindo, Aldo vai embora após o café da manhã.

12:00 fomos tomar um aperitivo no bar do clube e logo em seguida saímos para almoçar na beira da praia. O restaurante chama-se Castello Bianco e logo ficamos amigos dos donos que ficaram de nos visitar no barco.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 01, 1997

O dia amanhece nublado, porem bonito. Mínima de 12º e máxima de 23º ontem.

A pressão mantém-se em 1020 Mb.

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 02, 1997

A Milena está sempre, e com justa razão, preocupada com sua pele. Ela tomou muito sol ao longo de sua vida, e sendo clara e de olhos claros, não possui a defesa natural que o trópico cria ao longo de gerações.

Assim, regularmente ela vai a um dermatologista.

Aqui em Chioggia, (ou melhor, em Sottomarina, cidade vizinha) encontramos um ótimo médico, muito inteligente e prático.

Nada errado, só rotina.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, April 04, 1997

1003 Mb, 17ºC, a noite fez 11º e a máxima foi 29º! Isto não é inverno!

Fomos até Grado, conhecer a costa norte. Nada de especial, Grado é uma bela cidade muito em ordem, já com um sabor de Áustria, pois foi quase sempre austríaca, até 1915. Aquileia, muito próxima, cidade Romana, uma das 4 maiores do império, vale a visita.

É importante lembrar que no Império Romano, o General que tivesse o comando do exercito da Galia Cisalpina (região norte acima do famoso Rubicone até os Alpes) teria o comando militar do império pois lá estavam estacionadas as tropas mais poderosas.

Esta foi a tática de Júlio César para se tornar imperador. Quando da eleição para o cônsul, tendo sido impedido pelo senado de concorrer, (pois estava na Galia, portanto fora de Roma), decidiu atravessar o famoso riacho de Rimini (pois não é mais largo que 1 metro), e com uma pequena tropa de 6000 homens avançou sobre Roma. Seus inimigos sob o comando de Pompeu (com 60 000 soldados) foram derrotados por César que recebeu ajuda em Piceno.

Pompeu fugiu para a Albânia e César foi eleito cônsul e depois declarado ditador.

Este Pompeu, é o mesmo cuja cabeça foi oferecida no Egito a César, que entretanto como sempre fazia com seus inimigos, desejava perdoa-lo.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, April 05, 1997

Amanhã saímos em viagem para as montanhas. A Milena precisa de descanso.

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, April 06, 1997

Chegamos à noite em Cortina D'Ampezzo, tendo saído às 10 de Chioggia. Viagem relativamente monótona.

Cortina virou um lugar exclusivo, como estação de inverno.

As montanhas são cor de rosa, abruptas e muito belas.

Para nós não têm o mesmo encanto da Baviera, do outro lado dos Alpes, pois ficou uma região muito artificial, muito turística. Mas vale a viagem, principalmente pelos arredores.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, April 07, 1997

De Cortina à La Villa, na região de Badia (Bolzano), um dos trechos de montanha mais belos que já vimos. Nos hospedamos em La Villa no Hotel La Majun, único que estava aberto, bom.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 08, 1997

Aproveito para levar o Defender a uma oficina, trocar o cilindro servo da embreagem que vazava óleo. Só vai ficar pronto à tarde, assim ficamos um dia a mais nesta bela região.

 

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 09, 1997

De Ortisei, saímos cedo para Schliersee.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 10, 1997

Estamos em Schliersee, Seeblick hotel.

Nossos amigos proprietários, os Poeplau, nos recebem com muita alegria.

Schliersee é nossa cidade na Baviera, lá moramos por um ano em 1976.

É um dos lagos mais românticos da região, não tão violento como os suíços, não tão plácido como um lago de planície.

Vale desviar o trajeto só para conhecer Schliersee.

Aproveitamos para comprar duas bicicletas, ha muito tínhamos este desejo.

Sei que a Itália é a pátria das bicicletas, mas achamos bem a que queríamos na Alemanha e comprar por aqui é garantia de produto forte.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, April 11, 1997

Cedo saímos para Munique, fazer algumas compras.

Mesmo estando na Itália, aprendemos a fazer compras na Alemanha. A qualidade é sempre melhor e os preços atualmente menores. Além disto encontra-se de tudo, e Munique é a cidade ideal para se fazer compras.

Há de tudo, dentro de um ambiente calmo e belo.

Há uma imensa livraria na Marienplatz, e sempre ficamos horas por lá.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, April 12, 1997

Volta de Schliersee para Chioggia, saímos às 11, fomos a Miesbach e Tegernsee e depois estrada.

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, April 13, 1997

De novo temos problemas com a herança. Parece que o irmão da Milena voltou atrás na divisão já combinada por escrito. Saímos assim para Rimini, fomos almoçar na casa do Grassi, nosso advogado.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, April 14, 1997

1023 Mb, dia bom, céu de stratus.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 15, 1997

10:00 Desde que chegamos a Chioggia, os dois dessalinisadores pararam de fazer água doce. Os usei em Rimini, onde havia muita poluição na água, que pode atacar a membrana de osmose reversa, mas sempre em seguida lavei-as com água doce. Também logo que saímos de Rimini, em mar aberto, deixei os dois dessalinisadores funcionando para limpa-los com água pura. Estavam bem.

Aqui não funcionam. Ontem isolei cada uma das membranas (são 3 por aparelho) e verifiquei que estão aparentemente em ordem mas produzem água ligeiramente salobra, por isto o controle de salinidade que indica "água potável" não acusa boa qualidade.

Hoje vou tentar fazer uma boa limpeza nas membranas, mas para isto preciso de um grande deposito de água, de uns 60 litros, e vou sair para procurar.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 17, 1997

9:00 Saímos de carro com destino à Croácia, para tentar encontrar uma marina e lá ficar um bom tempo.

Atravessamos a Eslovênia às 11:00 onde na fronteira tivemos problemas com o seguro obrigatório, que tivemos que fazer novamente por período de um mês, pois o nosso estava especificado YU, isto é Iugoslávia.

Almoçamos na Eslovênia e depois cruzamos a fronteira Croata, onde foi necessário fazer um visto só para mim, pois sou brasileiro e a Milena viaja com passaporte de San Marino.

Fomos visitar as marinas de Portoross (Eslovênia) e Umag (Croácia), todas excelentes. Dormimos no Hotel Histria, muito bom, em Pula.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, April 18, 1997

Saímos cedo do Hotel, Rumo a Opatia, onde há uma bela Marina. Não ha lugar, seguimos em frente até Rjeka, também não ha nada, voltamos a Opatia para almoçar. Acabamos conversando com o dono do Hotel, que nos disse ser amigo do diretor da Marina e seguramente encontraria lugar para nós, porem só amanhã de manhã. Dormimos no hotel e a tarde fizemos um belo passeio pelos caminhos construídos à beira mar pelos Austríacos, quando dominaram a cidade.

Nós que íamos fazer uma pesquisa de um dia, estamos ficando três.

Opatia foi um importante balneário no século passado e inicio deste, até a segunda guerra.

Com o advento do comunismo na antiga Iugoslávia, foi um pouco abandonada, mas continua tendo um charme antigo, nos lembra San Remo.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, April 19, 1997

8:30 Encontramos novamente o dono do hotel e lá fomos de volta à Marina. A Marina é pequena mas muito boa. O diretor, típico dirigente comunista, reafirmou que não há lugar, talvez encontremos em Krk. Talvez a amizade do dono do hotel não foi suficiente, pois sabemos que por aqui tudo se dá um jeito. "Para os amigos, tudo, para os outros, a lei", tal qual no Brasil.

Lá fomos a Krk esta bela ilha com nome difícil de se pronunciar. É ligada por imensa ponte ao continente. Sim há lugar, a marina é belíssima, mas tudo muito deserto, longe de tudo. Serve para ficar um pouco, não um ano, como pretendemos.

Decidimos voltar à Chioggia. Já temos uma boa idéia de Croácia, voltaremos de barco. Entramos no San Marino às 18:00

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, April 20, 1997

11:00 Amanhece chovendo, a frente fria entrou esta noite. Há uma grande regata aqui no clube, mas pouco vento e muita chuva, coitados.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, April 21, 1997

8:00 Esta noite a coisa ficou feia. Ontem as 19:00 entrou um violento Bora (vento NE) força 8 que soprou toda a noite. Acordei às 5:00 com o barulho do verdugo do casco roçando num dos paus a que estamos atracados, o que não causa danos mas atrapalha o sono. Tenho entre estes paus (sistema típico de Veneza) e o verdugo uma defensa de espuma rígida, a qual saiu do lugar. Aproveitei para dar uma olhada geral, e encontrei os marinheiros do clube atarefadíssimos acertando diversos barcos nossos vizinhos. Fui ao Flybridge para ver como tudo estava, e a lonas que cobrem os infláveis estavam se soltando, a do Flexboat se rasgou. Acabei de tira-las, guardei-as e perguntei ao pessoal se precisava de ajuda.

O vento é frio e cortante, as espumas formadas pelas pequenas ondas no canal sobem e me deram vários banhos. Voltei a dormir.

12:00 Continua o Bora, força 8, dizem que pode durar até 12 dias!

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, April 22, 1997

Saímos cedo para visitar nossos amigos Miranda e Gigi, (do Crisandra) que moram em Vigo Vattaro, perto de Trento.

A viagem é linda pelo Valsugana, um ríspido vale cavado pelo rio Brenta, que é o mesmo que deságua aqui em Chioggia.

São montanhas violentas nos dois lados do vale, onde no fundo, passa a estrada, a SS47. Para atingi-la fomos primeiro a Bassano del Grappa, onde já tínhamos estado com o Russi, e onde moram nossos amigos americanos, o David e a Katleen. Não podemos visita-los, eles estão passando uns dias em Bali, Indonésia.

Chegamos bem na hora do almoço, como sempre magnifico, a Miranda é grande cozinheira.

Voltamos pelo mesmo trajeto. O Gigi e a Miranda devem ir à Croácia neste verão, com seu lindo veleiro, talvez nos encontremos por lá.

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, April 23, 1997

Volta o tempo bom. O San Marino está imundo, devido à sujeira trazida pelo Bora que soprou por 48 horas. Vou lavar novamente toda a parte externa usando a máquina de pressão que facilita muito o trabalho.

Resultado do violento vento que atingiu 115 kph: Os dois barcos ao nosso lado tiveram as amarras quebradas, um bateu a proa, outro a popa.

Diversos barcos aqui no clube se soltaram, quase todos por amarras quebradas.

O dimensionamento dos cabos é uma coisa simples, há tabelas e regras, mas as pessoas não se ligam e colocam amarras fracas demais, sendo este o resultado.

Cabos muito grossos são difíceis de manejar e custam muito caro. Há que dimensionar corretamente e amarrar com sabedoria, pois o vento não avisa quando vem violento.

 

A regra geral é: 1/8" de diâmetro para cada 9 pés de comprimento do barco.

Assim no San Marino, com 65 pés: 65/9= 7.22, isto é aproximadamente 8. 8 vezes 1/8" igual a 1 polegada, que é o diâmetro de nossos cabos de nylon.

Deve-se usar o tipo mais simples, aquele trançado em três, pois é o mais elástico e faz o efeito de amortecedor.

É também o mais forte, com uma carga de ruptura mínima de 15 000 kg, na medida 1".

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, April 24, 1997

10:00 Voltou o frio, 2 graus a noite, mas os dias estão aproveitáveis. Ontem lavei o barco em camiseta.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, April 25, 1997

Dia de S. Marco, patrono de Veneza e também dia da libertação, a comemoração é grande.

É uma festa dúbia. A anexação da Republica de Veneza à Monarquia Italiana é o motivo, porque Veneza estava sob domínio Austríaco e foi assim libertada.

Para muitos venezianos é entretanto uma data triste, morte definitiva da Republica Sereníssima, que muitos querem reviver com o separatismo que a moda reviveu.

Saímos em bicicleta, afinal, para também comemorar. Demos uma boa volta, fomos a um bar tomar um aperitivo sentados em uma pequena mesa ao ar livre, como fazem todos os Italianos, depois um bom almoço.

Está havendo uma regata importante, são veleiros de porte grande, magníficos, dá gosto velo-os de perto aqui no Clube.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, May 01, 1997

Primeiro de Maio, feriado mundial, dia do trabalho. Como sempre, nós que podemos sair a passear em qualquer dia da semana, sempre saímos nos dias piores, mais cheios de gente. Parece que há no ar uma certa alegria diferente nestes dias festivos, que ao captarmos nos deixa inquietos, loucos para sair.

12:00 Estamos em Adria, a cidade Romana que deu o nome ao Adriático. Está ha 20 quilômetros do mar, mas ha dois mil anos era porto romano. É que o rio Pó, cujo delta é um dos mais férteis do mundo, vai depositando húmus e terra boa vindo dos Alpes e aumentando a dimensão da Itália.

Almoçamos em Rovigo, e voltamos às 16 horas.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, May 02, 1997

Vamos ter uma serie de dias bonitos. 1025 Mb, 19ºC, céu azul sem nuvens.

O verão começa a mostrar sua cara. É o primeiro dia que não ligamos o aquecimento pela manhã. O barco está todo aberto, circula ar fresco a vontade, não faz frio.

Hoje troquei óleo do gerador, transferi diesel do tanque de proa para o day tank, e lavei toda a casa de máquinas.

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, May 04, 1997

Saímos em bicicleta pela manhã, passamos o dia passeando por Chioggia. Almoçamos no restaurante Al Porto, o melhor de Chioggia até agora.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, May 05, 1997

Estou iniciando hoje o trabalho pesado no compartimento de colisão. O San Marino está dividido em 4 compartimentos estanques, para segurança, e o de proa chama-se "de colisão" e não está tão estanque assim. Desde o inicio, temos uma pequena entrada de água salgada na cama de proa. A água vem quando pegamos mar que leva spray no deck de proa. Nada demais, apenas umas gotas, mas suficientes para molhar o colchão e a roupa de cama.

Também as correntes de nossas duas ancoras, que deveriam empilhar-se em uma caixa especial no compartimento dos hospedes, sob a cama, nem sempre empilham-se bem. Vou assim fazer no compartimento de proa um local para elas. Será um bom trabalho em madeira, fibra de vidro e resina.

Com uma máquina de disco abrasivo, estou cortando a parede de fibra de vidro e refazendo o caminho das correntes das ancoras.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 06, 1997

Comprei uma folha de compensado naval e montei uma pequena marcenaria na proa do San Marino.

Tenho que preparar os painéis, monta-los, laminar por cima uma camada de fibra de vidro, encher os espaços vazios com espuma de poliuretano, refazer o sistema de bomba de esgoto de água, refazer as fixações das correntes. Será muito trabalho que farei pouco a pouco.

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 07, 1997

Continua a chuva fina, 1002 Mb, deve melhorar na sexta feira, quando vamos deixar o carro na revisão em Mestre, Veneza e pretendemos passar o dia passeando por lá.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, May 08, 1997

Continua a chuva. Cai mais a pressão, 980 Mb. O veleiro Tatanka, que está perto de nós com dois professores e uma turma de estudantes, pediu ontem nosso conselho sobre o tempo, pois queriam partir ontem. Nosso pessimismo está confirmado, venta forte de NE (Bora) e o mar está ruim. Eles estão ainda por aqui.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, May 09, 1997

Saímos cedo, rumo à Mestre, para deixar o Defender na revisão. Já são 60000 kms. Pegamos o trem e fomos à Veneza, passar o dia. É a melhor maneira de visita-la chegando de trem, pois desde o desembarque, é bonito.

Como pensávamos, o tempo está bom.

Estamos agora, vindo tantas vezes a Veneza, conhecendo os bairros onde os turistas não vão, vendo a vida local, as pessoas fazendo seu trabalho diário.

Há um êxodo dos moradores locais, que vão morar em Mestre, não porque a vida em Veneza seja ruim, mas porque a moda dos estrangeiros é comprar um apartamento em Veneza, e os preços estão altíssimos.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, May 10, 1997

Atracou um Veleiro americano, o Elifthiria, um Ketch Hans Christian de 13 metros, do Alex e da Sally Doulis, com o qual eles vieram dos EUA, e estão ha três anos no Mediterrâneo. Saímos juntos para jantar depois de algumas cervejas a bordo do barco deles.

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, May 11, 1997

Passamos o dia passeando, fomos a Caorle, que cidade encantadora, à beira do Adriático. Está realmente começando o Verão.

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, May 12, 1997

Pela manhã vieram O Alex e a Silly despedir-se. Estão indo para Ravena. Deixaram um artigo que escreveram em uma revista americana sobre a Croácia e mais informações. Em troca fornecemos dicas sobre a Itália.

 

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 13, 1997

Saímos cedo para levar o Defender à concessionária, em Mestre, para trocar as pastilhas de freio. Duraram 60 000 km, não é normal durar tanto, mas são freios superdimensionados e andamos sempre com pouca carga.

Eles não tinham as peças quando fizemos a revisão, por isto tivemos que voltar.

De lá paramos o carro em Tronchetto, e compramos um ticket de 24 horas para os "vaporetto" de Veneza. Pode-se andar o dia todo com um só ticket.

Trocamos duas vezes de vaporetto, e chegamos à Torcello, uma pequena ilha ao norte de Veneza, onde dizem, existe um dos melhores restaurantes da Itália. É o Cipriani, único restaurante da pequena ilha, onde estiveram a pouco o Rei e Rainha da Bélgica, a convite dos Agnelli, donos da Fiat.

Fomos almoçar lá. É simples e numa magnifica locação, comemos muito bem e a conta também foi alta. Mas valeu.

De lá fomos a Burano, outra ilha, Veneza e voltamos a nosso carro.

 

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 21, 1997

Estou quase acabando o trabalho no compartimento de proa. Estou agora pintando tudo com tinta especial para porão. Está realmente ficando ótimo.

Chegaram também as membranas dos dessalinizadores.

Depois de muitos testes, cheguei à conclusão que as 6 membranas (3 em cada um) estavam destruídas. Foi a poluição do Rio Pó.

Estupidamente fiz os dessalinizadores funcionar para limpa-los da sujeira de Rimini, quando estávamos no mar, longe da costa umas 15 milhas. Mas estávamos na foz do Pó, que lança toda a química das industrias italianas bem por lá. Apesar de termos filtros eficazes, algum produto atacou as membranas destruindo-as.

O processo de importação não foi simples. A HRO (fabricante) despachou no mesmo dia as peças necessárias, mas foram necessários 15 dias para libera-las na alfândega, usando um despachante local.

Ele nos recomendou fazer um manifesto de carga para a saída de Chioggia, e irmos à capitania para fazer os documentos de saída.

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, May 24, 1997

Afinal acabei o trabalho no compartimento de proa. Troquei também as manilhas da ancora. Relutei em montar manilhas de inox, pois são menos resistentes à ruptura que as de aço normal e não são certificadas. Mas depois de por três vezes serrar as manilhas velhas que de enferrujadas já não abrem, decido colocar de inox, sobredimensionadas. Remarquei as correntes, e instalei na ancora de popa um sistema norueguês que permite a queda livre da ancora por controle remoto. Estou assim com meu seu sistema de ancoragem perfeito, pronto para a temporada na Croácia, onde deveremos ficar em ancora por uns três meses.

 

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, May 29, 1997

Pela manha fomos ao aeroporto enviar uma bagagem para o Carlo, roupas diversas de inverno.

Em seguida fomos ao Metro, um deposito atacadista para comprar em grande quantidade nossa provisão para ir à Croácia. Comida é claro, pois é a Itália um dos melhores locais do mundo para se abastecer de alimentos, não pelo preço, mas pela qualidade.

Boa parte vai ser armazenada no compartimento de proa, recém reformado, pois fia 2 prateleiras bem grande lá dentro, só para isso.

 

 

LOG ENTRY FOR: Friday, May 30, 1997

Uma bela manhã, esta em que começamos a nos despedir de Chioggia. Pagamos a marina, três meses, temos que carimbar nossos passaportes e também ir à capitania efetuar nossa saída.

Todos são simpáticos e se despedem manifestando sua tristeza.

Assim tem sido em todos os lugares, dá pena sair, mas no próximo será também alegre e agradável. Só podemos ter este tipo de relacionamento pois todos sabem que vamos logo embora, portanto valendo mais a superficialidade, todos podem ser mais alegres, honestos e sem responsabilidade. É a nossa nova vida.

12:00 Sai de inflável rumo à capitania, documentos à mão.

Atraquei no píer onde ficamos poderosas lanchas da guarda costeira.

Perguntando onde deveria ir, fui de sala em sala e acabei me encontrando com o comandante de guarnição local, no corredor.

Expliquei meu problema, quero fazer a documentação de saída, não sei aonde devo ir.

"É aquele barco brasileiro que está no Clube?. Vá embora direto e boa viagem. Aqui na Itália não são necessárias formalidades. Não precisa controlar nem passaporte nem documentação do barco"

Que diferença de Rimini, com toda aquela burocracia!

 

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, May 31, 1997

Dia de trabalho a bordo, preparando a partida talvez para amanhã, mas a previsão é tempo ruim, creio que não dará, vamos ver

 

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, June 01, 1997

Pretendíamos sair hoje, mas o tempo esta mesmo feio. Resolvemos assim fazer "una bella mangiata" como dizem os italianos. Fomos a uma trattoria, comemos bem, e fizemos amizade com um casal, a Elvira e o Luciano, que acabaram indo a nosso barco onde ficamos até altas horas movidos a álcool. Eles são de Padova e prometemos um dia visita-los. Tantas promessas destas já fizemos, será que um dia cumpriremos alguma?

 

 

LOG ENTRY FOR: Monday, June 02, 1997

O tempo continua ruim, mas a previsão é de melhora, vamos sair amanhã talvez.

Fomos à Padova comprar baterias para os rádios portáteis, tudo que precisamos deveremos comprar por aqui, na Croácia pode ser difícil. Temos dois VHF portáteis Motorola, que nos dão bom serviço ha 5 anos, e as baterias se foram. Tentei remediar substituído as baterias uma a uma, comprando apenas os elementos, mas não ficou bom. Felizmente encontramos em Padova. Temos também um Standard ha 10 anos que ainda funciona bem . São úteis nas manobras, pois falo pelos radinhos com a Milena e atracamos com segurança.

Nos despedimos dos amigos de Pesaro que estão ao lado, o Paolo Gennari que está estreando seu novo veleiro, um belo Dufour 41, e que partem amanhã para Pesaro.

Eles conhecem muito bem a Croácia e nos deram boas dicas.