Nos Domínios do Império Otomano
Bodrum Numa loja de tapetes A Baia de Bodrum - A Praia da Cleopatra Ayvalik Dardanelos Çanakkale Istambul No Mar Negro - Voltando à Grécia Skiathos Kalkis Corinto Zachintos
LOG ENTRY FOR: Friday, May 14, 1999
12:00 Saí às 8:30 e já estou de volta no San Marino.
Com a moto girei toda a cidade pela manhã a fim de regularizar nossa entrada no país.
Primeiro comprei o impresso (log) na repartição adequada. Custou 30 dólares.
Depois fui ao controle sanitário, estamos com a bandeira amarela no pau (letra Q), isto é, estamos de quarentena.
Depois da visita ao controle sanitário, estamos liberados, não temos peste a bordo.
Daí fui ao controle de passaportes. Dois selos, 40 dólares.
De lá fui à alfândega, já com uma lista de todos (todos???) os bens móveis a bordo.
Nem olharam, carimbaram tudo como OK.
Da alfândega para a capitania, onde paguei mais 20 dólares e obtive o carimbo final no citado log.
Pronto estamos autorizados a ficar na Turquia.
Todos são muito simpáticos, e todos querem tirar o seu dinheiro.
Muitos falam alemão (a emigração turca para a Alemanha foi imensa), outros francês, alguns italiano e outros inglês. Não foi difícil me comunicar.
Enquanto isso a Milena acertava tudo na marina, estamos instalados, vamos almoçar na vila.
17:00 estamos de volta, comemos muito bem um prato (caçarola) com carne, pimenta, queijo e temperos, outro igual com frango, deliciosos.
A sobremesa era ótima, café, tudo bom.
20:00 Saímos outra vez, agora de moto, fomos para o outro lado da cidade, atras do castelo.
A noite é animadíssima, todas as pessoas saem, fomos a um bar tomar Raki com mesê (como na Grécia) e nos divertimos muito com o dono do restaurante que pega as pessoas quase na amarra (mas com simpatia) e coloca o pessoal sentado onde quer.
LOG ENTRY FOR: Saturday, May 15, 1999
Dia de trabalho a bordo, troquei a bomba de água do gerador que estava vazando pelo retentor.
A Milena deu uma geral em todo o barco.
LOG ENTRY FOR: Sunday, May 16, 1999
Hoje resolvemos ir a um bom restaurante para ver como é a verdadeira e boa comida turca.
Temos sempre jantado nos restaurantes baratos e comuns e sempre comido muito bem.
A Milena com seus guias e suas informações escolheu um, o Han que dizem, é onde os turcos vão, não os turistas.
No caminho, um vendedor de tapetes nos assediou e ficamos conversando com ele para aprender um pouco sobre tapeçaria.
Ele também nos confirmou sobre a excelência do restaurante.
Tem até dança do ventre.
Chegamos lá, já escuro, umas 9:30 da noite.
Fica no bazar, no centro da cidade, é uma casa magnifica, se come no atrium entre paredes trabalhadas.
O restaurante estava vazio. Só nós.
Um bom numero de garçons, o cardápio era mais ocidental que turco, mas pedimos um mesê com raki, e um Kebab de carneiro na ânfora (quebrada na mesa para servir) , vinho Turco (nada bom), baclava de sobremesa.
Comemos relativamente bem, nada especial.
Mas o ponto alto foi a música.
Um "one man band" começou com a mexicana Maria Helena, continuou com Besame Mucho e foi por aí afora.
Tivemos também Orfeu do Carnaval e Garota de Ipanema.
Quem manda ir em restaurante que só vai turco!!!
Nada de dança do ventre, isto é para turistas, os turcos querem é musica mexicana.
LOG ENTRY FOR: Monday, May 17, 1999
Dia de supermercado. Como sempre aprender tudo de novo, tudo escrito em turco, antes era grego, agora é mais fácil.
O supermercado foi uma boa surpresa, tem de tudo, muito limpo e organizado.
A seção de frutas é muito bonita, mas a Milena prefere compra-las amanhã no mercado central.
Conseguimos carregar tudo na moto, de volta.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 18, 1999
Hoje foi o dia do incêndio.
Uma vez por ano checo todos os extintores e o sistema de automático da casa de máquinas.
Chamei uma pequena empresa local para recarregar os extintores de CO2 e Pó Químico, tudo está em ordem.
O fogo é a mais perigosa ocorrência no mar.
Temos uma bomba de água de alta potência ligada à mangueira de incêndio, um sistema automático e halon na casa de máquinas e mais 10 extintores espalhados pelo barco, tipo CO2, Po Químico e Água.
Na cozinha um pequeno de halon e um cobertor a prova de fogo para abafar pequenas chamas.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 19, 1999
Estamos aguardando os alemães que chegam sábado de manhã.
Tão logo eles cheguem, iniciaremos nossa viagem para Istambul, subindo pouco a pouco, ancorando em baias e pequenos portos, conhecendo melhor a Turquia.
A Turquia tem se revelado um pais muito acolhedor.
Os Turcos são extremamente simpáticos.
Segundo a bíblia, Adão e Eva estavam entre o Eufrates e o Tigris, portanto o Éden muito provavelmente é na Turquia, pois aqui estes rios correm paralelos, a menos de 100 kms um do outro.
Noé também aportou por aqui, pois o Monte Ararat fica no nordeste da Anatólia, a parte principal da Turquia.
Tudo isto entretanto fica muito bem no verão, mas o inverno daqui é rigoroso, como ficava o paraíso nesta época?
Muita neve na cobra e na maçã!
A gente não faz muito idéia, mas estamos mesmo no oriente, na Ásia Menor.
Os países que fazem limite com a Turquia são : Grécia, Bulgária, Geórgia (antiga URSS), Armênia, Irã, Iraque, e Síria .
A história magnifica deste pais e a opulência e força do império Otomano, que acabou na primeira guerra mundial, se sente ainda no povo, nos pratos típicos e refinados, que tanto influenciaram a cozinha ocidental via Veneza.
LOG ENTRY FOR: Thursday, May 20, 1999
Estamos na terra de Mausolo, que foi enterrado em um imenso túmulo aqui vizinho, chamado Mausoléu, daí a palavra atual.
Bodrum é uma pequena vila (20 000 habitantes) de ruelas estreitas e sinuosas, casas baixas brancas e sem telhado e muitas mesquitas.
Do alto do minarete, em forma de lápis os Muezzins cantam "Alá é grande e Maomé o seu profeta varias vezes por dia) - atualmente substituídos por alto-falantes e uma fita gravada já que é sempre a mesma ladainha -.Há também um belo bazar onde há de tudo, negociantes de tapetes, bares e cafés.Aqui não se leva o islamismo muito a sério.
As mulheres se vestem "à ocidental ", bebe-se álcool à vontade (consomem 18 litros por ano per capita, a Alemanha 19 , os Estados Unidos 21), bebe-se muito mais chá que café, enfim tudo muito diferente daquilo que normalmente se pensa.
O imenso porto onde estamos domina toda a cidade que se estende à suas margens.
No centro ha um castelo fortaleza medieval, de rara beleza e em ótimo estado de conservação.
LOG ENTRY FOR: Friday, May 21, 1999
Ontem às 7 da tarde, como todos os dias, esperamos entardecer para ir à vila.
Fomos a pé, são uns 2 kms, para jantar em algum pequeno restaurante, é o modo de conhecer a comida e o pais.
Desta vez passamos em frente a uma loja de tapetes onde já tínhamos estado duas vezes antes.
É que a Milena tem mania de tapetes. Entra nas lojas (aqui em Bodrum são ao menos 5) e começa a conversar e olhar tapetes, não sem antes informar que não irá comprar nada.
Nesta loja, ficamos amigos do Sayin, um dos donos, que ontem nos apresentou um arqueólogo dinamarquês muito importante, que esta aqui para fazer escavações no Mausoléu.
O papo foi longo, ficamos tomando chá (pequenas taças de chá muito forte e quente, como nosso cafezinho) e apreendendo sobre tapetes.
Bem, hoje, vieram também o Orhan (outro sócio) e o Alladin (irmão do Orhan)
Ao sair, perguntamos aonde poderíamos jantar.
Eles disseram : "o melhor restaurante fica a 20 quilômetros daqui"
Não podemos ir, respondemos, estamos de moto.
Eles em seguida nos convidaram para jantar lá.
O Sayin nos levou de carro e o Orham com sua mulher já estavam nos esperando no May, um incrível restaurante em Türk Buku, uma praia mais a este.
Foi um jantar inesquecível com dezenas de pratos, muito Raki e vinho.
Rimos como loucos com o inglês do Alladin, que não sabe nenhuma palavra e vai falando como se soubesse, imitando a pronuncia.
Acabou a noite às 3 da manhã, em um bar na mesma praia, onde estava tocando música brasileira quando chegamos.
Como são gentis estes turcos!
LOG ENTRY FOR: Saturday, May 22, 1999
11:07 Estamos aguardando os passageiros que deverão chegar a qualquer momento.
O vôo deles está marcado para chegar no aeroporto (que está a uns 30 km) às 10 da manhã.
12:30 Eles já estão a bordo.
Vamos passar na loja dos loucos vendedores de tapete para pegar os dois pequenos que a Milena acabou comprando e depois vamos almoçar.
16:55 Motores ligados, vamos partir.
17:34 Rumo 167 para a baia de Mersinki.
Vamos dormir lá, pelo pilot é uma baia protegida do sul, calma e tranqüila.
O mar vem de SE, vento da mesma direção força 5.
Nos pega de bochecha, é confortável.
Até agora ninguém enjoou, bom sinal, eles agüentam, mas também não rolamos nada, 2 graus.
O dia é belo, mas no radar vejo blocos de chuva vindo em nossa direção.
18:20 Tiro nossa posição usando o radar que é uma maneira muito precisa (a mais precisa) de encontrar a posição de um barco navegando perto da costa.
Ploto na carta, estamos a 2 milhas a WNW da posição indicada pelo GPS.
Deixo de lado o GPS e sigo navegando só pelo radar.
São dois os fatores destes erros.
Primeiro, com a guerra do Kosovo, os americanos estão introduzindo nesta região um erro muito acentuado nas marcações do GPS.
Assim, mísseis inimigos ou terroristas não podem usar este sistema como guia para seus objetivos.
Segundo, porque as cartas da região, mesmo que impressas agora, são baseadas em antigas coordenadas feitas pelo sistema celestial, cheio de erros.
A carta que uso por exemplo (almirantado britânico) foi plotada em 1839 pelo comandante T. Graves no HMS Beacon.
Os turcos poderia com simples fotos aéreas consertar estes perigosos erros. Certamente já o fizeram para fins militares.
Assim, vamos pelo radar.
19:10 entramos numa pequena reentrância da baia onde estão já um veleiro alemão, MY Yali Kapkini (que estava conosco em Bodrum) e um Gullet (tipo saveiro brasileiro, para levar turistas).
Jogamos o ferro a 10 metros de profundidade e de popa entramos entre os dois veleiros.
O vento estava um pouco forte (força 5) mas deu para controlar bem a entrada, não nos aproximamos de nenhum dos dois.
Ficamos a uns 5 metros de cada um, o Bernd (este o nome do pai da família) nadando levou o cabo até uma pedra na terra e deu umas duas voltas, pois ele não sabe dar nós.
Com o cabo preso, desci e fui também para a água prender um outro cabo com o nó apropriado.
Mas um marinheiro do Gullet, com pena do Bernd já tinha chegado lá e dado também um bom nó.
Ficamos assim com 2 cabos para a terra.
A Sigi (mulher do Bernd), enjoou no meio do trajeto e dorme.
O Wolfgang, filho de 13 anos, também dorme, cansado.
Acabamos a noite, sob magnifica lua e estrela, no jardim d popa.
Nossos amigos do veleiro ao lado e do Gullet (ingleses) foram dormir cedo.
O local é deserto e magnifico.
LOG ENTRY FOR: Sunday, May 23, 1999
09:47 O MY Yali Kapkin saiu, o Gullet também, estamos sozinhos na baia.
Mas vamos hoje para a English Bay, no fundo do golfo, a 35 milhas daqui.
Lá, um local protegido e paradisíaco, era durante a guerra base das lanchas torpedeiras inglesas, que se escondiam por aqui.
Daí o nome.
O Bernd e o filho ficaram umas três horas na água, com nosso arpão tentando pegar um polvo que coitado fugia como louco.
Que resistência tem estes alemães!
12:05 Soltamos os cabos que estavam presos nas pedras em terra, levantamos ancora e estamos rumo à English Bay, 4 horas de viagem.
O mar está calmo, sem ondas, pois entra uma frente fria e como é o normal, o vento gira 360 graus no período de umas 30 horas por aqui.
13:05 Estamos com o Cabo Shuyun no nosso través de boreste.
Alterei o rumo para 072, até o cabo Lnguiz, a 22 milhas.
Viajamos a 9.3 nós, a 1600 RPM consumo 50 litros por hora.
12:35 Que beleza este mar. Não ha ondas, só umas pequenas escamas, viagem tranqüila, ninguém enjoa!
14:43 Depois de um ótimo ravioli com salvia (que a Milena tão bem prepara), e um bom café, descanso, que ninguém é de ferro!
Estamos no rumo 078, corrigi um pouco para este pois as cartas são terrivelmente erradas.
15:20 Farol do Cabo Balisu a 145 graus, 1 milha. Nossa posição é corretíssima, não navego pelo GPS, mas por estima.
16:07 Estamos entrando na baia, como sempre as cartas erradas.
Minha carta detalhada do lugar, turca, comprada ante ontem, mostra as coordenadas meia milha fora do local indicado pelo GPS.
16:22 Fomos até o fundo da baia onde há uma residência que pertence à presidência da republica. Parece que a mulher do ex. presidente mora lá.
Íamos jogar a ancora, mas escutamos uma algazarra de apitos, eram soldados muito armados mandando-nos embora com cara feia.
Giramos 180 graus e voltamos para ancorar em Okluk Koyu, um saco protegido dos ventos.
Uma pessoa, de um pontão nos fez sinais, nos aproximamos, é um bom pontão de madeira com um pequeno restaurante atras.
Parece ideal.
Joguei o ferro, me aproximei de popa, a Milena jogou os cabos e fez a amarração.
Foi aplaudida pela eficiência.
Há três barcos ao lado, todos de bandeira alemã.
Vamos dormir por aqui e jantar no restaurante.
LOG ENTRY FOR: Monday, May 24, 1999
A noite foi forte ontem, acabou às 3 da manhã.
Depois de um magnifico jantar que o Bernd sempre faz questão de pagar, viemos todos ao barco, inclusive dois rapazes do restaurante.
Cantamos com violão, piano, gaita de boca, bateria improvisada, valia tudo e foi divertido.
Coitados dos barcos ao lado, mas o San Marino é bem isolado acusticamente.
12:03 Soltamos as amarras. Antes nos despedimos com muita efusão dos amigos que fizemos ontem.
Há vento, força 5, NW, chove.
Nosso destino: Gelibbolu Boku, a 6 milhas rumo 058, em uma hora estaremos ancorando.
A visibilidade é pouca devido à chuva, mas os sinuosos canais pelos quais se sai desta baia de águas turquesas são profundos (2o metros) e claros no radar.
12:15 Estamos já fora da pequena baia.
O mar vem de SW, ondas de 1 metro, o vento vem de NW, 4.
Estamos assim navegando com o mar quase de popa, é confortável.
A Milena aproveita para conectar com o server na Grécia, pegar o E-Mail e a previsão do tempo.
De repente ela desaba a chorar, morreu nosso grande amigo Sergio Lessa da Fonseca, que lutava bravamente com dificuldades em sua empresa.
São coisas da vida, mas os que ficam sofrem muito, ele era um grande caráter.
Mas não posso descuidar, estamos já chegando na entrada de uma outra pequena baia onde três ilhas formam um emaranhado de canais.
Vamos ancorar entre Sehir Adalari, onde há ruínas de um velho castelo e a ilha Snake (Orda Ada) .
O fundo é de areia, 4 metros, vamos ficar a noite por aqui.
13:15 Com o ferro no fundo, vou poder me concentrar em meu dileto amigo, que agora já me espera em outros mares nos quais certamente também vou navegar.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, May 25, 1999
08:44 Todos ancorados, os passageiros já nadaram, a Milena prepara como o faz diariamente, um belo café da manhã.
Os barcos de turistas começam a chegar, aqui é um lugar famoso.
Na parte oeste da pequena ilha onde estamos, há uma praia de areia branca, muito incomum por aqui.
É a praia da Cleópatra, que segundo a história, viveu um tempo aqui com Marco Antônio.
Para que seu belo general pudesse se bronzear em uma praia de areia, Cleópatra (com suas costumeiras extravagancias) mandou suas galeras trazerem areia das praias africanas e a depositou aqui, fazendo uma belíssima pequena praia de águas transparentes.
Estudos científicos realizados a pouco tempo, comprovam que a areia não é da região, e é do tipo encontrada no norte da África.
O castelo está situado numa área romântica, rodeado de oliveiras e há um pequeno teatro para umas 1500 pessoas que oferece uma bela vista através da baia.
11:05 Levantamos ferro, rumo W.
O mar está com ondas de 2 metros, pois o vento forca 5 afunila na baia e formar ondas com arrebentação.
Pegamos de proa, é melhor, mas molha tudo.
13:55 O mar piorou muito , o vento agora força 6, ondas de 3 metros com arrebentação, de proa.
A aqui no Egeu a coisa fica preta, pois são ondas curtas e vem de diversas direções.
Estamos a 1 milha da costa, um paredão de pedra de 700 metros de altura que se estende por umas 40 milhas, no mesmo sentido que navegamos. Não há abrigo por perto.
O vento desce a encosta ou afunila por ela, e aumenta muito.
O San Marino vira algumas vezes um submarino, mas não é água compacta e só spray.
Os convidados se seguram pelas paredes mas estão muito contentes com a aventura.
15:35 O balanço continuou. Aproveitamos que o sinal do telefone voltou, fazemos ligações que deveriam ter sido feitas nestes últimos dia.
Está já no radar o porto para onde vamos, uma fenda na parede rochosa onde o mar é tranqüilo e poderemos dormir em calma.
16:22 Atracados com uma linha de popa na terra, a ancora do outro lado de um pequeno saco dentro da baia.
Um bote amarelo nos ajudou a colocar o cabo de terra, são dos restaurante Rose Mary, onde vamos jantar. Já sabíamos que era o melhor do lugar.
19:30 O pessoal do restaurante veio nos buscar a bordo com seu pequeno bote.
Comemos como loucos, talvez a melhor refeição até agora na Turquia.
Foram Bureks de queijo (massa enrolada em torno a queijo de cabra), diversos tipos de salada, yogurt com salada, Mariscos recheados com arroz, depois como prato principal, uma deliciosa "casserole" feita em tigela de barro de polvo, com temperos e queijo derretido por cima.
Uma Halva que foi queimada no forno com mel e coco ralado por cima, completou a deliciosa refeição como sobremesa.
O Bernd gosta de comer sempre bem e não nos deixa pagar nunca.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, May 26, 1999
Passamos o dia curtindo a bela baia.
Com o Flexboat na água, tentei ensinar o Bernd e o Wolfgang esquiar, mas foi em vão.
Eles são muito pesados e muito desajeitados.
Mas valeu, a Milena me deu uma bela puxada, há muito que eu não esquiava, me senti mais jovem e muito bem disposto depois do agradável e vigoroso exercício, esporte de minha juventude.
LOG ENTRY FOR: Thursday, May 27, 1999
05:29 Acordamos às 4:30, todos levantaram, estamos prontos para partir
O Bernd se jogou na água e soltou o cabo de popa.
As duas ancoras (joguei a segunda ontem pois o fundo não é de boa pega e a previsão prometia ventos forte à noite) subiram sem problemas.
5:45 Estamos fora da barra, o mar é calmo, não há ventos.
Estamos navegando rumo à Kusadasi.
Se o mar estiver bom, iremos direto, se não pararemos em algum porto no caminho.
Serão 11 horas de viagem, 90 milhas rumo norte, entre muitas ilhas e rochedos, é preciso muita atenção pois como sempre as cartas não são corretas.
O Navtex traz nos últimos dias continuamente informação de artefatos explosivos não detonados que caíram à água aqui no Egeu.
É que começaram os vôos da Turquia para o Kosovo, a guerra passa perto de nós.
6:41 Começou vento força 2, E.
8:14 Bodrum em nosso través de boreste, completamos assim a navegação de um circulo anti-horario na baia de Bodrum.
10:30 Os passageiros acordaram novamente, a Milena serviu um belo café da manhã.
Decidimos na mesa, não parar em Kusadai.
Eles querem chegar conosco em Istambul, é sonho deles (e também nosso) fazer o Dardanelos e o Bósforo.
Assim, mudamos os planos, vamos direto para Ayvalik. que fica entre a famosa ilha de Lesbos e a Turquia Continental.
A viagem aumenta mais 180 milhas, chegaremos amanhã às 10 horas, e teremos que negociar o pequeno e sinuoso canal entre a ilha de Kos e a Turquia à meia noite.
Mas nosso radar é bom e a noite é de lua, vale a pena.
11:25 O Bernd fica na vigia, vou dar uma descansada
13:10 Acordei agora, o mar está um pouco picado, ondas de meio metro, N, tudo em paz, viagem tranqüila.
O vento está força 3, norte.
Estamos deixando a boreste o golfo de Latmos, onde se localizam diversas cidades Ionicas incluindo Mileto, local onde nasceu Thales, o famoso matemático, 7 séculos antes de cristo,
Aqui também estão Myus, Priene e Herakleia, onde se desenrolou segundo a lenda a interessante história de Endmyon, um belíssimo rei místico, de quem a deusa da lua, Selene, se apaixonou.
Ela o fez dormir para sempre para poder admirar perenemente sua beleza.
Parece entretanto que o tipo dormiu com um olho só, pois diz a lenda que eles tiveram 50 filhos
13:55 Samos está bem visível à nossa proa, a 7 milhas.
Vamos entrar no canal em uma hora.
É um canal estreito, de menos de uma milha, o ponto onde a Grécia (Samos) e a Turquia estão mais próximos.
Diz o Pilot que ha uma corrente de uns três a 4 nós indo para este, jogando as embarcações sobre a ilha Bayarak onde está o farol que marca a entrada do estreito.
Toda atenção é pouca.
14:45 Chegam os delfins. Posso contar ao menos 8 que brincam em tordo de nossa esteira e na proa
Os passageiros vibram de felicidade com tanta alegria dos delfins.
14:05 O farol está a nosso bombordo, passamos a uns 20 metros de distancia, é profundo e seguro.
15:45 Deixamos o canal, estamos rodeando Samos.
à nossa proa Ephesus, a famosa romana (foi muito ante ionica, mas prosperou sob o domínio romano), pois foi a capital da Ásia Romana.
Ë a cidade de Artemis (a Diana dos Romanos), deusa da fertilidade.
Muito próximo está a igreja construída no suposto lugar onde morreu Maria, mãe de Jesus.
Perdemos Ephesus, gostaríamos de te-la visitado, dizem que é ainda impressionante.
16:08 No rumo para Kios. Horário previsto para a boca do canal: 22:30
Rumo 300, 8.5 nós.
20:05 A tarde foi monótona, navegamos sempre com mar de proa, sem nada no horizonte.
A noite cai, já preparei tudo para a navegação noturna.
O canal entre Kos e a Turquia é bem sinalizado, a noite será clara, quase de lua cheia.
22:12 Estamos a 4 milhas do farol que marca a entrada do estreito canal.
Há pelo menos 12 navios, 4 deles de grande porte, negociando a entrada e saída,
O farol fica bem no meio do canal, decido ir pelo norte, dois navios, os maiores, vão pelo sul, pois é mais profundo, porem mais estreito.
Eles são mais rápidos que nós, não nos atrapalham.
22:26 Dois navios vem em sentido contrario ao nosso. Um deles, gira 90 graus rumo sul e cruza nossa rota, bem perto. Nada a fazer, a manobra foi perfeita, mas nos deu um belo susto, pois está escuro e só vemos as luzes de navegação, a vermelha berrando à nossa proa.
O canal tem 1.5 milhas de largura é pouco para navios tão grandes, todos mais rápidos que nós.
Os que vão na nossa direção nos ultrapassam, os que vem em sentido contrario nem ligam para nós.
É um verdadeiro vídeo game no radar.
LOG ENTRY FOR: Friday, May 28, 1999
00:12 Mais um navio em rota de colisão, proa a proa conosco,
Este porem nos chama por radio e pede gentilmente que mudemos nossa rota para boreste, passamos "port to port".
Nos deseja boa viagem, nós também. É um grande e negro petroleiro.
00:21 Nisos Pacha a bombordo, estamos saindo deste trabalhoso canal.
Agora é rumo norte, 000.
1:17 Farol de Kara Burum, descobre-se na bochecha de boreste. Um navio que vem em rota de colisão nos chama e pede para mantermos a rota, ele muda a dele. Gentil.
1:44 Kara Burum no través de boreste. Mudamos novamente a rota, agora para 040, direto para o canal entre Lesbos e a Turquia, a 26 milhas daqui.
Izmir (Smirna) está no nosso través de boreste.
É uma das maiores e importantes cidades da Turquia, onde se diz nasceu Homero (disputa com Kos esta primazia) e palco de uma triste limpeza étnica onde morreram mais de 100.000 gregos, em 1922.
Entre os evacuados estava Aristóteles Onassis, que ali nasceu.
Mas é uma cidade sem graça, não vale a pena parar.
Por isto São tantos os navios por aqui.
O mar vem de través, ondas de um metro, rolamos um pouco, uns 10 graus.
5:05 O sol está nascendo no oriente, a lua afoga-se no mar, no ocidente.
Temos Lesbos a bombordo, estamos no canal.
O mar voltou a baixar, é claro, estamos numa língua de mar umas 10 milhas de largura.
Dormi das 2 às 4, a Milena ficou na guarda, agora estou eu, ela volta a dormir.
7:36 O canal entre Lesbos e a Turquia nos leva ao arquipélago de Ayvalik.Entramos pelo sinuoso das ilhas. Entre a ilha Alibey e Ayvalik há um canal muito bem balizado.
Ele nos leva para uma grande lagoa interior, onde existem dois portos e dois sacos para fundear.
Decidimos parar na Marina de Ayvalik, a Milena quer fazer supermercado e os passageiros querem conhecer uma cidade do norte do Egeu.
8:12 Atracamos de costado, entre dois barcos em vaga muito apertada.
A Milena amarrou a proa bem apertada, dei ré e o San Marino girou e docemente apoiou suas 65 tonelada nas defensas e entrou na vaga com folga de menos de um metro.
O Vento nos jogava para fora, o que dificultava a manobra e aumentou o valor da operação (quanta modéstia!)
Mas o alivio do veleiro suíço (à proa), e do veleiro inglês (à popa) foi evidente.
Foi uma bela viagem, 26 horas, subimos até o paralelo 39, estamos mais perto de Istambul.
LOG ENTRY FOR: Thursday, May 27, 1999
05:29 Acordamos às 4:30, todos levantaram, estamos prontos para partir.
O Bernd se jogou na água e soltou o cabo de popa.
As duas ancoras (joguei a segunda ontem pois o fundo não é de boa pega e a previsão prometia ventos forte à noite) subiram sem problemas.
5:45 Estamos fora da barra, o mar é calmo, não ha ventos.
Estamos navegando rumo à Kusadasi.
Se o mar estiver bom, iremos direto, se não pararemos em algum porto no caminho.
Serão 11 horas de viagem, são 90 milhas rumo norte, entre muitas ilhas e rochedos, é preciso muita atenção pois como sempre as cartas não são corretas.
O Navtex traz nos últimos dias continuamente informação de artefatos explosivos não detonados que caíram à água aqui no Egeu.
É que começaram os vôos da Turquia para o Kosovo, a guerra passa perto de nós.
6:41 Começou vento força 2, E.
8:14 Bodrum em nosso través de boreste, completamos assim a navegação de um circulo anti-horario na baia de Bodrum.
10:30 Os alemães acordaram novamente, a Milena serviu um belo café da manhã.
Decidimos na mesa, não parar em Kusadai.
Eles querem chegar conosco em Istambul, é sonho deles (e também nosso) fazer o Dardanelos e o Bósforo.
Assim, mudamos os planos, vamos direto para Ayvalik. que fica entre a famosa ilha de Lesbos e a Turquia Continental.
A viagem aumenta mais 180 milhas, chegaremos amanhã às 10 horas, e teremos que negociar o pequeno e sinuoso canal entre a ilha de Kos e a Turquia à meia noite.
Mas nosso radar é bom e a noite é de lua, vale a pena e dá prazer.
11:25 O Bernd fica na vigia, vou dar uma descansada.
13:10 Acordei agora, o mar está um pouco picado, ondas de meio metro , N, tudo em paz, viagem tranqüila.
O vento está força 3, norte.
Estamos deixando a boreste o golfo de Latmos, onde se localizam diversas cidades Iônicas incluindo Mileto, local onde nasceu Thales, o famoso matemático, 7 séculos antes de cristo,
Aqui também estão Myus, Priene e Herakleia, onde se desenrolou segundo a lenda a interessante história de Endmyon, um belíssimo rei místico, de quem a deusa da lua, Selene, se apaixonou.
Ela o fez dormir para sempre para poder admirar perenemente sua beleza.
Parece entretanto que o tipo ficou um pouco acordado, pois diz a lenda que eles tiveram 50 filhos
13:55 Samos está bem visível à nossa proa, a 7 milhas.
Vamos entrar no canal em uma hora.
É um canal estreito, de menos de uma milha, o ponto onde a Grécia (Samos) e a Turquia estão mais próximos.
Diz o Pilot que há uma corrente de uns três a 4 nós indo para este, jogando as embarcações sobre a ilha Bayarak onde está o farol que marca a entrada do estreito.
Toda atenção é pouca.
14:45 Chegam os golfinhos. Posso contar ao menos 8 que brincam em tordo de nossa esteira e na proa.
Os passageiros vibram de felicidade com a alegria dos golfinhos.
14:05 O farol está a nosso bombordo, passamos a uns 20 metros de distancia, é profundo e seguro.
15:45 Deixamos o canal, estamos rodeando Samos.
16:08 No rumo para Kios. Horário previsto para a boca do canal: 22:30
Rumo 300, 8.5 nós.
20:05 A tarde foi monótona, navegamos sempre com mar de proa, sem nada no horizonte.
A noite cai, já preparei tudo para a navegação noturna.
O canal entre Kos e a Turquia é bem sinalizado, a noite será clara, quase de lua cheia.
22:12 Estamos a 4 milhas do farol que marca a entrada do estreito canal.
Há pelo menos 12 navios, 4 deles de grande porte, negociando a entrada e saída,
O farol fica bem no meio do canal, decido ir pelo norte, dois navios, os maiores, vão pelo sul, pois é mais profundo, porem mais estreito.
Eles são mais rápidos que nós, não nos atrapalham.
22:26 Dois navios vem em sentido contrario ao nosso. Um deles, gira 90 graus rumo sul e cruza nossa rota, bem perto. Nada a fazer, a manobra foi perfeita, mas nos deu um belo susto, pois está escuro e só vemos as luzes de navegação, a vermelha berrando à nossa proa.
O canal tem 1 milha de largura é pouco para navios tão grandes, todos mais rápidos que nós.
Os que vão na nossa direção nos ultrapassam, os que vem em sentido contrario nem ligam para nós.
LOG ENTRY FOR: Friday, May 28, 1999
00:12 Mais um navio em rota de colisão, proa a proa conosco,
Este porem nos chama por radio e pede gentilmente que mudemos nossa rota para boreste, passamos "port to port".
Nos deseja boa viagem, nós também. É um grande e negro petroleiro.
00:21 Nisos Pacha a bombordo, estamos saindo deste trabalhoso canal.
Agora é rumo norte, 000.
1:17 Farol de Kara Burum, descobre-se na bochecha de boreste. Um navio que vem em rota de colisão nos chama e pede para mantermos a rota, ele muda a dele. Gentil.
1:44 Kara Burum no través de boreste. Mudamos novamente a rota, agora para 040, direto para o canal entre Lesbos e a Turquia, a 26 milhas daqui.
O mar vem de través, ondas de um metro, rolamos um pouco, uns 10 graus.
5:05 O sol está nascendo no oriente, a lua afoga-se no mar, no ocidente.
Temos Lesbos a bombordo, estamos no canal.
O mar voltou a baixar, é claro, estamos numa língua de mar umas 10 milhas de largura.
Dormi das 2 às 4, a Milena ficou na guarda, agora estou eu, ela vai finalmente dormir.
7:36 O canal entre Lesbos e a Turquia nos leva ao arquipélago de Ayvalik.
Entramos pelo sinuoso das ilhas. Entre a ilha Alibey e Ayvalik ha um canal muito bem balizado.
Ele nos leva para uma grande lagoa interior, onde existem dois portos e dois sacos para fundear.
Decidimos parar na Marina de Ayvalik, a Milena quer fazer supermercado e os passageiros querem conhecer uma cidade do norte do Egeu Turco.
8:12 Atracamos de costado, entre dois barcos em vaga muito apertada.
A Milena amarrou a proa bem apertada, dei ré e o San Marino girou e docemente apoiou suas 65 tonelada nas defensas e entrou na vaga com folga de menos de um metro.
O Vento nos jogava para fora com força 4, o que dificultava a manobra e aumentou o valor da operação (quanta modéstia!)
Foi uma bela viagem, 26 horas, subimos até o paralelo 39, estamos mais perto de Istambul.
LOG ENTRY FOR: Saturday, May 29, 1999
Uma pequena vila, pouco tocada pelos turistas estrangeiros, ainda freqüentada quase que só por turcos.
A lagoa interna é ampla e pouco profunda (de 4 a 8 metros) mas sem nenhum problema para navegar.
A Marina é nova, limpa e arrumada.
Eu gostaria de ficar um mês por aqui, conhecer as pessoas, os costumes, foi o que disse ao Bernd quando tomávamos uma cerveja no bar do porto.
Ele ficou surpreso. Ele não pode compreender uma pessoa ficar um mês parado, fazendo quase nada, numa pequena vila. Cada um com sua cabeça.
Dizem que só de observar um alemão em férias, já se fica esgotado, tanto eles se movimentam e trabalham.
Mas são ótima companhia, fazem todo o serviço de bordo com alegria e estão sempre bem humorados, ao contrário de nós, latinos.
LOG ENTRY FOR: Sunday, May 30, 1999
O tempo continua ruim, muito vento para subir para Istambul.
Decidimos esperar até domingo ou segunda, para o mar baixar.
Está entrando NW força 7 ou 8, vento que mexe muito com o mar Egeu oriental.
Mas como nossos amigos passageiros estão aflitos em vila tão parada, vamos mudar para uma baia vizinha.
Na ancora, eles podem nadar, pescar, passear nas montanhas ao lado.
09:00 Coloquei o Flexboat na água para dar uma olhada no saco Camlik Koyu, que fica a umas 4 milhas daqui.
O mar está picado com ondas de um metro, mesmo aqui dentro deste lago protegido de todos os ventos.
O Bernd, a Sigi e o Wolfgang resolvem ir juntos. Informo: não vai ser agradável.
"Vamos assim mesmo".
Lá saímos nós, pegando primeiro o mar de popa com ondas de um metro, que é muito mais suave.
O Flexboat foi batendo e pulando as ondas.
Chegamos na baia, o local é perfeito, dois ketchs um holandês e um francês estão fundeados.
Ha lugar para mais uns 10 barcos.
O fundo é lama, 3 metros no lugar que escolhi.
Voltamos para o San Marino, agora com o mar de proa e vento na cara.
Cada batida é um banho completo, chegamos encharcados mas eles gostaram e se divertiram.
11:00 Já estamos fundeados na baia, todo o mundo na água.
LOG ENTRY FOR: Monday, May 31, 1999
Não é ainda hoje que vamos.
A previsão é de ventos menores amanhã, sairemos às 5 da manhã, rumo à Çanakkale, na boca do Dardanelos.
Passamos o dia na moleza, curricando com o Avon, com duas linhas, mas nada de peixe.
Valeu o passeio.
19:00 Estou preparando o San Marino para a viagem de amanhã.
Como sempre sigo o "check list".
Ao verificar o nível de água do motor de bombordo, notei traços de óleo misturado à água.
Não é bom sinal.
Peguei os manuais do motor, fui seguindo o caminho do sistema de refrigeração.
Pode ser o trocador de calor (refrigeração do óleo lubrificante).
Preciso desmontar para ver.
Muito desanimado, me reuni com os passageiros.
"temos duas opções: ou seguimos viagem com um só motor, em velocidade normal, deixando o de bombordo só para manobras ou emergência (o motor trabalha bem, mas há risco de danos sérios se funcionar por muito tempo, pois se for o trocador de calor, pode misturar água no óleo) ou vamos para a marina consertar o defeito."
Valeu o bom humor do pessoal, querem ir para a Marina, não desejam viajar com risco.
Informei também que se o defeito for no trocador de calor, é uma das poucas peças que não tenho a bordo, portanto precisamos aguardar uma vinda de Istambul.
Tristes, mas compreendendo a situação, decidimos assim.
É a primeira vez desde que o San Marino foi à água que temos um problema que nos impede de viajar como planejado.
Não podemos reclamar de um pequeno problema, descoberto ainda a tempo de não introduzir riscos ou prejudicar o motor.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 01, 1999
07:07 O dia amanhece calmo e brilhante.
A baia onde estamos é como um lago tranqüilo.
Seria o dia ideal para viajar.
Mas devido ao problema que detectei ontem no motor de bombordo, vamos para a Marina aqui perto.
Já contatamos a marina por rádio, estaremos lá em uma hora ou menos.
8:15 Já estamos atracados, com a proa para NW, junto ao posto de gasolina.
Para manobrar usei os dois motores, só por um pouco.
11:00 Retirei o trocador de calor, vou com ele procurar uma oficina que possa testa-lo.
O ideal é colocar ar comprimido, a 100 PSI e mergulhar o conjunto na água para ver se saem bolhas.
15:00 Estou de volta com o trocador de calor já testado. Está OK, não é por lá o problema.
O técnico local, que parece muito bom, acha que não era óleo na água, mas sim restos formados pelo anticongelante que se coloca no sistema.
Lavei bem o sistema de refrigeração com detergente, enxagüei duas vezes e recarreguei com anticongelante.
Vamos viajar amanhã. Não sendo o problema no trocador de calor, dificilmente é sério.
No fim da viagem controlo outra vez para ver se há óleo na água.
19:00 Estamos atracado junto a uma lancha militar de salvamento turca.
Um marinheiro está sempre de guarda, armado com metralhadora.
O cômico é que ele está lavando o barco com a metralhadora a tiracolo.
Quanto cuidado!
Mas logo em seguida, o Bernd faz amizade com um marinheiro da lancha policial.
Começa a conversar, vem outro, depois o terceiro, chamam o Wolfgang, trazem café para os dois, enfim, grande amizade.
Pouco tempo depois saem os três para dar uma volta junto com o Wolfgang, todos de braço dado.
Deixaram a lancha abandonada, e foram mostrar a marina para o Wolfgang.
Voltaram meia hora depois, colocaram musica alta no som da lancha policial para nós ouvirmos.
A metralhadora sumiu.
Em seguida chegou uma nova troca de guarda, agora com metralhadora outra vez.
Muito loucos estes turcos.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 02, 1999
4:45 Preparando para a partida
5:05 motores ligados
Saímos da marina ainda noite.
O Bernd ajudou a Milena com os cabos, guardou as defensas.
Do Flybridge vejo toda a lagoa iluminada por uma lua difusa.
O céu está nublado, sem buracos.
O radar já mostra o balizamento do canal de saída, a 2 milhas daqui.
Navegamos a 8 nós, vento força 4.
5:15 Já estou vendo claramente as luzes vermelha e verde do balizamento do canal.
É fácil navegar aqui.
5:45 Deixamos o canal em nossa popa, já está claro, a visibilidade e razoável.
6:08 Rumo 297, estamos já navegando o canal Muslim, entre Lesbos norte e a Turquia.
7:50 Alteramos rumo para 266, proa para oeste.
Dentro de 11 milhas estaremos fora deste canal, então rumo norte, para a boca do Dardanelos.
Dois navios em nossa bochecha de bombordo. Mas eles vem muito devagar.
Quando chegar perto, vou ver as bandeiras e quem sabe os nomes.
O mar está liso como espelho dentro do canal. Vamos ver lá fora.
Estão mais próximos. É um rebocador grego, (Kapetain Bitko) rebocando um velho cargueiro todo enferrujado, sem nome, arrastando um cabo provavelmente com uma ancora flutuante pois deve estar sem leme.
Uma grande mesquita à boreste, no continente turco.
A terra é mais verde por aqui, com florestas ralas, mas aquela quantidade de rochas e pedras característica da Grécia, não se vê mais.
9:10 Proa para o norte, rumo 004, estamos a 34 milhas de Kulu Burnu, o cabo de entrada do Dardanelos.
12:10 Estamos negociando um canal estreito entre a ilha Boscaada e o continente.
É uma passagem de 0.3 milhas, marcada por dois faróis bem visíveis.
Atrás de nós vem um cargueiro (Sahraff Aldinn) a uns 10 nós, nos alcançando, está a 0.2 milhas de nós.
Cruza na nossa frente um ferrye.
Mantemos nosso rumo, com atenção, pronto para fazer qualquer correção.
Todo mundo segue a mesma rota, a boca do Dardanelos é a entrada única para o mar negro, Rússia, Geórgia, Armênia, Romênia, Bulgária etc.
Altero um pouco o rumo para boreste para me distanciar do navio que se aproxima muito.
Ele provavelmente não tem muito o que fazer e quer dar uma espiada dentro de nosso barco, quem sabe em busca de garotas de topless.
12:50 a entrada do Dardanelos já se vê claramente no radar.
13:15 Em nossa proa , o memorial de guerra turco, facilmente identificável, (quatro colunas grandes e um teto maciço) marca a entrada dos Dardanelos no norte.
Ao sul, bem em nosso través, uma alta torre de observação.
Estamos entrando no famoso canal.
O dia é belo, mar calmo ventos de NE força 4, um dia ideal para navegar.
Conforme esperado, já temos corrente contraria 2 nós.
Continuamente o Mar Negro despesa água no mediterrâneo, como se fosse um grande rio.
13:35 Estamos a 2 milhas da boca do canal, corrente contraria de 4 nós.
Algum dia na pré-história, abriu-se uma fenda e o que é hoje o mar de Marmara, despencou-se no mar Egeu.
Separou-se assim a Ásia da Europa.
A parte européia do canal é alta e montanhosa, a asiática, baixa e cultivada.
Para os Gregos, aqui é o Helesponto, para os Turcos, Çanakkale Bogazi.
A poucas milhas ao sul estão as ruínas de Tróia, cuja escavação emocionou minha juventude, quando li o famoso livro sobre a vida de Schlieman, suas lutas, derrotas e triunfos.
Mas o arqueólogo Dinamarquês que encontramos em Bodrum, disse que não vale a pena visitar, há muito pouco para um leigo, apenas os buracos e restos deixados pelos arqueólogos, e um horrível cavalo feito a poucos anos para atrair turistas.
13:46 O trafego é grande.
Um navio em sentido contrario cruza bem à nossa popa.
Um rapidíssimo navio de guerra, passa a uns 30 nós.
Navegar em canais estreitos com muitos navios grandes é a principio muito assustador.
Dá impressão que eles não nos vem (e muitas vezes não vem mesmo) e para mudar de rumo, um grande petroleiro precisa de muito tempo.
Eles são em geral rápidos e imensos, assustam mesmo.
Mas com um pouco de costume, acaba-se gostando da coisa, e da lentidão dos movimentos destas enormes massas.
Contei 21 navios num raio de 6 milhas
14:37 Desviamos um pouco da rota de todos, saímos 0.2 milhas para o sul.
A corrente diminuiu para 1 nó.
Para eles que são rápidos, não faz muita diferença, mas para nós é significante.
Alem disto evitamos que eles passem por cima de nós.
Kepez a nosso boreste. O canal começa a estreitar. Volta a corrente contraria de 4.5 nós.
São as águas do Danúbio, do Don, do Dnieper, imensos rios que formam o mar negro.
O mar está cheio de movimentos estranhos, como rodamoinhos. Deve ser difícil para pequenos barcos.
15:21 Çanakkale está a 3.7 milhas, à nossa proa.
Os dois ketchs que estavam ancorados conosco duas noites atrás, também estão se aproximando.
16:30 Já atracados, no píer de um restaurante, onde o proprietário nos ajudou com os cabos.
Era tanta ajuda, que atrapalhou.
Mas apesar do vento (força 5) atracamos com segurança e um pouco de trabalho.
Foi necessário lançar a ancora duas vezes, pois da primeira ficamos um pouco tortos no cais.
20:00 Vou dormir, estou cansado.
Antes fomos ao restaurante onde atracamos e bebemos uns Rakis, junto com mezeles de ostra frita, calamares, não estava bom.
Saímos de lá para comprar uma carta mais detalhada do Dardanelos, e no caminho entramos em uma tende onde sobre um belo tapete três mulheres faziam um pão na chapa com queijo, frango, carne o verduras dentro.
Sentados quase no chão, em banquinhos baixos, com uma mesa redonda de cobre entre nós, provamos todos os tipos, deliciosos, bebendo junto iogurte com água, bebida típica da Turquia.
LOG ENTRY FOR: Thursday, June 03, 1999
6:30 Já estamos navegando outra vez. Continuamos pelo estreito de Dardanelos rumo ao mar de Marmara.
Bem à nossa frente, uma curva de 90 graus, estamos rumo norte, viraremos para leste.
7:47 Continua tudo igual. Navios nos dois sentidos, sempre um pouco mais rápidos que nós, mantenho uma rota afastado dos navios, mais próximo da margem, onde há menos corrente contraria. No momento temos apenas 1 nó contra nós.
Enquanto navegamos, estamos estudando onde vamos ancorar para dormir esta noite.
Estamos preferindo uma baia deserta, onde poderemos nadar em águas claras. Çanakkale tinha o porto muito sujo e poluído.
9:05 Estamos a duas milhas de nova garganta no estreito. No lado europeu fica Galipoli, famosa pelas ferozes batalhas da primeira guerra mundial.
Os turcos derrotaram aqui os aliados, e mais de cem mil mortos, entre soldados da Inglaterra, Nova Zelândia França, Austrália e Turquia estão enterrados aqui.
A extraordinária inteligência do general turco Mustafa Kemal (posteriormente Kemal Ataturk), que introduziu a Turquia no século vinte e no mundo ocidental, foi decisiva, e manteve para os turcos, mesmo após a derrocada do império Otomano, a posse dos canais e da Trácia, a parte européia da Turquia.
Em todos os locais que se vá na Turquia, desde uma pequena loja à casa de qualquer um, encontra-se uma foto de Ataturk, em local de honra. É o verdadeiro e real herói nacional.
9:13 Galipoli no traves de bombordo.
9:38 Deixamos o farol de Zincirbozan Bank a boreste. O mar de Marmara abre-se à nossa frente.
O Dardanelos fica para traz. Foi emocionante deixar o Egeu e entrar no Marmara.
Vamos dormir hoje na ilha de Marmara, que tem este nome pois tudo lá é de mármore, inclusive a ilha.
São ainda 36 milhas de navegação.
13:39 O mar está um espelho ou melhor, um mármore. O mar de Marmara é pequeno, a ilha principal, Marmara está a 4 milhas de nós.
A navegação foi monótona até agora, salvo os golfinhos que voltaram a brincar em nossa esteira.
Um dos navios que nos ultrapassou (mais de uma dezena) trazia na espuma formada em sua proa uns 4 golfinhos que saltavam de prazer na enorme onda espumante.
Pelo telefone a Milena está falando com a Turkey Airlines, tentando reservar um vôo amanhã para nossos passageiros retornarem a Bodrum.
A conexão sai às 10 da noite, no sábado eles voam às 10 da manhã de volta para casa.
15:30 ancorados em uma bela e segura baia, aberta só para ventos de NW.
LOG ENTRY FOR: Friday, June 04, 1999
6:25 Prontos para a ultima perna rumo à Istambul.
Serão 62 milhas náuticas, devermos estar na marina Atakoy, às 3 da tarde.
6:55 Estamos no rumo, 078, o radar já mostra Istambul a 55 milhas daqui e também uma fila muito grande de navios como uma interminável serie de pontos formando uma avenida.
É a primeira vez que vemos um mar inteiro no radar, em todos os seus 360 graus.
São umas 40 por 80 milhas, mais largo no sentido leste oeste.
Na ponta oeste está Galipoli, e o Dardanelos, na leste Istambul e o Bósforo.
Não há ventos, a previsão é de ventos variáveis, pois a frente quente está
á sobre nossas cabeças. Assim, vamos esperar também uma chuva fraca.
Vamos atingir Istambul, o ponto mais a leste de nossa viagem (28 graus, 48 minutos leste).
Neste verão já navegamos 740 milhas desde Creta, de onde saímos dia ha 24 dias.
7:30 Saímos da proteção da ilha de Marmara, há um pouco de mar vindo do sul, nada de especial.
Istambul está bem na entrada do Bósforo.
Por este pequeno canal natural, que permite aos navios do Mar Negro navegarem o mediterrâneo, luta-se barbaramente a 4000 anos.
Por aqui passou Alexandre o Grande, ao derrotar os Persas, mas antes, no período Ionico, os Gregos conquistaram Tróia.
Os Romanos com seus organizados exércitos mantiveram a Ásia Menor sob seu domínio até a queda do império, mas Constantinopla (que também já foi Bizancio e agora é Istambul e para onde foi transferida a sede da igreja de Pedro e Paulo quando os bárbaros invadiram a Itália) só caiu na mão dos otomanos em 1452, fechando o comércio do Oriente para Veneza, e permitindo aos portugueses a grande aventura do caminho das Índias e a descoberta de um novo mundo.
Com o controle do canal, que os turcos bravamente mantiveram mesmo depois do fim do império otomano, fica a Rússia dependendo da boa vontade da Turquia para que sua frota de Sebastopol tenha acesso ao mundo.
Sobram para os Russos Murmansk e Vladivostok, únicos portos abertos todo o ano, sem gelos intransponíveis, daí o grande valor que os russos dão aos submarinos atômicos, capazes de navegar sob o gelo.
Assim, aqui está o San Marino, depois de navegar 14000 milhas, com a proa em direção à talvez a cidade que mais influi no destino do mundo, desde que se conhece historia.
11:05 Tudo continua calmo.
A Milena preparou como sempre um ótimo breakfast durante o qual, como capitão, entreguei certificados aos passageiros, por terem navegado no San Marino 550 milhas de Bodrum a Istambul, estando aptos a desenvolver a função de "marinheiro".
13:00 Mudamos de rumo, agora é 017, estamos com a proa voltada para a Marina Atakoy
A visibilidade não é boa, ainda não se vê Istambul, estamos a 9 milhas do centro da cidade.
Mas pelo Radar vejo claramente o Bósforo e suas pontes.
Conto na tela do radar 55 navios se aproximando ou saindo.
13:07 Os prédios mais altos estão já a vista.
Encontro o alto Holiday Inn, é perto da marina, para lá que vamos.
Já vejo também a torre do aeroporto.
15:30 Estamos já bem atracados.
Foi simples , mas a ligação elétrica tomou uma hora.
Consegui puxar do quadro central 32 ampères, 380 volts, é tudo que precisamos.
A marina é moderna e organizada, está muito cheia, tivemos sorte de achar lugar.
19:30 Depois de uma última refeição a bordo, (atendendo aos pedidos a Milena preparou um espaguete com alho, óleo e prezemolo) mais uma salada grega, bom vinho branco turco (que o Bernd ofereceu) e vodca, nossos amigos estão prontos para partir.
A Sigi se despediu emocionada, o Wolfgang disse que nunca tinha passado férias melhores, o Bernd me deu dois beijos.
É que depois de 15 dias juntos nos tornamos bons amigos.
A Sigi é dura e cumpridora de seus deveres, mas despencou num choro na hora da despedida.
O Wolfgang, grande assaltante de geladeiras e despensas, foi sempre muito prestativo e colaborador.
O Bernd, simpático e brincalhão, como todos os grandalhões é gentil e doce.
Enfim, foram 550 milhas de cruzeiro com eles, um pouco mais de 1000 quilômetros de navegação em termos terrestres.
LOG ENTRY FOR: Saturday, June 05, 1999
Enfim sós.
Muita coisa para arrumar, navegamos 750 milhas desde Creta, quase um mês de mar salvo a semana em Bodrum.
Tenho alguns pequenos consertos para fazer, a Milena recoloca tudo em ordem.
Vamos ficar hoje a bordo para descansar, amanhã começamos a conhecer Istambul.
LOG ENTRY FOR: Sunday, June 06, 1999
A primeira impressão é positiva. A cidade é uma grande loucura, só jovens pelas ruas (do que já estávamos desacostumados)
A Turquia, como o Brasil é um país jovem, 50% da população tem menos de 25 anos.
Sofre, assim como o Brasil, as conseqüências desta situação resultante do grande aumento populacional.
Antigamente as doenças, as guerras e a crueldade humana se encarregava de segurar o desenvolvimento populacional.
Hoje, com os inseticidas, com os desinfetantes, com o progresso da medicina, as mortes diminuíram e somente os países desenvolvidos se deram conta quem não é mais necessário ter tantos filhos.
Há também o outro lado da medalha, que mostra que nos países onde não há seguridade social, os pais colocam mais filhos no mundo como uma segurança para sua velhice.
Mas se vive bem por aqui, apesar da escolaridade baixa como no Brasil, de muitas favelas que por aqui são chamadas de Gecekondus, as quais existem devido há uma antiga lei Otomana que impede que uma casa construída em um dia seja destruída.
Mas também como no Brasil, elas possuem muitas comodidades domésticas e ninguém quer sair de lá.
O povo é 99% islamita, mas as mulheres não usam como regra um lenço a cobrir suas cabeças.
Pesquisa feita pela revista Tempo, concluiu que 36% dos homens e 27% das mulheres acham que os cabelos devem ser cobertos, 53% dos homens e 63% das mulheres acham que isto é uma questão de escolha pessoal e 8% dos homens e 7% das mulheres acham que os cabelos não devem em absoluto serem cobertos.
Mas a Turquia, tal qual o Brasil é um estado secularista, onde a religião não se mistura (oficialmente) com o estado.
Copiamos este bom costume da França, mas é curioso saber, que na Europa, o único estado secularista é o Francês.
LOG ENTRY FOR: Monday, June 07, 1999
10:40 Abriu um pouco o céu, está 4/8, com cumulus, sinal de bom tempo
Estamos dividindo o dia em duas partes, pela manhã fazemos os trabalhos que o San Marino pede, a tarde vamos conhecer Istambul.
Aqui é possível, pois não faz tanto calor à tarde como na Grécia.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 08, 1999
O inspetor da ABS (American Bureau of Shipping) chegou às 10. Fez uma inspeção minuciosissima, necessária para mantermos nossa classificação.
Mas não aceitou a revisão dos extintores de incêndio que fizemos em Bodrum.
A Empresa não é conhecida por eles.
Vamos ter que refazer tudo outra vez.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 09, 1999
Rodamos Istambul, visitamos o parque do palácio do governo, ainda do tempo de Constantino e posteriormente residência de verão de todos os sultões.
Caminhando vimos anuncio do festival de música de Istambul, que está acontecendo agora.
Compramos entrada para a sinfônica de Istambul, é hoje a noite, não se pode perder uma sinfônica, mesmo sem saber a obra que vão executar.
6:30 Prontos para sair, de taxi, fomos até o teatro.
É uma construção moderna sem qualquer encanto, mas confortável e de boa acústica.
A obra executada foi de Kamran Ince, turco, nascido nos Estados Unidos em 1960.
Faço questão de cita-lo pois fiquei impressionado com a qualidade do que ouvimos.
Primeiro um concerto para piano e orquestra, depois uma sinfonia, "A tomada de Constantinopla", e no final uma suite com 8 movimentos.
A suite foi executada juntamente com um conjunto que se reuniu em semicírculo em volta do maestro, com um teclado e duas guitarras sintetizados, um violino um cello e dois saxofones amplificados.
Toda esta eletrônica foi muito sabiamente misturada com os instrumentos acústicos da sinfônica com um resultado emocionante.
O compositor me lembrou Grofé e Tchaicovsky, se tivessem composto em nossos tempos.
Foi uma bela noite.
LOG ENTRY FOR: Thursday, June 10, 1999
10:25 Afinal viram buscar os extintores para nova verificação.
Aproveitei para pedir orçamento para fazerem a vistoria das duas balsas salva-vidas.
O preço é bom, vou fazer aqui, mas na dúvida vou junto, para acompanhar o serviço
18:30 Só agora voltei.
O local onde fazem as inspeções fica a duas horas de auto estrada daqui.
Foi uma viagem interessante, atravessamos a ponte norte do Bósforo, passamos por regiões muito ricas, cheia de fábricas e edifícios modernos.
Almocei na fábrica, junto com os donos, feijão branco, com arroz e iogurte, comida típica turca, muito boa.
Acompanhei toda a revisão, foi feita com cuidado, tudo está em ordem.
Amanhã reviso os salva-vidas, minhas bolsas "abandona barco" e os dessalinisadores manuais que levo dentro delas.
Estaremos assim com todo o nosso equipamento de segurança 100% em ordem.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 16, 1999
Durante toda esta semana estivemos empenhados em conhecer Istambul.
Deixei o diário de bordo de lado, não anotei nada em seqüência como costumo fazer há 5 anos.
Mudar um pouco não faz mal, assim, todos estes dias por aqui serão resumidos hoje.
São inúmeros palácios, mesquitas, museus, uma incrível cisterna subterrânea, nada que não esteja escrito nos livros de turismo.
A culinária local também nos deixou entusiasmado, com seus temperos, cheiros e doces.
Aproveitamos para comprar coisas que só se encontra em cidade grande.
Fizemos a inspeção anual da ABS (American Bureau of Shipping).
Estamos em uma cidade imensa (15 milhões), cheia de vida, com sua parte histórica e sua parte moderna.
A primeira, traz a cada momento lembranças de tudo que por aqui sucedeu, desde 600 antes de Cristo, a conquista Grega, Persa, Romana, quando Constantinopla se tornou a capital do império Romano, sua luta pela sobrevivência, sendo afinal conquistada e destruída pelos cruzados, a sábia retomada de independência e afinal a perda definitiva deste império bizantino em 1453 quando passou para a mão dos turcos que a mantém até hoje.
A história que nós aprendemos na escola está cheia de vícios.
A Turquia é muito diferente daquilo que nós imaginamos.
O país é moderno e pujante, muito diferente da Europa conservadora e estagnada e aceita todas as religiões e credos sem distinção.
Na inquisição espanhola, os árabes e judeus de lá, fugiram para a Turquia.
Mais recentemente, no terror do Nazismo, foi a Turquia o único país europeu a receber todos os judeus que para aqui quiseram vir.
Quanto ao Islamismo, a Milena está lendo o Corão em tradução inglesa (apesar de proibido de ser traduzido) e ela está tendo a impressão de uma religião muito pouco polida, tudo muito levado aos dogmas e regras.
Sei que a partir do Corão, os islamitas sunitas desenvolveram, interpretando as palavras de Maomé, uma interessante e sábia filosofia, a qual os fundamentalistas, somente aceitando o Corão como foi escrito, estão na minha pobre opinião jogando fora.
Meu amigo Rubens Barros, bruxo e Ioga, me explicou que a postura que adotam em suas orações são uma grande ginástica, massageando todos os órgãos mais importantes do corpo.
As regras alimentícias islâmicas são também muito saudáveis, mas ninguém obedece por aqui.
Os Sufis, que são ainda mais suaves e tolerantes que os outros, talvez importando muita coisa da Índia, são ainda mais interessantes.
Falando em tolerância, fomos ensinados que os turcos ao tomarem Constantinopla agiram como bárbaros.
Na verdade, enquanto rolava forte a inquisição na Europa, e na América os espanhóis destruíam uma civilização bela e pacífica, os turcos concederam total liberdade religiosa aos cristãos, que mantiveram suas igrejas e cultos, aos judeus, e a todas as outras religiões que havia por aqui.
Os cruzados, quando tomaram Constantinopla, realizaram a maior pilhagem e barbarismo, com estupro de todas as mulheres, levando para a Inglaterra e França valor quatro vezes maior que o orçamente inglês de um ano.
Não que os turcos fossem muito bonzinhos, gostavam muito de empalar as pessoas. É melhor mudar de assunto.
LOG ENTRY FOR: Thursday, June 17, 1999
7:15 Iniciei os preparativos para viajar novamente.
Tenho que desligar e guardar os cabos elétricos, modificar a amarração para podermos partir sem ajuda de ninguém, preparar as defensas para atracarmos no posto de gasolina onde vamos abastecer.
8:15 Exatamente uma hora de trabalho pesado. Os cabos estão prontos, eletricidade e água desligados e tudo guardado.
9:00 Estamos de costado no posto. Devo pegar uns 8000 litros de diesel.
O preço por aqui é razoável, melhor que na Grécia.
Normalmente abastecemos só uma vez por ano, temos combustível para viajar 2500 milhas.
12:05 Tanques cheios, (aproveitei para descarregar nosso tanque de óleo sujo, 200 litros de óleo usado nos motores) nos últimos dois anos.
Vamos subir o Bósforo.
12:10 Demorou pouco nossa viagem. Estamos atracados novamente.
Logo ao sair, o leme não obedecia meu comando do Fly Bridge.
Manobrando só com os motores, retornei ao cais.
Não era nenhum defeito.
Ao efetuar a Inspeção da ABS, o inspetor quis ver o funcionamento do leme de reserva (que só possui comando no Pilot House) e assim desliguei o leme normal.
12:30 Navegando rumo a boca do Bósforo.
Atravessamos primeiro o local de ancoragem, fazendo um zig-zag entre centenas de navios parados.
Pouco a pouco foram se sucedendo a nosso bombordo, a mesquita azul, Santa Sofia, Topcat, os obeliscos, que cidade encantadora.
Von Humbold, o famoso historiador alemão que tanto estudou o Brasil, disse aqui:
"Como é linda a entrada do Bósforo: Istambul é a segunda cidade mais linda do mudo. A primeira é o Rio de Janeiro."
13:29 Estamos já na outra margem, a asiática.
Deve-se subir o Bósforo obedecendo as regras de transito, os barcos se cruzam bombordo contra bombordo, em termos automobilísticos, subimos pela faixa da direita.
Temos corrente contrária de 3.5 nós, o que diminui muito nosso andamento mais aumenta o prazer turístico.
14:19 Já passamos sob a primeira ponte pênsil. feita pelos alemães, a segunda (japonesa) já está em nossas retinas.
Os palácio vão se sucedendo, lindas casa de madeira do inicio do século, belas mesquitas.
Há muito transito, ferryes, navios, lanchas, que confusão.
15:01 Estamos sob uma linha elétrica de transmissão, um imponente castelo fortaleza está a bombordo. Este é o ponto mais estreito do Bósforo.
A corrente continua variando entre 2 e 5 nós, nunca menos que isto.
15:55 Ferro bem preso, desligo os motores.
Estamos na baia de Poyraz, onde vamos pernoitar.
23:00 Acabamos de voltar, no inflável, da pequena vila de Poyras, na boca do Bósforo, no Mar Negro.
É provavelmente o ponto mais a leste que vamos atingir nesta viagem. Daqui começamos a voltar.
Estamos sentados no jardim de popa, com uma magnifica lua em quarto minguante, que brilha como um leque no Bósforo, bem à nossa frente.
A noite é escura, mas muito estrelada.
Há um ruído surdo e baixo dos motores dos navios que desfilam à nossa frente, vagarosamente em fila, como uma procissão de aço, uns rumo ao mediterrâneo, outros rumo à Rússia, Bulgária, Romênia, agora tão perto agora de nós.
Dá pena voltar.
Queríamos continuar, mas a política e a brutalidade da máfia nos impedem.
Todos nos desaconselham a seguir em frente.
Estamos acostumados com isto, foi assim para vir à Turquia (com seus terroristas anti turistas), foi assim com a Croácia (com a guerra sempre a nos espreitar), mas quando chegávamos perto, todos diziam "pode ir, não há perigo", era apenas a mídia.
Mas aqui não é assim. Estamos vizinhos e todos repetem - não sigam em frente, não há graça nem poesia, é perigoso, os países recém saídos do comunismo estão cheios de ódio e violência.
Não é preciso na vida arriscar demais nem procurar o desagradável.
Vamos voltar.
Temos pela frente 2000 milhas até Gibraltar, lá decidiremos se voltamos ao Brasil ou se seguimos para o Caribe.
LOG ENTRY FOR: Friday, June 18, 1999
7:15 Estamos prontos para iniciar o descida do Bósforo, isto é, rumo sul.
8:04 Já cruzamos o canal, vamos seguindo o tráfico, ajudados por uma forte corrente e deslumbrados com a beleza da margem Européia, onde fica Istambul com toda a sua história.
Viajamos no Flybridge, com a roda do leme na mão.
Geralmente estamos sempre com piloto automático, mas aqui é diferente.
Um imenso navio de passageiros da Cunard Lines, nos segue desde que entramos no canal.
Ele agora nos ultrapassa, os turistas olham quem sabe tentando adivinhar de onde será esta bandeira.
Nossa bandeira é bem conhecida, primeiro foi o Senna que a divulgou, agora todos gritam à nossa passagem : "Ronaldo, Ronaldinho ".
Fortes, casas magnificas, palácios, mesquitas.
10:15 Estamos novamente navegando em um mar, o de Marmara.
Deixo o Fly Bridge, o piloto automático mantém o timão, o radar faz a vigia.
A vida volta ao normal
Fazemos a rota inversa de duas semanas atrás, vamos de novo parar em uma baia na Ilha de Marmara, e dormir por lá.
O mar está liso, sem ondas, ventos força 2 de E.
12:30 Mantemos rumo 255, 7.4 nós, 1600 RPM, o San Marino está pesado.
Nossa chegada a baia de Topagaç, na ilha de Marmara, onde pretendemos dormir, esta prevista para as 19:00.
LOG ENTRY FOR: Saturday, June 19, 1999
6:15 Hora de sair outra vez.
O Meltemi sopra forte em julho, vamos aproveitar junho e sair do Egeu.
6:28 Ferro no alto, deu um bom trabalho.
A corrente veio cheia de uma alga parecida com um fino tecido.
Tive que soltar tudo com as mãos, pouco a pouco.
6:42 Estamos dando a volta pelo sul da ilha de Marmara, o mar por aqui é calmo, ventos força 2 NW, o tempo é bom, vai ser uma bela navegada.
Nosso próximo ponto é Çanakkale, onde vamos fazer o "clearing", isto é, fazer a documentação de saída da Turquia.
7:30 Estamos já com a proa para a entrada do Dardanelos.
O mar continua calmo.
Temos por companheiro um pequeno cargueiro que viaja na mesma velocidade e rumo que nós.
1570 Rpm, 7.9 nós, 58 litros por hora de consumo
10:10 Estamos a 6 milha da entrada do Dardanelos.
A primeira cidade é Galipoli, famosa pela batalha do mesmo nome sangrenta na primeira guerra mundial.
Mas Galipoli é também a terra natal do famoso Piri Reis, imortalizado pelo mapa mundi que ele apresentou ao mundo em 1513.
O interessante sobre o mapa de Piri Reis, é que ele apresenta uma projeção, que mostra os continentes como se fossem vistos de um ponto no espaço, o que levou o autor de "Eram os Deuses Astronautas? " (Erick von Daniken) concluir que o famoso mapa foi derivado de um outro feito por seres extra terrestres.
Mas a vida de Piri Reis mostra que ele era bem terrestre.
Nasceu em 1465, e iniciou sua vida no mar sob o comando de seu primo Kemal Reis, pirata que agia entre as costas da Tunísia e Sicília.
Eles deixaram Galipoli com um pequeno navio, e em pouco tempo comandavam uma potente frota pirata.
Em 1487, esta frota foi utilizada para evacuar os muçulmanos que se retiravam da Espanha.
Depois disto eles atacaram Biscaia, Baleares, Sicília, Sardenha e a costa Francesa.
Em 1495 Kemal foi nomeado comandante da frota naval otomana .
Na guerra Veneza-Turca, em Lepanto , Piri Reis comandava sua própria embarcação.
Junto com Kemal, conquistaram Rhodes (1504) e voltaram a comandar a rota Sicília Tunísia.
Kemal morreu em um naufrágio em 1511.
Piri tomou o seu lugar, lutou na Índia e ordenou uma retirada quando soube que uma poderosa frota portuguesa chegava para defender as possessões lusitanas.
Por este gesto foi condenado à morte e executado.(1554).
Quanto aos mapas, alem de uma coleção de pequenos mapas de portos locais e um preciso Pilot Book, deixou dois mapas mundis, que ele mesmo diz, baseado em uma mapa deixado por Alexandre o Grande, do qual Colombo também tinha conhecimento pois o mostrou aos reis de Espanha, ao convence-los da empresa a ser tentada.
Mas pelos próprios mapas de Reis, se vê que já se sabia da América como era ela, o que torna absurda a posição de Colombo mantendo e jurando até sua morte que a América eram as Índias, posição somente explicada ao se imaginar que Colombo não era nada mais que um espião a serviço da corte portuguesa, com o intuito de levar os espanhóis a um caminho errado para as índias, não competindo assim com a rota portuguesa via cabo da boa esperança, fonte de toda a riqueza que Portugal conquistou, fruto da queda de Constantinopla e portanto fim do comércio Genoves-Veneziano, agora nas mão portuguesas.
10:47 Estamos cruzando a "avenida" por onde passam todos os navios.
Entramos entre dois cargueiros, que vão para Istambul e entre um pequeno que vai para o mediterrâneo]
11:20 A corrente nos ajuda, 1 nó a favor.
Baixei a velocidade, 1500 RPM, 7.7 nós, vamos aproveita-la.
Com isto economizamos 10 litros por hora.
11:57 Banco de Zinzirbodan em nosso través de bombordo: estamos entrando no estreito de Dardanelos. Galipoli à nossa Proa, 2,60 milhas.
13:36 O Dardanelos segue calmo e tranqüilo. Muitos navios no sentido oposto, nenhum no nosso.
O radar mostra chuva vindo de Este
14:15 Estamos nos aproximando de Çanakkale, a entrada será difícil, há muitas bóias e faróis e o porto é pequeno e raso.
Queremos ancorar, mas só será possível se o único local seguro estiver vazio.
15:20 Ancorados, com muita precisão, medindo cada centímetro com o radar.
Profundidade em volta 2 .20 metros.
Calado do San Marino: 1.80 m
LOG ENTRY FOR: Sunday, June 20, 1999
5:00 ferro levantado, saímos para a ilha de Limnos, Grécia.
5:15 Atravessando o canal, vem um navio rumo ao mediterrâneo, cruzamos na frente.
Out5so dois dirigem-se ao mar de Marmara, mas está clareando, dá para ver bem o que se passa.
Este é o ponto mais estreito do Dardanelos, é preciso cuidado, pois um ferry também cruza à nossa frente
5:33 estamos já no rumo, 230, 1500 rpm, 7.6 nós mais 3 nós de corrente a favor. Como se corre por aqui!
6:24 O monumento aos mortos turcos de Galipoli está em nosso través de boreste.
Estamos deixando a Turquia, é nossa ultima vista de terra turca.
Limnos está a 40 milhas, rumo 247, que acabamos de pegar.
10:34 Estamos na ponta sul de Limnos.
O mar continua bom, ondas de W, 0.5 metros, decidimos continuar até as Sporades, aproveitar para cruzar o Egeu, tantas vezes tão difícil, hoje leão manso.
Deveremos chegar por vota das 9 da noite sem ajuda da corrente, mas até agora temos tido corrente favorável da ordem de 1.5 nós, por isto podemos nos dar este luxo.
A Milena é quem faz as rotas, escolhe o trajeto, decida para onde vamos.
Ela maneja os guias turísticos, os Pilot Book e as cartas de grande escala, bem como a previsão do tempo.
É importante fazer uma determinada rota em época correta.
Por isto está na hora de sair do Egeu, pois começa a soprar o Meltemi (Vento de norte) que se mantém força 7 ou 8 todo o verão arruinando as férias de quem vem para cá nesta época.
É a Milena que calcula os tempos de viagem e as distancias.
Ela tem se mostrado muito eficiente, pois viajamos sempre com mar calmo e tempo bom.
Eu faço o trajeto detalhado nas cartas de menor escala, os cálculos matemáticos de latitudes e longitudes, determino os "wayponts"e transfiro tudo para o GPS.
Trabalhamos em conjunto com um resultado excelente
11:22 Bandeira grega no mastro, estamos em águas gregas ha mais de 3 horas.
16:02 Começamos a avistar Piperi, na bochecha de bombordo.
O contorno de Youra também se nota na bochecha de boreste.
Estamos at6errando no ponto exato, depois de uma longa navegação ser ver terra no horizonte de 360 graus por 7 horas.
O mar esteve calmo e eu dormi quatro horas enquanto a Milena ficou de guarda.
Escolhemos uma pequena baia para pernoitar, vamos chegar lá por volta das 8 da noite, ainda claro, pois estamos no dia 20, amanhã será o dia mais longo do ano.
Viajamos todo o tempo com um mínimo de um nó de corrente favorável.
16:37 Temos agora mar de oeste com ondas l9ongas de um metro ocasionalmente um metro e meio. São as ilhas que desviam e aumentam o mar neste local.
Logo estará liso, entraremos na "sombra " de Youra.
O balanço é regular e agradável, nunca mais de 5 graus.
O sol entra forte pela proa, nosso rumo é SW, faz muito calor.
Fico fora, com o vento frio e algum spray do mar na cara, que bom é navegar.
17:01 Estamos no waypoint 27, ilhas Sporades.
Mudamos para rumo 213, vamos até Peristera, onde vamos dar a volta pelo sul e ancorar na baia de Vasiliki
20:05 Ancorados, em 20 metros de fundo, grama e areia
Não sei se o ferro pegou bem e não vou testar.
Se não pegou ele corre e tenho que jogar de novo, já é quase noite.
Deixando assim ele pouco a pouco vai afundando com o movimento do barco e acabo pegando.
Não há perigo, não há previsão de ventos fortes.
LOG ENTRY FOR: Monday, June 21, 1999
08:45 Vamos continuar navegando hoje.
Chove, mas nestas condições o mar fica muito liso, a frente fria virou frente quente e está estacionada sobre nossas cabeças.
Vamos até Skiathos, aqui não podemos fazer nossa documentação de entrada na Grécia, não queremos ficas ilegais.
9:00 O ferros subiu sem problemas, estamos navegando.
A baia é muito linda, água azul claríssima, dava para ver a ancora no fundo, a 20 metros, sem sol.
1500 Rpm, 8 nós, 55 litros por hora
1010 mb de pressão, 78% de umidade é a frente por aqui.
13:00 Ferro no fundo, estamos em frente à cidade.
O local é muito belo estamos dentro de uma pequena baia.
Mas como é fundo, entrei dentro e lancei o ferro em 12 metros.
Estou muito perto da terra, vamos ver se dá para ficar.
Vou observar um pouco, depois vou à capitania, policia, alfândega etc., preparar a papelada par entrar na Grécia.
13:30 Mudamos de local.
Entrou a previsão do tempo, ventos fortes de NW são aguardados esta noite ou amanhã cedo.
Onde estávamos seria perigoso.
Estamos agora na parte oeste da baia, um forte NW nos joga para fora, sem perigo.
Quanto à documentação hoje ele estão ocupados, volto amanhã.
22:00 O vento entrou forte, o ferro correu uns 20 metros e parece que agora pegou bem.
Vou dormir no Pilot House, na cama que usamos para dormir quando navegamos a noite, só por segurança.
Coloco o despertador para tocar a cada meia hora, dou uma olhada e volto a dormir.
Se o ferro correr, dá tempo de tomar providencias.LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 22, 19998:30 Fui à alfândega, como tinha combinado ontem com a capitania, fazer a documentação de entrada.Encontrei uma senhora gorda e simpática, que entendeu mal o que combinei na capitania (estaria entre 8:30 e 9:00 lá) e foi ao nosso barco.
A confusão foi ainda maior pois ela foi a outro barco, acordou o capitão, que disse ser um engano.
Nos encontramos no pequeno escritório da alfândega, que estava fechado, esperei no corredor.
Feita toda a documentação (log) policia (controle de passaportes), e capitania, estamos legalmente na Grécia.
13:00 A previsão é de ventos fortes nos próximos três dias.
O fundo aqui é de lama mole, a CQR (ancora tipo arado) que usamos geralmente, não é boa para este fundo.
Troquei de ancora, joguei nossa ancora de tempestade, a Fortress 125.
Desde que saímos navegando, por toda a costa brasileira, atlântico, canárias, Espanha, França, só usei a ancora de tempestade uma vez, em La Spezia, num grande vendaval.
A tinha guardado no porão, desmontada.
Desde que chegamos à Grécia, já usamos umas 10 vezes, estou mantendo a ancora montada e presa a uma das correntes, pronta para uso.
Vento forte por aqui é coisa que não falta.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 23, 1999
Skiathos é talvez a ilha que mais gostamos em toda a Grécia.
É pequena, muito charmosa, de águas limpas e muito verde nas matas.
A população ainda é muito gentil, não foram poluídos pelos turistas mal educados e muitas vezes agressivos, que vem em bandos da Europa central.
O pequeno porto é calmo, mas há grande movimento de ferries e os aviões (jatinhos ou charters) passam umas 4 vezes por dia sobre nossas cabeças.
O Aeroporto fica bem no fim da baia.
A ruelas estreitas e sinuosas, ladeadas por casas caiadas quase sempre de dois pisos, trazem aquele charme típico de ilha grega.
Devemos ficar ainda uns 2 dias por aqui, os ventos vão continuar fortes, agora está força 7, NW.
20:30 Esta anoitecendo, os ventos estão fortes, força 7, esta noite vai ser pesada.
Estamos bem ancorados, dois cabos de nylon de 22 mm, presos na corrente da ancora e depois aos cunhos de proa.
O cabo de nylon é elástico, portanto amortece os choque e a carga na ancora fica menor.
A previsão para esta noite é vento força 8, começam a chegar os avisos de tempestade.
Aqui no Egeu, os navios e os ferryes param com vento força 8 tão violento fica o mar.
Aqui, na boca desta baia, já ancorou um navio cargueiro bem grande.
Vamos ver quanto tempo ele fica por aqui esperando o mar melhorar.
LOG ENTRY FOR: Thursday, June 24, 1999
Como prevíamos, a noite anterior foi pesada.
"Dormi" no pilot house, mudei os cabos da ancora à noite, o vento parecia que ia me levar junto.
Ainda bem que carrego bons 85 quilos, não é qualquer vento que me faz levantar vôo.
Os cabos estavam roçando num ponto do verdugo, poderiam começar a desgastar-se, mudei de local.
13:00 O vento continua o dia todo, a previsão é manter-se assim por uns 3 dias.
Estamos no paralelo 40, 40 graus norte, os famosos "roaring forties", que tanto no hemisfério norte como no sul, são o limite entre mares equatoriais gentis e mares terríveis.
17:00 Vem a guarda costeira nos pedir para mudar de local.
Um grande navio vem para cá esta noite, precisa de espaço.
Outra vez a trabalheira, mudo para mais perto da terra, não há outro local.
Aqui é arriscado, caso o vento mude, tocarmos o fundo, pois a margem é rasa.
Mas o vento vai ficar assim, infelizmente.
21:00 Força 7, a noite vai continuar dura.
LOG ENTRY FOR: Thursday, June 24, 1999
Como tínhamos previsto, a noite anterior foi pesada.
"Dormi" no pilot house, mudei os cabos da ancora à noite, o vento parecia que ia me levar junto.
Ainda bem que carrego bons 85 quilos, não é qualquer vento que me faz levantar vôo.
Os cabos estavam roçando num ponto do verdugo, poderiam começar a desgastar-se, mudei de local.
13:00 O vento continua o dia todo, a previsão é manter-se assim por uns 3 dias.
Estamos no paralelo 40, 40 graus norte, os famosos "roaring forties", que tanto no hemisfério norte como no sul, são o limite entre mares equatoriais gentis e mares terríveis.
17:00 Vem a guarda costeira nos pedir para mudar de local.
Um grande navio vem para cá esta noite, precisa de espaço.
Outra vez a trabalheira, mudo para mais perto da terra, não há outro local.
Aqui é arriscado, caso o vento mude, tocarmos o fundo, pois a margem é rasa.
Mas o vento vai ficar assim, infelizmente.
21:00 Força 7, a noite vai continuar dura.
LOG ENTRY FOR: Sunday, June 27, 1999
4:45 Estamos navegando no escuro, saindo da baia de Skiatos, da ilha de mesmo nome.
Destino: Kalkis, uma cidade que fica entre Evia e o Continente.
Há uma passagem de 30 metros de largura com uma ponte que se abre apenas uma vez por dia, (ou por noite, pois só abre de madrugada)
Ontem fizemos todas as formalidades de partida, um grande almoço de despedida.
O farol da ilha que fica no meio da baia, é forte e claro.
Não há problemas de orientação.
A cidade fica para traz, e também seus ruídos noturnos, como a distante discoteca que preenche todo o silencio da noite.
5:45 Cabo Kalamaki no traves de boreste, alteramos rumo para 248.
6:47 Já estamos navegando no estreito de Dhiavolos, onde poderia ter mar pesado caso o norte soprasse forte.
Mas está manso e calmo.
Foi aqui que Xerxes perdeu sua frota, na guerra Grego-Persa, os navios afundaram devido ao mau tempo.
9:58 Cabo Vasilina a bombordo. Vale anotar o nome cômico.
10:22 Estamos atravessando um estreito canal entre a ilha Likades e o cabo Likades.
Há apenas uma passagem estreita, com 5 metros de profundidade.
Escolhi passar por aqui para encurtar em umas 5 milhas nossa viagem.
Mas dá um bom arrepio saber que poderemos encalhar a qualquer instante!
13:42 Cabo Stalamata, no meio do golfo de Evoia.
Estamos navegando entre Evia, uma das maiores ilhas da Grécia (e muito próxima do continente) e as famosas Termópilas, passo onde as tropas Gregas derrotarem definitivamente Xerxes.
16:15 Ancoramos no meio do canal. Não estamos atrapalhando ninguém, pois a ponte está fechada.
Quando chegamos procuramos um local para atracar mas está tudo tomado.
A cidade é dividida em duas, uma parte de cada lado do canal, e a ponte móvel liga as duas.
Joguei o ferro, desci o inflável e levei Milena para terra. Ela foi à capitania fazer a papelada, pagar os direitos para atravessar a ponte e ver o sistema e horário.
Fico no barco, é perigoso deixa-lo só, há uma corrente de 5 nós aqui neste canal, que pode girar de uma momento para outro.
17:00 A Milena está de volta. Trouxe diversas novidades.
1 - Não podemos ficar ancorados aqui, temos que nos mudar para o outro lado do canal;
2 - A ponte abre às 2:30 da manhã, mais ou menos. É preciso ficar alerta desde as duas;
3 - Há um restaurante com cara ótima na cidade.
Mudamos para o outro lado.
Para poder deixar o San Marino só sem preocupações, lançamos um ferro à popa e outro a proa, deixando o barco alinhado com a corrente.
Se ela gira, a corrente de popa segura e não deixa o casco girar.
21:00 Que restaurante, (Restaurante Delfinia) talvez o melhor peixe que já comemos na Grécia.
Iniciamos com polvo na grelha e com molho de óleo e limão, como só eles sabem fazer.
Em seguida calamares fritos, passados na farinha, mas inteiros, não cortados em rodelas.
Depois camarões grandes fritos, bons como os do Brasil.
Para terminar Lagostins grandes e doces.
Tudo cozido à perfeição e acompanhado de um belo Strofiliá, nosso vinho branco preferido, na Grécia. Café e Metaxa, estamos nos despedido da Grécia.
Aqui é fim da baia, e como sempre a lama que se forma em águas quase paradas, produz peixes e crustáceos de qualidade incrível.
Só vimos que tinham ostras no fim, já era tarde.
Vamos direto dormir, amanhã as 2 abre a ponte, e queremos continuar na direção do canal de Corinto, aproveitar o mar calmo e poucos ventos.
LOG ENTRY FOR: Monday, June 28, 1999
2:30 Prontos para atravessar a ponte. Já fomos chamados pelo radio, nos pediram par ficar Stand By.
Recolhemos a ancora de popa, a Milena no guincho de popa, eu no de proa. Estamos prontos.
Vamos ver como é a operação, acho que primeiro passam os navios.
Esta ponte, que se abre em dois e se retrai sob as ruas dos dois lados, foi a base do desenvolvimento de Kalkhis.
Em 411 antes de Cristo já havia uma ponte de madeira, fixa.
Justiniano substituiu a ponte fixa por uma movel de madeira, marcando a presença romana.
Com as cruzadas, Evia em 1204 caiu nas mão dos Vezianos que a chamaram de Negroponte, devido à cor da ponte que aqui encontraram.
Em 1470 os turcos tomaram outra vez a ilha e quando os gregos a retomaram na guerra pela independencia em 1856, encontraram uma ponte turca móvel, de madeira.
Em 1896 uma companhia belga construiu uma ponte móvel de aço, que em 1962 foi substituida pela atual, grega.
3:03 Estamos atravessando o estreito canal. Fomos os primeiros a ser chamados, não sei porque.
Puxamos uma longa fila.
A corrente é forte no canal, talvez uns 5 nós, mesmo com a ponte abrindo no momento que a maré está mais baixa.
Bem na boca ha uma baía tão fechada como um lago.
Mudamos de idéia. Pretendíamos depois da ponte prosseguir, mas apesar da lua, está difícil reconhecer os pequenos canais no escuro.
Decidimos dormir novamente.
Largamos o ferro, e colocamos o despertador para as 5:20, saímos ao clarear.
4:50 Levantamos ferro outra vez.
Saímos pelo lago e passamos embaixo da ponte pênsil, nova e alta 30 metros.
Ha duas bóias de luz verde e uma vermelha guiando a saída.
Em seguida um outro lago com 3 milhas, com um canal central indicado por uma bóia de luz e um farol ao sul, para ser deixado a boreste.
Ha um estaleiro, uma fabrica de cimento e um cemitério de navios.
5:11 Livres do terceiro canal.
Foi bom não termos feito à noite.
O local é cheio de baixios, poucas bóias de luz, algumas bem longe do mar, para dentro.
Poderíamos ter encalhado pela primeira vez.
10:29 Estamos dormindo alternadamente, uma hora cada um, para recuperar a noite mal dormida.
Saindo do terceiro canal, abriu-se um mar calmo e tranqüilo, onde estamos navegando até agora.
O dia está claro, belo, mas muito calor.
A boreste a baia de Maratona, onde fica a famosa cidade.
13:44 Cabo Sounion a boreste, a 1/4 de milha.
Dá para ver com detalhes o templo a Poseidon ou Netuno, o Deus dos mares.
Passamos por lá em 12 de setembro do ano passado, quando enfiamos nossa proa no mar Egeu.
Era a última visão que os navegantes Gregos tinham de sua amada terra quando saiam a navegar pelo Egeu.
Está mais bem conservado que o Partenon em Atenas.
15:37 O dia prossegue suave, quente e sem novidades.
Estamos no rumo 246, proa para Poros, ilha onde estivemos no ano passado, uma das que mais gostamos na Grécia.
Foi lá que deixamos o Baleche e a Leda, lá recebemos o Milton e a Jeane, amigos do Brasil que vieram nos visitar.
Estamos com saudades de todos, Poros vai servir como lenitivo.
Já vemos os contornos distantes de Poros, com uma nuvem baixa envolvendo seu pico mais alto.
16:00 Soa o alarme do radar. Estamos em rota de colisão com um - submarino!.
Dá para ver sua pequena torre fora dágua e a espuma na sua proa. Ele está viajando semi submerso.
De Poros estamos a 30 milhas do canal de Corinto, nossa passagem para o mar Ionio, via golfo de Corinto e Golfo de Patras.
20:00 Fomos jantar no nosso restaurante preferido, a taverna Oásis, onde se come magnificamente tudo, inclusive a pizza.
LOG ENTRY FOR: Tuesday, June 29, 1999
10:25 Deixamos a barra do porto de Poros, estamos com a proa a 003 graus, rumo a Egina.
De lá giramos para o oeste, rumo ao Canal de Corinto
Nossa previsão é chegar ao canal às 15:00
Foi muito interessante nossa volta a Poros.
Depois de 5 anos (desde que deixamos Angra dos Reis), é a primeira vez que entramos em um porto conhecido.
As centenas de portos e ancoradouros que temos ficado, sempre foram novidade, sempre a mesma apreensão de saber como será a entrada, a barra, a profundidade, onde se está mais protegido dos ventos ou das ondas. ou detalhes que não estão nas cartas ou nos Pilot Books.
Acostumamos a avaliar num olhar onde seria o melhor ponto para ancorar ou atracar, muitas vezes com erros.
Ontem foi diferente.
Já entramos sabendo como era a baía, onde jogar o ferro, que o fundo é de lama e de boa pega, etc.
Muito tranqüilo.
11:31 Ilha Mni, na ponta oeste de Egina
11:56 Cidade de Egina a boreste.
Mudamos o rumo para 291.
14:48 Estamos atracados de costado na boca do canal.
Mais uma vez a Milena é elogiada pelo trabalho nos cabos.
O pessoal não está acostumado a ver uma mulher fazer isto em barcos grandes.
O canal só vai abrir para nós às 18:00
15:25 A Milena voltou do escritório, pagou a taxa para atravessar o canal.
40 graus à sombra.
17:20 Nos chamaram pelo rádio, em 10 minutos temos que estar prontos e iniciar o percurso de 3.5 milhas neste fosso com paredes de 75 metros de altura, 30 de largura, cuja construção foi iniciada por Nero.
A corrente deve ser contraria, de uns 2 nós pois o vento sopra de oeste.
A passagem do canal demorou exatos 30 minutos.
Fomos na frente da fila, é melhor, porque os hélices dos navios remexem a água e tornam difícil conduzir num trecho estreito como este.
Navegamos a 6.5 nós.
Na saída, fomos direto ao porto de Corinto.
18:30 Estamos atracados em Corinto, de costado, no porto comercial.
Como sempre a Milena foi à capitania, eu estou no barco acabando a amarração para passar a noite.
LOG ENTRY FOR: Wednesday, June 30, 1999
6:30 Deixamos Corinto, rumo 303, próximo porto Mesolonguion, chegada prevista 17 horas.
11:28 O mar está um espelho.
Estamos deixando a parte ampla do golfo de Corinto, entrando no canal que o liga ao Golfo de Patras.
Não há vento, paradeira total.
Tudo aquilo que os veleiros detestam e nós adoramos.
13:56 Estamos cruzando o estreito de Andirrion, local onde os europeus derrotaram os turcos, lutando pela rica rota comercial do oriente.
Enquanto isto os portugueses descobriam a rota do cabo da boa esperança e mudavam o mundo.
Lepanto, em nossa aleta de boreste.
16:13 Estamos a 3 milhas da boca do canal.
Mais um canal a cumprir.
Este, não tem margens, fica dentro de um grande alagado, muito raso (nunca mais de meio metro)
É dragado, na profundidade de 5 metros, tem 70 metros de largura e é marcado por bóias luminosas.
É fácil entrar, o difícil é localizar as duas primeiras bóias, que marcam o começo.
Mas nosso radar é preciso e mostra com detalhe bóia por bóia.
17:05 Ferro bem preso, estamos fundeados no meio da baia.
Quatro veleiros e um Trawler inglês, que já encontramos outras vezes pela Grécia estão também fundeados.
LOG ENTRY FOR: Thursday, July 01, 19999:01 Deixamos as bóias que marcam a saída do canal. Proa para Zakhintos, a 43 milhas daqui.
Deveremos chegar lá às 14:00
Será nossa última ilha grega, lá vamos fazer o "clearing" e rumamos para o canal de Messina, Itália.
Foi a única ilha do Ionio que não conhecemos, dizem que é uma das mais belas.
O mar está calmo, a previsão é de ondas de 1 metro, de NW.
O vento está força 1, a previsão é força 4-5
À noite e pela manhã, o NW pára, e temos condições magnificas para viajar.
Nossos amigos com veleiro entretanto, esperam o meio dia, quando começa o vento.
Melhor para eles que podem acordar mais tarde!
Na baia onde estávamos, haviam dois trawlers e 5 veleiros.
Os trawlers saíram, os veleiros estão lá.
12:00 Deixamos o golfo de Patras, estamos navegando no Mar Ionio
Ondas de W, 1 metro, nos fazem rolar um pouco.
Nosso rumo é 221, ventos força 4, NW
13:00 Os contornos escuros de Zakhintos já podem ser vistos.
Estamos a 6 milhas da ilha.
13:11 Pelo rádio escutamos um pedido de socorro. Mas é em grego, não entendemos nada.
O pouco que veio em inglês também foi incompreensível.
Mas deve ser a umas 10 milhas de onde estamos, o sinal do rádio é fraco.
Vamos ficar na escuta para ver se conseguimos entender algo.
2:25 Estamos atracados, de popa, com o ferro jogado no meio do porto.
A posição é ótima, poderemos ficar a vida aqui.
Mas há um compressor e uma britadeira perto de nós. Será que volta a funcionar hoje?
Vamos preparar aqui o San Marino para cruzar o Ionio.
Serão umas 260 milhas, isto é 35 horas de viagem.
Como sempre vamos aguardar tempo bom, pois este mar é caracterizado por ventos constantes de NW nesta época, que formam constantes vagas vindas desta direção.
Enquanto esperamos, vamos curtindo Zachintos.