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     O PELOPONESO

 Navplion - Spetsai - Hidra - Poros - Um Veleiro Brasileiro - Aegina - Lavrion - Sounion

 LOG ENTRY FOR: Friday, August 14, 1998

Atenas é uma grata surpresa.

Quando aqui estivemos, há uns 10 anos, fóra as maravilhas da antiga civilização grega, Atenas nos pareceu como mais uma grande cidade, com o progresso matando tudo que de bom havia, substituindo a alma pelo conforto e a praticidade.

A Atenas que descobrimos agora é mais humana, calma, limpa e alegre.

É nesta Atenas que vamos receber o Antônio Baleche e sua mulher Leda, amigos de 30 anos.

Esperamos que eles também a apreciem.

9:30 Acabamos nosso café da manhã. O Baleche, vai com a Milena ao aeroporto buscar a Leda que chega da Turquia. Espero que a fila hoje seja menor.

Ontem, quando fomos buscar o Baleche, tivemos que esperar horas, tantos os turistas que chegavam.

Um giro com eles pela cidade, decidimos partir direto para o mar.

Eles não tem tempo a perder!

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, August 15, 1998

8:30 Motores ligados, vamos largar amarras, rumo ao sul, Peloponeso.

8:55 Rumo 187° , 1500 rpm, 8.4 nós. Tempo bom, 65% de umidade, 1013 Mb subindo, céu sem nuvens, 28 graus.

Estão a bordo o Baleche e a Leda.

A saída foi um pouco demorada devido às autoridades que quiseram toda a papelada outra vez inclusive "crew list". Foram porém muito gentis.

10:05 Ilha de Aiyina no través de boreste

11:49 Ilha de Poros a nosso boreste

12:16 Ilha de Hidra a nossa proa. Mudamos para rumo 234° , seguimos pelo canal.

12:20 A Leda não está muito bem (inicio de enjôo), decidimos alterar nossos planos, vamos ancorar em Cheliu, perto da Ilha de Spetses. É uma baia calma onde ela poderá nadar e descansar.

14:22 Spetses a 4 milhas à nossa proa. Começa a ventar um pouco, NE força 4. Até agora o mar esteve calmo e sem ventos.

Estamos na famosa baia dos Argonautas, Arkolikos, o berço dos navegadores, terra de Netuno.

15:30 Ancorados, descemos o Avon e com nosso pequeno Johnson 4 H.P., vamos para a cidade.

Cheliu é uma cidade feia mas simpática, com muito movimento, pois daqui saem ferryes para muitos locais.

Jantamos em um restaurante italiano, não esperávamos muito, mas comemos muito bem.

A baía está cheia de iates, de todos os tamanhos, e tivemos que mudar de local, pois os ferryes faziam muita marola, no local onde estávamos.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, August 16, 1998

11:25 Motores ligados, vamos levantar ferro e navegar até Navplion, a 2.30 horas daqui, rumo NE.

12:07 Cabo Korakas no través de boreste

O mar está liso, vento força 1 NE, 28 graus, 1018 Mb, 75 % de umidade.

Viajamos a 8.5 nós, a 1500 rpm e rumo 314° .

A Milena, sempre com seus guias de viagem alemães, explica a historia da cidade.

Navplion, é a terra de Palimedes, o mais famoso inventor da antigüidade.

Ele foi (segundo Homero) traído por Ulisses, que invejoso de sua inteligência ao arquitetar um ataque a Tróia, o denunciou como traidor colocando em sua tenda a prova do crime.

Ele foi sumariamente julgado e executado injustamente.

É um triste capítulo da Ilíada, mas mostra a grandeza dos Deuses (e semi deuses)

da Mitologia, que tinham os mesmos sentimentos vis de nós humanos.

12:55 Ilha Efira no través de bombordo

13:50 Ilha Tolo em nossa bochecha de boreste

14:05 Decidimos parar no canal entre a ilha de Tolo e o continente. Um lindo pedaço para nadar e cozinhar.

16:00 Ferro levantado, continuamos a viagem

17:20 Estamos atracados no cais de Navplion, uma importante pequena cidade grega que já foi capital da Grécia.

Não foi fácil a operação.

Havia um bom vento e quando nos aproximamos de popa para o cais, não havia ninguém para pegar os cabos.

O Baleche pulou como um gato para terra levando um cabo com laço já feito, mas que não cabia no cunho, que era grande demais.

Acabou improvisando, deu um jeito, e atracamos.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, August 17, 1998

Continuamos em Navplion.

O porto é seguro, estamos bem no meio da cidade, mas à noite cheira mal.

Descobri que a causa é a chegada dos Flying Dolphins que calam muito e remexem com seus poderosos hélices o fundo lamacento, levantando o mau cheiro de séculos.

A fortaleza Veneziana, Palamides, 857 degraus acima, é impressionante e bem conservada, vale a visita.

Fiquei no San Marino, curtindo a paz do local. A Milena, o Baleche e a Leda saíram a pé, a passeio, que não demorou muito. Foram derrotados pelo calor.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 18, 1998

11:00 Continuamos em Navplion. O Baleche e a Leda saíram para conhecer a cidade

13:30 Desatracamos apesar do forte vento de través.

13:45 Rumo 153° , voltamos à ilha de Tolo.

Vento mais calmo hoje, foça 4, SW.

14:38 ancorados na ilha de Tolo a 40 metros de profundidade.

16:00 Depois de uma boa nadada e relaxada nas águas azuis em volta de Tolo, partimos para dormir na baia de Drepaniu, onde deveremos chegar às 16:30

17:00 Ferro no fundo, estamos em Drepaniu. O fundo diz a carta é de boa pega mas foi preciso três tentativa para agarrar bem

21:00 De Avon, fomos à terra jantar e tomar uns ouzos. O local é simples mas tranqüilo, sem turistas. Será uma noite calma e bela.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 19, 1998

10:00 Enquanto a Milena e a Leda preparam o café dou uma olhada nas cartas pois vamos para a ilha de Spetsai, que dizem muito bela e agradável. Pretendemos ficar uns dias por lá.

11:26 Estamos no rumo 145° , para Spetsai, 1500 rpm, 8.2 nós. O vento está mais forte, força 4-5, N. Tempo bom, 31° C, 1015 de pressão e 55% de umidade.

Serão 22 milhas de navegação, umas 2 horas e meia.

11:56 Rumo 159° , proa para norte de Spetsai

 

12:16 Provei novamente os motores à máxima RPM: 1960, 10.4 nós, 52 litros por hora por motor, 10 litros por milha. Este hélice novo é realmente menos eficiente que a outra.

1900 rpm, 10.2 nós, 46 litros por hora, 9 litros por milha

1800 rpm, 9.6 nós, 40 litros por hora, 8.3 litros por milha

1700 rpm, 9.3 nós, 34 litros por hora, por motor, 7.3 litros por milha

1600 rpm, 9.0 nós, 30 litros por hora, 6.6 lpm

1500 rpm, 8.5 nós, 25 litros por hora, 5.88 lmp

1400 rpm, 8.2 nós, 23 litros por hora 5.6 lmp

1300 rpm, 7.8 nós, 20 litros por hora, 5.12

1200 rpm, 7.4 nós, 17 litros por hora.

15:15 Atracados com o ferro à proa e cabo a terra bem ao lado de um navio.

Estamos com a proa para NW o vento mais perigoso daqui.

23:00 Voltamos do jantar na cidade, uma vila bela porem coalhada de turistas na maioria gregos. Vale a pena visitar e ficar uns dias por lá.

Não ha carros na ilha, os taxis são ou charretes (românticas e agradáveis) ou lanchas (vermelhas e horríveis) que andam a alta velocidade fazendo marola para tudo e todos, como loucos.

Na volta, o navio que esta a nosso lado, estava simplesmente sobre nós, forçando o San Marino sobre suas amarras.

Corri a afrouxar a corrente de ancora e mudei sua fixação usando uma cabo, para o cunho da bochecha de proa de boreste, deslocando assim o San Marino uns três metros. Afrouxei o cabo de popa de bombordo e assim pudemos passar a noite não sem antes colocar nossas imensas defensas redondas entre nós e o bruto, que é preto, sujo e segundo a Milena, cheira mal.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, August 20, 1998

10:00 Amanhecemos com o navio mais afastado, o vento voltou a ser o que era ontem.

Estamos em duvida se ficamos por aqui ou não, mas a Leda e o Baleche vão embora no sábado e daqui ha muita facilidade em atingir Atenas. Vamos ver o que eles decidem.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, August 21, 1998

12:30 Deixamos Spetsai, . Foi um pouco trabalhoso subir a ancora de popa e soltar as amarras longe na terra, mais tudo funcionou como um relógio e saímos bem apesar do vento de través.

Estamos navegando para Poros, retornando a Atenas. Rumo 069° , 8.4 Mn, 1500 rpm,.

Mar calmo, vento força 4 de SE, dia belo e 28° C às 12:30 o que é um belo frio para esta época.

13:39 rumo 068° , proa para Hidra, vamos apenas dar uma olhada, sabemos que é um inferno o transito de barcos e turistas.

Estivemos lá uns 12 anos atras, como turistas normais. Queremos rever a linda vila.

Farol da ilha de Dokos em nossa bochecha de bombordo

14:36 Rumo 037° . Demos uma volta no porto de Hidra e agora rumo a Poros.

15:30 Dobramos o cabo Skillaion, rumo 300 para o estreito de Poros onde chegaremos em meia hora.

17:00 Jogamos o ferro na baia ao norte de Poros. O porto cheira mal, segundo o pilot.

Ao nosso lado o Puravida, de suíços, que estava conosco em Kioni, onde fizemos amizade.

Saímos à noite para jantar, uma despedida da Leda e do Baleche que viajam amanhã para Atenas, depois Londres.

Fomos jantar num restaurante simpático onde comi muito bem. Explico o "comi" pois o garçom esqueceu os outros pedidos e só trouxe o meu!

Comecei a comer devagarinho (para não esfriar) e pouco a pouco acabei com o que tinha no prato e nada para eles.

Bem, antes tínhamos tomado uma garrafinha de Ouzo, comido batatas fritas, polvo, feta e folhas de uva enroladas. Deu para agüentar.

Mas a bebedeira no final foi grande, pois sem comida só se bebia, e o garçom para desculpar-se trouxe como oferta da casa outra garrafinha de ouzo.

Voltamos tarde da noite, não sem antes termos passado por uma doceira onde tomamos café e Metaxa.

Musica a bordo, na volta.

Um pouco de violão e cantorias brasileiras.

Chegamos e encontramos diversos E-Mail do Milton, pois tivemos problemas de comunicação agora resolvido.

São sempre simpáticas as mensagens do Milton, que devera chegar a Atenas próximo dia 5.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, August 22, 1998

Depois de um bom café da manhã fui levar de inflável o Baleche e a Leda ao porto, onde de catamarã veloz vão à Atenas.

Muitas despedidas, malas, (como estou feliz em poder viajar sem carregar malas) lá se vão eles. Foram simpáticos, gentis e sempre boa companhia.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, August 23, 1998

Arrumação geral no San Marino. A Milena esta cansada, mas trabalha assim mesmo.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, August 24, 1998

Mais um dia de trabalho, há muito o que fazer.

 

Calculei nosso consumo pois precisaremos abastecer de óleo diesel outra vez.

Os resultados:

De Pescara até aqui, (62 dias) navegamos 885 milhas usando 123 horas de cada motor.

Consumimos 5130 litros, o que dá uma média de 5,79 litros por milha.

Temos navegado a 8 nós, 1500 RPM.

O gerador, que nunca trabalhou tanto (fica ligado sempre para agüentar o ar condicionado) trabalhou 344 horas, consumindo 2320 litros, 6.74 litros por hora.

Como pagamos um máximo de US$ 0.30 por litro, dá para saber quando estamos gastando em cruzeiro, isto é, US$ 2234,64, ou seja 1200 dólares por mês, um pouco mais do que gastaríamos presos em uma marina.

O Baleche telefonou. Estão ainda em Atenas, pois não conseguiram antecipar o vôo para Londres. Será difícil nos encontrar-mos pois daqui a 3 dias eles embarcam. Boa viagem!

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, August 25, 1998

Continuamos em Poros, e parece que vamos ficar mais. A cidade é encantadora, a baia muito bem protegida dos ventos. Balança um pouco quando passam os ferryes mas é bom para nos manter marinheiros. Temos que ter cuidado para não deixar nada solto, pois quando eles vem vem como loucos e se a marola (mais de 1 metro) nos pega de través, rolamos uns bons 20 graus.

Poderíamos ter parado no cais da cidade (que também balança) mas aqui temos mais privacidade e nenhum cheiro de esgoto, que nos dias quentes (todos) por lá aparece,

Cortei meu cabelo, Milena fez compras, começamos a viver a vida da cidade.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, August 26, 1998

Continuamos curtindo Poros. A cidade é encantadora, começamos a fazer alguns amigos.

A vida é a seguinte.

Acordamos às 10, de inflável vamos à cidade comprar jornais (a Milena é sempre bem informada), compramos algumas coisinhas que necessitamos no dia a dia (e também algumas roupas pois as de Poros são especiais) sentamos em um bar para um café gelado batido (muito bom) ou um Ouzo. Comemos alguma coisa leve e voltamos às 14 para o San Marino.

Uma siesta, alguns pequenos serviços à bordo (estou colorindo as cartas que comprei do australiano, pois são cópias e difíceis de usar se não forem coloridas ao menos nos limites terra-mar) e às 19 voltamos a cidade para nosso giro noturno que geralmente acaba no outro dia às primeiras horas.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, August 27, 1998

É a mesma vida de sempre. Nos divertimos com o casal francês do Maiti, uma escuna que está a nosso lado, a uns 50 metros.

Passam o dia completamente nus e nem se importam com o transito constante de barcos, e a cidade bem em frente. Estes franceses!

Há tipos interessantíssimos na cidade. Um senhor barbado, com cara de mendigo, passa o dia de bar em bar. Cada vez que passo em um bar diferente, lá está ele. É onipresente

Fizemos um belíssimo jantar num restaurante muito romântico chamado Plátano, cujas mesas estão sob a grande arvore.

O vinho era excelente, a comida razoável, a noite foi alegre e excitante.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, August 28, 1998

Consegui hoje acabar o dispositivo que segura as panelas sobre o fogão em caso de mar bravo.

São 4 anos navegando sem isto. Na verdade, se rola um pouco, usamos o microondas ou a Milena fica de olho, segurando as panelas, (na verdade elas não escorregam muito sobre a placa de vitrocerâmica) o que era perigoso.

Não tinha também feito antes pois faltava uma boa idéia. Estes dispositivos são sempre complicados e nunca funcionam bem.

A boa idéia veio, comprei uma barra de alumínio anodizado e com um pedaço de mogno ainda original da construção realizei o projeto.

Ficou ótimo, bonito e leve.

Nosso jantar de hoje, no restaurante onde um dos proprietários caça fregueses a força foi uma repetição do de ante ontem.

É que tínhamos comido tão bem que voltamos ao mesmo lugar e pedimos os mesmos pratos, pratica que usamos muito pouco, pois a Milena quer sempre conhecer lugar novo.

Aproveitei para comprar whisky em uma loja muito engraçada, que parece ter um estoque enorme, devido à quantidade de caixas na parede.

Na verdade estão todas vazias. Quando se pede - quero aquele - a resposta é - não tem mais -.

Sobram pouquíssimos tipos de bebida e tivemos que nos contentar com aquilo com a única marca.

Nossa explicação: O pai do proprietário (do qual ha uma foto na parede) controla diariamente o estoque, e o tipo bebe (fica sentado em uma mesa com amigos, copo na mão).

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, August 30, 1998

Decidimos atracar no cais da cidade para abastecer. Temos ainda 3000 litros de óleo diesel, mas vem nosso amigo Milton e pode querer fazer uma viagem mais longa. Alem disto, temos mantido o gerador ligado o dia inteiro, devido ao ar condicionado e obviamente ao calor.

Compramos óleo a preço razoável, 40 centavos de dólar por litro, depois de negociar muito, pois não ha tax free na Grécia, mas os preços são razoáveis, um terço da Itália e outras europas.

18:00 Chegou o caminhão tanque.

O abastecimento foi tranqüilo, pegamos 7000 litros que quase encheram nossos tanques.

O San Marino está novamente pesado e com trim negativo (1 grau), pois deixei os tanques de proa totalmente cheios. Assim que os de popa derem lugar, transfiro 1500 litros e acerto o trim.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, August 31, 1998

Estamos bem aqui na cidade. Resolvemos ficar por aqui ate a chegada do Milton e da Jeane, pois estamos seguros que eles vão adorar a ilha.

Iremos à Atenas de Flying Dolfin, um hidrofoil muito rápido que faz o percurso em menos de uma hora.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 01, 1998

Telefonou o Baleche. Já estão no Brasil, voaram via Londres. Parece que gostaram da Grécia, apesar do calor.

Em S.Paulo estão passando frio.

Já estamos sentindo a falta deles.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 02, 1998

Mudamos de lugar. A conselho do capitão dos portos, nos mudamos para boreste de um rebocador muito grande que esta atracado também aqui.

Assim poderemos ir à Atenas buscar o Milton deixando o San Marino em segurança.

Se nosso ferro se soltar (acontece freqüentemente de outro barco ao subir seu ferro, soltar o nosso) pois são muitos os barcos a atracar e desatracar, eles passarão um cabo no rebocador.

Tudo seguro.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, September 03, 1998

03:00 Telefonou o Felipe, contando sua viagem e agradecendo a nossa hospitalidade.

Tivemos um período muito agradável com ele, visitando algumas ilhas do ionio. Topa tudo, esta sempre alegre e entende rápido nossos loucos pensamentos.

Continuamos a preparar o San Marino para a chegada do Milton. Dei uma verificada no gerador e nos motores, ontem lavei o Fly Bridge e hoje lavarei o resto do barco.

A Milena esta fazendo a arrumação geral rotineira, e vamos fazer provisões hoje.

Aqui em Poros se encontra de tudo e estamos bem atracados, só falta eletricidade mas podemos ligar o gerador quando queremos pois estamos com nosso costado de bombordo (onde se encontra o escapamento de gerador) contra um grande barco.

Quem esta ao nosso lado é o rebocador Asteri, de Piraeus, um lindo rebocador que visitamos ontem e é cuidado pelo Costas, que depois veio bater um papo conosco.

Eles executam missão de salvamento e resgate. Ficam por aqui parados sempre (ha 14 anos) e quando ha um pedido de socorro, se a presa vale a pena, saem no tempo mais bruto para rebocar e resgatar o navio.

Se conseguem, ficam com 1/3 ou 1/2 do navio, que é o costume internacional muito antigo.

O rebocador foi muito pouco usado, (tem 27 anos) e eles querem vender para ser transformado em iate. Daria um belo iate, pois para o tamanho custa pouco (300 000 dólares) e está perfeito.

Tem 80 metros de comprimento, desloca 500 toneladas e carrega 200 toneladas de óleo combustível com um motor de 3500 bhp e 325 rpm.

Deve consumir a 10 nós (o top é 14 nós) uns 200 litros por hora.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, September 05, 1998

09:00 Já estamos no cais, aguardando embarque no Flying Dolphin para Piraeus.

É que o Milton e a Jeane chegam em vôo de Roma, vamos espera-los no aeroporto.

Viaja-se bem nestes hidrofoils, são rápidos e estáveis, mas muito barulhentos.

Fizemos em uma hora aquilo que o San Marino faz em meio dia.

Mas com pouca poesia.

Há muito não víamos o Milton e a Jeane.

Lá estão eles saindo pela porta de desembarque, alegres e à vontade.

Eles viajam muito, estão acostumados.

Trazem muitas malas. Da outra vez que vieram, quando estávamos em San Remo, trouxeram para nós os casacos da Milena e os álbuns de fotografia.

Carregaram muito peso para nós, mas foram de muita utilidade aquilo que trouxeram.

Agora, trazem boas noticias do Brasil, de nossos amigos e filhos.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, September 06, 1998

Para conhecer Poros, que tanto nos está agradando, o Milton alugou um scooter e lá vamos nós girar toda a ilha.

Há um belo mosteiro, vistas como sempre magnificas, sites arqueológicos e muita natureza.

Poros é relativamente verde, muito mais que as outras ilhas gregas.

A Milena e a Jeane usam capacete (têm razão, é mais seguro) mas aqui na Grécia, com todo este calor, acho que são as únicas.

A Jeane demonstra grande coragem ao embarcar na garupa do Milton, que logo se mostrou bom motociclista. Todos rimos muito, pois ela acabou confessando que nunca pensou que andaria de moto na vida.

Há um veleiro brasileiro no cais. É o Viva, do Rio.

Tentamos chama-lo, não há ninguém a bordo.

É o primeiro barco com bandeira brasileira que vemos, desde Gibraltar.

Passado algum tempo eles aparecem no San Marino.

São a Ira e o Pedro Couto.

Estão vindo da Turquia, retornam pelo mediterrãneo.

Trocamos informações, pois eles vão de onde viemos e vice versa.

Eles só tem esta noite, partem amanhã.

Pena, pois poderíamos curtir um pouco os simpáticos brasileiros.

A noite terminou com um belo jantar, com muito vinho e ouzo.

Resultado: violão, muita cantoria, e uma musica desafinada no cais, acordando o pessoal do Viva, que tanto descanso precisam para a viagem de amanhã.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, September 07, 1998

9:35 Motores ligados vamos levantar ferro e deixar Poros

10:10 Ancorados na Russian Bay, uma baia onde ha uma velha capela russa.

Foi base naval russa, no século 19, é uma bela baia de águas calmas.

Conosco Milton e Jeane.

A água convida a nadar, descansamos, comemos alguma coisa, passamos um belo dia.

15:30 Levantamos ferro, rumo a Aegina.

17:01 Estamos atracados em Aegina. Foi uma atracagem difícil, pois o ferro que lançamos sempre ao atracarmos de popa para o cais correu, como o Pilot book já previa: "fundo de pouca pega".

Como o vento estava um pouco forte, forca 5, o Milton e a Jeane tiveram que trabalhar muito. Ele, saltando de forma heróica para passar o cabo nos anéis de terra e ela com uma defensa impedindo nossa colisão com um pequena lancha que quase solta dançava ao nosso lado.

Para aumentar a confusão, uma vez presos à terra e com o ferro bem firme, o cabrestante de popa parou de funcionar. É com ele que levo o barco mais perto de terra e ajusto os comprimentos dos cabos de popa.

Tivemos que usar o motor em ré para fazer este trabalho, e acabamos ancorando.

Fui à capitania, onde apresentei os documentos e dei entrada na Crew List.

O fim da tarde foi usado para consertar o cabrestante, que apresentou defeito no interruptor. Estava um pouco oxidado e também o parafuso onde o cabo elétrico faz contato.

Saímos a noite para jantar, estava mau, mas divertido.

Antes a Jeane e a Milena tinham comido um Pita Giro de frango, muito bom e também trouxeram para nós.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 08, 1998

Colocamos a moto em terra e saímos para conhecer a ilha. O Milton alugou uma, e a Jeane corajosamente acompanhou o marido.

Saímos rumo norte, paramos em uma praia em Souvala para nadar, comemos alguma coisa num restaurante onde o Milton logo fez amizade.

Fomos visitar o templo de Aphaia, uma deusa local, que está muito bem preservado.

É em estilo dórico, vale a pena a visita.

A Jeane que é escultora, deve ter apreciado mais que nós estas rochas tão bem trabalhadas há mais de 3000 anos.

A Milena tentava localizar o Profit Elias, que os guias mandavam procurar.

Não achávamos. Há uma grande quantidade de "Profit Elias" na Grécia . Aqui é o ponto mais alto da ilha, uma montanha de 532 m, que quase subimos toda de moto.

Na volta acabou a gasolina da moto do Milton, o qual em linguagem mímica universal foi logo pedir a um habitante um pouco deste explosivo liquido.

Muito contente, nos disse "ele já vai trazer".

Logo em seguida chegou o ilhéu com uma garrafa de água!

Resolvemos por nós mesmos, transferindo metade do pouco que tinha na nossa moto para a dele.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 09, 1998

Novo passeio de moto.

Desta vez subimos para o norte, depois leste.

A ilha é bela, e avista-se desta costa sempre o outro lado da baia, Atenas.

Aegina foi poderosa potência náutica entre os séculos 6 e 7 antes de cristo.

Daqui observavam Atenas, sua grande rival, que acabou destruindo-a.

Posso imaginar a grande frota naval ateniense, navegando estas águas límpidas, preparando o ataque à ilha que se defendia.

Passeando de moto por toda a ilha, quando chegamos à ponta NE deixamos as mulheres passeando um pouco a pé, e Milton e eu, continuamos a subir uma encosta de moto.

Chegamos até o fim do caminho. Do jardim de uma bela casa, um senhor nos dirigiu a palavra e nos convidou para visita-lo.

Voltamos, pegamos as duas, e retornamos à casa do Dieter (este o nome dele), o qual logo nos ofereceu uma cerveja.

Ele tem um pequeno teclado, tocou Mozart, bebemos e combinamos um jantar a noite.

Ele chegou ao San Marino com presentes e nos levou a um restaurante no sul da ilha, em Marathonas.

O Dieter, como tantos alemães é filósofo, desta vez parece que por profissão, pois nos disse ser escritor.

 

LOG ENTRY FOR: Thursday, September 10, 1998

O Milton nos convidou para ir à praia. Lá fomos nós para Marathonas.

Ele descobriu um restaurante, o Tavern Paris do Michalis Potamianos, onde comemos realmente muito bem.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, September 11, 1998

11:45 Lá se vão o Milton e a Jeane.

Acabam de embarcar em um ferry, destino Piraeus, Atenas.

De lá retornam a Roma, para continuar sua viagem pela Europa.

Só pudemos apresenta-los a duas ilhas gregas, mas a semana que passamos juntos foi muito divertida.

Logo em seguida chegou a Teodosia, uma grega que tínhamos conhecido em uma visita a um mosteiro, e ela nos convidou para jantar.

 

LOG ENTRY FOR: Saturday, September 12, 1998

11:30 Estamos saindo do porto de Aegina, rumo a Lavrion.

Serão 39 milhas, umas 5 horas de viagem.

13:00 Estamos no rumo da ilha de Gaidhouróniso, 108 graus, 9 nós, 1600 Rpm.

O mar é calmo com ventos SE, força 3.

A previsão é de ventos fortes, de N, mas pretendemos chegar antes que os ventos mudem.

15:10 Ilha Gaidhouróniso no través de boreste. Mudo o rumo para 140° par evitar um rochedo que aflora em nosso rumo.

Manterei este desvio por 0.6 milhas e depois começo a costear, rumo norte, a península ateniense.

Lavrion esta a 10 milhas.

17:10 bem amarrados, atracados na marina.

A entrada foi um pouco difícil, não pelas manobras, mas porque não havia na carta que temos a bordo, nenhuma indicação das construções atuais.

A carta era antiga e a marina nova. Mostrava um navio afundado que não vi e nada de barragens.

Pedi ajuda por radio, e eles mandaram um inflável nos guiar.

Tudo foi modificado por aqui e o navio afundado foi removido.

A Marina é excelente, tudo é perfeito, água a vontade, eletricidade trifásica de 63 ampères, muito protegida, estamos muito bem.

 

LOG ENTRY FOR: Sunday, September 13, 1998

Domingo, vamos aproveitar para descansar, nenhum trabalho a bordo.

13:00 A Milena decidiu fazer um bom almoço de comemoração, com melão com presunto português (presente da Lady Wandita) espaguete com molho de pimenta e sobremesa com doces de Aegina, excelentes.

Da minha parte abri um bom Barolo.

Resultado, dormimos o dia todo depois de tanta comida.

Pena que o Milton e a Jeane já não estão conosco, pois como estávamos sempre atracados em cidades, não podendo usar o gerador, não podíamos cozinhar muito a bordo.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, September 14, 1998

12:00 Mudamos de lugar no cais. Estávamos com a proa para o sul, no lugar de barcos menores, agora mudamos para o outro lado do mesmo píer, com a proa para o norte. É melhor como segurança, pois os ventos predominantes são de norte, nossa cabine de comando recebe menos sol, mas em contrapartida nosso jardim de popa fica menos utilizável, pois recebe sol sempre.

Vale no inverno, não agora.

Comecei as tratativas para comprar um novo banco de baterias. As nossas (compradas em 1991) não agüentam mais.

Quando em Atenas, troque apenas uma célula, deu para recuperar o banco numero 2, mas ha 4 dias o banco numero um também teve uma de suas células pifadas. É melhor trocar tudo, é mais seguro.

Vamos ver se o prazo de entrega e o preço serão bons.

Aqui na Grécia, é preciso negociar muito para se obter bons preços.

Vieram pela manhã a Frolo e a Katherine, duas moças gregas que vão fazer a limpeza do San Marino enquanto estamos por aqui.

Combinamos os preços e elas já começaram. São muito simpáticas, vieram de moto, muito envenenadas. Vão limpar tudo, inclusive a parte de fora.

 

LOG ENTRY FOR: Tuesday, September 15, 1998

Ao analisar o serviço feito pelas moças verifiquei que muitas partes da pintura Awlgrip do casario estavam riscadas. Antes que elas chegassem dei uma olhada no material de limpeza que elas usam e lá estava: Vim em pó (abrasivo) e scotchbrite (ainda mais abrasivo).

Não que nossa pintura estivesse perfeita, mas tinha ainda o antigo "gloss" original do Awgrip e agora está em quase todas as áreas riscado.

Tentei polir com a maquina, melhora um pouco.

Quando elas chegaram, mostrei o problema, que elas argumentaram nunca ter tido apesar de limpar sempre diversos barcos. A verdade é que nosso Flybridge ficou uma beleza, pois lá é gel coat que já estava sem brilho, e com o sapóleo voltou a ficar branco.

Começaram então a chorar, ficou tudo por isto mesmo e continuaram o trabalho.

Tampem não daria para remediar, e agora temos certeza de ter duas mocas que não irão mais usar vim em pó, principalmente em nossas torneiras que são douradas e contem um verniz protetor que seria removido com o vim em pó.

Acabamos a negociação das baterias, conseguimos um bom preço.

O pedido foi feito, deve demorar umas três semanas para chegar.

Vamos ver se dá para instalar antes da chegada do Flávio, (nosso filho vem nos visitar) ou se teremos que instala-las depois.

 

LOG ENTRY FOR: Wednesday, September 16, 1998

Chove! É rápido e depois soubemos que só choveu aqui na Marina, mesmo em Lavrion a 2 km, ficou seco.

Mas deu para matar a saudade!

As meninas continuam limpando, o San Marino nunca esteve tão branco.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, September 18, 1998

Comecei a limpar os porões, serviço chato mas necessário ema vez por ano.

Um deles estava cheio de água, condensação do ar condicionado cujo dreno estava entupido.

Era exatamente o porão onde guardo as máquinas elétricas portáteis (serra circular, tupia, lixadeiras, etc.) as quais estavam submersas.

Felizmente é água doce.

Este compartimento do porão, estava lacrado para água não entrar, assim a água também não saiu e ele ficou cheio.

Tive que lavar todas as maquinas, lubrifica-las e testa-las.

Apenas a bomba de vácuo para geladeira não funcionou, precisou ser desmontada e seca.

Como o clima aqui é muito seco, deu certo. Se não seria necessária coloca-la no forno, em baixa temperatura (de suspiro, como dizem os franceses).

Todas as noites temos ido a Lavrion.

A cidade é feia mas tem seus encantos e é muito alegre . Toda a população sai à rua.

Hoje acabei me metendo numa briga, pois um rapaz parou sua moto e partiu para cima de uma moça sozinha, agredindo-a com violência.

Quando lá cheguei (estava do outro lado da rua) mais duas pessoas ajudaram a separar o bruto, e a moça fugiu.

Felizmente não sobrou nenhuma pancada para o meu lado, só arranquei a mão dele do pescoço da infeliz.

 

LOG ENTRY FOR: Monday, September 21, 1998

Choveu novamente pela manhã. Como sempre muito pouco. Ainda há uma frente fria, ou o rabo dela, por aqui. A umidade está 80% com 1015 Mb e 27 graus.

16:00 Estamos voltando de Sounion, que fica na ponta sul da península de Attica, Atenas.

Lá está o templo de Poseidon, cuja construção começou no século 5 antes de cristo.

O local é impressionante, altas rochedos sobre o mar, e no alto o templo, do qual restam as magnificas colunas e algumas traves, em pedra lavrada com precisão e beleza de proporções, como sempre na Grécia antiga.

Voltamos em nossa moto e no caminho paramos num restaurante e comemos uma bela lagosta em companhia de dois gatos como é comum aqui na Grécia.

Os gatos e cachorros, vivem soltos, sem donos, se alimentando ali e aqui. Todos na maior paz, não brigam e se mostram sempre muito gentis.

Vivem da caridade publica e das sobras que nos outros países vão para o lixo.

 

LOG ENTRY FOR: Friday, September 25, 1998

De taxi, fomos para Atenas liberar na alfândega algumas peças para o dessalinisador que vieram dos EUA.

Como sempre a mesma burocracia que estamos tão acostumados no Brasil.

Mas a bagunça por aqui é muito maior.

Um despachante logo se apresenta e faz todo o trabalho burocrático, e nós vamos segundo-o de guichê em guichê. Como e normal na Grécia, eles vão gritando um com outro, mas tudo acaba sempre bem.

Pagamos um equivalente a uns 30% do valor e liberamos a mercadoria.

Aproveitamos o taxi para comprar um reparo para o cilindro hidráulico do tilt do Johnson 50 HP e voltamos esfomeados.

18:00 Telefonou o Flávio. Ele esta vindo para cá diretamente, chegará amanhã.

Estamos esperando-o para quinta feira próxima, dia 1, mas ao embarcar para os EUA onde ficaria alguns dias, constatou que seu visto estava vencido.

Mudou para cá a viagem. Ganhamos nós que os teremos mais cedo, mas sentimos muito ele perder esta viagem a Orlando onde iria participar de uma feira de Wakeboard, esporte onde é campeão!